Notas iniciais
Sabe o que eu percebi: Que o que me faz querer ou não escrever é o personagem ^^Fiquei muito empolgada no capítulo do Ethan e novamente no do Evon, mas não estava tão animada nos capítulos de outros personagens. Então acho que é evidente: Meus preferidos são Ethan e Evon.

Evon Boyer

Gotye — Eyes Wide Open

Evon tocou delicadamente o vidro, enquanto se concentrava nele. Limpo e transparente, era como se não estivesse lá, mas ao mesmo tempo estava. Sentia a frieza dele e percebeu que estava morto. Um vidro morto não é um vidro, afinal. Tinha de correr, de molhar, tinha de ser movido com somente um tocar de dedo. Mas ele estava parado.

– Por quê? – perguntou.

– O que houve, Evon? – Emma virou a cabeça na sua direção.

– Não quer se mover. – ele resmungou, cutucando o vidro com um pouco mais de força.

– Mas é óbvio que não quer se mover, isto é vidro. É feito para não se mover.

– Verdade? – ele virou a cabeça, curioso. – Então o vidro do meu banheiro está com problema, pois ele se mexe.

– Mexe? – Emma ergueu uma sobrancelha, interessada. – Como assim?

– Sim, e ele também molha. E ele se separa sempre que eu toco.

– Nossa... – ela refletiu sobre isso – Você não esta querendo dizer da água?

– Água? Que água?

– Esse vidro que se mexe, não é a água do seu chuveiro?

Ele pensou sobre isso.

– É um vidro – afirmou, convicto.

– Acho que é água.

– É vidro – Evon insistiu.

– Certo, é vidro – ela assentiu.

Embora convencer Emma fosse difícil, Evon gostava de passar o tempo ao lado dela. Teve de encarar o vidro duro e parado novamente, até que se cansasse. Ele não queria se mover, como o outro vidro. Ele estava morto, era evidente, mas Evon não entendia por que não tinham retirado aquele ser morto dali. Então se virou para frente, olhando diretamente para Emma. Ela tinha os cabelos ruivos presos numa trança que começava bem em cima da cabeça. Ela estava muito bonita, era verdade, mas ele ainda preferia os cabelos soltos.

Aquelas câmeras todas o intimidavam. Elas não piscavam e não paravam de encará-lo, o que o assustava. Quando pensou que já poderia ir até a Academia, recebeu a infeliz notícia de que teria de ficar no hotel por mais meia hora.

– Como nova mentora dos tributos quero zelar pela aparência de vocês – Nathália sorriu – E por isso chamei os fotógrafos mais famoso da Capital para tirar algumas fotos de vocês! Isso vai ser breve, então logo poderão voltar aos treinos normais.

Como se os treinos fossem muito normais. Evon não gostava deles, essa era a verdade. Aquilo nunca tinha sido normal para ele.

Não culpo Evon. No momento ele está tendo uma grande crise psicológica e isso está tomando seu cérebro. De pouco em pouco ele vai se deteriorando, até que um dia não restará mais nada. Isso é devido a um grande trauma. Pessoas com traumas emocionais e psicológicos são muito mais sensíveis do que aquelas com traumas físicos. O fogo, o medo de lugares apertados... Tudo isso não é nada ao lado do trauma de uma traição. E Evon tinha sido traído pelo pai.

Evon não obedeceu ao fotógrafo, ficou sentado na mesma posição, encarando o chão. Recebeu mal-olhadas de alguns mentores, mas isso não era nada. Emma já tinha terminado sua sessão de foto e ele mais que queria ficar ao lado dela. Mesmo que Emma estivesse no meio de uma pequena discussão com Nathália. Ele foi calmamente até a sala onde os tributos já fotografados ficavam.

Lá dentro só tinha sua mãe, o que ele achou muito estranho. Ela exigiu que se sentasse no sofá do outro lado da sala, e como um filho obediente Evon não negou o pedido. Ele tinha prazer em obedecer sua querida e amada mãe. Não pôde deixar de encará-la, talvez ela lhe desse um sorriso amoroso, como era comum, mas mamãe só conseguia evitar olhar para ele.

Quando Bianca entrou, porém, Evon se esqueceu de mamãe. Bianca tinha sido sua namorada na escola (quando ele ainda freqüentava a escola). Ela tinha rejeitado seus sentimentos, mas Evon nunca deixou de ajudá-la nas lições ou de levá-la até sua residência. Mas então Emma começou a brigar com mamãe e Evon só pôde ver o quanto Emma era maldosa.

– Pare com isso agora mesmo – ele disse, encarando o rosto da ruiva. – Como pode falar isso dela, na minha frente? Na frente de Bianca?

– Como assim, Evon, ela te chamou de retardado! – Emma gritou apontando o dedo na direção de mamãe.

– Ela pode me chamar do que quiser. – Evon respondeu, pesado e com ar grosso – Não quero mais que diga essas coisas dela, está me ouvindo?

– É só uma Carreirista orgulhosa, nada demais.

– Nada demais? Ela é minha mãe, como assim nada demais?!

– Sua mãe? – Emma se virou para Evon – A cada dia que passa você fica mais maluco! Esta aqui é Noralinne, uma Carreirista, a garota que quer matar qualquer um que aparecer na frente dela. Esta aqui é Rosalie, a menina-de-ouro, queridinha dos fotógrafos, orgulho dos papais. E eu sou Emma, a garota que te salvou. Você não se lembra disso? Somos todos tributos, inimigos.

– Eu sei que você me salvou, não precisa ficar esfregando na minha cara – Evon cruzou os braços – Estou de mal com você.

– Como se eu me importasse – Emma suspirou – Por favor, não arrume mais problemas com ele. É apenas um garoto com problemas mentais.

Noralinne deu de ombros.

– Desde que pare de me chamar de mamãe.

– Vou ter uma conversa com ele, pode ter certeza.

– Obrigada – ela se levantou – Vou para a Academia, ninguém disse que eu era obrigada a ficar aqui dentro com vocês.

Emma a viu saindo, enquanto se encaminhava para o sofá. Se sentou ao lado de Evon e tentou chamar sua atenção, mas ele teimava em não olhar para ela. Aquilo era muito infantil, na verdade, e quando percebeu o olhar de Rosalie, Emma até ficou com vergonha. Como tinha se metido naquilo? Por que o estava defendendo de uma Carreirista metida? Ela trincou os dentes. Realmente estava agindo como se fosse a irmã mais velha...

– Não precisa ficar com raiva – Rosalie disse, calma e delicadamente. Quase convenceu Emma de que ela era uma boa pessoa. Quase.

– Não estou com raiva.

– Está sim. Eu admiro o jeito como você cuida do seu... Amigo.

– Obrigada. – Emma suspirou – Mas às vezes é difícil...

– Imagino. Você está sozinha neste barco... – silêncio pareceu se prolongar por uma eternidade. – Eu também estou sozinha.

– Ah, por favor, você é a queridinha das câmeras.

– Estou sozinha na arena, também – continuou Rosa, ignorando-a – e não tenho ninguém para cuidar de mim. Você deveria dar valor nisso, garoto. Meu amigo não está aqui para cuidar de mim, mas a sua amiga está, você deveria agradecê-la por isso.

Emma ficou surpresa quando entendeu que aquela conversa não estava sendo direcionada para ela, mas sim para Evon.

– Você deveria... Fazer as pazes com ela.

Evon grunhiu algo indecifrável, unindo as pernas e as espremendo contra o peito, rolando pelo sofá com uma criança fazendo birra.

– Não adianta ficar desse jeito – Rosa continuou – Sem ela você está sozinho e mais ninguém liga para você.

Evon parou de rolar, mas continuou em sua bola particular.

– Eu ficaria grata se alguém cuidasse de mim desse jeito.

– Então por que não cuida? – ele disse, abafando a voz contra uma almofada.

– Como?

– Por que você não arranja alguém pra cuidar de você?

– Não tem ninguém com esta intenção aqui – Rosalie se defendeu.

– Então peça para a Emma, ela cuida de você.

– O quê? Desde quando virei babá? – Emma se levantou, irritada.

– Emma, você cuida de mim? – Rosa segurou sua mão. – Uma aliança?

– M-Mas...

– Uma aliança, Emma? – Evon segurou sua outra mão.

As pernas de Emma tremeram.

– Ah, está bem, uma aliança... – ela suspirou, desabando no sofá, ao lado dos dois.

Evon sorriu, um sorriso verdadeiro, de felicidade. Agora Bianca também estava em seu grupo, e Emma cuidaria dela também. Era tão bom ter Emma ao seu lado que até esqueceu que o vidro estava morto.

º º º

Embora eu seja considerado um coração duro, uma pedra de pessoa, eu... Eu tenho sentimentos. Meu coração, ele bate, sabe? E eu consigo sentir, embora seja bem mais difícil do que para os seres humanos. Mas mesmo assim isto não me faz um insensível. Eu consigo sentir Evon e o que se passa com ele, e posso afirmar uma coisa: Não tem volta. Ele não vai melhorar. De sua situação atual só vai piorar, até que ele fique totalmente insano. Mas, por sorte, ele tem alguém que pode cuidar de seu corpo quando a consciência se for. A carência é algo que me consome todos os dias, é verdade. Aqui, onde estou, é muito solitário e frio. E eu odeio o frio. Gosto do calor, principalmente o calor da vida. Não digo “calor humano”, pois isso é um calor doentio, mas um calor que só se pode ser sentido com as pessoas que você gosta. Mas o que estou dizendo? O que deu em mim de uma hora para outra? Com certeza acordei melancólico...

A verdade é que estou com fome.

Uma fome mortal.

– Eu... Eu não quero mais isso – Evon disse, enquanto soltava devagar a lança.

– Como não quer? É obrigatório, faz parte dos treinos. – Nathália bateu de frente com o peito do menino, jogando seu corpo frágil para trás.

– Não vou mais fazer isso. É ridículo – Evon semicerrou os olhos – Eu desisto disso. Não vou machucar ninguém. E você não vai me obrigar a isso.

– Você acha? – Nathália sorriu, sádica. – Você pode até achar que eu sou melhor que o Loe, mas acredita, eu não sou... Você vai sofrer o dobro se não me obedecer, e eu tratarei de tomar conta do castigo. Eu adoro acertar alvos vivos, sabia?

– Não me importo com isso. – Evon deu de ombros. – Eu quero ficar com a Emma.

– Emma pra cá, Emma pra lá... Ah, garoto, por acaso está apaixonado por essa Emma? O que foi? Quer transar com ela? Ta se sentindo carente? Se liga, idiota, isso aqui é um treino que decide se você vive ou se você morre. Não vou te forçar a nada, pois as conseqüências virão na arena.

Evon assentiu.

– Obrigado pela compreensão. – ele virou as costas. – Até o jantar, senhorita Grandson.

– Ei, meu nome não é Grandson e eu sou casada! Quer dizer... Viúva. Sou senhora. Mas obrigada pelo senhorita – Nathália riu – Quando se tem 134 anos, isso é música para os ouvidos.

Evon tocou a parte inferior de seu braço, sentindo um arrepio. Ele... Ele queria? Balançou a cabeça, não queria não. Grandson era uma velha muito falante e pervertida, isso sim. Seus desejos carnais eram quase invisíveis há mais de quatro anos. Ele não sentia necessidade de contato físico com o sexo oposto. Mesmo assim, ficou tentado a pensar que sentia.

– Vejo que não conseguiu viver sem mim – Emma comentou, mirando o arco na direção do alvo.

– Muito previsível, aliás – concordou Evon.

– Fico feliz que tenha resgatado um pouco de sua ironia e do sarcasmo. É algo que eu preso muito, sabia?

– Emma, você quer transar comigo?

– Eu o quê? Ta maluco? – ela lhe deu um soco na cabeça, leve, mas forte o suficiente para que Evon cambaleasse para o lado.

– Nathália disse que sim.

– Ela é maluca. – Emma suspirou – Viu, me fez desviar do alvo.

– Desculpa – ele se sentou no chão, ao lado dos pés de Emma.

Ela mirou novamente, puxou a corda e soltou a flecha. Sua mira foi quase impecável, a flecha tinha atingido o pescoço do boneco, sendo que ela tinha como objetivo a cabeça. Se virou para pegar mais uma flecha da mesa de auxílio. Colocou no lugar e mirou novamente, puxando a corda e deixando o braço na mesma altura que o ombro.

– Por que ainda não tiraram o morto de lá?

– Que morto, Evon?

– O vidro morto.

Emma suspirou – Eu não sei – a flecha atingiu o ombro do alvo.

Notas finais
Já vou deixar os capítulos prontos para amanhã ^--^ E agora que já mostrei quase metade dos tributos, foi deixar de fazer uma ordem e escreverei aleatoriamente, com o personagem que eu sentir mais vontade! Sabe o que me interessa nos dois personagens? Ethan - Ele é o tipo Katniss masculino e com mais afeto. Eu não gosto da Katniss. Evon - Ele é um garoto traumatizado e com problemas mentais. Eu simplesmente amo isso. Mas é evidente que eu não faço os personagens preferidos vencerem (só às vezes). Eu costumo seguir uma lógica; Carreiristas tem mais vantagens, psicopatas não conseguem nem cuidar de si mesmos, imagine matar outras pessoas (desde que ele seja bonzinho e não uma Yuno da vida). Eu já matei vários personagens considerados os preferidos. Então cuidado, tudo dependerá dos acontecimentos na arena e principalmente dos para-quedas ;) Até amanhã e boa noite, dia ou tarde.