Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
71 Noralinne Mercure - Charlie Belcourt
Notas iniciais
Noralinne Mercure
O portão para o Décimo Primeiro Andar se abriu, e Nora olhou para ele por cima do ombro da Rainha. Tinha de se livrar dela e correr para lá, mas a mulher continuava firme e forte. Noralinne tinha se cansado com a luta contra os doze guardas, entretanto agora tinha de provar sua resistência. Com relutância, vacilou e deixou a Rainha dominá-la, apenas para alguns segundos mais tarde lhe passar uma rasteira e derrubá-la, saindo correndo para o portão. Com isso, o garoto que antes estava encolhi no chão, caminhava em direção às duas. Nora sabia que tinha de matá-lo, mas o portão estava lá, logo a frente. Decidiu ir para o menino, afinal só teria alguns a competir com ela, e se matasse-o ali, tudo ficaria mais fácil. Quando estava se levantando para atacá-lo, sentiu seu tornozelo de repente explodir de dor. As unhas da Rainha tinham se fincado ali, e ela a puxou para baixo, com tamanha força que fez Nora bater contra o chão e ficar desnorteada. Alguns fleches fizeram sua cabeça rodar. Enquanto tentava se manter sã, o garoto se aproximava. E agora estava bem perto, com os pés a sua frente. Nora sentiu as adagas, que ainda segurava firmemente, mas não teve tempo de manejá-las. Ele já estava abaixando a lâmina.
Fechou os olhos com força. Só para depois perceber que ele tinha matado a Rainha, e não ela. Junto da mulher, a espada desapareceu, deixando-o desarmado.
Nora pensou que ele agora a iria espancar até a morte, mas não, apenas caiu sobre os joelhos, começando a soluçar e chorar baixinho. Quase sofrido. Ela por alguns segundos ponderou em deixá-lo viver, mas não podia mais ser tão generosa. Já tinha poupado a vida de muitas pessoas. Agora era a final, algumas horas e todos teriam morrido e teriam os vitoriosos. E ela queria matar o máximo. Queria voltar. Trincou os dentes, erguendo a adaga e a lançando contra ele. O menino segurou seu punho com tanta velocidade que Nora não acreditou. Estaria ela tão lenta e fraca assim? Cerrou os olhos, sentindo o suor. Realmente estava muito cansada, mas já tinha lutado com pessoas mais habilidosas e em lutas mais demoradas. Por que estaria tão cansada assim com apenas uma pequena luta contra guardas nem tão fortes assim? Então percebeu: Não tinha dormido desde que saíra do açougue.
Estava acordada, sempre alerta. Mesmo com Ethan ao seu lado, não conseguia pregar os olhos. E agora sentia as conseqüências. Mas não morreria ali! Não com aquele idiota e fracote! Ele estava chorando por ter matado um bestante da Capital, e ela morreria pelas mãos dele? Com certeza que não! Levantou-se, lançando a outra adaga contra ele. O menino a segurou firme, entretanto ainda soluçava. Noralinne usou-o como impulso para levantar. Agora estavam os dois de joelhos, se encarando. Ela tentando avançar com as adagas, ele tentando contê-la pelas mãos. Ele tinha lágrimas rolando o rosto, grudando seu cabelo e o nariz escorrendo. Vermelho e quente, suas lágrimas doces se misturavam com o suor salgado.
Ela mostrou os dentes, não de forma sádica, nem intimidadora, apenas por fazer força. Movia seu corpo inteiro em direção a ele, usando toda a força que restava e seus músculos treinados. Tinha feito aquilo a vida toda. Suspirou, sentindo a fadiga nos membros. Os ossos já pareciam pesados demais, seus olhos queria cair, ela estava quase dormindo. Mas se forçou a resistir.
Não por muito tempo. Não resistiria. Com uma última esperança e chance, se lançou inteiramente para frente. Ele arregalou os olhos, engolindo um soluço, enquanto caía para trás, com ela por cima. Nora só notou quando já estava com a boca aberta. Ele mostrava a cara de dor, cansaço e medo. Estava tão vermelho que de perto parecia carne viva. Suas veias saltavam do pescoço. Ela enterrou a testa em sua omoplata, sentindo o coração dele batendo forte. Agora era seu coração que ela sentia. Mil vezes mais forte. Soltou um ganido, e ele gemeu de dor junto. A adaga estava sendo segurada entre eles. Quando ela se jogou contra o menino, a sorte decidiu para que lado a ponta da adaga se voltaria. E demorou apenas alguns segundos para eles descobrirem. A pessoa atingida na verdade não percebeu de primeira. Apenas encarou o adversário, que não estava muito melhor.
Sanderson sorriu, enquanto recomeçava a chorar.
– Eu... Morrer... – sussurrou, com a voz fraca.
– Sim – Nora sorriu, com os lábios tremendo. – Eu também.
– Você... Vai ir primeiro. – ele soltou uma risada fraca, quase triste.
– Sim. – concordou novamente, movendo o rosto para ele, olhando dentro de seus olhos. – Mas você vai vir logo. Eu prometo.
º º º
Charlie Belcourt
Notou como os ombros de Alexei eram largos e tentou estufar o peito, como ele fazia, mas foi em vão. Era pequena e magricela, por isso não era fácil fingir ser um homem forte. Com isso, decidiu que não ligaria mais para o tamanho de seu corpo, mas sim para sua habilidade. Alexei disse, enquanto caminhavam, que seu tamanho e magreza lhe davam vantagem para ser ágil e ter bons reflexos. Mesmo que sua força não fosse boa, nem a resistência, ela conseguia dar contra-ataques mais rápidos, e desde que tentara usar as dicas de imprevisibilidade e como usar a força, notou que tinha melhorado muito. Talvez agora pudesse até matar um Carreirista! A idéia logo foi afastada quando adentraram o castelo. O salão era grande e elegante, entretanto o que mais chamava atenção não era o trono vazio ou as poças de vermelho-escarlate no piso, e sim aqueles dois lá no centro, um por cima do outro. Pareciam estar decidindo uma longa luta, pois estavam cansados. Pensou em ir atacá-los, entretanto Alexei não tinha se movido e por isso pensou que não deveria também.
Charlie tentou descobrir quem era. Desde que Alexei contou sobre seu rastreador ela agora sabia os tributos ainda vivos. E a única mulher, além dela, era Noralinne. E seu longo cabelo negro revelava que um dos tributos era ela. Estava por cima, como uma boa Carreirista fazia. E por baixo, atrás do véu de madeixas negras, havia um garoto. Magro e não tão forte como Max, nem poderia ser o próprio Alexei. Então só restava uma alternativa: O outro não-Carreirista. Por alguns segundos Charlie quase teve certeza de que a Carreirista tinha matado-o, afinal era a coisa mais lógica a se pensar. Entretanto, Alexei tinha dito que não se pode tirar conclusões apenas por habilidade. Tudo está na linha da sorte. Agora sabia porque ele estava esperando tanto: queria ver para quem a sorte estava sorrindo.
O canhão anunciou a morte de um deles. Mas ninguém se moveu. Charlie não tinha escutado um outro canhão, por isso um daqueles dois estava vivo. Mas não se mexia. Aquilo lhe deixou à flor-da-pele. Quando notou, Alexei já tinha começado a se mover. Ela foi atrás, tentando recuperá-lo. Quando chegou até os dois, Charlie engasgou. Havia muito sangue. Tanto os cabelos de Noralinne quanto o peito do garoto estavam manchados e embalados a sangue. Não seria possível dizer de qual dos dois era o sangue, entretanto era certo quem tinha vencido: o peito do vitorioso estava subindo e descendo, ofegante. E esse movimento vinha debaixo para cima, movendo o corpo inerte da menina Carreirista.
Alexei agarrou o ombro de Noralinne, levantando-a e jogando-a para longe. Aquele corpo voou, como se não tivesse peso, e caiu, rolando. Ela não se moveu, comprovando ainda mais. O menino não-Carreirista estava com os olhos semi-cerrados, encarando os olhos de Alexei. Não havia súplica por piedade, nem uma ameaça de morte. Ele estava apenas extremamente ofegante e cansado. Seus olhos vermelhos revelavam que tinha chorado, o suor manchava seu rosto, os cabelos estavam empapados.
– Charlie, use sua lança. – ele mandou, dando espaço para ela.
A ruiva engoliu em seco. Era errado matar uma pessoa indefesa, não? Respirou fundo. E quem se importa com isso. Tirou sua arma das costas, rodando e sem terminar o movimento, fincando-a no peito do garoto, atingindo seu coração e matando-o na hora. O sangue logo começou a borbulhar do local atingido, jorrando litros de sangue para fora. Alexei se abaixou e tocou a cor vermelha, depois aproximou-a do nariz, cheirou e passou-a no rosto, manchando-se. Charlie fez o mesmo, e sorriu.
– Ótimo trabalho, pequena. Vamos, a porta está aberta.
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