Notas iniciais
Simplesmente In Love com Este Capítulo

Peter Waldorf

Arcade Fire — Abraham Daughter

– Não acha muito ridículo ser simpático com todo mundo? – ele questionou.

– Se quer vencer, se quer conquistar a confiança dos outros: Mostre um sorriso. – Zandaya disse – Sei que é irritante ter de fingir gostar de todo mundo, mas quanto mais a gente for gentil, mais os outros irão pensar que somos inofensivos e não irão nos tratar como ameaças. Minha mãe me ensinou isso. Ela venceu os Jogos, vinte e cinco anos atrás.

Peter suspirou.

– E se os outros acharem estranho?

– O que? Duas pessoas sendo alegres e simpáticas? Isso não é estranho, Peter. – Zandaya respirou fundo. – Se parecer estranho, nós seremos dois estranhos, o que irá fazer com que os outros pensem ainda mais que não somos ameaças.

Peter concordou com um meneio.

– Quero saber o que é esse Jardim Secreto. – ele comentou.

– Eu também – Zandaya sorriu – Vamos nós dois, então. Ah, não esqueça a máscara de bom mocinho.

– Não irei.

º º º

Assim que ouviu as máquinas serem ligadas, o desespero tomou conta dele. Peter se lembrou do que Loe tinha dito “A partir de agora nós somos os mentores do vocês, nós é que somos responsáveis e digamos que somos nós quem vai cuidar de vocês. Eu adoro castigos, sabia?”. E se aquilo fosse um castigo para a curiosidade excessiva de todos? Não, ele não tinha poder de castigar vinte e seis jovens.

Ou tinha? Simplesmente Loe era assustador, quando queria.

Novamente, não pôde deixar de pensar em mamãe, e o quanto ela estaria sofrendo... Sentiu o desejo de poder protegê-la, como fazia ao ir trabalhar todos os dias de manhã... Ela não podia ficar sozinha... Não tinha condições... Obrigou-se a concentrar no treino. Se é que aquilo era um treino...

Quando suas pálpebras finalmente pararam de se remexer, sentiu uma dor aguda na nuca e então nada. Ouvia o próprio coração e depois conseguia sentir o cheiro de tempestade se aproximando. Abriu os olhos. Não era cheiro de chuva. Era cheiro de mofo. As paredes que subiam até os dois metros de altura, e eram feitas somente de pedra e mais nada. O pó delas era visível a olho nu, enquanto alguns raios solares invadiam a escuridão tremenda do Labirinto. Um... Um Labirinto. Tomou conta de que onde estava era um corredor gigantesco, no final dele, ao norte, tinha mais dois caminhos, olhando para trás viu cinco caminhos que davam naquele corredor. Estava prestes a começar a caminhar, quando ouviu o som de passos. Não uma caminhada, mas uma corrida contra a morte.

Tentou descobrir de onde vinha, mas só pôde saber quando os dois atravessaram seu corpo. Ele não sentiu nada, somente viu que dois jovens correndo tinham conseguido passar por seu corpo, como se ele não fosse nada. Logo depois de vinte segundos um urso duas vezes maior que Peter também o atravessou. Peter piscou, sem entender muito, mas como se não fizesse noção nenhuma dos movimentos, começou a correr atrás dos três indivíduos. Só parou quando percebeu que tinha perdido os jovens e o monstro de vista. Ficou perdido, não sabia qual dos dois caminhos eles tinham tomado, mas escolheu ir pelo da direita. Após andar por muito tempo, sem encontrar o fim do corredor, ele percebeu que tinha feito a escolha errada, mas quando tentou voltar, não conseguiu encontrar os dois caminhos que tinha feito.

Aquilo tudo fazia sua cabeça girar e não parar mais.

– Você... Você é um idiota! Você fez a gente se perder de novo! Eu deveria te dar um soco! – ele ouviu a voz esganiçada da garota, que realmente estava com raiva.

– Desculpa, eu tentei! – o menino também estava bravo. – Mas este mapa é muito confuso!

– Me dê isso ai!- exigiu a garota.

– Não, o mapa apareceu para mim, eu sou o dono dele – o menino enrolou o papel e o colocou dentro da roupa.

– Ah, eu te odeio, Simbad.

– Como se eu te amasse, Kaya.

Peter deu alguns passos para a frente, bem no campo de visão dos dois, mas parecia que eles não conseguiam vê-lo.

– Para onde vamos...? – a voz de Kaya saiu falhada.

– Eu não sei... – Simbad respondeu do mesmo jeito, fraco.

– Vamos continuar correndo, temos de achar alguma coisa. Talvez... Talvez os nossos aliados...

– Sim – concordou Simbad.

Deram as mãos e continuaram correndo, deixando Peter para trás. O garoto, um tanto quanto atônito, resolveu que tinha de continuar procurando pelo caminho de duas escolhas, e assim correu na direção oposta a dos garotos. Quando mais andava, mais tinha certeza de que nunca conseguiria sair dali. De repente uma porta se abriu ao lado dele. A porta rangeu, enquanto alguém do lado de dentro dela a abria.

– Eu simplesmente odeio viagens por salas – o menino se esticou.

– Elas tem comida e suprimentos, é o que nos tem mantido vivos até agora – a garota o corrigiu.

– Será que já estamos perto da Porta, Acácia?

– Duvido muito... – Acácia suspirou – Esses Idealizadores não vão deixar tão fácil assim achar a saída deste lugar... Mesmo que eu desejasse com meu coração poder ver a luz do Sol, seria impossível...

– Vamos continuar — o menino sorriu para ela – Eu prometo que vou te dar o Sol de presente quando vencermos.

– Obrigada, Jas... – Acacia sorriu. – Vamos, já perdemos tempo demais.

Peter deu três passos para trás, começando uma corrida pelo caminho que tinha vindo. Novamente se perdeu, mas aquilo já tinha virado comum. Atravessou salas, percorreu corredores infinitos, até que algo parou sua corrida.

EU TO SANGRANDO! V-VOCÊ ME MACHUCOU!

– O quê? Mas eu nem... Não... Ahaha! Eu não te machuquei, isso é normal.

ISSO! ISSO NÃO É NORMAL! OLHE, EU ESTOU DOENTE! EU VOU MORRER!

Não, Lucy, n-não... Não é isso que você está pensando. Isso é... Bem... Isso é normal nas mulheres.

Lucy o encarou, cética.

Peter começou a tremer. Aquilo tudo... Aquilo tudo era assustador! Tinha que sair dali agora!

– Tudo bem, eu cuido dela... – outra garota colocou a mão sobre o ombro do garoto ruivo – Afinal somos uma família.

– Obrigado, May...

May piscou.

– E então, pequena? O que temos ai? Ah, olhe só! Uma mulherzinha!

Peter Waldorf

Notas finais
Acho que tem um olho na minha lágrima... ;'( Jujubas que leram YHG3 são outro nível -q