Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
15 Rosalie Grace
Rosalie Grace
– Eu preciso do Ed... — a garota sentiu a dor que a outra deveria estar sentindo — Eu... Eu vou te matar! Eu preciso do Ed! Eu te mato!
A garota na luta mordeu a mão do homem, que a prendia. Aproveitando a deixa, pegou a espada e partiu para os golpes, novamente. Rosalie tinha visto desde o início daquela luta sangrenta e já sabia que o nome deles era Acácia e Noah, e que da menininha atrás deles, ao lado do lobo, era Lucy. E o lobo, como não mais imponente, era Lupi. Os reconhecia dos vídeos que papai tinha mostrado.
– Noah, por que algumas pessoas fazem coisas pelas outras que não fariam por mais ninguém?
Rosalie tinha visto aquela cena um milhão de vezes, mas agora era real, agora... Não, o ali. O ali era real, eles estavam bem na sua frente, era possível sentir o cheiro doentio de sangue e ver quanto Noah perdia as forças, enquanto Acácia se esvaia. Naquele momento, Rosalie tinha tomado a sua primeira dose de raiva pela Capital. A primeira vez que viu o vídeo do Rebeldes que papai tinha mostrado, ela não entendeu o que aquilo representava, mas depois de um tempo, conforme foi crescendo, ela entendeu.
– Cale a boca, Lucy, estou matando a Carreirista, não é hora de perguntas idiotas, como você. Noah revidou.
– Noah... Não, nós vamos morrer! Não!- Acácia gritou.
Rosalie nunca entendeu por que a garota tinha dito aquilo.
A poeira levantou quando aquele corpo, lá atrás, caiu no chão. O canhão soou, e por alguns segundos os dois lutando acharam que tinham vencido, mas logo perceberam que ainda estavam vivos e que tinham de se matar logo.
– Noah... Não há mais vida fora... Disso...
Rosalie então viu a cena mais chocante de sua vida, nunca tinha visto o que acontecera depois do término dos Jogos, mas quando percebeu que os corpos tinham sido simplesmente evaporados, ficou tremendo. Eles tinham sumido, na frente de seus olhos, como se nunca tivessem existido. Como se não estivesse ali, de verdade. O único que restou foi Lupi. E com algo que parecia ser um punhal, Lupi o jogou no chão, arranhando as garras contra o chão do Salão das Estátuas. Ele então uivou alto, enquanto passava a pata pelo peito. Parecia estar sofrendo muito, possuído de raiva...
Mas Rosalie entendeu o que aquela mensagem tinha dito: Estamos despertando, este é apenas o começo. A Revolta.
º º º
– Então, o que acharam da sua primeira experiência nas nossas camas dos sonhos? Loe perguntou, na ponta a mesa do jantar.
– Eu vi... Alguns tributos, mas eles não conseguiam me ver. comentou algum dos tributos no final da mesa.
– Eu também. Os tributos que eu vi se chamavam Darin e Bolina.
– O meu se chamava Logan. Charlie sorriu.
– E a minha era Anne Agron. O Terror disse Austin com orgulho. Alguns tributos eram guardados na memória do povo, com títulos não muito agradáveis, como Impiedosos, Frangos ou Terror.
Rosalie não estava acostumada com tudo aquilo.
– E alguém viu minha tataravó? — Loe colocou os pés em cima da mesa, muito relaxado.
– Eu vi! — levantou a mão, Noralinne Mercure. — Ela estava mandando uma mensagem secreta para Lucyelle.
– Exato. E alguém mais viu a Aliança dos Livres?
– Eu vi! — gritou alguém da ponta, Emma. — Quando eles estavam no vulcão.
– E eu vi quando eles foram separados — comentou Evon.
Rosalie se remexeu, inquieta.
– Mas alguém viu algo mais interessante? — Loe incentivou.
– Eu vi o lobo uivando. — Rosalie sussurra, ao lado de Loe.
– Como, querida? ele a encara.
– Eu vi... O lobo... O Lupi.
– O que tem Lupi? — Evon se sobressalta.
– Ah... A épica cena da Revolta...- suspira Loe — isso sim é interessante. Acho que já perceberam: Cada um foi enviado para um dia diferente na Arena. Alguns para o último dia, alguns para o primeiro. Mas, foi só pra divertir... Amanhã vocês verão a Arena da 101ª Edição.
– Mas por que vamos ver as arenas? perguntou alguém.
– Porque é sempre bom ter uma idéia de como elas são — Loe piscou — E porque é sempre bom aprender mais sobre Panem... Bom, eu vou me retirar, bom jantar a todos...
Rosalie percebeu o jeito incomodado como Loe tinha agido, mas esqueceu, tratando de devorar sua comida.
A noite passou rapidamente, e ela dormiu como pedra. Seu sonho, porém, não foi dos melhores. Ela estava na arena de James, o frigorífico, e ele estava ao seu lado, rodando as facas entre os dedos, como sempre fazia em suas noites na Arena. Ele era considerado um entre os que mais tinham chances de vitória, e Rosalie se lembrou que, no dia em que assistiu essa reprise, ficou muito orgulhosa e quase teve certeza de que o irmão voltaria.
– Você não dorme. — sua aliada comentou.
– Não estou com vontade — responde James, suspirando.
– Você deveria descansar... Aproveite que estamos numa zona de proteção.
– Nenhuma zona tem proteção. — James sorri, sarcástico, parando de rodar a faca e inclinado a cabeça para trás, apoiando-a na parede. — Onde é que um freezer de porcos ancorados ao teto é protetor? Este lugar cheira a carne e a sangue, o tempo todo... é tão doentio...
Sua companheira sorri e se senta ao lado dele, bem confortável. A fogueira que eles tinham acendido era boa o bastante para mantê-los salvos do congelador. Bem pertinho de James, Prysma (como Rosalie tinha apelidado Prysmereff) pegou a mão de seu irmão e a colocou entre suas pernas. Aquecendo-as.
– Você precisa descansar, James. Isso não é uma falta de responsabilidade, é uma necessidade. Durma comigo, o calor nos manterá vivos. Não se preocupe.
James respirou fundo.
– Tudo bem, Prysma. — James sorriu.
Rosalie vacilou. Aquele sorriso... Aquele sorriso aquecedor... Ela sabia que até mesmo Prysma já tinha percebido que o sorriso de James era diferente, era caloroso, e às vezes parecia que a garota fazia de tudo para que James sorrisse. Naquele momento, deveria tê-la aquecido por completo.
– Não fique me olhando assim — ela pediu — Quer que eu me apaixone?
– Não — James sorriu, novamente, caloroso. — Não quero não.
Rosalie não conseguiu ver o rosto de Prysma, por isso nunca soube se ela tinha ficado feliz ou triste por esta resposta. Mas Rosa sabia que tinha ficado feliz.

Rosalie Grace
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