Notas iniciais
Oh, gente, essa morte foi tão cena de anime >.

Rudy Vieira

Passou a mão pela franja, sentindo o suor que grudava as madeixas. Se Morgana o visse agora não poderia acreditar que ele estava suado apenas por caçar balas de menta. Rudy não podia negar: era completamente apaixonado por balas de menta, e elas pareciam ser raras ali no País das Maravilhas. Quanto mais corria atrás dela, mais elas desapareciam... Talvez fosse um truque dos Idealizadores para rirem da cara dele, mas quando a dádiva desceu do céu, enviando com ela um pacote de balas de menta e um bilhete de mamãe, escrito Cuidado., ele pôde ter certeza de que não estava sozinho.

Noralinne surgiu, com seu aliado de merda. Sorte que Rudy já estava preparado e viu Noralinne primeiro, tendo tempo de se esconder. Ele adorava ataques surpresa, eram sempre emocionantes, tanto para quem ataca, tanto para quem sofre. E Rudy queria que Nora se surpreendesse. Ou melhor... Aquela cobaia ali. Aquele garoto louro, que nada tinha feito até ali, além de atrapalhar seu acerto de contas com a Carreirista.

Rudy atingiu Ethan com um soco na barriga assim que o casal passou a frente da árvore de caramelo onde estava escondido. Noralinne deu um salto de surpresa, mas quem rolou no chão doce foi Ethan. Ele gemeu enquanto se ajoelhava e se colocava de pé.

– Corra, Ethan. – Nora disse, quando se recuperou – Essa luta não é sua.

De fato não era, porém Rudy não queria deixar ele fugir. Quanto mais cedo matasse ele, melhor seria. Agora restavam poucos. Eram sete ao todo, e logo seis. Quem sabe cinco. Caso matasse Noralinne, também mataria Ethan e seria como levar dois coelhos com uma cajadada só. Se sentiu feliz pelo feito. Adorava quando as coisas aconteciam desta maneira. Entretanto tinha perdido sua única adaga no esgoto e agora estava desarmado, sendo que Nora carregava consigo duas letais seringas. Ela tinha conseguido levar aquilo do Manicômio, o primeiro andar do Labirinto. Agora, pelos cálculos de Rudy, estavam no antepenúltimo piso.

Será que chegariam até o planeta? Nem sabia mais. Gostaria que não.

– Não vou te deixar. – o louro gritou de volta para sua aliada.

– Deixa de ser molengo, garoto – Rudy o chutou nas costelas, fazendo-o cair novamente – Corre logo, se borre nas calças e torça para ela sobreviver.

Ethan olhou de Rudy para Nora, até encontrar forçar para correr. Rudy não soube para onde ele correu, mas com certeza foi para longe. O melhor era que: ele não saberia quem venceria a luta, por isso teria de voltar, e Rudy o estaria esperando de braços abertos. Ou então aquele Carreirista todo fortão, Max, o encontrasse e enfiasse em seus orifícios algo que ele preferisse.

Não sabia qual seria a alternativa mais legal. Mas depois escolheu a primeira, matá-lo com as próprias mãos seria mais emocionante.

– Você não mudou nada, pequeno Rudy.

– Pequeno? Quem é pequeno aqui, Noralinne Mercure? – ele se virou, com um sorriso demoníaco. — Eu? Você? Em que sentido?

– Não vou enrolar. – ela disse, talvez para si mesma, e partiu ao ataque.

Rudy desviou com leveza e facilidade. Era ótimo em combates corpo-a-corpo. Noralinne também tinha um bom contra-ataque e se recuperou tão rápido que Rudy só pôde desviar mais uma vez. Correu até uma pedra esverdeada que parecia ter cristais de açúcar grudados nela e se lançou ao ar, leve. Era bom ser pequeno e forte ao mesmo tempo, isso lhe dava leveza, rapidez e força. Noralinne se defendeu com os antebraços, por incrível que pareça e ele deu um salto de reflexo para o lado, logo fazendo um segundo ataque, como ela, e lhe atingindo um soco nas costas. A menina cambaleou para frente, mas não atordoada. Se agachou e passou a perna pela relva, virando-se e o acertando com o cotovelo. Rudy sentiu a audição dar um curto de linha e voltar aos poucos, enquanto sua visão estava embaraçada. Noralinne o colocou debaixo de seus sapatos e logo depositou em suas veias o líquido de uma das seringas. Rudy não viu a cor dela, mas logo sentiu os olhos ardendo e as pálpebras queimando, como se tivessem se tornado fogo. Labaredas mais do que ardentes de fogo do inferno.

Ele colocou a mão sobre os olhos, mas se afastou rapidamente, sentindo a pele queimada nas palmas. Tentou rastrear Nora, mas a audição ainda estava ruim e logo levou um chute na cabeça, rolando pela relva. Cego, tateou o chão até encontrar uma roça para se apoiar. Sentiu as mãos de Noralinne lhe segurando pelos cabelos e o levantando de costas. Soltou um gemido de dor enquanto seu pescoço estralava.

Alguém morreria. Alguém naquele lugar iria deixar os Jogos Vorazes. E de repente as chances de Noralinne estavam quase inquestionáveis. Mas Rudy sorriu. Sempre tinha uma reviravolta.

Colocou as mãos para trás, mesmo cego sabia que Nora não estava longe, e conseguiu se segurar nos cabelos da menina, que tinha de se preocupar com os cabelos dele. Rudy puxou-a com força, e ela o soltou rapidamente. No chão, já sentindo o efeito da seringa passar, ele conseguiu encontrar uma pedra feita de picolé, dura como uma pedra de verdade. Mirou em Nora, que estava se recompondo e acariciando o couro cabeludo. Sua mira não era tão boa quanto a de Morgana, mas conseguiu atingi-la no braço, fazendo-a recuar e logo vociferar insultos com uma língua ácida.

Correu pelo País das Maravilhas, com a Carreirista logo atrás. Quando viu aquela faca simplesmente jogada no chão, a pegou. Tão perto. E de repente as chances de Rudy eram quase inquestionáveis. E esses eram os Jogos Vorazes, onde uma pequena faca, uma seringa, ou até um pouco de resistência poderiam ser a diferença entre a vida e a morte. E por isso Rudy adorava os Jogos. Eles eram cheios de reviravoltas. Tinham emoção. E, claro, pessoas amadas morriam neles. Virou-se, parando de correr e foi atingido pelo corpo de Nora, que não conseguiu parar de correr. Os dois caíram, rolando juntos, e por sorte Noralinne ficou por cima dele. Com as mãos e unhas prontas para lhe rasgar o pescoço, nem percebeu que o menino erguia uma faca e que logo a mesma estava fincada logo abaixo de seu braço, perto da axila, entre as primeiras costelas. Sentiu a dor, e logo a força se esvaiu do braço direito.

A fúria rugia nos olhos e na garganta. Então era assim? Iria morrer?

Rudy sorriu, sentindo que aquele não era o fim, afinal sempre há uma reviravolta. Não sorriu por saber disso, mas porque simplesmente estava feliz por ter entrado nos Jogos e vivido tudo o que os outros tributos viviam. Sempre sonhara em saber como era nascer dentro de um Distrito onde sempre tinha a chance de ir aos Jogos. E então realizou. Se aliou á pessoas, viu sua irmã morrer diante de seus olhos, matou e sofreu. Foi ferido. Foi salvo. Estava entre os cinco finalistas e para ele isso já bastava. Não, já chega. Não preciso de mais. Por quê seria tão ganancioso? Chega... Não precisa...

Noralinne, com a mão esquerda, retirou a faca de suas costelas e a afundou na jugular de Rudy.

Notas finais
:3 "Não, já chega", ai, como eu adorei isso! E agora nós sabemos os cinco finalistas! Charlie, Austin, Noralinne, Max e Sanderson! Votem em seus dois preferidos!