Notas iniciais
Espero que gostem!

Evon Boyer

“Mentira, de que importa? No amor, a mentira é como o sal: de mais, salga; às pitadas, tempera” – J. Espínola Veiga

Skank – Te Ver

– Vou tomar banho – ela avisou, enquanto se encaminhava na direção do banheiro.

Evon estava sentado no sofá. O elevador subia o tempo todo e parecia que todos os tributos tinham resolvido subir. Ele não se deu muito ao trabalho de olhar as torturas que estavam tendo. Em vez disso, Evon ficou encarando a televisão desligada. Tinha passado uma noite inteira na mesma cama que Emma e tinha se sentido muito excitado por causa disso. Na verdade Evon adorava ficar perto de Emma. Depois que tinha voltado a normal, ele não conseguia desgrudar os olhos dela, quando estava por perto.

Evon tinha ficado com uma memória encurtada por cerca de uma semana. Somente um tempo depois de já ter saído do Distrito 14 é que começou de fato a se lembrar das coisas e então entendeu que tinha tentado de suicidar e que Emma tinha salvado-o. Ele não queria voltar ao normal, não podia! Afinal, se voltasse, Emma nunca mais lhe daria toda aquela atenção que estava dando durante as duas semanas que ficara com ela. Era incrível estar em seus braços e ter todo aquele carinho somente para si. Ele adorava Emma e seu jeito especial de cuidar dele. Tinha ficado tão preocupada quando ele foi infectado com aquela seringa... Tinha ficado tão preocupada quando fora atingido por uma labareda de chamas dentro do elevador... Mesmo que não gostasse de vê-la triste, Evon amava o jeito como ela se preocupava. Ele amava tudo que ela fizesse para ele. Amava tê-la. Era um egoísta. E como um bom egoísta, Evon não iria soltar Emma por nada nesse mundo, e se fosse preciso manteria sua mentira.

Evon estava batucando o dedo no braço do sofá, observando o apartamento. Ela tinha lhe dado um beijo na testa, lembrou-se enquanto ficava imaginando como Emma estaria tomando banho. Nua, numa banheira, cabelos ruivos grudados no rosto e um sorriso brincalhão no rosto... Ele sorriu, enquanto imaginava, com os olhos fechados. Fantasiava frequentemente as coisas que adoraria ver nela. Às vezes imaginava como seria dormir nos braços dela. Às vezes imaginava-se beijando-a com raiva. Era evidente que não iria fazer isso com outras garotas. Era evidente que ele estava apaixonado por Emma Sunderly. E ele admitia. Não sentia vergonha disso, de jeito nenhum. Ele adorava amá-la.

Quando o grito agudo e assustador saiu do banheiro, ele se levantou num salto para ir ver o que era. Emma estava trancada no banheiro e por mais que ele tentasse arrombar a porta, não conseguia. Enquanto ela tentava lhe acalmar, dizendo que estava bem, Evon não parou, até que ela abriu a porta e o segurou pelos ombros. Estava enrolada numa toalha.

– Calma, Evon, calma. Eu estou bem.

– Mas você... Você gritou – ele a segurou, num abraço apertado – Por que fica me assustando desse jeito?

– Um pouco antes de eu entrar na banheira, quando já estava começando a colocar o pé, percebi que não era água que estava enchendo a banheira, mas sim óleo quente. Quase que eu entro. – ela disse. – Por isso gritei, de espanto.

Ele soltou o ar que prendia, enquanto voltava a encará-la.

– Quem iria cuidar de mim se você morresse?

– Você já é bem grandinho – respondeu Emma.

– Não – ele tentou soar esperto – Eu preciso de você, Emma. Mas que coisa, não entende? Não entende que é especial para mim? Nunca mais faça isso comigo. Ouviu?

Emma assentiu, enquanto um sorriso brotava em seus lábios.

– Que lindo... – sussurrou. – Você... Eu sou importante para você?

– Muito – ele falou, enquanto soltava-a do abraço.

– Que bom – Emma soltou uma risada fraca – Você também é importante para mim.

– Eu sei – Evon olhou para baixo, ruborizando – E eu quero ser eternamente.

Ela fez uma careta, enquanto pedia licença para ir colocar uma roupa. Voltou usando um vestido curto e colado ao corpo, meia-calça grossa de lã e luvas de couro. Ele soltou um assovio baixo enquanto ela passava. Estava perfumada e seus cabelos tinham sido penteados e presos numa trança. Evon se sentou novamente no sofá, tentando parecer não muito interessado. Emma voltou do banheiro, com os dentes limpos e um sorriso no rosto. Se sentou ao lado dele e então deslizou a cabeça até seu ombro, soltando um suspiro cansado e logo fechando os olhos em exaustão.

– Vamos subir alguns andares?

– Vi muita movimentação no elevador, recentemente. Acho que estão todos subindo.

– Ótimo – ela concordou – Vamos subir também.

E com isso se levantou e estendeu a mão para Evon, que a pegou suavemente e se deixou ser puxado para cima. Enquanto voava para ficar de pé, ele aproveitou para pegá-la nos braços e a rodar duas vezes, antes de colocá-la no chão. Emma soltou uma risada divertida, inclinando-se e beijando-o na bochecha esquerda.

– Meu menino... – sussurrou, passando a mão perto de seu pescoço. – Você é especial para mim.

Evon a soltou delicadamente, enquanto Emma o conduzia até o elevador. Esperaram, ele chegou e logo entraram. Evon não gostava do jeito que Emma o chamava. “Meu menino” não era algo muito romântico, mas sim familiar. Como uma mãe chamaria seu filho. E ele definitivamente não queria ser o filho de Emma Sunderly.

Evon viu o elevador se fechando ao redor deles e o painel surgindo. Emma apertou o botão doze, sem hesitar. Nada aconteceu até chegarem ao andar. Evon ficou muito impressionado, na verdade.

Notas finais
Próximo capítulo só amanhã, porque hoje já postei demais e já me esgotei >.<