Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
11 Emma Sunderly
Notas iniciais
Emma Sunderly
O trem não balançava nem emitia sons, ele corria como o vento e a cada hora que se passava, mais tributos iam entrando nos vagões. Era proibido sair d seu vagão depois das nove da noite, mas Emma realmente estava com fome. Então, nas pontas dos pés, ela correu pelo corredor, até a mesa onde os mentores e a representante conversavam tranquilamente. Ela pegou uma torrada da mesa e se dirigiu para o quarto novamente, ignorando os olhares de desaprovação dos outros.
Ela trancou a porta, mesmo sabendo que havia câmeras ali dentro. As paredes de seu quarto eram brancas, de um branco tão limpo e liso que ela julgou que precisava ser sujado um pouco. O carpete era preto e fofo, macio e se podia até mesmo dormir nele. As janelas ao lado da cama mostravam os borrões de árvores e mata, enquanto o trem disparava sem deixar vestígios. A cama era de casal e tão confortável que ninguém que deitasse lá teria coragem de voltar a se levantar. Os cobertores estavam muito bem esticados, vibrando em seu tom de vermelho escarlate. Os móveis de madeira eram envernizados e o espelho preso na porta lhe dava uma visão boa do que estava passando na TV enquanto estivesse no banheiro. Ah, o banheiro... Tudo brilhava e a porcelana parecia ser a mais branca do mundo. Os pegadores do balcão e da pia eram transparentes e pareciam diamantes. E havia uma banheira de luxo, com inúmeros botões para selecionar banhos perfeitos.
Tudo que alguém prestes a morrer poderia desejar...
– Será que Evon está bem? – ela se perguntou, olhando para o espelho do banheiro, que, refletindo o espelho da porta do quarto, dava uma visão da TV, que mostrava uma reprise da Colheita. – Por que, diabos, estou me preocupando com ele?
Emma tirou a camiseta e logo em seguida a bermuda. Enquanto se despia, ficava observando a TV através do espelho. Todos os tributos... Era estranho assistir a Colheita dos Jogos que você iria fazer parte, ainda mais se ver indo para o palco... Normalmente ela só via as outras meninas, todas muito abaladas ou simplesmente felizes por não serem as escolhidas. Neste ano, porém, algo muito diferente tinha acontecido: Ela conhecia seu companheiro, e ele nutri uma espécie de carinho muito estranho.
Quando entrou na água quente, sentiu as pernas tremendo de excitação. Um banho quente... Quanto tempo tinha vivido sem ele? O frio do Distrito impedia de coletarem os raios solares necessários para esquentar a água do chuveiro, mas na Capital eles não precisavam de energia solar. Eles tinham a própria energia, vinda do Distrito 5.
Saiu da água quando ela esfriou, enrolou-se na toalha e foi para o quarto, onde encontrou roupas confortáveis num guarda-roupa somente dela. Tudo tinha o seu tamanho, o que era muito agradável. Uma blusa de alça fina e com caimento sobre os seios, permitindo usá-la sem sutiã (o que era muito legal, na opinião de Emma) e uma bermuda jeans branca, em contraste ao azul royal da blusa. Terminando isso, ela se deitou na cama e lembrou que deveria desligar a TV, caso não estivesse vendo. Quando apertou o botão do controle remoto, ouviu as batidas na porta e se levantou para ir atender.
– Oi.
– Olá – o mentor sorriu – Tem um minuto?
– Claro, entre.
– Estou vendo que resolveu tomar um banho, o cheiro está delicioso.
– Obrigada, eu acho.
O homem de cabelos ruivos e lambidos para trás parecia maníaco, com o sorriso e o comentário do cheiro. Os olhos verde-elétrico estavam vasculhando o lugar, em busca da prova de algum crime. Ele era um vitorioso que fora julgado como feiticeiro pelo Distrito 4 inteiro, pois suas armadilhas nunca erravam. Ruivos normalmente são considerados bruxos no 4. Até porque seus cabelos são lambidos pelo fogo do inferno.
– O que você quer?
– Quero informar que estou te escolhendo.
– Com? – ela ergueu as sobrancelhas.
– Te escolhi como minha preferida. Temos certeza somente de uma coisa: haverá um vitorioso. O outro, eu não sei. Até agora somente uma edição dos Jogos da Sorte deu certo, o que me preocupa muito... Bom, em todo caso, saiba que se Evon morrer, ou se vocês se distanciarem, eu estarei torcendo por você.
– E ele?
– Fiquei sabendo que antes de ontem ele tentou cometer suicídio, mas você o salvou.
– Mais ou menos.
– Ele não é estável, o que podemos esperar de uma criança assim? – o mentor suspirou – Só estou fazendo isso para o seu bem, Emma. Nós, mentores, vasculhamos o histórico de todos os tributos selecionados, todos os anos, e vi que você tem potencial. Uma garota que treina desde a infância? Isso é uma ótima coisa. Mesmo que não possa ser comparado ao treinamento das Academias do Distrito 1 e 2, você tem essa vantagem.
Emma tentou entender tudo aquilo.
– É assim todos os anos? Vocês escolhem qual dos dois vai ficar torcendo para voltar?
– Sim. É cruel, mas essa é a verdade.
– Isso não é cruel, é só... Malvado.
– Então não há muita diferença entre mim e você, não é?
Emma suspirou, indicando a porta com o dedo.
– Certo, já estou indo.
Quando o mentor saiu, ela se jogou na cama, tentando relaxar. Com certeza isso era a última coisa que ela conseguiria... Enquanto olhava fixamente para o espelho, notou o jeito engraçado que os cabelos molhados grudavam nas sobrancelhas.
– Você ainda está acordada, Emma.
– Estou – ela concordou.
– Mas por quê? Já está tarde, vamos dormir.
– Não quero.
– Vou ter de forçá-la, então?
– Não será preciso, Josh.
– Vai dormir?
– Vou.
– Obrigado. – Josh sorriu. – Te vejo amanhã, gatinha.
– Até, Josh.
Nem mesmo eu sei quem é Josh, mas isso não passou de mero pensamento.
º º º
Pela manhã do outro dia, enquanto tomava seu café da manhã, foi informada de quem o trem tinha chegado ao destino, o Distrito 14.
Para que ainda não entendeu, o Distrito 14 é o lugar onde os Vitoriosos ficam e é pra lá que os tributos vão primeiramente. Antes de mais nada, eles passam por três dias e meio com treinamento dos mentores do Distrito, ou seja, os vitoriosos mais habilidosos. Mesmo com bons mentores, os filhos deles também moram lá e isso permite que eles se tornem máquinas de matar, assim como os pais. Este foi o caso do bisneto de um dos fundadores do Distrito, Loe Mizashi.
O Distrito ficava num lugar onde nunca tinha tempo ruim. As chuvas eram gostosas, o verão era agradável e a estação mais bonita era a primavera, quando as inúmeras flores plantadas nos arredores da cidade floresciam. Há muito tempo a Capital revelou seu verdadeiro troque de como construir bestantes: Coletando a alma dos tributos mortos. Nos Jogos, nada acontece de verdade (somente nos Jogos de 150 anos atrás), os tributos são colocados em espécie de coma, onde a mente deles é que realmente está na Arena. Eles não sofrem nada, já que tudo é mental, mas são mortos quando morrem na Arena. Mas a alma deles é salva nos computadores da Capital e usada para criar as maiores aberrações. Isso foi usado com a maioria dos vitoriosos, por isso, quando a Revolta terminou em fracasso e a Capital permitiu que eles escolhessem entre conviver como um recipiente de alma ou como um humano normal, alguns decidiram continuar sendo monitorados, pois assim teriam muito mais tempo de vida. Já outros, como o caso do Conselho, decidiu morrer quando o tempo chegasse. O tempo chegou mais rápido para alguns, mas também mais lentos para outros.
Do Conselho da Segunda Revolta hoje estão vivos: Nathália Polônia, Ethan e André.
Mesmo que sejam somente três, eles podem fazer jogo ficar bem equilibrado entre Distritos e Capital.
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