Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
10 Evon Boyer
Notas iniciais
Evon Boyere
E então, qual deveria ser seu destino? Enquanto arrumava os cabelos bagunçados e emaranhados, Sônia lhe preparava um café da manhã. Na cama, roupas novas e limpas, ele tinha tomado banho antes de voltar a dormir. Sônia tinha ajudado nisso, enquanto sua febre só aumentava. Ele estava vermelho e quando teve consciência de que não conseguiria voltar para a casa da tia...
– Aqui, tome isto – Sônia ofereceu o copo com leite puro e esquentado.
– Obrigado – Evon disse num sussurro fraco.
Uma freira entrou no quarto e na hora Evon soltou o copo, esparramando o leite pelo chão. Espremeu-se contra a parede e a cama, enquanto tentava impedir que aquela abominação tocasse nele. Aquela aberração... Já o tinha feito adoecer, o que mais iria querer?
– Sônia, me proteja! – ele pediu, enquanto puxava as cobertas para cima do corpo.
Sônia se ergueu e apontou para a porta. A freira saiu junto com ela e as duas começaram a conversar do lado de fora. Evon agradeceu Sônia mentalmente. Ele odiava freiras, não entendia como elas insistiam em vir lhe ver. Sorte que Sônia tinha aparecido.
– Temos visitas, Evon. – Sônia sorriu, abrindo a porta. – Se lembra da senhorita Emma, não lembra?
– Emma... – ele sorriu – Lembro sim! Oi!
– Olá. – Emma, com as bochechas vermelhas, entrou no quarto com ar doentio.
A cama de Evon era a segunda ali, com os lençóis brancos. O chão era de madeira já corroída e muito podre, enquanto o papel de parede amarelo e desbotado começava a descascar. O quarto já estava com um ar péssimo, e agora com o corpo frágil e pálido de Evon, tudo parecia um hospício.
– Vim ver como estava.
– Estou bem, graças a Sônia.
– Irmã Sônia? – Emma piscou os olhos, voltando os olhos para a mulher, que apenas fez um gesto com a cabeça, indicando que não era para falar aquilo.
– Não, a Sônia. Não conheço nenhuma Irmã Sônia e nem quero conhecer. Não quero que freiras me toquem... Eu...
– Por que não? Tem raiva da fé? – Emma se voltou para ele.
– Claro que não. – Evon apontou o dedo – Sou religioso! Acredito em Deus!
– Então por que tanta raiva com freiras?
– Eu... Eu não sei... – Ele suspirou, deitando-se na cama novamente – Você me deixa confuso, Emma...
– Isso também se chama amor à primeira vista – Emma brincou.
– Eu não te amo, Emma. Me desculpe, mas não posso corresponder este sentimento.
– E-Espera, eu não disse que te amo! – ela corou rapidamente. – Eu nunca disse isso!
Sônia soltou uma leve risada.
– Quer que eu os deixe em paz?
– Não precisa! – Emma se virou – Eu já estava indo embora. Nem sei por que vim aqui... Argh! Te vejo na Colheita, Evon.
– Igualmente, Emma. – Evon levantou os olhos, com um sorriso amarelado.
Sônia acompanhou Emma até a saída do convento.
Ele não conseguia entender! Aquela garota já tinha vindo até ele umas duas vezes, e mesmo assim nunca falava nada de interessante ou simplesmente perguntava se estava bem. Ela parecia o tipo de prima chatinha que tem vergonha de demonstrar preocupação. Evon sorriu. Ela era sua prima? Ele não sabia, na verdade não se lembrava de muita coisa. Sabia que titia cuidava dele, mas não sabia por qual razão. Não entendia por que ela cuidava dele, sendo que os pais é que deveriam fazer isso. Além de tudo, não conseguia se lembrar de onde seus pais estavam.
– Isso é normal – Sônia contou depois que ele tinha explicado tudo, alguns minutos atrás. – Você deve ter atingido o limite... Suicídio não é algo muito comum aqui no Distrito, mas... Se você diz que foi inconsciente, talvez seu cérebro tenha entrado em estado de autodefesa.
– Autodefesa?
– Sim – ela afirmou – Isso normalmente acontece em casos extremos, como em um estado de dor. Seu corpo se desliga, você desmaia, para que não sinta dor. Suas memórias sobre os pais devem ser tão dolorosas que foram apagadas para que você não sofresse mais.
– Mas... Isso é possível?
– Claro que é possível – Sônia sorriu, doce. – Agora trate de tomar um banho!
Enquanto vestia as roupas limpas e cheirosas que Sônia tinha levado para ele, Evon repassava o evento de tudo aquilo. Se Emma realmente era sua prima, então ela deveria saber alguma coisa sobre os pais... Ela tinha de saber. Não conseguia tirar aquilo da cabeça, pois se sentia muito inútil. Não entendia seu verdadeiro objetivo na vida, nem sabia porque não tinha morrido naquele dia. Por que salvaram ele? Por que ele, e não outra pessoa? Isso o consumia. Embora ele nem soubesse que seu pesadelo só começava.
Evon foi sorteado. E novamente “Por que eu?” passaram por sua mente. Era algum tipo de pré-destinação? Se era, ele não sabia, mas por sorte Emma tinha vindo junto. Quando ouviu que ela fora sorteada, não pôde conter a vontade de impedir aquilo. Não achava que Emma merecesse, afinal ela tinha ido visitá-lo aqueles dois dias no convento... Ficou imaginando o quão importante ele deveria ser para ela.
Mas quando foi sorteado, ficou contente. Poderia ficar mais tempo com ela, poderia saber mais sobre sua família. Evon começou a nutrir a esperança de que Emma realmente fosse sua prima. Coitado, ele se iludia facilmente.
Não me pergunte como um soberbo doente e sem as faculdades mentais, como Evon, estava fazendo nesta Edição, mas de uma coisa tenha certeza: Quando algo é extremo demais, impressionante demais ou simplesmente emocionante demais... Só pode ser obra da Capital. Não se engane. Se eles estão juntos agora, certamente alguém da equipe de Idealizadores viu a cena no rio e resolveu experimentar isto.
– Você parece muito abatido... – a acompanhante tocou a testa de Evon – E está queimando em febre!
– Ele não está abatido, tem febre desde ontem. – Emma contou, tentando demonstrar falta de interesse, o que ela realmente não tinha.
– Como sabe? – o mentor questionou.
– Ela foi me ver no convento – ele explicou.
– Onde ela foi te ver? – a acompanhante exclamou.
– Deixem-no em paz! – Emma trincou os dentes – Essas perguntas só vão piorar tudo. Vou levá-lo para o quarto.
Se levantou, pegando o braço de Evon e começando a tirá-lo da cadeira. O arrastou até o quarto no trem. Ele se arqueou quando se jogou seu corpo na cama, mas o lugar era bem macio, o que impediu o impacto de tornar tudo pior. Emma se ajoelhou, tirando os sapatos de Evon e pegando as cobertas e as colocando sobre ele.
– Não precisa fazer isso. – ele suspirou. – Não sou um bebezinho.
– Não foi isso que ouvi quando a freira entrou no seu quarto – Emma revidou.
– Pare de ser tão maldosa.
– Desculpe, é de natureza.
Enquanto prendia os cobertores embaixo do colchão, para que ele não acabasse se descobrindo enquanto dormia, Emma ficou em silêncio, até terminar. Evon colaborou com o silêncio. Tudo ficou mais tranqüilo e até agradável.
– Se quiser posso trazer um copo de água.
– Você realmente quer cuidar de mim?
– N-Não! É claro que não! Idiota.
Ele sorriu, verdadeiramente divertido.
– Obrigado, Emma, sem você eu me sentiria muito deslocado.
Ela não pôde evitar sorrir.
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