Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
12 Charlie Belcourt
Notas iniciais
Charlie Belcourt
Enquanto escovava os cabelos, ela pensou se teria mais alguém em sua faixa etária, mas com certeza não tinha. Era muito raro alguém com menos de quinze anos, e ainda mais raro ganhadores ou pessoas que passassem dentre os dez finalistas. Isso lhe fazia tremer da cabeça aos pés.
– Será que dá pra calar a boca, só um pouquinho? – Ethan pediu.
– Eu sei que falo demais, mas... – Charlie deu de ombros – Não consigo evitar.
– Tente, ao menos – ele suspirou – Você não me deixou dormir a noite inteira...
– Não estava com sono.
– Mas eu estava com sono – Ethan suspirou pela segunda vez.
Charlie deu de ombros, deixando o menino na sala do café da manhã e indo na direção do corredor que levava para o vagão principal, onde os mentores, representantes e tributos poderiam interagir. Assim que abriu a porta, percebeu que não era a única que queria se livrar de todo o falatório sobre arena e como conseguir Patrocinadores. Havia um garoto no fundo do sofá, bem no fundo, esparramado e dormindo profundamente. Ele estava todo encolhido e parecia estar com frio, pois tremia.
Charlie riu daquela pose nada discreta e então andou até o sofá, se sentando ao lado do garoto. Com cuidado para não acordá-lo, tentou olhar para seu rosto, mas nada que desse a pista de que distrito ele vinha. Caso fosse bem bronzeado, poderia ser do 4, ou se fosse de pele mais escura, do 11. Mas ele era branco e muito pálido, com os cabelos castanhos espetados para cima e os dentes pareciam não muito alinhados. Ela diria que seria um belo exemplar do Distrito 3, mas Charlie tinha vindo do Distrito 3 e com certeza ele não era seu companheiro de Distrito. Ethan que era. Ela, talvez, tivesse se aproximado demais, pois acabou esbarrando na perna do garoto e ele acordou num pulo.
– Desculpa. – pediu, sentindo o rubor no rosto.
Ele a encarou, sem uma resposta. Ainda tinha ar sonolento e parecia estar tendo um sonho muito agradável. Passaram cerca de meio minuto encarando-a fixamente, até que o menino virasse o rosto para o outro lado e acabasse por bocejar.
– Austin, Distrito 7.
– Charlie, Distrito 3.
– Charles não é nome de homem?
– É Charlie, não Charles. E Charlie é nome de mulher, sim. E Austin? É um nome tão ridículo.
– Ah, não venha comparar o meu nome com o seu. – Austin se zangou – O seu que é ridículo. Quem, em sã consciência, põe o nome do filho de Charlie?
Charlie, como era, se irritava facilmente, mas naquele momento não estava irritada, mas sim divertida. Talvez por tê-lo visto dormindo, mas ela não conseguia encará-lo como uma pessoa má. Na verdade, parecia alguém muito bondoso. E com isso, concluiu que ele seria seu amigo. Independente de qualquer outra coisa.
– Você é muito estranha. Na verdade pensei que era um menino. Mas sua voz é fina.
– Prefiro estas roupas largas. – Ela coçou os cabelos – É mais confortável.
– Espera! Você ainda não tomou banho?
– Não. Eu deveria?
– Nossa, é a primeira coisa que fiz no trem! Como você aguenta?
– Eu tomei banho antes de ir pra Colheita.
– Eu tomo banho todos os dias.
– Eu não sou nojenta como você.
Austin a encarou.
– Suponho que não tem aliança... – ele quebrou o silêncio.
– Não tenho.
– Sabe, eu esperava alguém mais inteligente vindo do Distrito 3... Mas pode ser que você me surpreenda. Que tal uma aliança, somente durante os treinos? Caso eu goste de você, podemos continuar com a aliança na arena.
– Não posso. Tenho o meu parceiro de Distrito.
– Vou convidá-lo também... Um outro dia. – Austin deu de ombros – Por ora, estou convidando somente você.
Charlie sorriu.
– Gostei de você, Austin.
– Eu também gostei de você, Charles.
– É Charlie!
Austin soltou uma risada abafada, e então se levantou, desamassando a camisa verde.
– Então eu to indo embora, Charlie.
– Eu também. – a menina concordou.
º º º
Talvez fosse somente impressão sua, mas o ar ali era muito mais puro e cheiroso. Parecia que a primavera nunca acabava.
Era como um paraíso das flores. Normalmente espalhadas pelos cantos das ruas e nas entradas do comércio, todas as casas tinham flores em suas janelas e jardins muito bem cuidados. Uma fonte de água jorrava para cima, em formato de de um lobo uivante. Charlie adorou aquela fonte assim que a viu.
A calçada era feita de cascalho e o pátio era muito amplo e grande, capaz de acomodar todos os tributos, seus mentores e os representantes. Cada distrito tinha seu espaço marcado com o número e assim foram se acomodando ali.
Quando tudo estava pronto, do palco levantaram duas pessoas, uma delas era muito imponente e parecia ter devorado todos os filhos, pois sua barriga era tão grande que caberia cinco crianças. A cabeleira branca demonstrava que estava a beira da morte.
– Bem vindos, tributos da 200ª Edição de Jogos Vorazes, ao Distrito 14. Em três dias vocês se tornaram mortais, isto é, se prestarem atenção no treinamento. Sou Travis Mizashi, Prefeito do Distrito e Líder da Segunda Revolta. Este é meu tataraneto, Loe, e ele irá passar as instruções sobre como serão os treinos.
Loe sorriu para todos e acenou, tomando o microfone da mão do velho.
– Novamente, bem vindos, tributos! Sou o Mestre de Organização dos Treinos, por isso qualquer dúvida venham falar comigo. Primeiramente, vocês irão almoçar e então terão o resto da tarde para explorarem o Distrito 14. Não será permitido ultrapassar os limites dos portões, ou seja, o Jardim Secreto está totalmente fora de cogitação, nada de perambular pela Prefeitura e nada de... Ficar tentando estragar as lindas flores do nosso Distrito. Quero ordem. E se e ver alguém descumprindo qualquer ordem, irei punir como devido. E acreditem, eu sou meio sádico. – ele sorriu, simpaticamente – Mas não se preocupem, eu sou uma boa pessoa, como qualquer um aqui. Amanhã vocês irão acordar cedo, quem se atrasar vai ganhar uma bela punição. Enquanto estiverem aqui, os mentores de vocês seremos nós, por isso poderemos cuidar de vocês do jeito que quisermos. Vocês treinaram de acordo com nossas regras. De manhã iremos treinar a mente, já que é sempre o melhor horário. De tarde, após o almoço, treinaremos o corpo. Durante a noite, faremos testes de resistência, provas e acho que a Capital irá nos mandar alguns presentinhos – ele picou – Somente de noite o Jardim Secreto estará aberto. Mas só entre se tiver certeza de que quer arriscar.
Travis limpou a garganta.
– Ótimo, recebi o sinal de que já falei demais. Agora, eu já fiz o meu papel, o resto é vocês. Não importa qual seja o treinamento ou o quanto ele seja rigoroso, se você não quiser, não aprende. Sugiro que acatem as minhas palavras. Bom Jogos Vorazes, e que a sorte esteja ao nosso favor.
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Charlie Belcourt
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