Notas iniciais
Alexei, vocês não viram menino mais lindo XD Melhor que o Ethan

Peter Waldorf & Alexei

“Fazer o bem, sem saber a quem, seus perigos têm” – Adágio popular

Enquanto o corredor não acabava, ele começava a sentir a garganta seca e o calor lhe desidratando. A camiseta grudava ao peito enquanto ele estava na frente do grupo, sendo o guia deles. Seus aliados eram todos muito íntimos, na verdade. Peter os tinha conhecido durante a Academia do Distrito 14 e logo se familiarizou. Eles tinham ganhado a confiança um do outro e talvez pudessem ter virado bons amigos em mais algum tempo.

Kate, uma das garotas da aliança. Ela era do Distrito 11, o mesmo distrito de outro garoto que estava na aliança também. Os cabelos pretos eram longos e os olhos azuis gélidos, sempre observando tudo. Kate não era uma beleza rara, mas tinha seu charme. É muito quieta, mas inteligente. Costuma não confiar em Peter, mas ele consegue ver que ela confia muito em seu companheiro de Distrito. Talvez seja o único que ela realmente confia.

Alexei. Alexei não tem um sobrenome e ninguém nunca ousou perguntar por quê. Ele talvez se faz de intimidador. Para Peter, Alexei se sente intimidado e como instinto tende a avançar sobre os outros, como uma onça. Sua desestabilidade emocional, porém, é como uma barreira que impede que os outros se aproximem. Até mesmo Kate não consegue rompê-la. Alexei é um misto de desordem e confusão mental. Ele não é muito do tipo de se andar em grupo, mas mesmo assim eles insistiram que Alexei ficasse por perto. Ele tinha dito que tudo daria errado, mas pouco se importaram. Algumas pessoas costumavam ser pessimistas, já Peter aprendeu a sempre olhar o lado bom da vida. Peter o encontrou uma vez mergulhado em um abraço feito com os próprios braços, se envolvendo com força, enquanto chorava e gritava de raiva. Algo nele deveria doer muito, mas Peter nunca saberia o quê.

Zandaya. Ela, com certeza, era a garota mais interessante que ele já tinha conhecido na vida. Zandaya conseguia manter sua personalidade e sustentar outra. Ela era como uma máscara ou uma máquina de fazer adaptações. Criava sempre uma personalidade nova para agradar certa pessoa, mas quando se juntou a Aliança, contou a verdade aos outros. Eles não rejeitaram-na, o que surpreendeu Peter. Até agora, Zandaya era uma espécie de descrição indescritível. Peter sabia quem ela era, mas nunca saberia descrever.

Peter tinha formado a Aliança quando percebeu que seria muito mais vantajoso. União entre os tributos do 6 e do 11. Além de Alexei ter tirado uma nota excelente no treinamento, algo que surpreendeu ainda mais Peter. Alexei com certeza era um enigma que poucas pessoas conseguiriam decifrar.

Com os olhos fixos no corredor a frente, logo atrás estava Zandaya, com uma pedra afiada que tinha encontrado pelo corredor quando estavam correndo. Kate estava atrás de Zandaya, ela tinha somente os punhos para lutar, mas ainda estava atenta, e no final da fila estava Alexei, ele também não estava armado, mas cuidava para que nenhum perigo chegasse por trás. Assim, eles seguiam pelo corredor, tentando achar o final dele.

Seu coração pulou do peito quando ouviu a voz de alguém familiar, mas que com certeza não estava nos Jogos.

Primeira onda de bestantes. Suas salas são A-1, C-5 e D-2.

Peter piscou, tentando entender aquela mensagem. Kate foi a primeira a exclamar e apontar o dedo para trás. No meio do corredor, saindo de uma sala, três ratos gigantes corriam com os olhos vermelhos cheios de raiva. Não ratasanas, mas sim ratos que tinham de se espremer para conseguirem passar juntos pelo corredor. Eles estavam perto, quando sentiu a mão de Zandaya pegar seu ombro e começar a correr com ele. Todos os outros também estavam correndo.

– D-2... D-2... – Zandaya sussurrava. – Achei! Entrem!

D-2 era uma sala normal, Peter foi empurrado para dentro por ela. Logo caiu no chão e ficou olhando para cima. Kate também entrou tropeçando, mas não caiu. Alexei foi o último, enquanto fechava a porta atrás de si.

– Ei, a Zandaya! – Peter gritou, enquanto lutava contra o garoto pela maçaneta da porta.

– Os ratos já estavam perto – Alexei respondeu, como se fosse óbvio – Se não fosse ela, seriam todos.

Peter tentou novamente, mas era evidente que Alexei fosse muito mais forte. Com um suspirou longo e profundo, ele chutou a parede mais próxima, enquanto colocava as mãos na cabeça e tentava não gritar como um louco.

– Foi ela quem achou a sala! Ela deveria entrar! – disse, se virando para Alexei.

– Ela se sacrificou por nós, sua vida será lembrada até o fim – Alexei soltou a porta – Eles já foram embora.

Peter quase caiu nas próprias pernas tentando chegar até a porta. Kate, até agora, não tinha dito nada. Alexei apenas suspirou, cruzando os braços sobre o peito.

– Eu te aconselho a não olhar. – foi sua única frase, enquanto ia para uma das camas da sala.

Peter o ignorou, enquanto abria a porta e saia lá fora. De fato os bestantes tinham ido embora, como se evaporassem. Mas o corpo de Zandaya não evaporou. Ela estava desfigurada, completamente roída. Sua pele um emaranhado de vermelho e branco. Seus cabelos esfiapados, os olhos furados e não havia uma parte do corpo que não tivesse sido roída até o osso. Somente seu esqueleto e sua cabeça restaram, enquanto o sangue se espalhava por todo o corredor. Peter se sentiu enjoado e logo o cheiro de sangue e esgoto chegou aos seu nariz.

Voltou para a sala com as pernas bambas, enquanto fechava a porta com um batido forte. Alexei nem olhou para ele, apenas estava esticado na cama, dormindo. Kate, encolhida numa outra cama, lamentava a morte de Zandaya com algumas lágrimas rolando pela bochecha. Peter se aproximou dela. Talvez porque Kate fosse muito mais agradável que Alexei, mas também porque ele queria alguém com quem compartilhar a dor. Quando chegou perto dela, deslizou pelos lençóis, se sentando ao seu lado. Quando seus ombros se roçaram, ela recuou.

– Não precisa ter medo – ele disse, querendo ganhar a confiança dela.

Mas Kate nunca deixaria que ele chegasse perto. Enquanto Kate se encolhia na ponta da cama, Peter se levantou, irritado, enquanto tentava encontrar alguma coisa útil naquela sala.

º º º

Talvez uma garrafa com água, um pacote com frutas secas... Até mesmo um leque para se abanar. Mas nada. A sala era vazia e apenas três camas encostadas na parede tinham alguma serventia. Cabeceiras brancas estavam ao lado de cada cama, mas Alexei não quis mexer lá. A janela do quarto tinha grades e o vento que entrava era quente e empoeirado, fazendo-o espirrar o tempo todo. O calor consumia, o suor escorria pela camisa branca e isso lhe dava agonia. Ele detestava poeira, calor e roupas. Com muita irritação, tirou a camiseta com um puxão forte. Seus braços se aliviaram, enquanto o peito começava a respirar. As gotas de suor que se formavam escorriam e ele se enxugou com a camiseta. Ergueu a cabeça, encostando-a na parede. As camas não tinham travesseiros e os colchões eram duros como pedra. Mesmo assim era ótimo se esticar.

Alexei se lembrava apenas de duas coisas: ele tinha sido obrigado a entrar nos Jogos; ele tinha feito algo muito errado.

Quando acordou na manhã da Colheita, já tinha sido levando até o grupo de adolescentes. Quando perguntou por que estava lá, somente lhe responderam que era seu castigo pelo que fizera. Alexei não sabia o que tinha feito, mas seu mentor explicou: ele tinha matado cruelmente a família do prefeito, furado os olhos da filha mais nova dele, colocado fogo no orfanato onde crescera e comido os restos dos cadáveres. Tinha sido sentenciado a se voluntariar para os Jogos. Alexei tinha dezoito anos. Um dia antes tinha feito dezenove, o que o livrava na Colheita. Mesmo assim, mentiram sua idade e o colocaram entre os meninos. Alguns nem o reconheceram, outros tentaram evitar ficar por perto.

Quando o nome de um garoto qualquer tinha sido sorteado, Alexei recebeu choques na pulseira que tinham colocado nele (que até agora não percebera) e teve de levantar a mão, se oferecendo assim para os Jogos. Agora ele nem sabia quem era, somente que tinha de matar as pessoas, algo que não o incomodava, na verdade. Não era como se tivesse acordado e se sentido humilhado com o que tinha feito, mas na verdade ele só não entendeu por quê. Ao passar do tempo, até começou a gostar dos Jogos e na verdade adorou sua nota. Alexei não sabe do que gosta, ele nem sabe qual é seu sobrenome. Na verdade costuma imitar os outros, tentando parecer o mais comum possível, embora seja impossível. Alexei tem um jeito único de tornar o normal algo muito exótico.

Alexei não sabe nada sobre si, nem se teve amigos ou uma família. As únicas informações que têm é que: morou num orfanato, por alguma razão o odiava e então resolveu incendiá-lo, ele também odiava o prefeito, ele era um assassino.

Quando descobriu que teria uma companheira de distrito, ficou muito animado, na verdade. Kate era quieta e muito reservada, o que lhe atraiu a atenção. Logo começou a imitá-la, somente falando nas horas que precisava ou então fugindo das pessoas ou de lugares cheios.

Alexei tinha virado uma espécie de espelho. Tinha se acostumado tanto a imitar os outros que às vezes nem percebia que o estava fazendo e começava a se perguntar se ele realmente sabia quem era ou se era real.

Isso às vezes o irritava.

E então ele começava a chorar. Não chorar por não saber quem era, mas sim por saber o que tinha feito. Começava a gritar e soluçar, como uma criança infeliz, enquanto ficava se remoendo e se perguntando o que o tinha levado a cometer tal coisa, algo tão horrendo, tão... Nojento. Tinha matado mais de vinte pessoas, apenas por algum tipo de vingança ou ódio que guardava. Ele não compreendia como não ligava para matar pessoas sendo que se odiava por tê-lo feito. Era como se dois Alexeis vivessem dentro do mesmo corpo: O Alexei melancólico e culpado junto com o Alexei sádico que gostava de torturar pessoas. Nos dois casos, ele se odiava.

Quando sentiu que deveria mudar de posição, pois aquela já estava virando incômoda, ouviu um chiado angustiado da cama ao lado. Era Kate, ela tinha dormido e agora roncava, com calma e despreocupada. Alexei desejou ser como ela.

Alexei

Notas finais
Achei uma foto que pode ser usada para ter uma ideia melhor da Arena: http://www.autumn-people.com/wp-content/uploads/2011/12/laleadjpg_0-300x203.jpg Beijos!