Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
48 Noralinne Mercure - Especial MJuh
Notas iniciais
Noralinne Mercure
“Os lábios de uma moça amada são como pétalas de uma flor, que contém em seu cálix o veneno, que nos mata, e o perfume, que nos embriaga” – Bernardo Guimarães
– Talvez uma noite de sono nos fizesse bem – disse Ethan, com suavidade, acariciando os cabelos – Se é que anoiteceu... Perdi a noção do horário completamente... – suspirou, enquanto tentava desenrolar os rebeldes fios loiros.
Noralinne apenas mudou de canal na TV. Tinham ficado na cozinha fazendo o jantar e quando voltaram o corpo do menino do 13 não estava mais lá. Logo, quando foi colocar a louça suja na pia, a menina também não estava. Agora, assistindo televisão, estavam vendo as reprises das colheitas, do desfile, das notas e das entrevistas. Até mesmo alguns trechos na arena, mas os Idealizadores tomaram cuidado para não revelarem demais. Logo a TV começou a piscar e uma queda de energia violenta fez com que ela soltasse faíscas e por pouco não incendiou o tapete. Agora eles estavam deitados no sofá, relaxando, enquanto seus pés se enroscavam.
– Quero dormir com você – ela disse, de repente, assustando-o. – Não quero dormir sozinha. Estou com medo.
– Você não ficou com medo quando matou aquele menino. Eu vi por trás da porta, você subiu e cima dele e ficou apunhalando sem dó.
– Eu fui levada pela adrenalina... – Nora suspirou, cansada – Mas quando começo a refletir sobre meus atos, como eu poderia ser melhor o quanto os tributos são bons... Eu fico... Com medo.
– Entendo. – Ethan se levantou, sentando-se ereto, virado para os pés de Nora. – Venha cá. – com um leve movimento, convidou-a para seu colo.
Noralinne não negou, era queria um abraço. Ganhou, porém, até carícias nos braços. Sua pele arrepiava enquanto os dedos de Ethan passeavam por ela. Era ótimo aquela sensação de não ter preocupações no mundo. Deitou sua cabeça no peito dele, enquanto escutava seu coração bater num compasso ritmado. Seu peito subia e descia conforme a respiração, lenta e paciente. Nora até tentou acompanhá-lo, para não conseguiu, pois Ethan parecia ter um ritmo só dele.
Os dedos roçando em sua bochecha, Nora sentiu que Ethan estava levantando seu rosto delicadamente. Com os olhos quase esbugalhados, ela esperava, tremia, ansiava para que fosse o que ela estivesse pensando. Embora soubesse que não deveria estar querendo aquilo, ela não se importou, pois não voltaria atrás, nem mesmo se papai pedisse e lhe desse uma bronca. Afinal, ela poderia morrer, qual mal aquilo faria? Com o queixo se empinando, as bochechas ruborizadas e os olhos maciços de Ethan, ela entreabriu os lábios, deixando claro que aceitaria qualquer que fosse a intenção dele.
Beijou-a leve, devagar. Com suavidade e delicadeza que nem mesmo Ethan sabia que conseguia fazer. Os lábios mal se tocavam, enquanto sentia que roçavam em busca de mais. Nora incitava para que continuasse, mas ávido, mas ele não queria apressar as coisas. Sabia que se tinha começado, poderia terminar quando quisesse. E não era agora... Os olhos fechados, seus cílios roçando nos cílios de Nora. Era encantador senti-la, a cada centímetro, enquanto nenhum espaço se colocava entre seus corpos.
E então a devorou.
Com ávido desejo, ele a tomou para seus braços e a beijou como jamais tinha beijado uma menina. Na verdade, nunca tinha beijado uma de verdade, somente na infância. Mas isso era outra coisa... E com certeza você não está interessado na vida amorosa de Ethan, e sim no beijo.
Com suavidade, deslizou a mão até suas costas, enquanto ela se arqueava e quase se perdia do beijo, mas não se perdeu. Ela estava ofegando, embora o suor só começasse a parecer alguns minutos depois. O som de seu coração já era audível sem precisar colocar seu ouvido no peito dela. Ou será que era o seu próprio coração? Ele não sabia. Mas não ouvia mais nada, somente o som da pulsação no ouvido, enquanto sangue fervia nas veias e a adrenalina invadia seu corpo.
Normalmente as pessoas gostam da adrenalina. Nesse momento, porém, Noralinne venerou.
Com o corpo em espasmos incontroláveis, ela se esticou até que seus braços envolvessem o pescoço e suas mãos se perdessem no emaranhado loiro da cabeça de Ethan. Em dois segundos, ela o deixou, enquanto se recuperava. Tinha de respirar, pelo menos. Mas não podia fingir que não estava ruborizada. Estava muito.
Enquanto se sentava ereta no sofá, Ethan passou a mão pelos cabelos, tentando evitar olhar para ela. Sim, ele com certeza estava tão vermelho quanto um pimentão, não sabia de onde tinha surgido tanta coragem para tomá-la daquele jeito, mas ficou orgulhoso de sua proeza. Com certeza tinha surpreendido a todos, tanto na Capital, quanto as pessoas que viviam dentro dele. Ele, seu espírito e sua alma. Três pessoas, todas com as bocas escancaradas e um sorriso travesso nos lábios. Tentou não encará-las, mas não foi de ferro, ele logo admitiu estar excitado.
Nora passou os braços sobre os joelhos e então acariciou seu pé, enfaixado. Tentou fazer qualquer outra coisa que tirasse aquilo da cabeça. Coçar os cabelos, olhar a televisão quebrada, encarar a mesa de centro. Qualquer coisa, desde que não precisasse olhar diretamente para Ethan.
– Vamos dormir. – ele chamou, enquanto se levantava. Fingindo que nada tinha acontecido.
– Claro. – ela também se levantou, ficando em pé ao seu lado. Agora era quase palpável o jeito como Ethan era mais alto.
Seus ombros se roçaram delicadamente.
Se viraram, surpresos e com o rubor no rosto. E quando perceberam, já estavam nos braços um do outro novamente. Ethan, que tinha conseguido tomar as rédeas, levou Noralinne com empurrões até o quarto onde tinha se trocado. Entrou e nem se preocupou em fechar a porta. A deitou na cama, enquanto ela se cobria com o lençol. Com cuidado ele se juntou, ficando ao seu lado. E então a envolveu como se fosse um pequeno coelho, com fome e frio, precisando de aconchego. Ela aceitou, deitando sua cabeça no braço de Ethan e devolvendo o abraço apertado.
Estava apaixonado.
Estava agradecida.
Não voltaram a se beijar.
Não até acordarem.
º º º
Os olhos pareciam ter sido colados quando tentou acordar. Sentiu um leve tremor no pescoço e logo percebeu que era o braço de Ethan. Se levantou, rapidamente, fazendo o braço dele descer peça coberta e ele acordar assustado.
– Desculpe – pediu, enquanto começava a rir.
– Tudo bem – Ethan apenas sorriu e bocejou – Dormiu bem, Noralinne Mercure?
– Maravilhosamente bem, Ethan Grason.
– É claro que sim, o prazer da minha companhia gera isso nas garotas. – ele fez cara de badboy.
– Agora entendo o porquê – apenas respondeu, jogando-se por cima dele. Ethan piscou, enquanto digeria as palavras. Nora não tinha revidado o sarcasmo? Aquilo era novo para ele, mas pensou nisso como um elogio e então se sentiu feliz. Estranhamente feliz. Envolvendo-a e pensando “Quem é você agora, Max Boonm?”.

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