Notas iniciais
Vamos desvendar o mistério de como a Nora conseguiu entrar nos Jogos!

Noralinne Mercure

Alexandra Stan — Mr. Saxobeat

Enquanto tentava não se corroer com a idéia de que Jeanne iria em seu lugar em seu último ano de Colheita, Nora arrumou as pregas do vestido, deixando o caimento sobre os ombros um tanto vulgar demais. Se olhando no espelho, passou o batom vermelho vivo e delineou os olhos com preto, intensificando o azul gélido deles. Colocou brincos novos que papai tinha comprado e então voltou a se olhar no espelho.

– Que tal esse aqui? – Rebecca sugeriu, mostrando o vestido verde esmeralda.

– Prefiro o azul neutro – Nora pegou o vestido e o colocou, tirando o de caimento vulgar.

Calçou saltos e se olhou no espelho novamente, desta vez estava mais decidida. Se sentindo maravilhosa, ela sorriu, com a felicidade estampada no rosto.

– Está linda – Rebecca elogiou – Embora não seja você a escolhida.

Noralinne riu fraco, tentando não demonstrar o quanto estava chateada. Rebecca era a vizinha mais próxima da família, papai sempre a chamara para cuidar e Noralinne quando precisava. Rebecca tinha um senso de moda muito bom e normalmente conseguia achar promoções imperdíveis, por isso Nora andava com muito glamour perto das outras meninas do Distrito 2.

– Parece uma da Capital. – Rebecca suspirou. – No bom sentido, claro.

Nora riu e então colocou os cabelos para o lado do ombro. Enquanto isso, papai batia na porta, esperando-a para que fossem juntos até a Colheita. A cada passo em direção ao centro do Distrito, ela tremia mais. Não queria ficar de fora, não tinha tido nem mesmo coragem de contar a papai que não tinha sido escolhida. Enquanto na fila esperava, ela observava Jeanne, já do lado de entro do círculo de tributos, ela sorria, estava graciosa e com jóias enfeitando todo o cabelo, um vestido azul tão escuro que chegava a parecer roxo e a boca pintada com marrom. Os olhos dela tinham sido decorados com muito brilhante e sinceramente, ela estava linda. Jeanne parecia pronta para arrasar.

– Vadia. – disse com os dentes trincados, estendendo o braço para que coletassem seu sangue. – Noralinne Mercure, dezoito.

A moça soltou seu braço e indicou para onde ela teria de ir. Com o passo apertado, Nora se encaminhou para lá. Teve o cuidado de não ficar perto demais de Jeanne, pois se ficasse poderia esganá-la ali mesmo. Talvez não fosse uma má idéia! Esganar Jeanne e obrigar os mentores a escolherem outra menina! No que está pensando, Nora! Ela deu um leve tapa na própria testa, tentando esquecer aquilo.

Enquanto todos se acomodavam e os últimos chegavam na Colheita, o Prefeito e o Líder-Pacificador se colocavam ao microfone. Uma mulher muito bem arrumadinha e com um vestido da mesma cor que o sol subiu ao palco, ela estava muito sorridente e se desculpando pelo atraso. Em uma das mãos havia uma taça de vinho. Ela era naturalmente loira e os olhos num tom de violeta muito intenso.

– Cidadãos do Distrito 2, meu povo amado e trabalhador, hoje se inicia mais uma época escura onde teremos de enviar dois jovens para a maldita Capital brincar – sorte do Prefeito que o discurso dele não era transmitido – Quero pedir aos nossos garotos e garotas, por favor, seja lá o escolhido para esta Edição, representem nosso Distrito, honrem o nome dele, mostrem que estão lá por merecido treinamento.

Jeanne vibrou, roendo as unhas. Nora tentou não olhar para ela pelo canto do olho, mas era difícil, ainda mais porque a vontade de matá-la só crescia ao passar do tempo. Logo que o Prefeito se afastou do microfone do palco, a representante da Capital tomou seu lugar e sorriu, como sempre. Desta vez a taça de vinho já tinha sido colocada em uma das mesas distribuídas por lá. Além de ter as urnas, o palco também tinha cadeiras para O prefeito, a mulher dele, o Líder-Pacificador e a representante, com mesas para todas as cadeiras e taças das mais variadas coisas.

– Querdíssimos tributos da 200º Edição de Jogos Vorazes! Prazer em conhecê-los, creio que ainda não saiba o nome de vocês, mas isso não é nada. Quero que saibam que eu, Krysta, estou disposta a ajudar em qualquer coisa que queiram ou problema que enfrentem durante a estadia na Capital. Somos amigos, somos irmãos, estou torcendo para que a sorte esteja ao lado de vocês! Como sabem, de cinqüenta em cinqüenta anos a Capital faz o Jogo da Sorte, onde dois tributos podem receber a vitória. Isto é, se eles forem do mesmo distrito ou aliados. Por enquanto só houve uma edição com dois vitoriosos, e creio que esta também terá!

Todos aplaudiram com respeito.

– Agora, como todos os anos, vou mostrar um pequeno vídeo para vocês, e então poderemos sortear nossos competidores.

O filme mostrava a Revolta passada, com as casas pegando fogo e os Distrito sendo massacrados. “E então resolveram se revoltar outra vez” A imagem do círculo aquático da 101ª Edição surgiu, a Cornucópia estava ancorada num navio afundado e os tributos tinham de saber nada muito bem. “E então houve paz. Mas uma paz que não tem voz não é paz, é medo.”.

A moça da Capital se engasgou no término do vídeo, mas não perdeu a compostura, voltou a sorrir.

– Algum voluntário para esta Edição? – no Distrito 2 é o seguinte: Sempre se pergunta primeiro se há um voluntário, pois normalmente tem.

A mão de Jeanne se levantou, graciosa. Krysta, muito satisfeita por ver sua tributa, chamou-a para o palco. Noralinne se segurou para não chutar o pé de Jeanne enquanto a menina passava na sua frente. Com o rosto voltado para o chão, ela começou a se corroer.

Olhou para a grade de proteção, onde os pais estavam. Pensou em papai, em como ele tinha treinado-a para este momento. Em toda a perda de tempo... Trincou os dentes, cerrando os punhos e começando uma caminhada inconsciente na direção do palco. As duas meninas, uma com diferença de cinco metros da outra, se encaminhavam para o palco. E Krysta parecia muito interessada em tudo aquilo.

– Eu me voluntario como tributo – gritou Nora.

Jeanne virou-se, já com as bochechas vermelhas de raiva.

– Como assim você? Eu fui a escolhida!

Nora ignorou-a, continuando a caminhar com o braço erguido.

– Você não está capacitada, Noralinne Mercure! – Jeanne segurou seu ombro – Eu fui escolhida pelos mentores, eu sou capacitada, não você.

Nora não conseguiu se controlar e quando notou, seu cotovelo já tinha atingido o nariz de Jeanne. Virou-se para a frente, olhando Krystal tampar a boca com as mãos. Ela bufou.

– E agora? Eu já te venci duas vezes, o que mais vou precisar provar, escolhida? – ela disparou – Posso te matar aqui e agora, se eu quiser. Mas vou deixá-la sair viva disso aqui.

E virando-se, desprezou mentalmente o corpo de Jeanne se contorcendo de dor. Com certeza levar duas pancadas no nariz em dias seguidos deveria ser muito doloroso. Nora subiu os degraus, tomando cuidado com o salto alto. Ela chegou ao lado de Krysta e então sorriu, simpática.

– Seu nome? – Krysta perguntou como se nada tivesse acontecido.

– Noralinne Mercure.

– Dezoito anos, certo?

– Isso. – concordou Nora.

– Parabéns, Distrito! Recebam a voluntária deste ano, Noralinne Mercure!

Aplausos soaram um tanto mais animados do que de costume.

– Agora, um voluntário para os meninos, talvez? – Krysta se virou para a esquerda, onde os garotos ficavam.

Eu – Max ergueu a mão, já começando a andar para o palco. – Sou Max Boonm, dezoito anos.

Krystal sorriu.

– Que gatinho! Dêem uma salva de palmas para o voluntário desta edição, Max Boonm!

O Distrito aplaudiu com euforia. Todos conheciam a fama de boxeador de Max. Até mesmo Nora se permitiu bater duas palmas.

– Noralinne Mercure e Max Boonm! Tributos do Distrito 2 da 200ª Edição de Jogos Vorazes!

Novamente todos aplaudiram e então foram empurrados para dentro do Edifício da Justiça.

Noralinne Mercure — (http://www.hdpaperwall.com/wp-content/uploads/2013/11/alexandra-daddario-covers-bello-magazine-03.jpg)

Notas finais
Espero que tenham gostado! ^--^ Como eu andei faltando com os capítulos, talvez o próximo seja do Evon, e não da Nora.