Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
45 Morgana Vieira
Notas iniciais
Morgana Menshy Vieira
“Todas as audácias da mulher são, mais ou menos, a consequência da tolice dos homens” – Júlio Dantas
– Vamos, me diga que está bem, Molly, você está bem? Acorda! – ela abriu um dos olhos, com o outro ainda no sono. Era um meio termo interessante. Um olho no sonho, um olho no mundo. – Molly!
Morgana se levantou, enquanto tratava de dar um tapa na cara de Rudy, que estava vermelho e com suor por todo o rosto. Ele piscou várias vezes, até se recuperar. Enquanto despertava, Morgana percebeu que a sala estava silenciosa. Quando entraram antes para ajudar Emma, Morgana foi atingida por uma seringa que Evon não sabia do que era. Rudy bem que tinha gritado com ele para se lembrar, mas o menino só se escolheu e ficou chorando baixinho.
– Estou cansado desse fingimento – Rudy tinha dito antes de Morgana cair no sono.
E isso a irritava. Essa coisa de sempre chamá-la de Molly, isso a irritava. Mas o que Rudy tinha de não querer chamá-la de Morgana? E daí se eles não eram os tributos verdadeiros, ninguém poderia tirá-los dali. Queria gritar com Rudy ali mesmo, mas não tinha forças para isso. Todos os músculos de seu corpo gritavam de dor e ela sentia leves pontadas nas costelas e nas omoplatas. Enquanto tentava evitar caretas de dor, olhou para Evon, que também estava se contorcendo. Será isso que a seringa fazia? Queimava suas forças até você sentir que seu corpo jamais se levantaria de novo?
Enquanto agonizava, Morgana sentiu os olhos de Rudy cravados sobre si, ele esperava ver alguma coisa, algum indício de sua morte. Talvez fosse superprotetor, mas nem de longe Rudy daria sua vida para salvar Morgana. Ela entendia isso. Seus laços fraternais não eram nada em relação a Arena, pois lá era vida ou morte e Rudy era egoísta o suficiente para pensar em somente sua vida e a morte dos outros.
– Estou cansado – ele disse, por fim.
– E está calor – comentou Emma, enquanto se ajeitava ao lado de seu “filho”. Evon tinha parado com as dores, mas em Morgana elas continuavam.
Evon, na verdade, tinha babado enquanto chorava nos braços de Emma. Morgana não conseguia entender o que Rudy via de fingimento naquele garoto. Ele parecia sofrer de verdade e em sua opinião Rudy só estava querendo atenção e percebeu que Evon estava roubando isso dele. Morgana conhecia seu irmão bem o suficiente para saber disso.
– O que você acha, Morgana? – perguntou Emma.
– Acho o quê?
– Acabei de sugerir que a gente saia do quarto e explore a Arena, seu irmão foi a favor, Evon disse que não. E você?
– Eu... Não sei... – ela pensou – Talvez se nós...
Atenção tributos, atenção tributos; A porta deste nível foi aberta, por favor os sobreviventes se dirijam para o final do corredor seguindo as placas A-1, B-1, C-1 até o final. Repetindo: A porta para o segundo andar da Arena foi aberta, por favor se dirijam ao final do corredor. Aqueles que não chegarem a tempo serão trancados neste andar e não poderão sair.
Morgana se levantou rapidamente, enquanto chutava Rudy para que se levantasse também. Mesmo sentindo uma dor alucinante no corpo inteiro, ela obrigou que todos saíssem e que corressem. Logo viram que muitos tributos já estavam no corredor e se espremiam para chegar até o final. Logo eles também estavam correndo. Ninguém se importou em matar, eles só queriam chegar logo antes de serem deixados para trás. Emma exclamou quando viu Rosalie, a menina da aliança que eles ainda não tinham visto. Rosalie se juntou ao grupo e disse que tinha conseguido se esconder dos bestantes e que ficou sozinha por cerca de cinco horas, sem se mexer.
Eles chegaram ao final do corredor, onde uma ampla sala com uma porta de arco se abria. Lá todos os tributos ainda vivos se encontravam e quando Morgana terminou de passar, a porta se fechou. Ela soltou o ar, aliviada. Do outro lado da sala estava uma outra porta de arco, mas essa estava fechada e com o número 2 brilhando no metal. As janelas tinham grades, como qualquer outra, mas a luz que entrava não era doentia, e o calor era real. A luz vinha do Sol de verdade. Todos viraram os rostos, admirados. Queriam um pouquinho daquele sol, mas assim que começaram a se aproximar, a porta do segundo andar se abriu, revelando uma luz ofuscante que o manicômio não tinha. O ar também era frio e gelado, como se lá tivesse ar-condicionado. O carpete era verde escuro e levava até um grande salão com chão de mármore preto, com colunas esculpidas com leões rugindo furiosamente e no teto águias voando por um céu límpido. O lustre que enfeitava e iluminava tudo era feito de cristais em pedaços e divãs estavam distribuídos pelo salão inteiro, em tons de vermelho-vinho. Um elevador de vidro estava com as portas abertas, convidando os tributos a entrarem nele. Em vez de um botão para chamar o elevador, ele tinha uma placa escrita em negrito “A porta está no último andar, mas cuidado”. Com isso, era fácil prever que alguma armadilha estava dentro daquela coisa.
Todos os tributos se reuniram no saguão, empurrando os divãs e formando um circulo bem no meio da sala, para que as câmeras pudessem visualizá-los. Os Carreiristas se sentaram juntos, enquanto as alianças se uniam em cantos. Por fim, Max se levantou, imponente e parecendo “O Líder”.
– Então está claro que temos de saber o que há nesse elevador. – ele falou, como se não fosse óbvio, mas sua voz grossa e forte impediu qualquer um de discordar ou fazer piada – Quem se oferece para testar?
Silêncio mortal. Ninguém queria, como alguém iria se oferecer? Com isso, Max ergueu uma sobrancelha, enquanto passava os olhos por todos os tributos e os parava em Rudy.
– Pequeno, você. – ele apontou – Diga seu nome.
– Stephan Margaroth – disse Rudy, muito calmamente, enquanto avaliava Max de cima a baixo.
– Stephan, eu escolhi você para testar o elevador.
Rudy ergueu uma sobrancelha, enquanto se enrijecia, olhando fixamente para Max. Por fim, disse em seu tom mais formal e respeitoso que tinha:
– Não.
– Como não?
– Não vou ir – ele respondeu, simples. E então se levantou. Rudy era incrivelmente mais baixo que Max. Sua cabeça chegava somente até a cintura do outro, enquanto Max começava a rir de prazer e mexer seus braços, mostrando os músculos.
– Então você vai deixar as coisas mais interessantes? Estou pronto para bater em você, pirralho.
– Não está curioso?
– Curioso? – Max se deixou mudar de assunto.
– É. Não quer saber como eu consegui gabaritar a prova das notas? Ou como eu tirei uma nota maior que a sua? Ou como eu sou melhor que você? Sabe, se eu te contar, quero que você me conte por que sente tanto medo de mim. Sério, eu sei que você só me escolheu por causa da minha nota, você acha que vai conseguir se livrar de um oponente tão digno apenas mandando-o para um elevador com armadilhas... Você é mesmo um covarde.
Max piscou seus olhos negros, enquanto seu rosto se enchia de raiva e ódio. Ele estava vermelho e seus punhos cerrados, era evidente que se segurava para não esmagar a cabeça de Rudy ali mesmo.
Morgana se levantou, enquanto puxava o braço de Rudy. Sussurrou em seu ouvido: — Você está maluco, Rudy? Faça o que ele quer, idiota! – mas nem mesmo ela conseguiria tirar a teimosia e o orgulho de Rudy de seu peito. Morgana sabia que o irmão tinha que se sentir superior, se não ele desistia de tudo. Rudy era a pessoa mais enjoativa e irritante que Morgana tinha conhecido, mas ela tinha de conviver com isso, pois eram irmãos. E aprendeu.
Rudy apenas colocou as mãos na cintura, como se dissesse “Eai, valentão, vai encarar?”. Max apenas se virou para Morgana e disse com força:
– Então vai você – ele a pegou pelo ombro e a empurrou em direção ao elevador.
Morgana nem teve tempo de gritar ou pedir para sair, as portas se fecharam e ela encarou o painel que se projetou a sua frente. Ele tinha doze botões, todos com os números correspondentes. Assim, ela ficou a encarar aquilo, até que apertou o botão 01. Sentiu o elevador se movimentando e então soltou o ar que prendia. Por algum momento, pensou que tudo estava bem, até ver os olhos de Rudy pelo vidro. Ele estava olhando para outra coisa, algo que estava em cima de sua cabeça. Morgana levantou os olhos, logo encontrando o que ele tanto via. Era uma nuvem, uma nuvem de fumaça que se formava de pouco a pouco, descendo até onde ela estava. Como era baixa, Morgana logo teve mais tempo e se abaixou rapidamente, enquanto sugava todo o ar e tentava não respirar. Aquele elevador de merda se movia lentamente, enquanto ela tinha de prender a respiração. A fumaça tomou conta de tudo. Ela era amarelada, como areia. A envolveu e impediu que os outros vissem o que acontecia do lado de dentro.
Quando ouviu as portas se abrindo, Morgana rastejou para fora, soltando o ar e inspirando com força. Estava salva, graças a Deus.

Morgana Vieira (Molly Margaroth)
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