Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
59 Sanderson Cutner
Notas iniciais
Sanderson Cutner
“O destino de cada um de nós é segredo desvendado apenas com a morte” – H. Pereira da Silva
Sanderson inclinou-se, verificando a perna de Ariel. Estava bem. O castelo era grande e tinha vários corredores e escadas, mas encontrou um grande o bastante para conter duas camas e um banheiro. Tudo muito primitivo, é claro. Tomar banho era somente com água fria e um balde, dormir era sobre um colchão duro que parecia madeira, e não era possível fechar as janelas, afinal elas não tinha persianas ou cortinas.
Por fim, apena se conteve com a localização do quarto, que era mais afastado do corredor.
– Seu olho está bem? – perguntou Ariel, enquanto deslizava a mão sobre um vestido de veludo no guarda-roupa do quarto.
– Não vou usá-lo novamente até o fim da minha vida, tirando isso, está bem. – ele sorriu, sarcástico.
– Não falei do olho cego. – ela demonstrou frustração, mesmo assim não virou os olhos para ele.
Há muito tempo já estavam num clima tenso. Não era confortável ficar ao lado de Sanderson, na verdade, ele parecia muito distante e desatencioso. Quase avoado. Talvez os Jogos o tivessem atingindo, ou então ele estivesse atordoado por ainda estar vivo. Enquanto tentava achar uma desculpa boa o bastante para se entreter, Ariel ouviu a porta do quarto se abrir forte e violentamente. Virou-se no mesmo instante em que Sanderson percebia que algo estava acontecendo.
Na porta um casal louro permanecia imóvel, ofegantes, observando-os com interesse. Logo depois foram empurrados para dentro do quarto por outra menina pequena, desta vez ruiva, e ela fechou a porta rapidamente. Ofegantes, eles caíram no chão. Estavam cansados de tanto correr, sugeriu Ariel, tentando ver se era farsa ou se realmente não estavam preocupados com ela e Sanderson.
A porta foi esmurrada com tanta violência que Ariel pensou que as juntas cederiam. Mas não cederam. No segundo chute, ela quase se partiu ao meio, mas Sanderson correu para segurá-la. Na terceira, o menino louro também foi tentar segurá-la. Na quarta ela cedeu. Empurrados para trás, por alguém tão forte que seria quase impossível fazê-lo contra dois homens fortes, Max entrou triunfante, rangendo os dentes com desgosto. Avançou sobre a menina loura, que ainda estava esparramada no chão. A segurou com tanta força no maxilar que ela deixou o chão para ficar suspensa no ar. O menino, que deveria ser seu irmão, apenas se sentiu impotente.
Ariel tinha de fazer algo, mas fraca demais, assistiu a menina ser morta. Asfixiada.
Seu canhão soou alto e fez os olhos da garotinha ruiva piscar quase incontrolavelmente. Logo estava esmurrando o joelho de Max, tentando derrubá-lo, mas foi em vão. Logo ela também estava sendo asfixiada. Com o rosto vermelho, quase roxo, ela tentava sugar o ar para o pulmão. O louro cerrou os punhos, retirando de algum lugar da roupa uma adaga e pulando sobre a cama, tomando impulso para cair sobre as costas de Max. O grandão apenas sorriu, virando-se no momento em que o garoto caía e soltando a ruiva, segurando o louro no ar. O rodou, enquanto agarrava o peito de sua camiseta.
A menininha se arrastou para longe do homem forte. Ariel não conseguiu se controlar, enquanto cambaleava até a ruiva. Suas mãos tocaram a menina e então suas bochechas, preparando-se para enviar oxigênio a ela. Sanderson permanecia imóvel, como uma estátua. Ariel não o culpava, embora esperasse uma reação mais energética da parte dele. O menino louro foi jogado contra a parede de pedra do quarto, enquanto uma fina linha de sangue escorria por sua testa. Ariel julgou que ele logo estaria morto. Se tudo continuasse daquele jeito, ninguém restaria naquele quarto, e podia sentir que era aquilo que a Capital queria. Sangue. Um Carreirista dizimando duas alianças inteiras em uma tacada só.
Levantou-se, deixando a menina ruiva no chão, já recuperando-se e retirou do bolso da camiseta uma seringa verde. Com ela em mãos, virou os olhos para Max, que a encarava com sede de morte. Ele avançou, segurando-a com as mãos grossas e grandes, pelos braços. Ariel foi tirada do chão, como se não pesasse nada. Com um rápido movimento, injetou a seringa no braço de Max e empurrou o líquido verde para dentro dele. O Carreirista a soltou rapidamente, enquanto agarrava o braço e exclamava de surpresa.
Sentiu alguém segurá-la pela cintura e a levantar. Era Sanderson. Ele a arrastou para fora do quarto, enquanto a menina ruiva vinha junto, fechou a porta e disparou pelo corredor. Sander a segurou pela mão e correu na direção oposta. Ela só podia segui-lo e não ser deixada para trás. Max logo estaria disposto a matar e não era bom estar perto dele. Coitado daquele menino... Mesmo desacordado, seu canhão ainda não tinha soado, e com certeza ele teria problemas quando acordasse... Tentou não pensar nisso, afinal não era da sua conta. A única coisa que tinha de fazer era olhar para frente e continuar a correr.
Treze... Fez as contas. Treze... Esse era o número de tributos ainda vivos. Tentou repassar os nomes na mente enquanto corria sendo guiada por Sanderson. Noralinne, Ethan, Emma, Evon, Max, Sanderson, Ela... Quem mais? Não tinha decorado o nome de todos os tributos. Rudy... Piscou. O menino louro naquela era Rudy, agora se lembrava... Como não o reconheceu? Ele parecia tão mais velho... Tão... Maduro.
E a garota que morrera era...
Parou. Com as mãos no rosto, tentou conte as lágrimas, mas foi impossível, afinal ela já estavam rolando. Morgana, do seu próprio distrito. Do 14. Tinha morrido. Ela não conseguia mais colocar pensamentos com nexo na própria mente, apenas formular hipóteses do que tinha dado em Morgana para não reagir enquanto Max a matava. E então... Sanderson lhe deu um tapa violento no rosto, despertando-a. Ele tinha os olhos arregalados, enquanto gritava algo que Ariel não ouvia. Era como se não estivesse lá realmente. Como se somente seu corpo estivesse, mas sua alma vagando pelos campos do Distrito 14, olhando a Academia e os treinos árduos dos irmãos. Como eles podiam ter treinado tanto e ela é que ainda estivesse viva? Não fazia sentido! Morgana dedicara sua infância inteira em treinar para ser uma assassina perfeita, e era, mas de repente... Nada do que fez valeu a pena. E agora Rudy também seria morto.
– Eu vou te carregar se for preciso – o som da voz de Sanderson invadiu sua mente assim que seus devaneios cessaram.
– Não será preciso – balbuciou, enquanto olhava em volta. Estavam num corredor completamente diferente, parecido com uma torre. Escadas em espiral subiam as paredes e se olhasse para baixo teria a impressão de estar caindo dentro do buraco de Alice.
– Então venha – sentiu Sanderson puxando seu punho, e permitiu que novamente ele a conduzisse. Não podia ficar pensando nisso agora, o momento exigia dedicação. Era vida ou morte. Um passo em falso e... Respirou fundo. Morgana podia ter morrido, mas Ariel ainda estava muito viva. Não se importava se era treinada ou não, ali estava a prova de que não era preciso ser um assassino profissional para sobreviver.
Seguiu-o. Podia confiar cegamente em Sanderson e gostava daquilo. Lembrou-se de quando ele foi frio no trem, quando reconheceu que ela não era a verdadeira companheira de Distrito. O jeito como disse que não seria enganado... Lembrou-se depois de ter ido ao quarto dele, e então tudo mudou. Pensou que ele a odiaria, mas não odiou. Sorriu, enquanto mantinha os pensamentos em coisas positivas. Quanto mais pensasse na morte, mais próxima ela estaria. Não aceitaria isso. E então, pisou no último degrau da escada, permitindo que os olhos se acostumassem com a claridade.
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