Notas iniciais
Gente, esse capítulo

Noralinne Mercure

"A mulher que se beijou e não se teve, que se adivinhou e não se possuiu, torna-se uma obsessão para nós, numa preocupação doentia" — Júlio Dantas

Taylor Swift — Safe & Sound

Enquanto, talvez, fosse o fim para alguns, Noralinne percebeu que aquele era o jeito de se sair de algum lugar. Um lugar onde ela estava presa fazia tempo e queria se libertar. Quando correu com Ethan por aquele corredor em busca da porta do segundo andar, notou algo que já deveria ter percebido: Ela não era exatamente a pessoa que queria ser. Na verdade era o total oposto dela. E quando aquela pessoa dentro de seu peito gritou que ela deveria ter alguma atitude, ergueu sua mão.

– Eu vou – disse, enquanto discutiam quem deveria ser o segundo a usar o elevador.

Ethan a encarou, espantado. Mas como se tivesse lido em seus olhos que era aquilo que precisavam fazer, ele concordou em ir junto. Todos nem ligaram ou tentaram impedi-los. Deram adeus e as portas do elevador se fecharam em torno dos dois. Noralinne olhou para Ethan. A placa com os números dos andares surgiu. Caso apertasse o número doze, a saída, talvez algo terrível acontecesse. Tinha de entender como funcionava aquele jogo. Antes que pudesse ver ou pensar, Ethan já tinha se inclinado e apertado o botão 03. Não entendeu, mas quando o elevador começou a se mover, com a velocidade de uma tartaruga sem uma das pernas e com areia movediça ao redor, ela percebeu que deveria ficar atenta a qualquer armadilha que brotasse. Porém, quando o elevador passou pelo andar 01 e nada tinha acontecido, ela se surpreendeu.

Escorregou pela parede, ficando encolhida num canto. Com as costas na parede de vidro, ela sentia o leve tremor do elevador, enquanto subia. Sentia dores no corpo, e só depois de um tempo tinha notado que uma seringa guardada em seu bolso tinha estourado quando ela se deitara ao lado de Ethan e agora a região onde o líquido tocara estava vermelha e dolorida.

O primeiro jato de veneno atingiu Ethan no braço esquerdo e quando ele gritou, Noralinne pôde ver o reluzente número 02, anunciando que estavam ainda passando pelo segundo andar. O segundo jato o pegou na perna, e espirrou um pouco no pé de Nora, fazendo a pele arder e queimar como fogo. Quando percebeu, estava em carne viva. Puxou a calça de Ethan assim que mais jatos começavam a ser lançados. Ele se sentou ao seu lado, enquanto passava o braço ao redor de sua cabeça e ela tentava agarrá-lo como podia. Embora seu abraço não fosse tão protetor quanto o dele, era ótimo saber que ainda tinha os dois braços intactos e que poderia dar conforto a ele.

O elevador parecia estar parado, de tanto que eles queriam que as portas se abrissem. Quando elas finalmente o fizeram, Ethan puxou Noralinne junto, para fora. Caíram no carpete, sentindo a porta se fechar em seu pé, Noralinne puxou-o rapidamente, se livrando de uma amputação certa. Com cuidado, ela se levantou e com alívio percebeu que os dois braços estavam intactos, sem veneno, e que somente seu pé direito e parte do joelho tinham sido atingidos. Já Ethan estava um lixo. Seus belos pelos loiros tinham virado ruivos, agora que o sangue os manchava. Tinha sido atingido no braço, nas duas pernas, nas mãos e principalmente no pescoço. Algo em Noralinne fez com que ela tivesse vontade de vomitar. Não estava acostumada a ver pessoas com parte do corpo em carne viva, ainda mais o sangue que escorria dos ferimentos. Era pouco, mas de um vermelho vívido perfeito... Como se o sangue fosse novinho em folha (se é que sangue novinhos em folha são vermelhos daquele jeito). Parecia o cabelo de Emma, só que mais escuro. Noralinne teve mais um enjôo só de comprar o sangue de Ethan com os cabelos de Emma. Com certeza Ethan não merecia aquilo...

– Você está bem? – com certeza foi a pergunta mais idiota que Nora já tinha feito a alguém, mas não conseguia pensar em outra coisa para dizer.

Ethan imprimiu um sorriso em seus lábios que tremiam de dor. – Agradeço a preocupação... – ele tentou se sentar, mas emitiu um grunhido de dor enquanto esticava as penas o máximo que conseguia e rasgava com as unhas o tecido da calça, para deixar os ferimentos mais visíveis. Outra onda de enjôos tomou Nora.

Com um rápido giro, Noralinne olhou em volta. Tinha de ter algo útil. Aquilo era um apartamento normal, pensou, com certeza havia uma caixa de primeiros socorros no banheiro... Ela piscou, enquanto se levantava e olhava para seu pé direito, vendo como ele funcionava por dentro quando ela tinha de usá-lo. Era ainda mais enjoativo e Noralinne pensou que iria ficar nauseada. Mas antes disso, já tinha começado a correr a procura do banheiro. O pé latejava, e então ela pensou “Se isso aqui já dói desse jeito, imagine Ethan” e foi isso que a impulsionou a ignorar a dor e continuar correndo pelos corredores intermináveis daquele apartamento. Era angustiante não encontrar o maldito banheiro. Como eles tinham tantos quartos e nenhum lugar para cagar? Quando chegou, finalmente, na porta branca que indicava por uma placa ser o banheiro feminino, ela entrou. Não tinha procurado exatamente o banheiro certo, mas quando viu as duas portas indicando para cada sexo um banheiro, então ela foi para o feminino, por impulso.

Lá dentro as luzes no espelho estavam acesas. Maquiagens arrumadas em gavetas estavam na pia e a porcelana branca era tão límpida que chegava a fazer os olhos de Noralinne doer. Um balcão estava do outro lado da pia, chamativo, com toalhas e rosto. Abriu o balcão de madeira rústica e de aparência velha, mas que na verdade era só efeito de alguma pintura, pois o armário nem de madeira era feito, ela encontrou toalhas de banho e uma caixinha pequena do tamanho de sua mão com uma cruz vermelha. Tirou a caixa dali e correu pelo corredor, em direção á sala onde tinha deixado Ethan.

Ele conseguira se arrastar até o sofá, colocado as duas pernas em cima da mesa de centro e agora estava com a cabeça para trás e as pálpebras fechadas, procurando alguma paz. Quando ouviu Noralinne chegar, levantou a cabeça para olhá-la. Ela estava com os cabelos escuros presos num coque mal-feito. As roupas de linho branco agora encardidas e manchadas de sangue e de um líquido de seringa no bolso pareciam ter aumentado em seu corpo. Ela se dobrou sobre ele, enquanto examinava a caixa que tinha trazido. Noralinne, mesmo suja, ferida e manchada de suor, continuava com seu charme e sua beleza incondicional. Algo que Ethan não conseguiria explicar, porque por mais que tentasse, ele nunca conseguia sair bonito de uma luta.

– Será que eu tenho que... – ela disse para si mesma, enquanto pegava gaze e começava a inspecionar o tecido. – Primeiro lavar... – se lembrou, enquanto levantava do sofá e ia correndo para a cozinha, voltou com um copo derramando de água, enquanto tentava andar num passo rápido. Ela se dobrou novamente, derramando a água sobre a perna inteira de Ethan, que tinha sido muito danificada, e começava a colocar alguns algodões e limpar o sangue com eles. Depois de muito limpar, ela colocou mais alguns limpos algodões e enfaixou com gaze. Depois cortou a parte rasgada da calça de Ethan, fazendo uma bermuda, e pediu que ele lhe desse o braço.

Admirado com a eficiência e o jeito delicado como Noralinne limpava os ferimentos, Ethan até pensou em tocá-la, mas não o fez. Ao contrário, tentou não olhar para seu decote que o tempo todo aparecia quando ela se inclinava. Era muito tentador e Ethan era um homem, afinal, Noralinne não deveria ficar se insinuando daquele jeito na sua frente. Era indecente. A tentação, porém, era redonda e “cheinha”, do jeito que ele quis descrever. E quando Nora se inclinava por cima da perna dele, conseguia até ver a renda do sutiã que estava usando. Não conseguiu evitar, mas olhou três ou quatro vezes, até que ela terminou o trabalho e lhe tirou da visão de um paraíso.

Quando seus olhos se encontraram, Ethan ruborizou violentamente, temendo ter sido descoberto por ela.

– Você está com febre? – foi a única coisa que ela disse, enquanto tocava sua testa com a palma da mão – Não... – e então olhou para o algodão em sua mão, colocando-o junto aos outros já usados. Por fim, Nora tirou a sujeira dali, mas a mancha de sangue continuou no estofado.

Ethan acariciou o sangue seco, enquanto tentava se lembrar do quão forte era a dor. Tinha sumido assim que Nora começara a cuidar. Na verdade, tinha parado alguns minutos antes dela voltar, como se somente estivesse aberta. Sim, aberta, a sua pele aberta.

Quando a viu chegando, percebeu que mancava. Seus olhos foram para o pé de Noralinne. Um estava perfeitamente bem, o outro em carne viva. Ele se levantou –rápido – e logo sentiu a dor, mas não se conteve. Pegou a caixa de primeiros socorros da mesa de centro e apontou para que ela se sentasse no sofá. Nora soltou uma risada, mas não discordou. Ethan nunca tinha feito aquilo e tentou imitá-la. Mas sempre que apertava a gaze, ouvia uma exclamação de Nora.

– Desculpe.

– Não foi nada. – ela dizia, enquanto o observava trabalhar.

Era interessante modo como os músculos de seus braços se contraíam sempre que ele tinha de enrolar gaze ou tomar cuidado para não derramar água demais. Seu pé foi envolvido até o tornozelo, o que ela achou desnecessário, mas não questionou. Enquanto ele limpava a mesa e guardava as coisas na caixa de primeiros socorros, levantou o rosto para ver como ela estava.

– O que foi? – ela perguntou.

– Nada – logo abaixou o rosto, tentando evitar o rubor, mas foi em vão. Ethan era pálido, o rubor não era algo que costumava se camuflar facilmente.

Noralinne tirou o pé de cima da mesa de centro, se colocando de pé e experimentando andar. Mesmo que ainda sentisse uma leve dor cutucando a sola do pé conseguia andar normalmente e até correr em caso de vida ou morte, com isso pensou no que poderia fazer enquanto estivesse no apartamento.

– Vou tomar banho – ela se lembrou da grande banheira que o apartamento ostentava.

– Ah, claro – ele concordou, enquanto se levantava e se esticava. – E eu também. Depois de você.

– Têm dois banheiros aqui, um masculino e outro feminino – Noralinne contou – Podemos tomar banho ao mesmo tempo. Em banheiros diferentes – Acrescentou rapidamente.

– Eu não tinha maliciado – Ethan simplesmente começou a rir, vendo as bochechas de Nora se ruborizando.

Ethan foi o primeiro que saiu, logo começando a se perder entre os corredores.

– Por aqui – ela chamou, enquanto entrava no terceiro corredor do apartamento, que era menor que os outros. – Seu banheiro – ela indicou com a mão – Está escrito “masculino” caso não saiba ler.

– Eu agradeço pela preocupação de minha alfabetização, senhorita Mercure, mas eu aprendi a ler e escrever no primário. – ele disse, em tom seco, porém divertido.

– Desculpe, senhor Grason, eu subestimei as condições financeiras da sua família.

– Todos os moradores do 03 são obrigados a estudar, Noralinne Mercure, eles acreditam que uma mente instruída pode gerar bons frutos.

– Evidentemente estão certos – ela falou, enquanto se movia para a porta do banheiro feminino. – Bom banho, senhor Grason.

– Igualmente, senhoria Mercure. Tente não ficar pensando em como eu estou lavando as minhas costas enquanto estiver mergulhada nas águas quentes.

– E o senhor tente não imaginar minha cara de nojo imaginando isso – ela revidou, irritada, enquanto batia a porta duramente. Depois de ficar alguns segundos encostada nela, somente olhando o banheiro inteiro, começou a rir.

º º º

Quando abriu os olhos, sentiu as mãos flutuando ao lado do corpo. As bolhas na banheira tinham amenizado e agora a água não estava mais tão quente. O pé enfaixado ela tinha deixado do lado de fora da banheira, mas o resto do corpo estava encolhido. Até mesmo o braço. Molhou os cabelos, afundando a cabeça. Encontrou um xampu especializado em cabelos lisos e grossos, resolveu usá-lo. Sentindo a sujeira e o sebo saindo do couro cabeludo, foi um alívio quando o aroma de melissa tomava conta do banheiro. Ela afundou novamente, enxaguando e logo encontrando um creme que fazia par com o xampu e então o passou na cabeça inteira, exagerando. Queria ficar muito bonita, na verdade, tinha ficado enjoada quando se encarara no espelho, suja e fedorenta daquele jeito. Até a cor de seus olhos pareciam ter se sujado.

Quando saiu da banheira, não se importou em molhar o chão, já que aquele banheiro nem era seu mesmo. Então pegou uma toalha de dentro do balcão de madeira-falsa, se envolvendo e sentindo o cheiro de sabonete de hortelã e mel em sua pele. Foi até o espelho e da pia pegou uma toalha de rosto, prendendo os cabelos molhados. Logo estava abrindo a porta, para sair, e junto com ela saiu todo o ar quente. Do lado de fora, o ar-condicionado a tomou de susto. Mas logo se recuperou e então saiu do corredor três, se encaminhando para o corredor dois, onde tinha visto alguns quartos que tinham guarda-roupa. Entrou no primeiro, fechando a porta e então se atirando na cama. Sentiu o colchão macio... Nem se comparava ao colchão do manicômio. Esse era milhões de vezes melhor. Seu corpo inteiro agradeceu por aquele conforto.

Mas se obrigou a levantar, enquanto sentia que a toalha estava molhando o coberto da cama. Ela foi até o guarda-roupa, que incrivelmente não tinha roupas somente em estilo Capital, mas também com cores agradáveis aos olhos e até pijamas de seda. Tentou procurar uma calcinha que não fosse “indecente”, mas desistiu, pegando uma cueca box vermelha que tinha encontrado. Não estava com nojo, pois sabia que a cueca nunca tinha sido usada. Depois pegou um vestido confortável que ela poderia usar como camisola. Ele na verdade se prendia ao busto, enquanto o resto dele se esvoaçava. O decote a incomodou um pouco, mas logo se acostumou. As mangas eram suaves na pele e ela se sentia como uma criança pequena, rodando a saia. A cor do vestido era sua preferida: rosa claro. Sim, Noralinne tinha como cor favorita o rosa claro. Talvez isso surpreenda alguns.

Você com certeza está com saudades de mim, admita. Eu faço muita falta depois que me apresento. Sou eu de novo, seu narrador preferido! Ou, pelo menos, quero ser ele. Percebeu que andei meio calado? É que levei um fora da minha namorada. Na verdade pela quinta vez. Não sei o que se passa na cabeça dela, todo dia quer terminar comigo e voltar. Ela me ama incondicionalmente e por isso não quer admitir seus sentimentos... Ou pelo menos é isso em que eu queria acreditar.

Baseando-se nisso, eu peço desculpas pela ausência.

– Isso é perfume? – Nora perguntou para si mesma, enquanto pegava o frasco que tinha surgido entre algumas roupas. Espirrou no ar, sentindo o cheiro. Era perfume masculino, notou. Não queria ficar cheirando a homem, por isso logo o deixou no guarda-roupa, procurando na penteadeira por uma escova que não enrolasse seu cabelo. Quando achou, começou a escová-lo com cuidado. Ele estava macio como nunca esteve. Até mesmo a sua equipe de preparação ficaria admirada com o quão macio e brilhoso as madeixas ficaram. Ela encontrou um secador ligado na parede e logo o ligou. Surpreendeu-se com aquilo, pois nunca tinha visto algo como isso antes. Mas logo que viu o manual de instrução, percebeu que era o que estava precisando no momento. Secou os cabelos usando a escova para não armá-los. Eles ficaram lisos e comportados. Com cuidado, Noralinne tocou o rosto, notando que a pele estava muito mais macia. Aquele banho com certeza tinha feito um milagre nela.

Procurando por um sapato que não fosse de salto alto, ela desistiu, enquanto abria a porta e saía para o corredor. No mesmo instante que fez isso, Ethan também saiu de um dos quartos, usando uma bermuda praiana, camiseta havaiana e os cabelos em desanimo.

– E eu pensando que estava um gato... – ele suspirou.

– Você com certeza está mais pra peixe do que gato. – ela concordou.

– Só fala isso porque sabe que está bonitinha.

– Bonitinha? Estou linda – Nora corrigiu-o, ofendida.

Ele apenas riu, chegando mais perto. E então parou bruscamente, assustando até mesmo Nora.

– Isso é... Melissa?

– Sim – ela piscou os olhos.

– Eu amo! – ele se jogou sobre seu corpo, e ela só pôde colocar os braços na frente empurrando-o. – Eu vou te devorar, Noralinne Mercure.

– E eu vou chutar o seu...

Um barulho fez com que parassem tudo o que estavam fazendo. Eles se encararam e então assentiram, numa conversa silenciosa. Com cuidado, Nora foi até a cozinha, vendo alguns vultos na sala de entrada. Pegou uma faca de cortar carne e a ergueu acima da cabeça, pedindo para que Ethan ficasse em silêncio e não falasse nada. Ela saiu, para ver quem estava lá.

Os dois tributos do 13. Ela não tentou se esconder, pulou sobre o menino, cravando a faca em suas costas e o matando no mesmo momento. Já a garota percebeu e correu até a mesa, pegando a caixa de primeiros socorros e batendo violentamente na cabeça de Noralinne, enquanto ela apunhalava o corpo do garoto. Nora sentiu uma dor aguda, mas logo começou a perseguir a menina. Ela, por obra do destino, correndo até a cozinha. Nora não a deixou. A garota não tinha percebido Ethan, e na verdade estava de costas para ele. Quando Noralinne surgiu na porta da cozinha, a menina pegou uma faca do balcão, mas foi atingida do alto, por uma torradeira elétrica.

Ela caiu desacordada. Nora encarou Ethan, perplexa.

Ele apenas riu e então se ajoelhou, pegando a menina pelo pescoço e sentindo sua pulsação.

– Está viva – disse, enquanto chamava Noralinne para terminar o serviço.

Nora cortou o pescoço dela, para dar a ela uma morte indolor e rápida. Era o máximo que podia fazer. A luta foi breve, mas suficiente para entreter as pessoas. Logo eles ouviram um barulho parecido com sinos a distância e então um paraquedas entrou pela porta da cozinha, caindo no balcão ao lado deles.

– Eles gostam de você – Ethan notou, enquanto Nora pegava a caixa com a dádiva. Abriu-a e se surpreendeu quando viu um par de botas. Tirou os sapatos da caixa, que já tinha percebido ser grande demais para as dádivas normais. Ela encarou aquilo, e depois de um tempo as calçou. Eram confortáveis e não abafavam, o que era bom. – Você tem vantagem agora, os outros tributos não têm sapato. Se tivermos de andar sobre pregos...

– Você não viu nenhum sapato no seu guarda-roupa?

– Nem procurei – Ethan piscou – Mais tarde faço isso – deu de ombros e então abriu a geladeira ao seu lado – Ah, olhe, uma garrafa d’água! – ele jogou uma para Nora e pegou outra, tomando tudo em goles longos e grandes.

Estavam morrendo de sede, e só perceberam isso quando a água tocou seus lábios. Ethan também encontrou um pedaço de frango e ingredientes para fazer um molho. Frango xadrez, é o que teriam para o jantar!

– Você sabe fazer frango xadrez?

– Sim, por quê? – Nora ergueu uma sobrancelha.

– Quero comer – ele disse, tirando o frango e o resto dos ingredientes – Mas não sei fazer.

– Ah, ótimo, por isso que eu sou sua aliada, mesmo, para cozinhar frango pra você... – ela piscou.

– Se ficar bom eu prometo que caso. – ele piscou de volta.

– Nem se eu fosse a viúva negra.

Notas finais
Os leitores que poderão das dádivas, são: Neppios Camaleão Giulia MJuh Rapha Enobaria Murilo Zac Brotherband Por enquanto só esses, talvez eu mude caso alguém resolve "sair do armário"... Cada um tem três dádivas para dar para qualquer tributo (e pode repetir). Qualquer coisa vale, menos a promessa de uma vitória, pois seria injusto e também eu não costumo cumprir minhas promessas... XD Somente quando juro. Ah, e os tributos que escolhi para narrarem os capítulos na Arena são: Noralinne Mercure Alexei Charlie Belcourt Morgana Margaroth Rudy Margaroth Só. Esses são CERTOS de estarem entre os dez últimos :3 Os outros como Evon e Emma, Peter e tals vão aparecer nos capítulos, sim, afinal fazem parte das alianças! ^-^ Espero que entendam! Beijos.