Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
3 Ethan Grason
Notas iniciais
Ethan Grason
Ela com certeza era a garota mais linda que já vi”. Seu pensamento da noite foi este, mas com certeza Ethan não iria sair de foco por causa disto. Tinha de se esforçar, pois a loja não estava dando lá muito lucro nesses tempos de dificuldade. Enquanto dormia, seus pais no andar debaixo tentavam resolver os problemas financeiros que começavam a acumular sobre a mesa da cozinha.
Quando acordou na manhã seguinte, se sentia muito disposto a mudar a situação dos pais. Mas não foi possível. Talvez, em certo grau de lógica, não houvesse nenhuma alma viva dentro da loja pela manhã. Quando chegou lá, papai já tinha desistido de ficar no balcão e estava ouvindo o rádio. Seu pai, dentre tantos seres humanos no mundo, tinha que ser ele!, adorava ouvir sobre a política e sobre confrontos (mesmo os pequenos) que os Rebeldes faziam. Ele também mantinha uma fascinação extrema pelo Distrito 14.
– Este ano é a 200ª Edição, e alguns estão dizendo que eles irão fazer uma homenagem para a 100ª Edição.
– O quê, exatamente? – Ethan se sentou ao lado do pai, unindo as mãos.
– Se lembra do vídeo da Colheita?
– É claro que lembro. – concordou com um meneio.
– A Arena que é mostrada, a da 100ª Edição.
– O Labirinto – completou Ethan – A minha arena preferida, sim eu sei.
– Eles estão pensando em refazer o Labirinto. Mas com algumas alterações.
– Um Labirinto iria chamar muita a atenção, ainda mais com a história por trás dele... Dizem que a 100ª Edição foi a mais emocionante e amada de todas.
– Eles querem repetir a façanha – o pai parecia quase engasgado – Irão coroar dois vitoriosos este ano, como em todos os anos. A cada cinqüenta anos, é permitido que dois tributos vençam os Jogos Vorazes, desde que sejam aliados ou do mesmo distrito.
– Bom para os tributos – Ethan enfiou as mãos nos bolsos – O quer falar comigo?
– Hoje pela manhã recebi um boletim pelo correio. Ele foi enviado pelo Prefeito. É confidencial, somente para os homens acima de dezoito anos de cada família. Mas... Quero compartilhar isto com você, Ethan.
– Me diga, pai. – Ethan se sentiu orgulhoso.
– O Prefeito recebeu um e-mail do Distrito 14, que o convidava a vir com todos os moradores do 3 para o 14.
– Mas por quê?
– Vamos começar uma Revolta – o pai de Ethan colocou as mãos sobre os ombros do filho. – E o Distrito 3 será o campo de batalha. Da última vez, o Distrito 4 foi aniquilado, mas os moradores não tiveram tempo de sair e morreram juntos. Desta vez eles farão algo mais organizado.
– E a colheita? Ela acontecerá amanhã. Se ninguém aparecer na praça, será muito evidente que estamos fugindo.
– Somente as famílias sem filhos menores de 18 anos poderão ir.
– Mas se ficarmos... O que será de nós?
– Eles nos buscarão na Segunda-Feira.
– M-Mas e se não tivermos tempo? – Ethan se alterou, empurrando a cadeira e se levantando.
– Morreremos por uma causa maior. – O pai de Ethan sorriu. – Assim como seu irmão.
Ethan vacilou. Assim como Jeete.
Não podia parar de se culpar. Não conseguia parar de se culpar. Irritado e muito atordoado, Ethan deixou o pai falando sozinho, enquanto se dirigia para frente da loja. Por sorte, havia um cliente lá. Esforçando-se ao máximo, Ethan colocou um sorriso no rosto.
º º º
Sentiu a primeira lágrima escorrer, quente e lenta, por sua bochecha esquerda. Ele segurava a foto de seu irmão mais novo, quando o mesmo ainda era um bebezinho. Ele estava enrolado em um cobertor felpudo e muito branco, enquanto Ethan o segurava com todo o cuidado do mundo, com um sorriso que faltava dentes, causado pela queda de alguns de leite. Estava feliz, mas logo depois ficou mordido de inveja pois os pais pareciam bem mais atenciosos com Jeete. Quando o irmão cresceu mais um pouco, ele entendeu que os pais só estavam preocupados com a formação do menor, que queriam que ele fosse igual a Ethan, e por isso lhe deram a atenção que um dia tinha sido somente dele. Era normal sentir invejado irmão menor, e isso logo passou com os anos.
Jeete se tornou um amigo do peito, e não tinha como evitar ficar feliz ao lado dele.
Um covarde! Tinha sido um extremo covarde! Um idiota, imbecil e frouxo! Não era homem de verdade... Sua covardia custou a vida de seu irmão precioso, e agora ele estava deitado na cama, chorando, enquanto o corpo de Jeete apodrecia em qualquer cemitério de tributos. Ele tinha raiva, ele odiava a Capital. Sentiu o sangue fervente. E, acima de tudo, se odiava. Se tivesse idade o suficiente, poderia livrar os pais daquele perigo. Se não fosse um idiota de dezessete, se ele tivesse um ano a mais... Argh! Como podia ser tão ruim. Tão... Mau? Então era isso o que ele era? Mau? Ele só trazia devastação e ódio por onde passava. Ethan nunca fazia algo direito.
Teve tanta raiva que quase socou a parede do quarto. Que tipo de homem ele era? Que tipo de homem estava se tornando? Por que não conseguia ser bom, como seu pai? Esse sentimento tomou conta de seu peito, e Ethan desejou com tudo o que tinha poder trocar de lugar com Jeete. Mas era impossível. Não poderia fazer o tempo voltar, tudo tinha passado, e não dava para voltar atrás... Gritou alto de seu quarto, assustando até mesmo os vizinhos.
Quando os pais vieram ver o que o filho tinha, Ethan gritou para que fossem embora, usando seu tom mais rude e grotesco que conseguia fazer. E se arrependia. A cada ato seu, ele se arrependia ainda mais. Se odiava. Se corroia. Uma leve chuva começou do lado de fora, deixando-o ainda mais melancólico. Normalmente, Ethan gosta de chuvas, por isso ela o acalmou. Sentindo o cheiro da tempestade, ouvindo as gotas gordas baterem contra o vidro de sua janela, ele dormiu em sono profundo.
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