Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
7 Emma Sunderly
Notas iniciais
Emma Sunderly
Saiu do bar pouco depois do letreiro ter se apagado. A Igreja estava imponente, como sempre, enquanto o píer era visitado por poucas pessoas. Enquanto andava e sentia o vidro de álcool batendo contra a perna dentro do bolso da jaqueta, o vento balançou seus cabelos. Era muito raro ter frio no Distrito 4, ainda mais um frio que tirasse todos os surfistas do mar. Prendeu os cabelos ruivos que nem fogo num coque alto. Enquanto sentia a maresia invadir o agasalho, passou os olhos pelas ondas cintilantes. Estavam selvagens, e a Lua começava a subir no céu. O tempo era bom para quem quisesse ficar dentro de casa, perto de uma lareira e com um chocolate quente por perto.
– Oh, meu Deus! – uma das freiras exclamou, enquanto Emma passava na frente dela.
– O que houve? – perguntou. Sabia que a Igreja não gostava de ruivos, pois diziam que eles “tinham os cabelos beijados pelo fogo do inferno”, mas nenhuma das freiras tinha parado-a na rua antes.
– Um garoto acabou de se jogar do píer! – ela exclamou, com as lágrimas inundando os olhos.
– Como é? – Emma sentiu os sentidos surgirem. – Em que direção?
– Uns cinco metros pra frente, no segundo píer...
Ela empurrou sua bolsa na direção da barriga da freira, enquanto tirva rapidamente a jaqueta. Viu com o canto do olho muitas outras pessoas apontando para o píer que a freira tinha dito. Respirou, tentando não entrar em desespero. Nunca tinha testado de verdade suas habilidades, somente treinava. Agora teria de colocar em ação tudo o que tinha aprendido. Jogou a jaqueta para freira e então correu. Correu como nunca, mas a cada segundo que passava, sentia que o garoto não iria agüentar a pressão do mar, seu corpo deveria estar sendo jogado contra os pés do píer.
Ela se preparou, esticando o corpo e colocando as mãos na frente do nariz, saltou num pulo perfeito, caindo com firmeza e indo para o fundo do mar. Não viu o menino logo, mas quando já estava desistindo, encontrou-o. Seus olhos com certeza estavam reclamando, mas ela tinha de pegá-lo. Mergulhou, já sentindo o ar no pulmão falhar. Se ela, treinada como era, já estava com dificuldade, imagine o garoto de agasalho marrom.
Quando abraçou-o pela cintura, nadou somente com um braço, até a superfície, quando lá chegou, as pessoas a ajudaram a trazê-lo para o píer. Ela subiu e então se ajoelhou ao lado do garoto, fazendo uma massagem em seu peito. Um Pacificador a empurrou brutalmente, enquanto arrancava o agasalho dele e fazia de tudo para desafogá-lo. Conseguiu, por sorte.
Com as mãos tremendo e o nariz vermelho, o frio a tomava. Estava encolhida no canto do píer, quando sentiu o cobertor ser colocado sobre seus ombros. Era a freira que a tinha dito sobre o garoto. Ela sorriu e devolveu a jaqueta e a bolsa de Emma, enquanto mandava todos embora e arrastava, com a ajuda do Pacificador, o jovem para dentro da Igreja.
Ela ficou lá por um longo tempo, até que se levantou e tratou de ir embora para casa.
º º º
Não conseguia se decidir, mas quando viu a Igreja já imponente ao amanhecer, decidiu que não poderia desistir. Já tinha caminhado até ali, não é mesmo? Tinha de devolver o cobertor daquela freira e... Por Deus, precisava ver se o menino tinha sobrevivido. Quando bateu na porta do convento, a primeira a atender soltou um gemido não muito agradável, demonstrando medo, mas logo que reconheceu o cobertor, convidou-a para entrar.
Emma falou sobre a freira e a descreveu.
– Deve ser a Irmã Sônia. Vou levá-la até ela. – a freira, nomeada Irmã Blush disse.
Quando a viu, Irmã Sônia sorriu e logo a puxou para o quarto do menino, onde ele dormia tranquilamente e com milhares de outros cobertores idênticos sobre a cama. O frio era grande, mas o convento estava quentinho. A Igreja estava logo a frente, imponente como sempre, mas Irmã Sônia não a convidou para ir lá confessar seus pecados, e sim para que ela entrasse no quarto do menino e tentasse arrancar dele o nome.
– Ele ainda não acordou?
– Acordou, mas se recusa a dizê-lo. Parece que ele não gosta muito de religiosos. – a irmã sorriu, simpática e abriu a porta com cuidado. – Não se preocupe, pode acordá-lo.
Emma engoliu em seco, entrando no quarto ainda mais quente e confortável. Sônia deu algumas coordenadas de “Se ele pular pra cima de você, corra para mim”. Emma não entendeu por que um garoto frágil e suicida iria querer atacá-la, já que não era lá muito bonita, e ainda por cima ruiva, mas assentiu, fechando a porta com cuidado. Dentro do quarto, o clima doente predominava, o que a enojava. Onde tinha se metido? Ela só queria saber se ele tinha sobrevivido, poderia ir embora!
Mas a curiosidade a dominava. Qual era o nome do garoto? Qual seu motivo para pular do píer? Com certeza era algo banal...
– Ei, acorda. – ela o cutucou, sem saber muito o que fazer.
– Uuuhm... – ele resmungou, puxando os cobertores para cima dos cabelos.
– Acorda, idiota.
– Que foi?
– Qual seu nome?
Ele ficou atento, enquanto a observava sorrateiramente. Por fim, suspirou.
– Evon. E os eu?
– Emma. – a garota cruzou os braços sobre os seios – Por que pulou do píer?
– Não me lembro... Acho que foi inconsciente.
– Ok.
Se levantou, virando-se para ir embora.
– Ei, onde vai?
– Já sei o que queria saber. – ela disse por cima do ombro.
– Veio aqui somente para perguntar meu nome, Emma?
– Exatamente. – ela suspirou, odiando ter de dialogar com aquele garoto.
Ele soltou uma risada abafada.
– Quando voltar, pode trazer um café quente, por favor?
– Não vou voltar.
– Ah, não vai?
– Não. – ela se irritava a cada palavra.
– Então não poderia me levar embora junto com você?
– Não.
– Mas não quero ficar aqui com essas freiras doidonas.
– Vê se cresce, idiota. – disse com a raiva espumando na boca.
Fechou a porta batendo-a fortemente. Tinha certeza que mais duas palavras e ela matava Evon ali mesmo.

Emma Sunderly
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