Notas iniciais
Desculpe não ter postado ontem e sóum capítulo hoje. Estou ficando bem apertada com o assunto do tempo... Além de estar viciada por interativas XD

Noralinne Mercure

Calvin Harris — I Need Your Love

Sambou a mão pelo cabelo, tentando arrumá-lo, enquanto se preparava para a entrevista que daria para a Capital. Eles queriam testemunhas do hotel e alguns tributos em particular. Os escolhidos eram em sua maioria os Carreiristas.

– São os mais populares – disse um mentor, enquanto arrumava os escolhidos. – Começarão com o depoimento das meninas. Charlie pode ser a primeira. Depois Emma e então Noralinne. Os rapazes são na ordem de Max, Ethan e logo em seguida Peter.

Nora digeriu aquilo. Estava entre os... Os preferidos. Aquilo deveria ser bom, não? E ainda por cima seu companheiro de aliança também estava. Mas ela não se sentia bem com aquilo. É verdade que tinha treinado a vida inteira para ser Carreirista, mas aquele tempo no Distrito 14... Tudo tornou as coisas mais... Mais do que realmente ir para a Arena e ganhar os Jogos. Era algo maior... Mas ela ainda não sabia o quê.

– E você se sentiu desprotegida, Charlie? – ela ouviu o entrevistador perguntando á pequena ruiva, que de algum modo era popular na Capital. Talvez por ser tão pequena, jovem e ao mesmo tempo parecer tão inteligente.

– Não! Na verdade eu só conseguia pensar em acordar os outros – ela disse, sincera – Acordei primeiro o Austin e depois fui para o quarto de Ethan, ai eles tomaram as rédeas e me salvaram. Eu só acordei horas depois, na Academia e...

Rédeas. Que criança normal falaria rédeas da situação? Nora suspirou. Querendo ou não, tinha de admitir que Charlie parecia mesmo ser mais inteligente do que sua idade permitiria. Ela estava desconfortável. Não tinha muito o que dizer... Além de ter sido salva por um psicopata e depois salvado um rapaz que estranhamente lhe era familiar? Pensou que talvez pudesse mentir, ela era muito boa em mentir. Mas... Ethan também daria testemunho dele, e Nora duvidava que ele iria mentir sobre ter sido salvo por ela. Se sentia constrangida e desejava com todas as forças que ele não dissesse isso. Não entendia por que estava tão constrangia, mas simplesmente não queria que... Então ela entendeu. Não queria que papai visse aquilo e encarasse como “Coração mole”.

Amar é destruir. Não se apegue. Cuide de si mesma e você se sairá bem. Era o que ele dizia... Em toda a sua vida Nora nunca deu pão para os vizinhos pobres, nem comprou jornal das crianças que todos os dias passavam todas sujas de falta de banho. Ela nunca sentiu pena das viúvas que ficavam perto da entrada da Aldeia dos Vitoriosos, pedindo esmola. Ou dos órfãos que iam treinar e constantemente se machucavam, por não ter prática nenhuma com armas. Mas ela se importara. Pela primeira vez na vida. E um sentimento muito bom tinha tomado conta de seu coração, até aquele instante. Se sentiu vazia, como se já pudesse ver o rosto de desaprovação de papai.

– Agora vamos conversar com Noralinne Mercure, outra sobrevivente do incêndio que misteriosamente abalou o hotel dos tributos. – o entrevistador sublinhou a parte do “que misteriosamente” com o dedo e então caminhou em direção á ela.

Noralinne sentiu seu estômago revirar e se embrulhar todo. Estava pálida e sentia como se fosse vomitar a qualquer momento. Entretanto, não tinha tempo. Ela perdera o começo da pergunta e só escutou o final dela:

–... enquanto todos estavam apavorados?

– Como? Eu não escutei direito – ela disse, com o rubor nas bochechas.

– Sei que ainda está abalada com tudo isso, mas se concentre, Noralinne Mercure. – não entendo a necessidade de falar o nome completo dela. – Como você reagiu enquanto todos estavam apavorados?

– A-Ah. Bem, eu só fiz o óbvio: Salvei minha pele. – mentiu.

Foi pelos olhos do entrevistador que percebeu o quão arrogante e egocêntrica tinha soado. Se arrependeu de ter dito aquilo. Mas agora já era, a entrevista estava sendo ao vivo e não poderiam voltar para ela explicar que na verdade não tinha sido tão arrogante assim. Ele fez mais algumas perguntas, para as quais Nora respondeu curte e friamente. Mal prestava atenção. Tinha perdido o foco e estava tonta novamente. Nem percebeu quando o entrevistador saiu de seu lado e foi falar com Max. Ela olhou para cima, para o teto da Academia, onde havia uma pequena abertura, liberando a luz da Lua, prateada e muito fria. Então somos iguais... Ela pensou, mas logo esqueceu. A Lua era fria, era pálida, sem vida, mas ao mesmo era bela, tinha uma beleza única e só sua, algo que a tornava especial. Nora era somente mais uma Carreirista bonitinha do Distrito 2 que queria mais que tudo matar 23 adolescentes e voltar coberta de glória para seu distrito. Pelo menos era isso que todos de Panem deveriam estar pensando agora.

Ela fechou os olhos, suspirando. Por um segundo desejou não estar ali, e no outro estava se xingando mentalmente por ter desejado sair do Distrito 14. Quem em sã consciência desejava? Não soube por que, mas seus olhos caíram sobre Ethan, que já estava olhando para ela. Ele sorriu de lado e piscou, como se dissesse “Calma, eu vou arrumar essa burrada”. Noralinne não entendeu a princípio, então somente ficou sentada ao lado de Charlie e o mais longe de Emma. Os meninos já estavam terminando. Max tinha vindo se sentar e conversava animadamente com Emma, o que enjoou o estômago já embrulhado de Nora. Como as pessoas conseguiam gostar tanto daquela ruiva falsificada. Mesmo que fosse ruivo natural, era extravagante e ridículo, na sua opinião. Ainda mais aqueles olhos neon... Que coisa patética e sem sal. Olha que estava falando, uma menina de cabelos castanhos, comuns, escorridos e sem graça. Olhos azuis vívidos e ainda mais sem graça. Ela suspirou.

Só faltavam Peter e Ethan, e por alguma razão Ethan pediu para que Peter fosse na sua frente. Não que aquilo fizesse alguma diferença. Quando ela viu Peter voltando para o grupo, tentou não demonstrar o estranho interesse ao que Ethan iria falar.

– Então, Ethan Grason, você é do 3, mas já é considerado um Carreirista. Você está feliz com este título?

– É claro – era evidente seu tom de sarcasmo – Bem que eu gosto de espetar algumas crianças inocentes somente para ganhar dinheiro da Capital.

– Que bom, pois é isso que acontece se você ganhar! – o entrevistador ignorou seu sarcasmo. – Mas, Ethan, você não teve dificuldade alguma em sair do prédio, não é mesmo? Sendo forte deste jeito.

– Pra falar a verdade, eu sou bem frágil quando o assunto é fogo. Tenho pavor á chamas. Quem me salvou, a verdade foi Charlie. Ela me acordou, e se não fosse ela eu teria morrido sufocado pela fumaça ou então consumido pelo fogo. Mas eu me sufoquei, também, junto com Charlie e Austin. Mas quem salvou nós três e arriscou a própria vida pra voltar atrás e nos buscar foi a Noralinne Mercure, ela que agora é minha aliada. Creio eu que fiz um bom negócio, não é meso?

– De fato – concordou o entrevistador, e pareceu satisfeito com a resposta de Ethan.

Aquele menino realmente lhe dava nos nervos.

Notas finais
Desculpa mais uma vez! Boa noite, dia tarde