Your Window Pane, [Cobrina/Perina]

3 "They all feel so far away..."


Notas iniciais
Demorei um bocado, né? Na verdade nem pretendia continuar, mas aí recebi uma mensagem da Suellem R, e ela me deu inspiração. Espero que ainda tenha leitores. Muito obrigada linda, essa é pra você! :')

Pedro não aguentava mais se lamentar sem ter sua esquentadinha. Ele precisava dela, e precisava encontra-la, e bom, só podia fazer isso indo até a casa dela onde provavelmente ela ia estar em estado trágico, chorando e lamentando seu namoro de “mentira”, certo? ERRADO!

Pedro fora e voltara da casa da namorada e nem sinal dela. Então, de repente ele teve uma ideia e no mesmo momento em que a teve, se odiou por isso, e por que não dizer? Odiou a Karina também. Nesse momento, ele estava em frente ao QG, onde estava tudo escuro, aparentemente Cobra já havia fechado. Seu coração deu um brutal solavanco quando viu a sombra de duas pessoas se agarrando, um, ele tinha certa, era o Cobra, e a outra, a sombra menor...

– KARINA! KARINAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! SAI DAI! – ele começou a dar socos descontroladamente na porta de vidro do QG — ESQUENTADINHA, EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ COM RAIVA DE MIM, MAS EU VOU TE SALVAR, MEU AMOOOOOR! KARINA! COBRA, SOLTA ELA!

E, bem, era de noite, ou seja, o escândalo do Pedro foi o que bastou para acordar o bairro todo. E diga-se de passagem, era um bairro muito fofoqueiro. Várias cabeças curiosas estavam nas janelas, portas, os mais ávidos por acontecimentos já estavam saindo na rua, ao lado de Pedro, formando uma pequena multidão. O rapaz não parava de gritar.

No QG.

– Porra! – xingou a lutadora, empurrando o “namorado” de cima dela. O rapaz estava só de cueca, e justamente na hora em que ia tirar ela escutara a voz de Pedro gritando que nem um louco seu nome na frente do QG. – Essa hora a frente do QG deve estar lotada... o povo desse bairro adora uma fofoca... – ela se levantou, desesperada.

E pra completa infelicidade de Cobra – que depois que a “namorada” o empurrava não demonstrou nenhuma reação, de tão estupefato que ficou – Karina começou a se vestir, ela já havia colocado calcinha e sutiã quanto Cobra pegou seu shorts e blusa da mão dela e ergueu no alto – sabendo que K não tinha altura pra tirar as peças dele.

– Não, você NÃO vai embora assim! – gritou.

– Cobra... para de palhaçada, me devolve a minha roupa... o Pedro tá aí fora gritando que nem um maluco, daqui a pouco meu pai vai estar aqui... é isso que você quer? – ela disse muito nervosa.

Cobra pareceu processar tudo que ela disse antes de entregar-lhe as roupas.

– Mas a gente vai se ver de novo, não vai? – ele disse quase (N/A: QUAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAASE) em tom de ameaça.

– Sim, sim, claro – ela disse se vestindo rapidamente e indo até a porta do QG, onde uma comissão a aguardava.

(POV- K)

Puta que pariu. Quanto fofoqueiro.

– KARINA! O QUE VOCÊ ESTAVA FAZENDO LÁ? – só de olhar pro Pedro me faz ver vermelho, agora ele ME questionar é algo que não posso nem mesmo suportar.

– O QUE TE FAZ PENSAR QUE VOCÊ TEM ALGUMA COISA A VER COM A MINHA VIDA? VOCÊ PERDEU ATÉ O DIREITO DE FALAR COMIGO, PEDRO! ME QUESTIONAR ENTÃO? – ri sem nenhum humor- É COMPLETAMENTE INACEITÁVEL!

Todos ali pareciam estar diante de um filme. E cara, eu odeio ser alvo de atenção. Mas eu simplesmente não podia deixar o Pedro achar que pode me questionar.

– KARINA, VOCÊ ESTAVA LÁ... EU VI – ele gritava mais ainda, e de repente me ocorreu a ideia de que se meu pai me vir aqui as coisas realmente vão estar ruins pro meu lado, então decidi que era melhor sair daqui logo, antes que todo mundo perceba o verdadeiro motivo da briga. Posso dizer pro meu pai que é simplesmente uma briga de ex-namorados e fim. É, é isso mesmo que vou dizer.

– CALA A BOCA! CALA A BOCA! – gritei desesperada – VOCÊ NÃO TEM MAIS NADA A VER COMIGO!

Eu preciso sair daqui... eu preciso...

Mas quando eu acho que vou conseguir sair dessa sem nenhum “dano maior”, o Cobra, o próprio “Dano”, sai do QG e eu tenho que segurá-lo para que ele não bata no Pedro.

– Cobra, para com isso!

– Se toca, guitarrista, ela tá comig... – tampo a boca daquele infeliz antes que ele posso terminar. Como assim ele ia ferrar com tudo? Eu tava tão bem!

– CALA A BOCA VOCÊ TAMBÉM! EU SÓ TAVA LUTANDO COM O COBRA. ELE É MEU AMIGO! VOCÊ TÁ SATISFEITO? NÃO QUE EU TE DEVA EXPLICAÇÕES PORQUE O QUE VOCÊ FEZ COMIGO FOI MÓ MANCADA, TÁ? – sai dali correndo, antes que algum dos dois idiotas fosse capaz de piorar ainda mais uma situação já bastante ruim.

Cheguei batendo a porta mesmo, não que isso seja novidade, mas a quantidade de gente em casa com certeza era. Duca, Bianca, meu pai, Dandara, João e até mesmo o Renê estavam lá. Aparentemente numa discussão horrorosa. Ótima, pra fechar meu dia com chave de ouro.

A confusão era tanta que a única coisa que consegui realmente entender foi “teste de DNA”.

Juro que tentei me omitir e correr direto pro meu quarto, mas quando me viram as reações foram as pires possíveis.

– KARINA, ONDE VOCÊ ESTVA? – gritou meu pai.

– Eu... tava na academia, pai. – eu disse com meu melhor tom de “olá, eu estou mentindo”. E é claro que não funcionou.

– NÃO ESTAVA NÃO! O DUCA ACABOU DE DIZER QUE QUANDO FECHOU NÃO TINHA MAIS NINGUÉM LÁ. – ele se virou, parecendo se lembrar da confusão e mandou Renê embora aos berros – O QUE VOCÊ AINDA ESTÁ FAZENDO NA MINHA CASA? VAI EMBORA ANTES QUE EU PERCA A CABEÇA.

– Pelo jeito isso você já perdeu, né Gael? – disse Dandara friamente e puxando o João, eles (e o Renê, com uma cara de pânico) foram embora.

Meu pai sentou no sofá e começou a passar a mão na cabeça do jeito que sempre faz quando está nervoso.

– É sério, Karina. Não me enlouquece. Aonde você estava?

– Você tava com o Pedro, K? Vocês voltaram? – disse a patricinha mimada nojenta da minha irmã com um sorriso estúpido no rosto.

– Não, por que? Você vai pagar ele pra voltar comigo agora?

(xxx)

(POV – Cobra)

“K, me liga assim que der, por favor”

“K, é sério, tô ficando desesperado, me desculpa se eu fui um idiota, se eu apressei as coisas demais... eu realmente gosto de você, ...”

“Karalho Karina! Não foi pra tanto... me responde, pô!”

Tá, confesso que tô perdendo a cabeça mas tô ficando louco sem notícias dela.

Será que eu vou até lá? Não,não... com o mestre Gael? Seria suicídio. Melhor ficar na minha esperando ela me ligar. Se ela ligar, né? Do jeito que a K é...

Será que ela fez as pazes com o guitarrista? Não, claro que não, ela nunca fará isso.

Se arrependeu? Talvez, já que essa foi a segunda vez que a gente ficou e ela quase deu pra mim. Pior. Ela quase deu pra mim sendo virgem. Que sorte,,, ! Nunca fiquei com uma virgem, sempre quis saber como é. E ainda mais sendo a K... eu gosto tanto dela, e diferente da Jade, eu não quero esconder esse sentimento, é grande demais, intenso demais, diferente demais...

É ele que age por mim. Penso nisso enquanto deslizo minhas mão até o meu pênis, que mesmo depois de a K ter ido embora não consegue parar de lembrar do toque dela, da maciez da pele... e ela nua. A coisa mais linda desse mundo.

Não consigo parar de pensar nas posições que faremos (N/A: Sim, ele é bem otimista uahauh), naquela boquinha linda me chupando, naqueles olhos azuis brilhando enquanto eu gozo no rosto lindo dela... e fazer anal com ela, então? Seria um sonho.

E com esses pensamentos eu chego num orgasmo super intenso, mas diferentemente do que eu quero não gozo no rosto, nos seios, na bunda e nem em nada que pertença à Karina.

E isso me enche de raiva. E acabo jogando o celular longe, que quica no saco de pancada e sai no tatame.

Por que diabos ela não me responde?

(POV – K)

“K, me liga assim que der, por favor”

“K, é sério, tô ficando desesperado, me desculpa se eu fui um idiota, se eu apressei as coisas demais... eu realmente gosto de você, ...”

“Karalho Karina! Não foi pra tanto... me responde, pô!”

É, eu não consegui segurar um sorriso. Nem mesmo com a última mensagem. Ele deve estar desesperado pra falar comigo... mas não posso ligar, seria muita bandeira.

Mal tinha acabado de digitar uma resposta quando a Bianca entra no quarto batendo a porta e me olhando com lágrimas – provavelmente falsas – naqueles olhos – muito falsos – e me pede – de um jeito falso – desculpas.

A última hora ela passou na sala discutindo com o meu pai. Na verdade, mais ouvindo do que falando. Ele ficou muito inconformado com a história de ela ter pago o Pedro...

O Pedro... aquele idiota que me fez pensar saber o que é amor. Eu não consigo nem ao menos pensar nele sem chorar quando estou sozinha. Pelo menos, quando estou com o Cobra e ele me abraça eu consigo esquecer... mas assim, sozinha, eu simplesmente não consigo.

Aumento o volume da música enquanto a vaca da minha irmã tenta – em vão – me fazer escutá-la.

“... Put on some better tunes you know I’d listen in to hear the best of you cry more

No I’ll save you

And these wonderfully dull days,

They all feel so far away…”

They all feel so away. Realmente, meu dias com o Pedro parecem muito distantes.. e até inacreditáveis. Engasgo com o choro na minha garganta lembrando do quanto éramos felizes.. de como aquele jeito bobo dele me fazia sorrir.. e será que um dia eu esquecerei ele? O verdadeiro primeiro amor?

(POV – Pedro)

“And I’ve stretched my skin to the nail,

But no way, out from the inside trains wreck,

All we remember

You hope

It’s just where

We left it through

Your Window Pane..”

Eu não consigo parar de chorar, como se isso adiantasse alguma coisa.. mas olhar ela, nossas fotos... todas nossas lembranças boas... até mesmo quando ela me batia um pouco forte demais ou nossos tantos desentendimentos à respeito de seu pai, o Mestre Cruel.

Como eu pude fazer isso com a minha esquentadinha?

Eu me odeio.

E odeio mais ainda me sentir tão incapaz... eu não vou, não posso desistir dela.

Como eu faço pra ela entender que eu a amo de verdade? Que o dinheiro foi só uma besteira que parece que aconteceu a um milhão de anos?

Notas finais
Gostaram? Alguém? UAH