Your Selection - Fic Interativa
3 A Princesa e o Plebeu
Notas iniciais
– Você não tem juízo! Eu sabia que não podia colocar uma tarefa dessa magnitude na suas mãos!
A rainha, agora que estava fora dos olhares alheios aumentou o tom de voz, não o suficiente para ser ouvida por quem passasse pelo corredor, mas o suficiente para deixar seu filho assustado com sua ação nada convencional.
– Mas mamãe...
– Não me interrompa quando eu estiver falando, já lhe disse que isso é um hábito grosseiro. Essa era sua primeira tarefa como futuro rei e você decepcionou seu país.
– Quando você vai parar de me tratar como uma criança?
– Quando você assumir suas responsabilidades. Você tem que saber que uma família como a nossa está sempre ocupada, não temos descanso, temos um dever com nossa nação.
A porta da biblioteca se abriu e o rei entrou já falando:
– Estava passando e ouvi sua voz alterada. Quer que todos do palácio saibam do nosso problema? Temos que manter as aparências.
– Todas as famílias tem problemas pessoais.
– Não a nossa, temos que ser perfeitos. Como eu estava dizendo, nosso filho estava resolvendo alguns assuntos de homens.
– Ele não é nem um homem ainda. Ele é um moleque
– Este moleque como você diz vai ser seu futuro rei. Então trate-o com respeito.
– Ele que me deve respeito, fui eu quem deu a luz a ele. Fui eu quem cuidou dele a vida inteira.
Naquele ponto a discussão não o incluía mais, então Nicolas saiu sorrateiramente da sala, deixando o casal discutindo.
No exterior do palácio o sol já não estava tão forte. Toda paisagem de campos verdes ganhou um tom alaranjado já que era final de tarde. Chegando dos estábulos o cheiro de estrume invadiu suas narinas. O cheiro apesar de ruim era muito familiar ao príncipe, pois lembrava sua infância. Quando tinha a idade de sua irmã costumava passar grande parte de suas tardes ali. Mas aquilo ficou em suas lembranças, ele só ia la agora para chamar sua irmãzinha. De uns tempos para cá ele andava muito ocupado, não demoraria muito para ter que assumir o cargo de seu pai e virar rei de Illéa. As vezes ele não queria crescer.
Seu devaneio se foi quando escutou os sons de cascos de cavalo batendo contra o chão. Um enorme animal marrom escuro parou a sua frente e em cima dele estava sua irmãzinha, com um longo vestido violeta e o cabelo loiro trançado, mas com mechas escapando da fita que prendia sua ponta. Atrás dela estava um rapaz de mais ou menos sua idade, com as mãos depositadas em sua fina cintura e com seu corpo muito próximo ao dela para o gosto de Nicolas. Os jovens que riam muito repararam que não estavam sozinhos e o sorriso dos dois desvaneceu.
– O que significa isso? – o príncipe tinha um olhar ameaçador. – Tire suas mãos da minha irmãzinha.
– Calma Nick, eu o encontrei perto das laranjeiras e resolvi dar uma carona.
– Eu acho que ele tem pernas e pode vir andando sozinho. E você ainda não tirou essas mãos da minha irmã rapaz.
– Me desculpe Vossa Majestade se eu o ofendi.
– Sim, você me ofendeu. Desça dai, agora!
O garoto abaixou a cabeça e como um profissional desceu do cavalo. E logo que seus pés tocaram a grama ele esticou uma das mão como um cavalheiro para ajudar a menina a descer do cavalo, que era grande demais para ela.
Nicolas deu um leve empurrão no menino, não deixando-o tocar em sua protegida.
– Nick! – Aurora diz com horror em sua voz
– Aurora, você pode muito bem descer sozinha.
A garota pulou do animal, revelando sua bota por baixo do vestido. Aurora odiava usar sapatinhas, sempre que podia as evitava. Geralmente usava vestidos longos para sua mãe não perceber, já que essa era muito exigente. A garota apesar de seus treze anos, era dona de uma beleza exuberante que encantava qualquer um. Tem um rosto angelical, parecendo mais nova do que realmente é. Seu corpo ainda não esta formado e a princesa é alta de mais para idade, só que muito magra e nas aparências é tão frágil que parece que qualquer coisa pode quebra-la.
– Não gosto que me chame de Aurora. – a menina falou quando já estavam se aaproximando do castelo.
– Mas este é seu nome.
– Não é a forma que você sempre me chama.
– Bela, você sabe que não gosto de quando você fica muito próxima de um garoto, eles não prestam.
– Então você também não presta? Pois que eu saiba você também é um garoto – ela para e encara o irmão de forma irritada
– Mas é diferente, eu sou seu irmão.
– Isto não muda o fato de você ser um garoto, e de acordo com sua afirmação NENHUM garoto presta – a garota disse colocando enfase na palavra nenhum.
– Só fique longe dos garotos – Nicolas diz cansado.
– Então não posso ser amiga do Toby apenas por ele ser um garoto?
– Essa é uma ótima ideia – o jovem esboçou um sorriso ao pensar que a irmã finalmente entendeu.
– Não gosto dessa ideia e não vou deixar de ser amiga dele.
Contrariado o príncipe não diz mais nada, mas não gostou nem um pouco do comportamento da irmã. Lembrava-se da vez em que o duque da Itália ficou hospedado uns dias no palácio com seu filho que era um ano mais velho que Aurora. Quando estavam brincando no quarto de bonecas da garota, o menino pegou nas mãos da menina e disse que ela era linda e logo depois começou a aproximar o seu rosto no dela lentamente. Nicolas que passava pelo corredor nessa hora viu a cena pela porta que estava entreaberta e abriu a porta gritando algo como “Se você encostar na minha irmã eu te mato” e impediu o garoto antes que o lábio dos dois se encontrassem. Isso foi o mais perto que Bela chegou de beijar um garoto.
Naquele dia o jantar fora servido mais cedo, a noite havia acabado de cair. A família já estava toda reunida em volta da mesa cheia posta com um banquete, assim como no almoço, só que dessa vez o móvel de madeira maciças estava enfeitada até sua extremidade com castiçais, onde velas acesas queimaram. Além disso tinha a presença da princesa, que comia calada como sempre.
– Eu e seu pai chegamos a um consentimento Nicolas.
– Sim?
– Temos que fazer os preparativos, daqui a dois meses esse castelo estará lotado de garotas.
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