Notas iniciais
^^ Carreirista! :3

Noralinne Mercure

Selena Gomez — Slow Down

Ao amanhecer, ela entrou para casa, passando o punho pela testa e tirando o suor. Os cabelos negros grudavam em seu rosto, enquanto Noralinne tirava o moletom que havia usado para correr pelo Distrito. Todos os dias fazia isso antes de amanhecer. Hoje era Sábado, um dia antes da Colheita. Tinha dia mais empolgante que este? Entrou debaixo do chuveiro quando ainda era tempo do pai acordar.

Noralinne, desde os doze anos, tinha descoberto algo muito legal para se fazer: Treinar. O sedentarismo era algo muito irritante, e saber que ela podia fazer coisas que pessoas normais não conseguiam a deixava muito orgulhosa. Ninguém poderia atirar facas como ela, ninguém poderia correr tão rápido quanto ela, ou segurar tanto fôlego debaixo d’água. Tinha criado um circuito para o dia inteiro, uma prova de resistência. E tem feito isso até hoje, aos 18 anos. Sabe que, se não se voluntariar, não irá para os Jogos (algo que é muito grande, e praticamente a meta que ela quer alcançar). Sempre teve uma sorte miserável.

Perdeu a mãe quando tinha 4 anos de idade, e, sendo criada pelo pai, foi colocada numa linha rígida. Acordava antes do Sol nascer e deixava o café pronto, tomava metade da garrafa e ia correr com seu moletom. O Distrito 2 não era necessariamente frio, mas o pai tinha ensinado que, quanto mais quente, mais quilos você perde, mais massa ganha e você se acostuma a fortes mudanças climáticas.Talvez o corpo de Noralinne, agora, era uma espécie de adaptador de ambiente.

Depois que voltava para casa, tomava um banho, tomava o resto do café na garrafa e fazia mais uma para o pai, que tinha feito exatamente como ela em sua juventude. O pai nunca tinha ido para os Jogos, mas com certeza teria vencido. Depois dessa manhã, ela fazia a simples mais rigorosa série de aquecimentos, se alongava, deixando o sangue fervente, e então ia para o quintal, onde uma grande árvore fora plantada antes mesmo dela nascer. Na árvore estava amarrado um saco de arroz, e ela treinava os socos e chutes nele.

Tinha aprendido que, caso se atrasasse com aquela série de coisas, iria apanhar feio do pai. Ao longo dos anos, tinha ganhado massa muscular e força, resistência e habilidade de adaptação. Dormia sempre com um saco de gelo nos pés e outro na cabeça, acordava e colocava seu moletom para treinar no extremo calor. Seu sangue já tinha se acostumado com a adrenalina.

Quando achou que já tinha treinado o bastante, voltou para a casa, onde papai a esperava com uma xícara de café nas mãos. Ele sorria, enquanto cantarolava qualquer coisa. Embora fosse rígido e desse tapas e pontapés bem fortes, ela sabia que papai a amava.

– Tem certeza que treinou o suficiente? No relógio diz que você voltou dez minutos mais cedo do que o normal.

– Eu acordei dez minutos mais cedo. – explicou, enquanto dava pequenos saltinhos, mantendo o sangue quente.

– Vai para a Academia hoje?

– É claro – ela estava sem fôlego, mas não se importava com isso. Quanto mais aparentasse estar detonada, mais papai se sentiria orgulhoso. E deixá-lo orgulhoso era sua maior meta na vida.

Na verdade a vida de Noralinne era repleta de metas e objetivos. Nenhum deles era o que ela realmente queria fazer, mas sim o que o pai achava melhor para ela. Ele tinha dito que este ano Noralinne teria de se voluntariar para que eles mudassem de vida, isto é, saírem da classe média. E a idéia de ir para a Arena e vencer era maravilhosa, na opinião de Noralinne.

– Pensei que iria ficar comigo hoje, pra aproveitar.

– Mas eu vou perder tempo. – ela parou de pular e encarou o pai.

– Sim, sim... Mas acho que um dia a mais ou um dia a menos não irá fazer tanta diferença... Bem, você já está muito boa.

Nora nunca esperou essas palavras vindas diretamente da boca de papai, mas ficou feliz com elas. Tão feliz que se permitiu dar um leve sorriso.

– Quando voltar, creio que não será mais preciso treinar. – papai colocou a mão na nuca, demonstrando que escolhia as palavras com cuidado. – E acho que poderemos aproveitar mais tempo juntos... Como um pai e uma filha de verdade. Ah, desde que sua mãe morreu, tenho exigido o máximo de você...

– Tudo bem pai, eu sei que é para o meu bem. – Nora sorriu, demonstrando ser compreensiva, mas papai não iria cair facilmente nesse golpe. Ele a conhecia como ninguém.

– Eu escuto os seus soluços de noite. – suspirou – Acho que pego pesado demais...

– Não, pai, são somente pesadelos. Li numa revista que mulheres tem mais tendência a ter pesadelos, sabia?

– Eu convivi com sua mãe, dormi do lado dela, e nunca a vi acordar soluçando por causa de m pesadelo – papai piscou. – Eu sei que é um trauma e que eu fui um tolo ao te forçar quando ainda era apenas uma garotinha... Agora, só temos um dia antes de você colocar tudo o que aprendeu a prova. Estou tão orgulhoso, Nora... Mamãe também estaria.

Noralinne sorriu ainda mais ao ouvir este comentário. Talvez a única de suas metas que era realmente vinda de seu coração, fosse se parecer com mamãe, ou de alguma forma deixá-la feliz.

– Vou para a Academia, mas volto para o almoço – ela disse, sabia que o pai iria ficar contente ao ver sua determinação por treinar – Podemos ir pescar ou colher algumas frutas no pomar.

– Claro. – papai concordou com um meneio de cabeça. – Mostre para eles que você é a vitoriosa deste ano.

Noralinne sorriu. Eles, que o pai tinha se referido, eram os treinadores e mentores da Academia do Distrito 2. Normalmente eram eles que escolhiam o tributo e a tributa que iria para a Arena batalhar pela fortuna.

O caminho em direção ao Centro de Treinamento era longo, já que ele ficava no meio da Aldeia dos Vitoriosos, na Zona Norte do Distrito 2. Os filhos dos Vitoriosos costumavam ser os escolhidos, mas de vez em quando os mentores resolviam dar a chance para um dos pobres que treinavam a vida inteira para mudar a condição da família.

Nora estava entre a lista dos mais indicados ao título de tributo, por isso tinha conversado em particular com um dos mentores deste ano e pedido para que ele se concentrasse nela. Yan, o mentor, um dos Vitoriosos entre a idade de 14 anos, era o mentor mais carismático e, digamos, o seu puxa-saco. Yan era o mentor mais novo entre todos os outros, e desde pequeno tinha admirado Noralinne. Tanto por achá-la incrivelmente linda, tanto por conhecer seu extremo dom para a carnificina.

– Próxima dupla... Jeanne Jinx e Noralinne Mercure. – o mentor, Dawn, chamou.

Noralinne Mercure

Notas finais
Hoje tem mais! >.< Eu acho... hahahaha. Dêem reviws!