Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
57 Ethan Grason
Notas iniciais
Ethan Grason
“A fraqueza é a arma defensiva das mulheres” – Marquês de Maricá
Manteve os olhos fixos no horizonte, até que Noralinne se levantou e saiu correndo, desafiou Emma e se jogou para cima da garota. Até ali Ethan achava que tudo que vinha de Nora já era normal, ou aceitável, afinal ela era imprevisível, porém ficou extraordinariamente espantado quando ela errou o alvo e cambaleou para frente, deixando as costas pronta para aquele chute de Emma, que a levou para frente num impulso, jogando-a contra o Mausoléu. Manteve os olhos vidrados em Nora, esperando alguma reação. Mas nenhuma veio. Seu corpo estava inerte. Quase que morto. Mas nenhum canhão soou, para sua esperança. Quando ela começou a chorar, entretanto, ele realmente se deu conta de que nunca poderia entender o que se passava pela cabeça dela. Era um grito alto, de pura dor. Uma dor tão profunda que nem mesmo Ethan tinha visto. Nora parecia tão bem, tão feliz, e de uma hora para outra estava caída, chorando e gritando. Todos a olhavam com espanto. Nunca uma Carreirista tinha chorado nos Jogos Vorazes, nunca... Ele não percebeu, mas suas pernas se moviam rapidamente, levando-o até lá.
– Nora...– sua voz saiu calorosa e delicada, quase como um sorriso triste. Ela continuou deitada, de cara naquela terra preta e dura, chorando e gritando, enquanto os outros não sabiam como reagir. Até mesmo Emma estava atônita. Ethan olhou para a ruiva. Sabia que aquela menina lembrava-lhe o corpo que tinha encontrado no beco naquela noite, antes da Colheita. – Minha Nora...– com os dedos trêmulos, deslizou pela bochecha dela, que queimava em vermelho. As lágrimas escorriam e se misturavam a terra, manchando o rosto de Nora. Ela se virou para vê-lo. Os olhos nebulosos.
– Ethan! – pulou para abraçá-lo e desatou a chorar ainda mais alto. Sentia o coração acelerado de Nora, enquanto ela apertava seus braços, descontando sua raiva. – Eu sou tão inútil.
– Isso é mentira. – Ethan sorriu, com delicadeza. – Você não é inútil, Nora. Se estou vivo ainda é por sua culpa.
Ela esboçou um sorriso, enquanto soluçava. Às vezes a gente se enchia tanto que era preciso esvaziar. Tomou-a nos braços, apertando-a fortemente contra seu corpo. Manteve suas mãos em seus cabelos negros, enrolando-os em seus dedos. Notou que pela primeira vez o braço esquerdo tinha respondido a uma ordem de se mover, e ficou mais do que feliz. Ele se moveu para Nora. Podia não ser um romancista, mas era um ótimo pilar. Caso Nora se escorasse nele, jamais cairia.
Tomou seu rosto nas mãos, beijando-a suavemente, logo se entregando ao momento e agarrando-se aos lábios dela. Devorou-a com força, como se só tivesse começado a viver naquele momento. Envolveu-a com ainda mais força, e sentiu o jeito bruto e voraz que ela retribuía.
– Eu te amo, Ethan. – disse entre beijos, num sussurro que tornou a pele de Ethan em arrepio.
Agora é que não a soltaria. Devoraria inteira, antes que soltasse o primeiro gemido. Não deixaria que respirasse até que tivesse certeza de que não fora o vento que confundira seus ouvidos. Não queria ser enganado, não neste sentido. Afinal ele também a amava, mas não queria ser rejeitado. Todos os momentos em que desejara abraçá-la vieram à tona e ele recompensou, não permitindo que nenhum espaço ficasse entre eles. A amava de forma voraz, um amor forte o suficiente para ter certeza de que era com ela que envelheceria. Com ela que queimaria os últimos anos de sua vida, dedicando-se totalmente, de corpo e coração.
Apertou seus dedos no abraço, deixando a marca das unhas grandes. Ela não reclamou, afinal também estava cravando suas unhas.
Por fim, soltou-a.
Nora não o soltou. Continuou a se agarrar em seu peito, aninhando-se. Fechou os olhos, soltando o ar devagar. Ethan percebeu o olhar de todos. Quase como se perguntassem se eles realmente iriam se devorar ali, na frente, mas é claro que ele não faria isso. Quer dizer, por causa de Nora. Tanto fazia para ele, afinal todos os outros iriam morrer, e as cenas que vissem ou deixassem de ver não faria diferença. Estavam todos condenados. Se fosse preciso, mataria um por um. Mas não deixaria que estragassem seu futuro com Noralinne.
Palavras de um tolo coração apaixonado. As pessoas soberbas de amor são as mais vulneráveis. Ethan estava trilhando um caminho em direção a própria cova. Como uma vez já dito: “A paixão é a febre do espírito enfermo, é o delírio do coração, é o fogo da alma; é preciso que a razão domine, para que ela não nos sacrifique”.
Encontrou, por fim, um olhar quase assassino. Se possuísse lâminas, ele já estaria morto. Max. Tentou não dar atenção a ele, voltando a atenção para a pessoa mais próxima, Emma, que estava sentada ao lado de Evon, com ele nos braços, sorrindo delicadamente. A menina ruborizava, observando o modo como Nora se aninhava entre as pernas de Ethan. De fato ela parecia uma criança desesperada por uma cama sem monstros embaixo.
– Nunca gostei dela. – disse, com leveza – Pois achei que era insensível. Vejo que me enganei.
Ethan engasgou, sentindo algo entalado na garganta. Sem responder e com o rubor esquentando as bochechas, somente observou o sorriso de Emma, enquanto a menina voltava a atenção para seu aliado. Por fim, notou que Nora estava mudando de posição. Voltou os olhos para ela, encontrando os azuis vívidos, comuns. Ela sorriu, enquanto se inclinava e o tocava suavemente no rubor.
– Nunca conte isso pra ninguém, ouviu? Se eu ficar sabendo que contou eu mesma te mato. – sussurrou em seu ouvido. – Entendeu, Ethan Grason?
Ele apenas assentiu, solenemente, encostando a cabeça no Mausoléu e soltando um longo, profundo e vívido suspiro. Ouviu a risada fraca de Nora, e então ela voltou a se aconchegar em seu peito. Quase como se estivesse flutuando, se sentia leve. Como uma pena. Era maravilhoso ter ouvido aquilo da menina que gostava, e saber que em nada ela mudou. Não queria que Noralinne mudasse, afinal ele tinha se apaixonado por aquela durona e osso duro de menina.
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