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2 Desventuras de Um Principe
Notas iniciais
Nicolas acordou com um barulho vindo de seu banheiro. Assim que abriu seus olhos, foi surpreendido pela forte luz do sol que penetrava a fina cortina branca em sua janela. Ele não costumava odiar aquelas cortinas, mas naquele dia sim. Esfregando os olhos ele se levantou e cambaleou até o banheiro. Chegando la sua criada catava algumas escovas de dente esparramadas pelo chão.
– Amma, você tinha que me acordar com esse barulho? Você é uma desastrada, não faz nada direito.
– Desculpe Sr. Collins. – ela falou enquanto terminava de recolher as escovas.
– Tudo bem, termine de arrumar isso.
– Se me permite falar senhor sua mãe, a Vossa Majestade, pediu para que eu o acordasse. Como eu não consegui acorda-lo resolvi vim de uma vez preparar o seu banho...
Quando ela se levantou olhando para Nicolas, a criada corou. O príncipe reparou em suas bochechas vermelhas e perguntou:
– O que foi?
A garota começou a falar, mas parecia que faltava-lhe palavras. Ela gaguejou, mas ainda não conseguiu se explicar. O constrangimento era explícito em seus olhos.
– O que está acontecendo Amma? O gato comeu sua língua?
Amma olhou novamente para os olhos de Nicolas e em seguida retornou o olhar para o chão, tomando todo o cuidado para não olhar para o corpo do príncipe. O mesmo sem entender nada do que acontecia seguiu o olhar da criada e notou sua nudez. Rapidamente ele alcançou uma pequena toalha que estava sobre a pia e se tampou.
– Pode olhar agora Amma – o príncipe diz ao notar os olhos fechados da garota.
Ao abrir os olhos a jovem encontra novamente os olhos do príncipe que agora é de um azul intenso como uma piscina muito funda, onde qualquer mulher jovem ou velha gostaria de se aventurar.
– Pode se retirar Amma.
– Mas e o seu banho, senhor?
– Eu cuido disso. Vá agora.
A criada assentiu e se retirou. Agora sozinho o príncipe jogou a toalha para o lado e desligou a torneira da banheira, que já estava cheia. A sensação da pele contra água quente era algo reconfortante, isso o fazia relaxar.
Após o banho ele saiu da banheira, enrolando uma toalha em sua cintura. O banheiro estava com um cheiro bom de sabonete e bem quente. O enorme espelho estava completamente embaçado e os azulejos estavam um pouco molhados, parecendo estar transpirando.
Em seu quarto uma outra criada estendia sua cama, com lenções de seda de cor branco cremoso importados da China.
– Senhor Collins, o almoço está na mesa, sua mãe está a sua espera.
– Almoço? Quantas horas são?
– Meio dia e trinta e dois senhor.
– Droga!! – o príncipe praguejou.
Ele passou pelo imenso corredor cheio de quadros caros e bem feitos. Alguns criados que se encontravam enseirando os móveis pararam quando ele passava e fizeram uma breve reverencia.
Chegou na enorme sala de jantar, onde a comprida mesa de centro estava cheia de pratos com comidas de todos tipos. Tinha purês de bata com molhos especiais, frutos do mar de todos os tipos, bolos e tortas com frutas caras e saladas preparadas com iguarias que só a família real se dava a esse luxo.
– Pra que é tudo isso?
– Isso tudo o que? – perguntou o rei olhando para a expressão do rosto do filho.
– Isso tudo de comida pai, você acha que vamos dar conta de comer isso tudo hoje?
A rainha levantou o olhar para seu filho e pela expressão da mãe lá vinha bronca. Ela pegou ao lado um guardanapo de pano e o passou delicadamente no canto da boca.
– Isso não importa. Eu quero saber o que deu em você.
– O que deu em mim? – disse ele se sentando em frente a sua mãe.
– Você levantou meio dia e tínhamos uma reunião importante. – sua mãe, a rainha Liara, falou com uma voz tranquila, parecia que ela estava cantando uma canção de ninar.
– Meu bem... – falou o rei com uma voz rouca. – Não vamos tocar nesse assunto agora, isso está me fazendo perder o apetite.
O rei Robert deu uma piscada discreta para Nicolas, que apesar de tentar segurar não conseguiu conter uma breve risada com o canto da boca.
– Qual é a graça Nick? – perguntou a mulher com uma expressão séria.
– Nada – respondeu ele enfiando a comida na boca para disfarçar.
– Bom, isso não importa. Tenho um chá com a Madalena essa tarde. Venha me encontrar as quatro em minha biblioteca. E sem atrasos. Tenha um pouco de responsabilidade, pelo menos uma vez na vida.
– Tudo bem mamãe.
O silêncio tomou conta do lugar, agora cada um se concentrava em seu prato de comida. Geralmente era assim o ambiente de almoço, todos calados e sem parecer se importar com a presença do outro. Tirando quando tem visitantes no castelo, onde o assunto nunca para e a família real esta toda cheia de animo.
– Onde esta a Bela?
– Sua irmã, Aurora, resolveu almoçar mais cedo. Ela disse algo como andar a cavalo.
Depois do almoço o príncipe foi para o jardim do castelo. Era um lugar enorme e maravilhoso, com rosas brancas e bem cuidadas espalhadas pelo lugar, arbustos aparados e de uma tonalidade verde escura. Os raios de sol iluminavam as folhas e grama, que estavam um pouco molhados pelo regador. Nicolas caminhava no chão de cascalho, sentindo o aroma da primavera e a brisa fresca batendo em seu rosto.
De longe avistou seu pai, observando a fonte que se encontrava no centro do jardim. Era de concreto e com uma escultura de um anjo no centro de onde saia água constantemente de sua boca em formato de coração
– Esta tudo bem? – perguntou o príncipe para seu pai.
– Já estive melhor, só queria tomar um poco de ar fresco. – ele finalizou a frase com uma série de tosse.
– Pai, você tem certeza que está bem?
O rei assentiu, olhando para a água cristalina da fonte.
– O que achou do seu presente de aniversário adiantado? – perguntou Robert com um sorriso irônico no rosto.
– Foi uma boa experiencia.
– Imaginei. Queria falar com você.
– O que foi?
– É que você sabe que eu não vou ficar aqui para sempre, não é?
– É claro que sei...
– Quero que você esteja preparado para quando isso acontecer.
– Eu estou.
– Não, você não esta. Você precisa ser responsável.
– Você também? Ache que estivesse do meu lado, mas...
– Você precisará ser o homem e não um moleque e já se preparar para quando tiver que assumir o trono. Você precisa de uma esposa.
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