Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
50 Sanderson Cutner
Notas iniciais
Sanderson Cutner
“O Acaso é uma das palavras inventadas pela ignorância” – Adágio popular
Enquanto observava os tributos subindo o elevador, notou que só restavam ele, Ariel, dois Carreiristas e um garoto chamado Alexei. Ele não dizia nada, não se importou quando sua aliança subiu o elevador. Ele simplesmente queria ficar por último. Quando seus olhos se encontraram, Sanderson se desviou. Não era muito bom ficar encarando os outros, principalmente nos Jogos Vorazes.
– Quem vai agora? – perguntou Max, que tinha ficado para trás de sua aliança, junto com outro menino chamando Vicent. Ele parecia mesmo disposto a coordenar tudo. Isso irritava levemente Sanderson. – Você – ele apontou para a única menina na sala, Ariel. – Que tal?
Ela engoliu em seco. Sanderson apenas lhe deu espaço para que fosse ao elevador.
– Cinco – ela sussurrou enquanto passava ao seu lado. Ela iria para o andar cinco.
Sanderson percebeu que nenhum outro tributo tinha ido para o cinco. Quando ela entrou, as portas de vidro se fecharam rapidamente, e o painel apareceu. Ela apertou o botão correspondente ao andar e então esperou. O elevador começou a subir lentamente e de repente Ariel caiu de joelhos, com as mãos nos ouvidos e gritando desesperadamente. Sanderson lutou contra a vontade de ir até lá e quebrar aquilo, mas se conteve. Ele tinha de encarar o que estava acontecendo agora.
– Somente homens. Isso é um bom acerto de contas – comentou Max – Será bem mais justo desse jeito – ele nem olhava para o elevador subindo com Ariel.
Max estalou os dedos, arrepiando os cabelos da nuca de Sanderson. Ele sorria sadicamente, de um jeito maníaco. Vicent não estava muito melhor. Enquanto isso, Alexei também tinha um ar sombrio, uma auréola de perversidade rodeava-o. Sanderson percebeu somente um segundo antes que estava no meio do fogo cruzado. Sem poder se preparar psicologia e fisicamente, ele foi atacado por Vicent, que se grudou nele e o levou ao chão, batendo sua cabeça com força contra o chão. Vicent estava com as mãos no pescoço de Sanderson, tentando achar alguma coisa. Quando achou, Sanderson percebeu que era aquela artéria que levava sangue para seu cérebro. Se debateu, enquanto sentia o dedo forte de Vicent apertando-o. Com a mão esquerda, conseguiu pegas a gola da camisa do outro menino e com a mão direita lhe deu um soco no nariz. Depois um outro soco, nos olhos, outro soco e assim vários. Vicent cambaleou para trás, dando espaço para que Sanderson se recuperasse. Ele ainda estava atordoado e uma dor alucinante na nuca o deixava desnorteado. Mas logo conseguiu ver Vicent se levantando e voando em direção a ele.
Vicent lhe deu um soco no estômago, fazendo-o vomitar alguma coisa que fez sua garganta arder como fogo. Enquanto ele se curvava, Vicent lhe deu um soco na orelha, fazendo-o cair para o lado, contra a parede. Com o corpo inerte, Sanderson recebeu pontapés e chutes violentos no peito, barriga e cabeça. O sangue já começava a escorrer de seu nariz, de sua testa e de sua boca, quando por um vislumbre viu Vicent arquear as costas e então começar a vomitar sangue incontrolavelmente. Alguma coisa tinha passado por sua garganta. Da nuca até a parte da frente da bile. Vicent caiu para o lado, morto. Sanderson conseguiu ver que a silhueta de quem tinha matado Vicent não era tão robusta quanto Max, mas magra e alta. Ele sentiu alguém tocando sua garganta e então cuspiu mais sangue ainda.
– Está vivo – disse a pessoa, com um ar de surpresa. – É melhor irmos, antes que eles voltem.
– Está morto – Sanderson disse, com fraqueza.
– Esse ai está. Mas o outro grandão só ficou apagado. Ou eu mato ele, ou você morre. Escolha.
Sanderson começou a se levantar, mas logo sentiu uma dor terrível no corpo inteiro. Com a ajuda do desconhecido-herói, ele se firmou e então começaram a ir para o elevador, no passo mais rápido que conseguiam. Lá dentro, as portas se fecharam.
– Cinco – Sandeson sussurrou – Andar cinco.
– Certo – o garoto apertou o cinco e então olhou em volta. – A sua aliada é bem bonitinha, não?
Sanderson apenas o encarou, sentindo um dos olhos arder em chamas.
– Você recebeu um belo chute no olho, hein – comentou o garoto. – Desculpe a falta de respeito, sou Alexei.
– Sanderson.
– Belo nome – Alexei riu, com sarcasmo – Você ia morrer, hein.
– É. Por que não me matou?
– Porque você não é que nem eles – Alexei disse, enquanto apontava para os corpos dos Carreiristas. Max estava desmaiado perto de um vaso de planta. – Eles matam por diversão. Você mata para se defender. Não mato pessoas inocentes.
– Você é uma pessoa inocente?
A pergunta de Sanderson o pegou de surpresa, e logo Alexei fechou o rosto.
– Não.
Os gritos cortaram seus ouvidos assim que começaram. Agora Sanderson entendia porque Ariel estava tão desesperadamente cobrindo a cabeça. Eram estridentes, cortantes, doentios... Sofridos. Como se a morte se aproximasse. Eles não conseguiam ouvir nada além de gritos e mais gritos, até ficarem surdos, ou parcialmente surdos. Sanderson olhou para o número dois, enquanto subiam. Aquilo demoraria demais, e ele já tinha se curvado para frente. Alexei estava dando socos e mais socos na parede de vidro, enquanto seu sangue se esparramava para todos os lados. Era uma doença mental, uma perturbação. Ele queria gritar, queria parar aquela dor que parecia tomar seu corpo. Quando a porta do elevador se abriu e os gritos cessaram, não conseguiu se mover. Alexei também não. Estava com a testa escorada na parede de vidro e parecia esgotado. Suando frio, Sanderson olhou para dentro do apartamento, enquanto se arrastava em direção a sala de entrada. Alexei logo voltou a realidade, dando um salto e correndo até o sofá. Ele se jogou e depois ficou inerte. Sem se mover. Como um morto.
– Sander! – ele ouviu a voz vindo da cozinha, enquanto os cabelos castanhos apareciam para ajudá-lo – Fiquei preocupada – admitiu, enquanto avaliava seu estado – O que aconteceu com você?
– Emboscada. – ele disse, fracamente sentindo o gosto de sangue na boca.
Ariel olhou para o sofá, onde Alexei estava roncando alto e com uma almofada em cima da cabeça. Ela então revirou os olhos e se voltou novamente para Sanderson, enquanto suspirava e se levantava, indo até um cômodo e voltando com uma caixa branca de cruz vermelha. Pediu para que Sanderson se sentasse numa cadeira da sala de jantar, que ficava ao lado da sala de entrada, e ele obedeceu. Quando sentiu a primeira gota de água limpando seu ferimento na testa, gritou e reprimiu um xingamento. Ariel passou algodão e enfaixou com gaze. Depois limpou seu nariz e viu se tinha algum corte em sua boca. Durante seus gritos incessantes no elevador, Sanderson tinha mordido a língua e por isso sua boca tinha sangue. Ela apenas lhe deu um copo de água para enxaguar e então guardou a caixa em um local onde ele previu ser o banheiro. Depois disso, apareceu com um saquinho com três maçãs maduras. Ele experimentou morder uma. Era doce e suculenta. Logo a devorou, partiu para a segunda e a devorou também. Ariel apenas observou a tudo, quieta e paciente.
Por fim, disse:
– O que aconteceu com eles?
– Eles quem?
– Os Carreiristas.
– Alexei matou um deles e o outro ficou desacordado. Acho que ele tem uma faca – acrescentou, lembrando-se de como aquela lâmina tinha brotado da garganta de Vicent, fazendo-o cuspir sangue.
– Entendo – Ariel se levantou – Ele se machucou?
– Aparentemente não. Só suas mãos.
– Ok. – ela caminhou até o sofá e se ajoelhou ao lado de Alexei, pegando uma se suas mãos e observando. Ele dormia como pedra, enquanto Ariel limpava seu ferimento com um pano molhado. Com dificuldade ela pegou a outra mão do menino e a limpou também. Sanderson não pôde deixar de sentir uma pontada de ciúmes.
Ariel se levantou, enfim, buscando um copo de água e abrindo gentilmente os lábios de Alexei. Derramou a água, até ele ter engolido tudo. Sem nem mesmo acordar, Alexei sabia que tinha de se hidratar.
– Não precisa cuidar dele como se fosse seu bebê – Sanderson disse, tentando evitar a irritação na voz.
– Ele salvou sua vida, temos de cuidar dele – Ariel interrompeu, levando o copo até a cozinha e voltando com duas maçãs nas mãos. Colocou as frutas na mesa de centro e então voltou para onde Sanderson estava – Se sente bem?
– Sim – ele mentiu. A dor ardente no olho ainda queimava.
– Não é isso que seus olhos lacrimejando me dizem – Ariel se inclinou – Deixe-me ver isso. – ela tocou seu rosto, abrindo o olho que ardia. Sanderson recuou dolorosamente. – Desculpe, serei mais delicada. – prometeu, enquanto se aproximava novamente. Ela realmente foi mais delicada dessa vez, enquanto olhava dentro do olho e então soltava um suspiro tristonho. – Cego.
– Ainda tenho esse aqui – ele sorriu, tentando ser positivo.
Ariel sorriu de volta, mas não estava tão alegre assim. Com cuidado, arrancou uma tira da camiseta de Sanderson e a prendeu como uma espécie de tapa-olho. Ele piscou o olho bom e então sorriu. – Não era a sua camiseta que você deveria usar? – perguntou, tentando soar romântico.
– O olho é seu – ela somente respondeu, fria e curta. Sanderson ficou decepcionado com isso.
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