Notas iniciais
Yoho! Sei que demorei, mas o tamanho deste compensou! :3 É um dos meus preferidos, não sei porquê... Boa leitura!

Alexei

OneRepublic — Counting Stars

Ouviu o som de uma risada insana enquanto caminhava traquilamente pelo País das Maravilhas.

Dar um sono para Sanderson foi fácil, o menino apagou rapidamente assim que o atingiu na cabeça. Não o matou, claro, mas conseguiu se livrar dele. Agora estava tranqüilo. Mas aquela risada... O perturbava. Quase como se fosse louca. Quase como se fosse psicopata. Uma risada parecida com a sua. Ele não gostava disso. Se aproximou de onde ela vinha, logo vendo uma menininha de cabelos ruivos correndo atrás de alguns bestantes amedrontados e os dilacerando com sua arma altamente tecnológica e diferente. Uma espécie de lança com apenas um lado de lâmina e com o outro com dentes de uma serra elétrica. Ele realmente não queria saber se ela funcionava sem energia elétrica.

Se aproximou, sentindo de repente uma simpatia pela garotinha.

– Olá. – soltou.

Ela se virou, com as sardas sorridentes.

– Oi. – devolveu.

– O que faz com esses pobres animais?

– Brinco. Quer tentar?

– Com certeza você não me deixaria usar esta lança.

– Com certeza você está certo.

– Aliados?

– Ora, venha logo me ajudar com isso!

º º º

Sanderson Cutner

Levantou-se, sentindo o braço doendo.Talvez o tivesse quebrado, mas por hora a única coisa que tinha certeza era de que mais uma vez tinha sobrevivido graças a generosidade de pessoas. Não gostava daquilo, de pensar que ele só estava vivo porque tinham deixado. Queria acreditar que seus esforços é que tinham valido tudo aquilo, mas quem estava enganando? Ele matou Ariel, quase se matou, foi salvo por outros tributos e quase morto por eles. Um Carreirista o odiava por ter matado seu aliado e agora tinha mais pessoas fortes contra ele. No máximo uma ou outra pessoa fraca. Sete tributos? Seis? Ele não contou, mas nem precisaria, afinal logo saberia.

Sua caminhada só começou após minutos tentando se manter em pé. A tontura o deixou fazia poucos segundos quando notou que a relva doce se tornara açúcar em pó e seus pés se arrastavam pelas dunas daquele deserto doce. Perdeu de vista a floresta de chocolate, os lagos de baunilha ou qualquer coisa deste tipo. A sua frente só havia um castelo grandioso e pontiagudo, feito de flocos de chocolate. Sua entrada era um arco muito bem feito com creme de leite e a calçada tinha cor de ameixas. O grande salão se abria em direção ao trono, onde se assentava uma bela donzela de no máximo vinte anos. Ela possuía cabelos ruivos como fogo, caindo numa cascata extremamente lisa até o final das costas. Os olhos num castanho vívido, aconchegante e quente. Ela em si emanava calor. A pele bronzeada também ajudava e o vestido muito sensual só aumentava o calor.

– Bem vindo, corajoso soldado. Vejo que encontrou a porta do 11º andar.

– Me deixe passar – ele disse, fraco.

– Mas é claro que deixo. – se levantou do trono, onde o mesmo se transformou em uma porta que ligava a parede do grande salão até a entrada do Décimo Primeiro Andar. A porta era feita de jujubas. – Isto é, e conseguir passar por mim.

Ótimo, pensou Sanderson, agora teria que lutar contra aquela gata tendo um ombro deslocado e tão fraco quanto um saco de vento. Mas não podia recuar, só seria taxado ainda mais de covarde. Sabia de sua fraqueza, sabia que não conseguiria, mas o orgulho não lhe permitiria sair dali. Deu um passo para frente, sentindo a perna doer assim que os músculos se moveram. Era o fim, morreria ali, contra uma bestante muito sedutora. E, claro, alguém venceria. E ele seria esquecido para sempre. Essa era a verdade sobre o motivo de todos lutarem pela vida: Ninguém queria ser esquecido como um mero tributo que morreu. As pessoas só o teriam como um ajudante da vitória de outra pessoa. Perder significava morrer. Morrer é parar de existir. Para de existir é perder. Sanderson não aceitava a derrota.

º º º

Alexei

Colocou a mão sobre o dedo indicador. Estava inchado, talvez alguma veia, mas ele não conseguia mover. Olhou de relance para a menina ruiva correndo atrás daqueles bestantes. Será que ela não via que eles já não iriam mais atacar? Se levantou, relutante.

– Ei, pare ai. – disse – Lute com alguém melhor que você.

Ela se virou, quase atônita, até entender. Colocou-se em estado de ataque, pronta para atacá-lo. Alexei tinha conhecimento daquela arma, mas tinha ainda mais conhecimento de suas falhas. Agora treinaria sua aliada, pois não podia estar ao lado de uma pessoa inconfiável. Enquanto ela tentava atingi-lo com a lança de duas pontas, Alexei se deixou cair no chão, rolando para o lado. Charlie não esperava aquilo e por isso demorou um pouco até reagir. Ele tentou deixar claro que aquilo era uma falha dela, de não conseguir prever o movimento de seu oponente. Quando ela rodou lança com o corpo inteiro, tentando atingi-lo pela lateral, Alexei abaixou-se novamente, abaixando-se e deixando as costas caírem para trás, fazendo seus joelhos reclamarem, mesmo assim era uma posição confortável. Charlie usou força demais para o movimento, por isso ele passou pelo ar como um jato, mas ela teve de usar muito mais força para pará-lo, o que era uma coisa muito comum quando novatos erravam um alvo. Eles normalmente colocavam força, pensando que iriam atingir. Quando se coloca força demais, mas há um impacto, é fácil reagir, entretanto quando você tem de parar o golpe em seu movimento, só fica mais cansado. Charlie, a ruiva, já ofegava, com alguns fios grudando nas bochechas.

Alexei colocou-se de pé novamente, esperando que ela fosse atacar, mas não atacou. Apenas o encarou com olhar mortal, como quem diz: Eu não gosto de brincar. Mas ele não estava brincando, e sim ensinando-a a se defender e raciocinar dentro de uma luta. Não tem como prever todos os atos de seu oponente, assim como ele não pode prever os seus. Uma arma fundamental é: causar confusão para ele. Quanto mais coisas imprevisíveis você fizer, mais perdido numa luta o adversário ficará. Alexei não precisava dizer isso, Charlie já deveria entender.

Por fim, respirou fundo e tentou atacá-lo, agora mais lenta e precisa. Com a ponta da lança, tentou uma estocada na lateral, porém Alexei se moveu para trás, desviando. Charlie teve bons reflexos, pois desviou rapidamente de um soco que acertaria seu ouvido. Entretanto ela se desesperou e acabou se jogando para trás forte demais e cambaleou, até se recuperar. Nisso seus cabelos ruivos já estavam emaranhados e cobriam sua visão. Alexei aproveitou-se disso e avançou como um raio. Estava á cinco metros, e agora poucos centímetros. Era ágil para alguém de seu tamanho, e isso era uma das coisas de que mais se orgulhava.

– Venha. – ela disse, ofegante. Mas Alexei já estava lá, em cima dela, esperando-a tirar os cabelos da frente dos olhos. E quando o fez, levou um susto tamanho que acabou por cair para trás, sentada na relva doce. Sua respiração estava acelerada e seu rosto vermelho, como seu cabelo. Alexei abriu um sorriso vitorioso, mas ao mesmo tempo gentil.

– E morreu.

Charlie soprou os cabelos para longe da testa, demonstrando irritação.

– Primeiro passo – ele se ajoelhou, pegando uma pequena adaga que tinha trazido do açougue. – Vamos cortar essa cabeleira. Isso só a atrapalhará.

Charlie não respondeu. Mesmo que não quisesse já tinha visto que aquilo poderia causar sua morte, então permitiu que Alexei cortasse as madeixas ruivas. Não eram tão longas, porém já chegavam aos ombros. Tinham crescido naquele tempo passado na Arena. Seriam sete dias? Dez? Perdera a conta. Quando terminou, um pequeno riacho de madeixas ruivas estava a sua volta, mas os cabelos estavam mais leves e conseguia sentir mais agilidade ao mover a cabeça. Além dele não ficar nos olhos e o calor não a agredir tanto. Sentia que as pontas estavam na nuca, o que a irritou. Nunca gostara de cabelos curtos demais, como sua mãe cortava quando queria que Charlie se parecesse com um garoto. Suspirou.

– Vamos para lá – Alexei indicou, levantando-se – Vi dois tributos indo para lá agora a pouco.

– Por que não disse antes? – Charlie se ajoelhou, tocando algumas madeixas, sentindo pena.

– Porque você teria morrido se eu dissesse. Enfrentar Carreiristas é perigoso. – ele suspirou – Isto aqui – tirou do bolso um aparelho, parecido com um celular – É uma dádiva que recebi quando estava ainda no esgoto. Ele me mostra quando há um bestante ou armadilha por perto e sempre que um tributo morre. Ele também me mostra os que ainda estão no Jogo. São, em sua maioria, Carreiristas, com exceção de dois: Você e outro menino. Este, pelo que indica, está para aquele lado.

– Legal! – ela exclamou – Você pode rastrear os tributos?

– Sim. – Alexei sorriu – Essa maquininha aqui já salvou minha vida. Então acho que sou querido. Mas isso não vem ao caso – ele deu um tapa na própria testa, irritado. – Os outros Carreiristas foram para lá também. Então todos estão daquele lado. Se não formos agora: perderemos a chance de matá-los e os Idealizadores mandarão bestantes para nos reunir. Prefiro ir por vontade própria.

– Concordo – a menina balançou a cabeça, mas dessa vez o cabelo não a acompanhou. – Mas eu estou pronta?

– Não – Alexei olhou para o horizonte – Mas é uma menininha. As pessoas gostam de menininhas, ainda mais aquelas que chegam até a final... – soltou um suspiro – Você terá Patrocinadores. Já deve ter recebido alguma dádiva...

– N-Não. Meu aliado recebeu, mas eu ainda não... Apenas... Apenas isso. – ela mostrou a lança.

Apenas? – Alexei a fuzilou com os olhos, extremamente irritado. – Como assim “Apenas” ? Olha isso! É uma arma! Ainda melhor que meu rastreador! Por que acha que a quero como aliada? As pessoas gostam de você. Logo receberá mais alguma dádiva, aposto. E eu também.

– Se é o que diz... – a menina deu de ombros, tentando evitar demonstrar o rubor nas bochechas. Não estava acostumada com elogios.

– Vamos logo.

º º º

Sanderson

A Rainha sorriu maliciosamente, enquanto investia para atacá-lo. Sanderson se encolheu, cobrindo a cabeça com os braços e tentando “desaparecer” como uma criança tenta ao ver se pai brincando de “eu vou te pegar”. Ela começou a gargalhar e então parou de se mover como um raio, recuando e dando um leve sinal com os dedos. De trás dos pilares, doze soldados vestidos de naipes de baralho estavam em fileira. Seis de um lado, seis do outro. Nenhum era Rei ou Rainha, todos apenas números normais. Sanderson olhou em volta, ainda mais apavorado.

– Podem pegar – ela se sentou no trono, para apreciar a brincadeira.

Sanderson nunca tinha sentido o verdadeiro pânico. Agora sabia o que era. Seu corpo paralisou, enquanto os homens diante de seus olhos se moviam com cautela e precisão, com lanças voltadas para ele (mais precisamente, para sua cabeça) e tentavam arranjar uma mira boa. Sanderson, quando notou que era o fim, que nada poderia fazer às mãos nuas, caiu sobre os joelhos, encolhendo-se com medo. Assustado. Por sorte ele se borrou. Ah, se não tivesse caído! Aquela fac ao teria atingido na nuca. Mas por sorte ele se ajoelhou a tempo de desviar e ela se alojou no peito de um dos soldados, que caiu e se contorceu, até desaparecer numa bola de vermelho-escarlate. Noralinne ignorou seu primeiro alvo, tratando de atirar mais uma faca, que trespassou a cabeça de um guarda e se alojou na orelha do outro. Moveu-se ligeira quando uma das lanças foi atirada, e logo matou o guarda que tentou fazê-lo. Tirou um gládio da cintura, que parecia ter incomodado-a na cintura, afinal lá havia uma mancha avermelhada, mas nada que fosse fazê-la parar de lutar. Sanderson se encolhia assim que mais um guarda caía. Tremeu. Carreirista, eles sempre eram temidos. Eles sempre eram destemidos. Não entendia de onde vinha tanta valentia. Será da confiança que eles tinham em suas habilidades? Da arrogância que nascia junto com eles em seus corações? Ou então o simples fato de quererem não demonstrar fraqueza, já que seus Distritos tinham fama de fortes? Sanderson jamais teria a resposta, afinal ele não venceria os Jogos com Nora, nem ela com ele. Isso é uma coisa que revelo: Eles não vencerão juntos.

– Tome – ela soltou, enquanto esquivava de um guarda, atacava outro que estava logo ao lado e se impulsionava, chutando o primeiro de costas. Sanderson estava mais do que apavorado.

Agora não tinha medo dos guardas, nem da Rainha. Mas daquela Carreirista. Ela iria matá-lo, era certo, afinal tentou no princípio. Sanderson não sabia como se proteger de alguém tão superior. Na verdade ele conseguia sentir aquela alma vívida e cheia de adrenalina que emanava do suor de Noralinne, enquanto ela se movia no combate. Era quase como uma dança, onde ela dominava os passos. Todos os Carreiristas, desde quando começou a ver os Jogos na TV, eram assim. Pareciam estar brincando em meio suas lutas. Será esse o sentimento deles? De que tudo é um divertimento? Quando você é treinado a vida inteira, matar não é assim tão terrível, certo? Sanderson notou que só restava mais dois guardas e que Nora logo os mataria. A Rainha tinha se levantado do trono e caminhava lentamente, esperando a morte de seus últimos homens.

Quando isso aconteceu, ela se lançou contra Nora, que já esperava isso. As duas mulheres estavam numa luta entre adagas e mãos nuas. Entretanto a Rainha parecia ser feita de lata, pois suas mãos não se cortaram ao tocar as lâminas. Começou a forçá-las contra Noralinne, e ela sentiu os braços já cansados reclamarem. A Rainha estava disposta e era mais forte. Isso até mesmo Sanderson notou.

Olhou para os lados, onde o último guarda se deformava em bola vermelha. Um brilho tomou sua atenção. Era a espada dele, que logo também iria embora. Sanderson piscou, e antes de perceber, estava se arrastando e pegando aquela arma. Branca como a Lua, emitia um brilho pálido e frio. Levantou-se, sentindo os músculos tremendo ainda do pânico que ainda insistia atacá-lo. Mas agora estava certo do que tinha de fazer. E iria fazer.

Talvez, só talvez, depois se arrependesse. Mas preferia matar aquela Rainha, a matar um humano.

Notas finais
Espero que tenham gostado! E estamos já no final do final! >.< Acho que não conseguiremos chegar até o último andar do Labirinto, quanto mais chegar até o planeta, mas pelo menos a Arena foi planejada >.< Posso usá-la em outras edições, aliás. Bom, é isso. Já dei uma dica: Não haverá dupla de vitória Nora-Sander. Votem: #Alexei-Charlie #Nora-Max #Nora-Charlie #Alexei-Nora #Alexei-Sander #Charlie-Sander #Charlie-Max #Alexei-Max #Max-Sander *se esqueci de algum, pode votar nele. Beijos da Meell. Vou começar o próximo capítulo ainda hoje >.< E acho que será o penúltimo da YHG6.