Notas iniciais
Sim, eu sei, não deu pra mostrar quase nada da personalidade dela. Sim, eu sei, vocês estão mordidos para saberem o que é essa Aula Extra.

June Heaven

Afrojack Feat. Eva Simons — Take Over Control (sei lá, deu vontade de por essa música XD)

As velas queimavam lentamente, enquanto o som de garfos e facas nos pratos se ouvia em todo o salão. Todos na mesa estavam em silêncio mortal, concentrados em comer o máximo possível. Ninguém ali tinha fartura, ou pelo menos a maioria não tinha, e uma mesa repleta de comida gostosa era uma tentação. Porém June sabia que se comesse demais iria ficar gorda e inchada, e isso iria prejudicá-la. Se acostumar com o bem-bom da Capital a faria sentir falta da comida durante a Arena. Por conta disso, colocou apenas dois ovos fritos, três folhas de alface e um pouco de algo que parecia caldo, mas que eles chamavam de Sopa de Lótus. Cada Distrito tinha sua representação. O Distrito 1 tinha um diamante, representando sua terra fértil para minérios. O Distrito 2 tinha martelo e ferro, representando o trabalho e a força. O 4 tinha dois peixes numa espécie de luta, representando a pesca. O Distrito 14 tinha uma Flor de Lótus, que, além de ser encontrada em abundância pelo caminho também representava a raridade de um povo esclarecido.

A sopa era uma delícia.

Mais tarde naquela noite, June já tinha se cansado de andar pelos campos de flores pelo Distrito. Embora tudo fosse muito bonito e muito cheiroso, aquilo enjoava. Sentia vontade de estar deitada na cama. Mas talvez aquela fosse sua última chance de desbravar o Distrito 14. Enquanto olhava por cima do ombro, para ter certeza de que ninguém a estava vendo, ela caminhou na direção do Jardim considerado Secreto.

Assim que entrou, teve a certeza de que aquilo não era um jardim.

Lá dentro era uma espécie de câmara, onde vinte e quatro cadeiras estavam. Cada cadeira possuía seu próprio capacete e fios saindo por todos os lados. Tudo estava ligado e embora parecesse muito assustador, June não conseguia parar de se perguntar por que tudo ali estava ligado, de noite, enquanto ninguém supervisionava. A curiosidade falava alto.

– Ah, você também ficou curiosa?

– Quem é você? – devolveu a pergunta.

– Sou Zandaya, Distrito 6. E você, ruiva?

– June, 13.

– Oh, do treze...

– Algum problema com isso?

– Nenhum – Zandaya sorriu.

Atrás delas, a porta se abriu novamente.

– Vejamos, mais um curioso! – Zandaya sorriu – Qual seu nome, forasteiro?

O menino a encarou, meio atônito e caminhou com as mãos nos bolsos até as duas.

– Acabamos de conversar e você pergunta meu nome?

– Ah, desculpa, não uso muito bem a minha memória – Zandaya riu. – Qual seu nome mesmo?

– Peter, seu colega de distrito.

– Ah, é verdade... June, este é Peter, meu colega de distrito. Peter, está é June, uma garota do treze.

– Do treze? – ele ergueu as sobrancelhas.

– Sim – June revirou os olhos – Por que tanta surpresa?

– Pessoas do treze só participam nos Jogos da Sorte. Acho que é por isso que só têm vinte e quatro cadeiras aqui e não vinte e seis. – Peter comentou.

– Você é muito azarada – sorriu Zandaya, como se aquilo fosse uma piada.

– Talvez eu seja – June deu de ombros, aquela conversa a irritava. Desde quando tinha começado a conversar com seus inimigos?

Peter e Zandaya comentaram algo um com o outro e logo se ouviu novamente o barulho da porta, mas dessa vez entraram dois tributos. Talvez do mesmo distrito. Eles eram imponentes e muito ameaçadores. Normalmente conhecidos como Carreiristas, os tributos do Distrito 2 eram guardados na memória de todos os outros tributos. Talvez pelo terror, talvez por eles saberem que a causa da morte deles poderia ser a faca de um dos Carreiristas.

Max e Nora viram o grupo e não hesitaram em se juntar a eles, o que foi estranho, já que os Carreiristas andam sempre juntos.

– Eai? – Max sorriu, da forma mais gentil que um homem forte e de dois metros de altura pode fazer quando olha para baixo.

– Oi – Zandaya sorriu, como sempre, uma jovem muito simpática.

– Olá, forasteiro – Peter tentou agir da mesma maneira, amigável. Inimizade com um Carreirista é a última coisa que você quer.

– Matando a curiosidade? – Max novamente muito gentil.

O que deu neles? Todos estavam agindo como se fossem amigos de longa data! Não era aquilo que deviam fazer com o inimigo. June sabia que os tributos do Treze tinham pouca experiência com os Jogos, mas nunca imaginou todos se dando tão bem assim. Por outro lado, a menina que acompanhava Max demonstrava os mesmos pensamentos, muito quieta e fria, parecia ser o tipo preferido de Carreirista.

– E você sabia que a América era um continente gigantesco separado em outros três continentes? Era como ter um país com vários outros países dentro, assim como os Estados Unidos. Ele era um país, mas cada distrito tinha autonomia assim como de um país mesmo.

– Interessante – Charlie estava fascinada.

– Eu li isso num livro de história. Você sabia que já existiu uma ilha que foi considerada a tecnologia mais desenvolvida do mundo? Era como o Distrito 3! Mas ela afundou em 2398.

– Foi bem recente, estamos em 2500. – Charlie cruzou os braços.

– Você tem razão. – Austin enfiou as mãos nos bolsos do casaco.

– Ah, olhe, tem mais gente aqui! – a menina exclamou, indo correndo para o pequeno grupo de tributos – Oi, oi!

– Olá! – Max apertou a mão da baixinha.

– Oi. – respondeu Zandaya.

– Eai, forasteira. – Peter fez um “toca-aqui”.

Peter, ainda em seu andar calmo e equilibrado, chegou um pouco mais tarde. De pouco a pouco, todos os tributos iam chegando. Parecia que todos estavam com uma curiosidade de gato. E quando todos estavam lá, as luzes se acenderam.

– Vejo que não resistiram. – Loe comentou, fazendo o salto de seus sapatos estalaram no chão. – Mas quem resiste a um Jardim Secreto? Sentem-se todos nas cadeiras.

– O quê? – perguntou alguns.

– Isto não estava previsto, mas como todos resolveram vir para cá eu e o Conselho decidimos dar uma... Aula extra.

– Aula extra? O que você está querendo dizer? – perguntaram.

– Nada que machuque o psicológico de vocês. Não muito.

– O que quer fazer com a gente?

– Quero que comecem uma Revolta. Assim como os pais de vocês estão fazendo neste exato momento. Hoje é segunda-feira, não é, Ethan? Isto te lembra algo. – Loe se referiu ao garoto ao lado de Charlie.

Ele parecia ter sido atingido com uma bomba, pois empalideceu e quase caiu. Suas pernas bambas não sustentavam seu corpo e foi preciso muito esforço da pequena Charlie para que ele se sentasse no chão.

– Espero que vocês saibam lidar com lugares apertados. Agora me obedeçam, sente-se nas cadeiras. Eu prometo que não irão precisar matar ninguém e nem se machucar. Este não será os Jogos de vocês.

Todos obedeceram. Talvez por Loe ser a autoridade ali, talvez por terem se lembrado que ele adorava dar castigos.

– Quem é este conselho de que ele fala? – sussurrou Zandaya, que tinha escolhido uma cadeira ao lado da de June.

– Não sei, mas acho que não iria gostar deles.

June Heaven

Notas finais
Se estavam falando dos olhos da Charlie, vejam os olhos da June :3