Notas iniciais
Sério, terminei esse capítulo um tempão atrás mas esqueci de postar e quando percebi... Enfim, ta aqui!

Charlie Belcourt

“A conversa sobre dois sábios deve ser igual à conversa entre dois imbecis. Em ambos os casos, nenhum deles tem o que ensinar ao outro.” – D. Xicote

Segurava a mão de Austin como se ela soltasse fosse se perder num labirinto imenso. Cerca de seis tributos já tinham subido o elevador e até agora somente um canhão se ouviu. Charlie tinha notado qual botão os outros tinham apertado: A menina Molly tinha ido para o 01, enquanto os dois outros grupos tinham ido para o 03. Ela pensou que talvez tivessem se encontrado e então um deles morreu pelas mãos dos outros que já estavam no andar 03.

O canhão tocou novamente, e ela deu um salto assustado. Sentiu os braços de Austin envolvendo-a e então se aninhou em seu peito. Ela estava muito assustada, era verdade. Enquanto tremia, o elevador voltava para o térreo, abrindo suas portas para os próximos. Antes que alguém dissesse, ela levantou sua mão.

– Eu vou agora – disse, rapidamente, puxando Austin com ela.

Os dois entraram. Austin não entendeu, mas também não perguntou por que ela estava tão desesperada. Charlie apertou o botão onze sem nem ver quando o painel surgiu. Se arrependeu. Demoraria muito até chegarem ao andar onze... E se algo muito terrível acontecesse durante isso? Charlie já tinha visto uma fumaça que sufocava e também ácido ser jogado, mas... O que poderia acontecer agora? Com um medo que surpreendeu a ela mesma, Charlie ficou olhando para todos os lados. Soltou o ar novamente, enquanto notava os olhos assustados de Austin sobre ela.

– Fique atento – somente disse.

Ele concordou com um meneio, enquanto olhava para cima, esperando por alguma armadilha. O elevador chegou no quarto andar e ainda nada tinha acontecido. Charlie não se deixou convencer, ela continuou atenta. Ainda faltavam sete andares para passar, mas o elevador continuava como a preguiça...

O número cinco brilhou por trás do vidro do elevador, enquanto revelava que já estavam no quinto andar. Ela ofegava, com se estivesse correndo, mas na verdade era só o medo que a consumia. Aquilo... Realmente não pensou que passaria por aquilo. Não sabia o que se passava pela cabeça dos Idealizadores, mas logo que sentiu seus cabelos se grudando ao rosto, levou um choque e ficou se debatendo, até perceber que era somente água. Austin começou a rir de sua reação, mas quando também recebeu o jato de água, ficou surpreso. Uma chuva torrencial tomou conta do elevador, enquanto tentava se aproximar. Não tinha como evitar, seus pés descalços escorregavam no vidro e logo os dois estavam com a cara esborrachada no chão. Se ajoelharam, rindo como loucos. Só até perceber que a água já estava na altura do joelho. Charlie parou de rir e então notou o número seis brilhando. Quando chegassem no 11, o elevador já teria virado uma cápsula de água.

Austin se agarrou na menina, enquanto tremia de frio.

– Eu não sei nadar – ele disse, com os dentes batendo. Seu nariz estava escorrendo, sangue. – Charlie, eu não sei nadar.

– Relaxa. – ela tentou animá-lo. – É só deixar a água levar seu corpo.

Um relâmpago passou pelo elevador, fulminando alguns centímetros ao lado de Charlie. Ah, ótimo, como se não bastasse um elevador submerso, eles iriam assar, também. Enquanto empurrava Austin para a parede do elevador, prendeu a respiração, abaixando a cabeça e vendo que a água batia na cintura. Ela voltou, enquanto colocava os braços ao redor do menino.

– Eu vou levar você junto comigo – disse, confiante.

– Não, nós dois vamos afundar. – ele choramingou.

– Não seja negativo, Austin, tudo vai acabar bem – ela sorriu, um sorriso tristonho, ela não tinha muita convicção naquilo.

Austin estava se acalmando. Aquele sorriso... Ele sempre conseguia fazer seu coração parar de acelerar e então deixar a histeria de lado e sorris junto. Mas quando aquele brilho atingiu os cabelos ruivos de Charlie, e ela desabou em seus braços, Austin achou ter ouvido um canhão, e todo seu mundo se afundou, junto com ele no elevador.

º º º

De fato Austin apenas achou que tinha ouvido, pois quando caiu para fora do elevador, com a porta aberta no décimo primeiro andar, seu corpo ficou por cima do de Charlie e o peito da menina subia e abaixava. Austin não entendeu como é que ela não tinha se afogado ou transmitido o raio para o corpo dele, mas simplesmente ela estava bem, somente cheirando a queimado e com os fios do cabelo chamuscados.

Notas finais
Hoje é aniversário da leitora MJuh! Por isso temos capítulo especial de Noralinne e Rudy! Ela que pediu! :3 Beijos e até.