Your Window Pane, [Cobrina/Perina]
4 "All of my definite choices all seem to slap me ..."
Notas iniciais
(POV – Pedro)
Eu faço de tudo pela minha esquentadinha... mesmo que seja suicídio. Cala a boca Pedro, essa não é a hora de pensar, você nunca foi bom nisso mesmo...É hora de agir, depois você pensa. É, isso aí.
Eu tenho que ter esses pensamentos corajosos enquanto subo o poste que vai direto pro quarto da minha esquentadinha. Já sei, já sei... “Péssimo plano” “que plano bobo” “o Pedro é lindo” eu concordo com a última parte, já que é um plano super bem organizado, modéstia não precisa não.
Mandei um sms pra minha eterna cunhadinha.
“Pássaro livre, gato no galho! Distrai o gurila!”
E os códigos? Muito bons, né, minha Idea, claro. Assim que ela me respondeu, eu tinha acabado de chegar na sacada da janela, me escondendo. Bi chegou, dando a desculpa de que o quarto estava muito abafado e abriu, ela me olhou como que dizendo “Vai”.
– K, vou lá embaixo, quer alguma coisa?
– Quero sim – ouvi a voz cheia de ironia da minha esquentadinha, awm que linda — que você morra. –terminou friamente. Como eu disse, linda.
Esperei o barulho da porta batendo que indicaria que a Bi tinha trancado a porta.
Um.
Dois.
Três.
Entrei. Ela estava deitada de barriga pra baixo, usando uma blusa de manga cumprida e um shortinho preto curto que só podia ser pijama de tão colado que era, balançava a cabeça no ritmo de alguma música que eu não ouço devido aos headphones. A minha esquentadinha é tão gostosa...
Eu ensaiei tanto esse momento, mas agora não sei o que falar... De novo, decidi que agir seria melhor. Me aproximei dela e sentei na beirada da cama. Pode ser que seja suicídio, mas... por ela, vale a pena.
Toquei sua cintura, esperando que ela olhasse pra mim.
(POV – Karina)
“But if you close your eyes
Does it almost feel like
Nothing changed at all?
And if you close your eyes
Does it almost feel like
You've been here before?
How am I gonna be an optimist about this?
How am I gonna be an optimist about this?”
Sendo otimista, meu lance com o Pê até que foi bom... e realmente, fechando os olhos parece que quase nada mudou, posso muito bem imaginá-lo aqui, no meu quarto, tendo subido pelo o poste como costumava fazer. Sorrio da minha bobeira, até que sinto algo no meu braço.
Reação de anos de muay thai: jab, chute e... meu, esse no chão é Pedro!
“Nothing changed at all”
– Aíii K! –ele estava com as mãos no Mick Jagger, pra variar, eu havia acertado lá.
Calma, Karina. Respira. Não vai fazer besteira.
Confesso que surpreendi a mim mesma com minha próxima atitude: eu me ajoelhei no chão (acho que fiquei com pena do Pê).
– Me desculpa...
Ele me olhou surpreso. Af, será que eu realmente sou tão marrenta assim? Ok, não precisa responder.
– Pelo chute? Magina, esse até que foi fraco – em uma tentativa desesperada de se fazer de forte, ele se sentou na minha cama.
Peraí.
Pedro. Na. Minha. Cama.
Nunca mais!
– Nem acredito que ta preocupada comigo depois de tudo que eu fiz — ele disse envergonhado. Mas eu vou manter a calma.
– Nem eu.
– Esquentadinha, eu vim aqui me explicar e não saio daqui até você me ouvir...
– Não Pedro, já conversamos tudo que tínhamos pra falar, dá licença – levantei pra abrir a porta pra ele. Trancada. Ok, não sei se vou me controlar agora.
– Você e a Bianca armaram de novo pra cima de mim? SÉRIO?
Ele se encolheu na minha cama. Fofo.
Não.
Desprezível.
– K, a gente só queria que você...
– A gente? É uma dupla agora, oficial? Faça-me o favor, Pedro! Sai daqui!
Eu não iria conter as lágrimas por muito mais tempo, se o Pedro não saísse agora, eu desabaria na frente dele. E isso é simplesmente tudo o que eu tenho evitado desde o trágico dia.
Pra me contrariar, ele veio na minha direção. O empurrei com força, armando um golpe, e quando eu ia deixar o meu ex-namorado infértil de vez, ele me nocauteou primeiro.
Sim, ele me beijou.
Não correspondi, mas aqueles lábios macios do Pê... fizeram meu corpo e principalmente meu coração revirar de saudades. Meu corpo não entendia o quanto ele me fez sofrer mentindo pra mim.
Ele envolvia as mãos na minha cintura enquanto eu tentava desesperadamente interromper o beijo, aí ele deu o golpe mais baixo que eu já vi na minha vida.
– Eu te amo.
Pedro não era lutador, mas ta me saindo o adversário mais forte que eu já tive. Mais que o Cobra... chega, não agüento mais.
Eu tinha duas opções:
Me entregar ao beijo ou me entregar mais ainda, só que as lágrimas. E eu não vou mais chorar na frente do Pedro.
Ela riu de satisfação quando eu enfiei minha língua na boca dele, o sugando com a mesma intensidade; eu tinha muita saudade de chupar os lábios dele. Ele me imprensava contra a porta, esfregando a ereção na minha barriga. Eu sentia meu corpo queimar. É estranho porque eu nunca dei essas condições antes mas agora – depois do fim, o que é irônico – eu estava no maior amasso com o meu ex-namorado.
Ele me pegou no colo, e me colocou carinhosamente na cama, deitando por cima de mim. Eu estou preste a fazer uma loucura; ele me beijava, eu já estava sem fôlego quando ele passou a beijar meu pescoço tentando deixar sua marca.
– Pedro, vai embora...
– Não...
– Por favor...
– Eu te amo.
Desgraçado!
Por que ele sempre fazia isso?
Ele apertou minha bunda com força, como que respondendo minha pergunta, com a outra mão ele começava a abaixar meu shorts.
BUM!
Eu olhei direto pra porta: meu pai com cara de pouquíssimos – nenhum – amigo e minha irmã com cara de “Corre que deu merda Pedro”
O pior era que eu tinha percebido a cena, mas o Pedro continuava me agarrando como se não houvesse amanhã.
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