Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
24 Ethan Grason
Notas iniciais
Ethan Grason
Ethan abriu os olhos calmamente. Era estranho... Uma espécie de chuva de luzes fagulhava sobre sua visão, enquanto ele se acostumava com todos os fleches. As câmeras estavam colocadas por todos os cantos e a Academia servia de abrigo para os sobreviventes. Sobreviventes... Muitos tinham morrido... Ethan coçou os olhos, sentindo cansaço. Olhou em volta, onde todos os tributos estavam ou deitados em camas, inconscientes, ou dando entrevistas para a Capital. Ele bocejou, enquanto tentava tirar as cobertas do corpo. Sentiu uma pontada de dor forte no peito, enquanto o pressionava.
– Fique quieto, idiota – ouviu um cochicho da cama ao lado (ou melhor, do cobertor ao lado).
Uma garota de cabelos loiros e olhos dentro de duas poças de olheiras. Aquela era... A menina que lhe tinha dado bom dia algum tempo atrás... Ethan piscou, tentando fazê-la entrar em foco. Era sim a mesma menina. Mas ela tinha um jeito meio... Estranho. Não parecia estar flutuando sobre uma nuvem de algodão doce, como da última vez.
– Estou tentando dormir. – ela resmungou novamente, puxando os cobertores para cima da cabeça e ocultando a cabeleira loira quase branca.
Ethan suspirou. Não era de se espantar que ela estava tentando ser gentil apenas para ganhar confiança dos outros... Ele levantou os olhos novamente, e viu todos os outros fazendo suas coisas e correndo para os lugares, com se o incêndio ainda não tivesse terminado. O incêndio... Ethan só se lembrava de ter acordado no meio da noite e corrido junto com os outros... Sim! Charlie tinha entrado correndo em seu quarto e o tirado de lá a força, junto com mais um menino baixinho. Ele não tinha entendido até ver o fogo do lado de fora. Mas a fumaça já era densa e... Quando eles caíram de cima da escada... Se lembrava de que tinha batido a cabeça no vaso que enfeitava a porta do hotel e então... Nada. Tudo branco. Ou melhor, negro. Era como se tivesse desmaiado e não acordado por todo esse tempo... E realmente tinha.
Ainda sonolento e com uma dor alucinante no peito, Ethan se forçou a levantar. Ele usou o chão para se apoiar, e quando se colocou de pé viu que alguns mentores tinham vindo trazer água gelada e outra garrafa mais escura... Café. Ele sentiu o cheiro invadir suas narinas. Tropeçando nos próprios pés, saiu correndo para ir tomar o precioso líquido que o manteria acordado por pelo menos mais uma hora.
– Você acordou, então – a menina passou ao seu lado, também com um copo de café em mãos. Lhe entregou um e pegou outro, levando aos lábios e tomando um gole longo. Ela retirou o copo dos lábios rapidamente, pressionando com a língua o local inferior. Tinha se queimado... Ethan a encarou, ainda não entendo muito. Ela percebeu. – Às vezes as pessoas queimam a língua, sabia? – ela comentou, dando de ombros.
– Não é isso – ele ainda a encarava. – Por que você...
– Por que vim falar com você? – ela completou – Não é óbvio? Eu te salvei, afinal. Queria saber se o meu esforço tinha valido a pena. – sorriu.
Simpática demais... Ethan limpou a garganta.
– Vai continuar ser gentil comigo assim ou podemos ser francos?
– Como? – uma de suas sobrancelhas se levantou.
– Por que me trata tão bem assim?
– Talvez porque seja legal tratar as pessoas assim.
– Olhe, eu estou sendo muito ríspido com você, então eu acho que você tem o direito de ser comigo.
– Mas eu não quero. – ela tentou exibir um sorriso, mas era visível que estava desconfortável.
Ethan continuou encarando-a. Mentirosa...
– Você se parece com Theo. – disse, por fim.
– Quem é Theo?
– Meu irmão – ela agora estava mais normal, talvez um tanto rude.
– Ele é loiro também?
– Não! Ele não é... – a garota cerrou os punhos – Ele não era loiro.
– O que aconteceu com ele?
– Morreu. – Ethan se surpreendeu com o jeito que ela falou aquilo. Era como se não doesse, como se estivesse debochando da morte do irmão.
– Então como me pareço com ele?
– Você luta... – ela ficou pensativa – Seus movimentos... São pesados e fortes, como os dele. E você é bom com espadas e lanças... Theo era bom, também. E ele chegou ao final...
– Ele venceu?
– Não – ela ergueu os olhos – Ele morreu.
– Então... É isso? Está sendo gentil comigo por causa disso? – ele falou num tom de sarcasmo.
– Não ria! Eu salvei a sua vida só por causa disso – ela disse, com raiva – Poderia ter te deixado lá... Iria morrer carbonizado.
– Tudo bem... – ele sorriu, meio solidário, meio sarcástico. – Eu tenho uma filosofia, menina: Trate os outros do jeito que quer ser tratado. Estou te devendo uma, então. – tentou enfiar as mãos no bolso da roupa, mas então percebeu que estava de pijama (afinal ele tinha acordado no meio do incêndio).
– Vou pegar roupas para você – ela fez um gesto com as mãos e se virou, enfiando as mãos dentro dos bolsos da jaqueta de couro, como se estivesse se gabando para cima dele. Ethan ergueu uma sobrancelha, interessado. Que menina estranha. E nem sabia seu nome... Ethan suspirou. Não tinha o que fazer, além de ficar ali mesmo, esperando-a. Tomou seu primeiro gole de café, logo sentindo a energia tomá-lo.
Em parte ele entendia a história dela. Se visse um rapaz parecido com Jeete, logo iria fazer amizade. Mas aquilo era diferente... Aqueles eram jogos onde somente um sai vivo. E não era o local mais apropriado para criar amizades... Ele colocou as mãos nos cabelos loiros, bagunçando-os ainda mais. Notou que havia alguém que o encarava. Mas não normalmente, estava encarando mesmo, como se o reconhecesse de algum lugar. Ethan tentou se livrar dos olhos, mas eles o perseguiam... Por fim, devolveu o olhar sério, vendo que é que estava a encará-lo.
Seu corpo inteiro tremeu.
Sua mão, ao lado do corpo, estava ainda mais trêmula. Ele foi tomado pela surpresa. Sua espinha se arrepiou inteira quando sentiu alguém lhe apertar o braço. Virando-se, viu a mesma menina que tinha lhe trazido o café, segurando roupas limpas e apertando-o.
– Obrigado – tirou as roupas nos braços dela e então voltou a olhar para ela. Mas ela já tinha virado as coisas. O cabelo ruivo... Aquele ruivo!
– O que está vendo? – a garota ao seu lado perguntou. – Está apaixonado por Emma? – Ethan não entendeu muito bem, mas parecida que havia um quê de decepção na voz dela.
– Não. – ele balançou a cabeça. – Só... Não a tinha visto, ainda.
– Bem difícil, com aquela cor horrorosa – riu.
– Ah, qual seu nome? – ele tentou mudar de assunto.
– Noralinne. – ela o encarou – Sou a tributa mais conhecida daqui. Como ainda não sabia meu nome?
– Sou ruim com nomes – Ethan deu de ombros – Lembro que era a querida do professor de espadas.
– Obrigada – ela se gabou, dando de ombros. – E então?
– Então o quê?
– O seu nome, ora!
– Ah, Ethan. – ele voltou a olhar para Emma, mas ela ainda estava virada de costas.
– Pare com isso, é desconfortável para mim – pediu Noralinne.
– Isso o quê?
– Ficar encarando aquela vadia. Faz-me parecer insignificante.
– Ah, desculpa. Não sabia que mulheres levam essa coisa de atenção a sério.
Noralinne fuzilou com os olhos.
Ethan não pôde evitar soltar uma risada. Ele então deu uma última olhada por cima do ombro na direção de Emma, e depois se voltou para Noralinne, como quem queria conversar mais. Ela começou a caminhar, falando de seu irmão e gesticulando com as mãos. Ethan achou que deveria ir atrás dela, por isso foi junto. Eles se sentaram num suporte para adagas, enquanto ela continuava a falar.
– E sabe, Ethan você parece ser muito forte mesmo.
– Eu sou – ele concordou.
– Mas é muito ingênuo.
– Como? – ele ergueu uma sobrancelha.
– Eu menti.
– Mentiu?
– Eu sou filha única. Não tenho nenhum irmão. Você acreditou mesmo nessa coisa toda de “Meu irmão parece com você”.
– Era convincente... – ele deu de ombros – E Jeete faria mesma coisa.
– Quem é Jeete?
– Meu irmão menor. Ele morreu nos Jogos.
– Ah, claro, como se eu fosse acreditar – Noralinne o cutucou na costela com o cotovelo.
– É verdade – Ethan olhou para o resto da sala, e então para as mãos entrelaçadas em cima da perna. – Não mentiria sobre isso.
– Pare, faz-me sentir uma pessoa ruim.
– Você é uma pessoa ruim – ele acusou-a, com os olhos severos mas ao mesmo tempo engraçados.
Noralinne com certeza era o tipo de pessoa que levava comentários como aquele de um jeito ofensivo, mas de alguma forma incrível ela entendeu que era uma piada e soltou uma risada divertida, que eu me surpreendi muito por tê-la escutado. Já passei tempo com Nora. Sei o suficiente que ela é chata e muito mesquinha, e é o tipo de garota que eu gosto. Essas menininhas sem personalidade... Meus preferidos são vilões.
Mas às vezes Nora me surpreende de uma forma incrível. Não esperava que ela salvasse aqueles tributos, nem que ela entendesse o senso se humor de Ethan. Algo estranho com certeza ela guardava. Até hoje eu nunca conheci uma pessoa que fosse gentil e rude ao mesmo tempo por natureza (sem nenhum distúrbio). Mas Nora era. E ela não tinha distúrbios. Era como se selecionasse as pessoas que trataria bem e as que não. Fico somente imaginando o quanto mais terei de descobrir sobre ela até me apaixonar. Mas isso é assunto meu, este capítulo é do Ethan, então vamos voltar para a história.
– Por que acho que você está sendo boazinha demais comigo? – ele disse, após um silêncio.
– Porque eu estou. – ela piscou e então olhou para cima, levando as mãos até a cabeça e demonstrando uma pose relaxada. – Eu poderia te matar em um piscar de olhos com as minhas próprias mãos.
– Algo me diz que você e Nathália se dariam bem. – ele resmungou, se levantando do suporta de adagas e enfiando as mãos na jaqueta de couro (idêntica a de Noralinne). – Noralinne, certo?
– Nora. – corrigiu-o.
– Uhm... Nora. Você está aqui por algum motivo especial?
– Especial? Eu diria que não é especial
– Diga logo, não sou fã de enrolação.
– Quer fazer aliança comigo, Ethan Grason?
Ethan ficou um tanto quanto impressionado com o tom de voz dela, era quase que formal demais. Respeitoso e ao mesmo tempo firme, severo. Como se para ela, ele fosse apenas um rato, e ela uma felina.
– Você sabe até meu sobrenome. Por que perguntou meu nome àquela hora?
– Achei que fosse apropriado. Você perguntou o meu, afinal. Trate as pessoas como quer ser tratado. – ela repetiu, olhando dentro de seus olhos. Aquela garota era realmente interessante.
– Sim, eu quero – disse, cortando-a.
– Eu sei que quer – ela assentiu, não divertida, mas realmente séria. Como se ela realmente soubesse. – Eu sou a mais conhecida dos tributos, afinal.
– Desculpe-me, seu nome mesmo?
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