Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
67 Noralinne Mercure - Max Boonm
Notas iniciais
Noralinne Mercure
Estava com a cabeça deitada no peito de Ethan. Ele era um ótimo colchão quando estava morrendo de sono. O menino, não muito diferente, também dormia como uma pedra. Mas Nora mantinha um olho aberto, vivo no mundo, enquanto o outro estava vivo no sonho. Com curiosidade, vasculhava as possibilidades e a realidade. Ethan respirou fundo e bocejou. Noralinne ergueu os olhos, encontrando os dele abertos. Sorriu.
– Bom dia.
– É dia? – Ethan ergueu uma sobrancelha, enquanto retribuía o sorriso.
– Quem sabe? – Nora apenas se aconchegou mais. As roupas tinham secado. Agora, deitados naquela relva doce, tinham descansado bem.
Ethan passou o braço por seus braços, trazendo-a mais para perto, num aconchego confortável. Escutaram o som do canhão. Os pelos da nuca de Nora se arrepiaram.
– Vamos sair daqui! – disse com força, levantando-se.
– Sair? Mas agora que eu te achei...
Noralinne sabia que aquela voz não era de Ethan. Virou-se, quase com o terror nos olhos, enquanto Max se revelava. O grandão sorriu, com prazer. Ethan se juntou a Nora, mesmo que quisesse, não poderia segurar o tremor que percorria seu esqueleto. Aquele cara queria matá-lo, e conseguiria. Queria matá-lo por causa de Noralinne, embora os dois nunca tivessem trocado mais de vinte palavras. Pelo menos era o que Ethan esperava.
º º º
Lívia Boonm
A moça de cabelos castanhos se endireitou, com a coluna ereta e os braços ao lado do corpo, mãos pousadas nos joelhos e com o vestido florido deixando sua barriga ainda maior do que já estava. Nove meses, quase dando a luz. Ela sorriu quando a luz da câmera se acendeu, revelando que estavam ao vivo para toda Panem. Seriam os primeiros entrevistados, e como era a ordem, a família do tributo masculino falava primeiro. O pai da garota que Max estava “apaixonado” não parecia muito empolgado para a Entrevista, mas Lívia não se importava com aquilo, iria dizer tudo o que sentia, o orgulho de ser mãe e de ver seu marido vencendo com tanta bravura.
– Olá, Caesar! Aqui sou eu, Marchett, e você já sabe o que estou fazendo perto desta belíssima jovem de dezoito anos! Lívia Bloonm, esposa de Max Boonm, grávida de oito meses e uma semana, se casou quando tinha dezesseis, fugiu dos pais que não aceitavam o casamento e hoje está torcendo por seu marido! Lívia, conte-me, como é ver Max tão interessado em sua companheira de Distrito?
– Direto ao ponto, hein March? – Lívia riu – Sei que Max se interessa facilmente por meninas mais novas e bonitinhas. Mas é apenas um interesse de aliança, nada que o faria pensar em me deixar aqui com um filho dele. Estratégia de batalha, digamos – ela piscou. Suas palavras tinham duplo sentido. Max poderia estar atrás de Noralinne tanto por aliança, por amor ou por estratégia de batalha. A estratégia poderia ser a aliança, em si, e também um jeito novo de enrolar a Capital. Nas duas hipóteses, Lívia não temia nenhuma.
– Boa resposta, senhora Boonm.
– Senhora, não, moça.
– Sim, sim – March riu fraco – Max sempre foi um rapaz bruto ou ele se mostrou deste jeito na Arena?
– Max é um amor. Ele é carinhoso, atencioso e muito caseiro, prefere passar o final de semana inteiro perto da família do que ao lado de amigos beberrões. Nunca se deu bem em bares ou boates, e raramente freqüenta um. Ele tem um emprego difícil, boxeador, e frequentemente volta machucado para casa, mas sempre com dinheiro extra. É complicado isso pois nem sempre posso vê-lo, e isso é super chato... É ótimo saber que ele tem chances de voltar com dinheiro suficiente para que nunca mais precisemos nos distancias – ela olhou as unhas, longas. A barriga, grande. – E tem a Alice.
– É uma menininha?
– Isso mesmo – Lívia voltou os olhos para Marchett, bilhando. – Alice Boonm. Diga oi ao papai, Lice... – Lívia acariciou a barriga por cima do vestido. – Logo nascerá, logo verá o papai.
– E se, por acaso e obra do destino, ela não ver?
– Vai ver. Vai saber que seu pai só pensava no seu melhor. Não vou proibi-la de assistir aos Jogos, principalmente os de seu pai.
º º º
Noralinne Mercure
Afastou-se rapidamente, puxando Ethan pelo braço. tinham de correr, tinham de sair dali o mais rápido possível, enquanto Max ainda estivesse surpreso pela tela que de repente apareceu ao seu lado, com a entrevista de sua esposa (ou quem tinha se denominado ser). Ela correu com todas as suas forças, com aquela bola se formando em seu peito. Era terrível, devastadora, quase como se soubesse que nunca conseguira fugir de Max, que ele sempre estaria lá. Aquela presença indesejável... Aquele rosto para lhe assombrar. O fogo daquele sentimento indescritível queimava em seu peito. Desesperadamente precisava de um conforto. Mas não eram os braços de Ethan que queria, e sim os de papai.
E então... Caiu. E ele a devorou. Digo, a chama em seu peito, não Max. Max nem estava seguindo-a. Ethan voltou para ver se estava tudo bem, mas Noralinne o empurrou com força, precisava ficar sozinha, ficar somente com sua alma. Enquanto derramava as primeiras lágrimas, sentiu as pernas afundando no glacê que tinha caído. O chão mudava muito de sabores no País das Maravilhas. Libertou todo o fogo em sua voz. Gritou e afundou as mãos no glacê, agarrando-o e sentindo as palmas se fecharem até as unhas perfurarem-nas. A dor. Isso a acordou. Levantou-se quando já estava com os joelhos debaixo do glacê. Se ergueu com facilidade e olhou ao redor. Ethan estava distante, sentado sobre um pedaço de chocolate amargo, comendo-o. Ela se aproximou cautelosamente, enxugando as lágrimas, feliz por ter libertado aquele sentimento (que logo voltaria). Gostava de quando Ethan a confortava, gostava dessa coisa que ele tinha de tentar sempre ajudar as pessoas, como fizera com Charlie e seus pesadelos. Mas o que mais gostava nele era que Ethan sabia quando deveria confortá-la, e quando deveria deixá-la sozinha.
Procurou com delicadeza onde estava a paixão que sentia por Ethan, temendo que tivesse se ido junto com o fogo de Max, mas não foi. Encontrou bem lá no cantinho, tremendo do medo daquele fogo ardente. Sorriu para a paixão, e ela devolveu o sorriso. Envolveu Ethan com os braços, pegando-o pelo pescoço e o deixando deslizar por seus seios. Poderia abraçá-lo e ficar assim para sempre, como qualquer meninazinha apaixonada diria, mas a verdade era que queria soltá-lo o mais rápido possível. Ethan era agradável, mas o que ele trazia não era. Ele chamava Max.
– Eu a amo. Mas sinto que meu amor é maior que o seu. E isso me desagrada – Ethan disse, com a voz abafada pela blusa de Nora. A menina apenas resmungou algo, concordando. Sabia que não o amava tanto assim.
– Isso não importa mais. – ela respondeu após um longo tempo.
– Eu sei. Afinal você vai vencer e sair daqui, que é o óbvio, ninguém matará você se estiver com Max ou consigo mesma. Então... Como eu a amo de verdade, deveria dizer para ir se aliar a ele, me mataria aqui e deixaria a vitória mais fácil para você. Com Max dificilmente você perderia, além dele ser do seu Distrito e de te amar.
– Ele não me ama.
– Talvez ame. – Ethan deu de ombros – Não acho que aquele cara viria atrás de você até agora somente numa estratégia. É idiota demais para um Carreirista. Me perdoe a esposa e o bebê dele, mas aquele cara gamou em você. Voltando ao assunto: Já que eu te amo, deveria te aconselhar a se aliar a ele. Mas eu sou egoísta, Noralinne Mercure, ah como sou egoísta! Não vou te deixar nas mãos daquele ridículo machinho dos ringues.
Noralinne suspirou. Sabia que era verdade.
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