Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
2 Ethan Grason
Notas iniciais
Ethan Grason
Maroon 5 — Won't Go Home Whitout You
E então, nada. Ele colocou a cabeça sobre o peito da moça, mas ela não respondia. Não havia pulsação. Os olhos verde esmeralda estavam vidrados e a boca aberta num último sugar de oxigênio. Ethan uniu as mãos e pressionou o peito da moça, tentando reanimá-la, mas foi em vão. Já fazia mais de vinte e quatro horas que ela estava morta, a única coisa que Ethan não sabia era isso.
Tinha encontrado o corpo dela algumas quadras antes de sua casa, um pouco atrás de uma lata de lixo. Ela não tinha marcas de estupro ou de violência. Somente um olhar doentio, fixo. Sem vida. Aquilo era horrível. Ethan se imaginou morto, como seria detestável saber que os outros veriam seu corpo como somente uma casca vazia. Ele odiava pensar que seria enterrado para apodrecer, sendo que cuidou de si tão bem por todos os anos.
No fim, decidiu que não deixaria aquela menina apodrecer, como aconteceria com ele próprio. Pegou-a no colo, mesmo que fosse difícil e mesmo que ela estivesse fedendo. Com cuidado, olhou paras as ruas, para que ninguém o visse. Enquanto andava em direção a floresta do Distrito, ele ficou imaginando por que aquela menina tinha morrido. E chegou a conclusão de que não deveria ser uma pessoa tão boa assim. Pessoas boas não morrem por nada.
A não ser Jeete.
Ele tentou tirar aquilo da cabeça, enquanto levava o corpo da garota até o aterro do Distrito 3. Lá, todos jogavam o lixo, mas somente nas Quartas-Feiras, e hoje era Sexta. Dois dias antes da Colheita. Por fim, Ethan enfiou a mão dentro do short dela e encontrou o que queria, uma carteira de identidade. Parou de andar, apoiando o corpo da moça na parede e relaxando o ombro direito, que já reclamava de dor.
Forçou os olhos para conseguir ler. Mesmo sendo noite, havia um poste por perto iluminando a viela, e ele pôde ler o nome “Breanna Glinford”. Colocou a carteira da moça novamente em seu jeans, enquanto voltava a carregá-la em direção a mais uma viela apertada e mal-cheirosa. Quando chegou ao aterro, procurou o lugar apropriado para o corpo de Breanna, enquanto tentava achar alguma coisa inflamável entre os escombros.
Era fácil, pois a maioria das coisas do Distrito 3 eram feitas de aparelhos eletrônicos e coisas inflamáveis. Logo encontrou algo com indicação “Inflamável” e o pegou. Não tinha pensado em como iria botar fogo em tudo, mas em todo caso, tinha um isqueiro no bolso. Com cuidado, passou o fogo do isqueiro pela manga da blusa da garota. Pousou o objeto inflamável perto da perna dela. Com ainda mais cuidado, incendiou a calça dela e saiu de perto correndo, até ouvi a explosão. Não tinha sido algo muito grande, mas o suficiente para explodir completamente a perna direita da garota e incendiar ainda mais o seu corpo. Ethan voltou ao lugar, pois estava tentado.
Quando se aproximou, notou que os ombros e a cabeça dela ainda estavam intactos. Os olhos vidrados. Quando ele os fechou, sentiu que tinha cumprido o papel que Deus o tinha encabido. Isto é, se Deus realmente o tinha enviado para aquele canto e o feito ver a sandália delicada e bem bordada de Breanna. Ele tocou o nariz fino e arrebitado da garota, e pela primeira vez notou que os cabelos dela eram ruivos vivo, laranja fogo. Eram intensos e estava presos numa trança que começava no alto da cabeça. Ele se levantou, certo de que agora o corpo de Breanna não iria mais apodrecer e simplesmente sumir. Pensou se os pais dela estavam preocupados, mas então excluiu esses pensamentos.
Enquanto voltava para casa, ele bagunçava os cabelos louros o tempo todo, enquanto se mantinha de cabeça baixa. Breanna não tinha cara de ser uma pessoa ruim, então por que estava morta atrás daquela lata de lixo? Ele não conseguia encontrar uma resposta apropriada.
Quando chegou na casa de luzes acesas e cheiro de feijão recém feito, logo ouviu a conversa animada e muito comum dos pais. Eles eram o tipo de casal apaixonado e simplesmente jovem que não esquecia como era estar completamente encantado com a outra pessoa. Eles se amavam, mas só tiveram dois filhos. E no momento, só tinham um. Jeete, o irmão mais novo de Ethan, tinha sido sorteado pra os Jogos Vorazes alguns anos atrás. E... Ethan sentiu medo de se oferecer em seu lugar. Não tinha se arrependido no começo, pois sabia que Jeete era bem inteligente e muito astuto, responsável e competente, talvez até tivesse mais chances que ele. Mas, de alguma forma, quando só restavam quatro tributos, e três deles eram Carreiristas, Jeete morreu num ataque de vespas geneticamente modificadas pela Capital. Ele morreu de uma forma banal, não teria morrido caso a Capital não tivesse intervido... Mas era como se eles já tivessem escolhido um Vitorioso.
Então ele olhou por cima do ombro e seu corpo inteiro começou a tremer. Não! Que imbecil ele tinha sido! Como pode pensar que aquilo era o melhor para aquela garota? O fogo era devastador, era destruidor... Ela... Não merecia! E ele tinha se aproximado tanto do perigo...
– Ethan! – mamãe o chamou da janela – Entre, já está tarde.
– Claro, mãe. – Ethan sorriu, enquanto caminhava em direção a varanda e entrava em casa.
Ele não conseguia parar de pensar na pessoa horrível que tinha se tornado após ver o irmão morrer. Ele se desprezava. Ele era um lixo ambulante...
O jantar foi muito animado, graças aos pais, que trocavam idéias sobre onde passar o Natal aquele ano. Embora o Natal não fosse uma data muito agradável para Ethan, ele não podia deixar de sugerir a casa de sua prima Magdá, que era sua única confidente fiel e quieta o bastante para responder e aconselhá-lo com somente o silêncio. Algo raro que ele apreciava. Magdá era muda e cega, mas de alguma forma, conseguia ver o interior das pessoas, e com suas mãos conseguia sentir a presença dos bons e dos maus.
Ethan não gostava de rotular as pessoas, mas Magdá tinha ensinado a ele que pessoas boas existiam e que pessoas más existiam. E ele deveria aprender a diferenciar uma das outras. O seu maior dilema, porém, era diferenciar se ele era bom ou mau.

Ethan Grason
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