Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
28 Ethan Grason
Notas iniciais
Ethan Grason
Ir para a Capital, Ethan nunca pensou que um dia diria isso, era a coisa mais reconfortante do mundo. Saber que estava abandonando aquele distrito doentio e mortal era muito agradável, mesmo que seu destino final fosse uma Arena de carnificina. E agora era fato: Eles iriam para a Arena com o próprio corpo, não apenas com suas mentes. E isso o arrepiava. Durante anos a Capital tinha guardado seu dinheiro usando um método muito mais eficiente do que montar arenas verdadeiras. Usar a mente era muito mais prático, barato e traumatizante. Mas com o passar dos anos o show ficou menos sangrento e com mais confusão psicológica. Assim, eles resolveram mudar um pouco. Dano mental era algo muito bom e entusiasmado, para eles, mas dano físico... Isso sim era algo bom. Mesmo quando Ethan acabava de ver algo doentio, ele se deparava com ao ainda mais doentio. Aquele país era realmente fétido.
– Desculpe despertá-lo de seus devaneios – disse uma voz calma e muito delicada, quase como se estivesse lhe dando um leve tapa na testa.
Ethan ergueu a cabeça, logo sentindo a tontura. Tinha dormido sobre a mesa enquanto o trem partia para a Capital. O balanço... Aquele ruído quase inaudível... Era algo muito viciante e o balançar o embalava. Ethan sentia muito sono ali dentro. Em parte, aquilo era bom, pois assim pulava mais da metade da viagem. Em parte era ruim, pois ele perdia mais da metade da viagem. Sim, exatamente. Perder mais da metade da viagem tinha seu lado bom e seu lado ruim. Mas com certeza ser acordado por Noralinne era ainda pior.
– O que você estava sonhando? – perguntou ela, curiosa.
– Que um crocodilo gigante estava devorando sua cabeça – ele murmurou.
– Oh, um belo sonho, admito. – Nora se sentou na cadeira a sua frente. – Mas, de verdade, o que estava sonhando?
– O que importa? Era só um sonho. E eu já me esqueci, eu normalmente esqueço dos meus sonhos assim que acordo. Às vezes nem lembro que sonhei, embora eu saiba que tenha feito.
– Sim – Nora concordou, embora ele não tenha entendido porque -, meu pai me dizia que os sonhos eram um tipo de código. Algo que dizia uma coisa, mas estava relaciona á outra. Como se fosse conectado... Uma mensagem subliminar.
– Isso me lembra... – ele não terminou, pois pressionou a testa. Sentiu o alívio. Quanto mais pressionava a região, mas alívio. Estava com uma dor tremendo ali, como se sua cabeça estivesse sendo espremida por mãos de gigante.
– Está cansado?
– De que importa?
– Pare de responder minhas perguntas com outras perguntas. – ela se irritou. – Quero saber se está cansado.
– Acabei de dormir, é claro que não estou cansado.
– Pois seus olhos dizem outra coisa – ela o tocou no braço, calmamente – Vá para cama, dormir encurvado sobre a mesa não é algo bom para e pele. Tem uma marca do formato do pano de mesa ai na sua testa. – ela tocou, indicando o lugar.
– Está bem – Ethan concordou, tentando recuar de seu toque.
– O que foi? Está com medo de mim?
– Não gosto que mulheres desconhecidas fiquem tocando no meu corpo, principalmente na minha face. Assim você fica desgastando minha beleza.
– Sou desconhecida? E, ah, francamente, de que beleza você está falando? – Nora ergueu uma sobrancelha.
– Eu nem sei o nome do seu cachorro, é claro que é desconhecida.
– É Tobbie.
– O quê?
– O nome do cachorro.
– É sério?
– Claro que não, eu nem tenho cachorro – ela se irritou – Vamos, diga que me conhece bem o bastante para me considerar uma conhecida.
– Não. – ele cruzou os braços.
– Pare de ser um bebê manhoso. – ela o cutucou – Se não vou ter de te levar para a cama e trocar suas fraldas.
– Se queria um motivo para tirar minha cueca era só pedir – ele suspirou – Odeio mulheres que não admitem estar atraídas por mim.
– Pare de ser tão convencido, Ethan Grason, eu não estou atraída por você.
– Definitivamente você é teimosa. Olhe só par aos seus olhos, eles brilham sempre que você me encara – Ethan segurou seu queixo, carinhosamente. Aproximando com cuidado, como se estivesse amansando uma fera, ele entreabriu os lábios, fechando os olhos.
– Acho que não sou eu que está loucamente atraído... – ela sorriu, empurrando a testa do garoto com a ponta do dedo. – Se queria me beijar era só pedir, Ethan Grason.
– Qual é essa da sua mania de falar meu nome inteiro?
– Mostra que não somos tão íntimos assim. – ela deu de ombros – É o meu jeito de manter uma barreira entre nós.
– Você é mesmo uma garota bem delicada.
– Ah, sim. Sou muito delicada. A única coisa é que o meu grito de menininha é no mesmo tom que o seu. Isso me irrita, francamente.
– Está dizendo que grita com um homem másculo?
– Homens tão machos assim nem devem gritar – Nora deu de ombros, respondeu rapidamente.
Ethan abriu um sorriso. Ele adorava quando as pessoas ficavam fazendo esse joguinho de bate-volta. Normalmente ele sempre pegava sua presa.
– Então admite que eu sou um homem macho?
– Eu nunca disse isso.
– Disse sim. – ele piscou, com entretenimento.
Noralinne o encarou, como se estivesse recapitulando a conversa e então uniu as sobrancelhas, irritada. Ela cruzou os braços sobre os seios. Seios redondos e fofinhos, na opinião de Ethan. Mas claro que não dava para ter certeza, era apenas um palpite.
Ele se levantou, pegando um pedaço de maçã do prato mais próximo e então andando na direção do quarto. Teve um vislumbre de Nora com o canto do olho e pôde ver que ela tinha quase se levantado para falar algo, mas não o fez. Voltou a se sentar e pegou algo na mesa para comer. Ethan não pôde evitar o sentimento de ficar decepcionado. Realmente imaginou que ela viria trás dele pedindo para entrar em seu quarto. Claro, sem malicia...
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