Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
23 Emma Sunderly
Notas iniciais
Emma Sunderly
Aquilo doía, enquanto Emma segurava o jeans de Evon com toda a força. Ele também reclamou, talvez por ela estar prendendo e puxando os pelos de sua perna, mas não podia evitar, estava doendo muito... Abafou um gemido, enquanto mordia a própria língua. Pensou em alguma coisa agradável...
Ele a encarou, com seus olhos sem expressão. Noralinne apertou novamente o curativo improvisado em sua coxa, que tinha sido machucada por um pedaço de madeira de uma cadeira que tinha se quebrado. Limpar tudo aquilo tinha demorado muito, enquanto tinha de agüentar a temperatura muito elevada da água e as farpas que Nora tirava com cuidado (ou aparente cuidado). Emma, por fim, pôde sentir o alívio de que tudo tinha terminado. Suspirou, virando a cabeça para trás, numa chance de ver Evon. Ele sorriu.
– Está melhor – comentou.
– Sim. – ela concordou, com um meneio – Evon... Aquilo lá no prédio foi incrível. Eu não poderia ter pensado tão rápido.
Ele a encarou, como se estivesse tentando entender suas palavras.
– Aquela coisa com os lençóis... Isso sim foi incrível. – ela se corrigiu.
– Lençol? — ele questionou – Você quer um lençol? Está com frio?
– Não! No incêndio você...
– Não me lembro disso – ele piscou os olhos.
Emma sentiu um aperto. Pobre Evon, seu cérebro às vezes parecia voltar ao normal, mas então ela percebe que era só uma ação irracional, assim como quando ele se jogou no mar... Ele não se lembrava do por que tinha feito aquilo, e então não sabia por que odiava tanto freiras... E a medida que tudo passava, ele ia esquecendo mais e mais coisas... Emma só estava esperando pelo momento em que ele não a reconhecesse.
Pobre mesmo é Emma. Garotas são sensíveis demais para isso. Ela o salvou e de repente se sentiu atraída. Logo que o conheceu mais, ficou comovida com seu jeito frágil e debilitado. Se apaixonar é muito fácil, na verdade. Sentir paixão por alguém é normal.
Olhe, existe duas estações para esse sentimento que os humanos denominam ‘amor’. Na verdade são três, mas o terceiro é quase como um morador do Acre alfabetizado, uma raridade extrema. A paixão é o primeiro estágio disso. É quando você gosta tanto que precisa ficar com aquela pessoa, precisa ter contato com ela todos os dias e é capaz de fazer loucuras, não vê sua vida sem ela. Depois vem o estágio do amor, onde tudo se ameniza, mas o sentimento fica mais forte e intenso, embora você amadureça e não seja tão louco assim. E logo vem o estágio mais raro. O Nós, conquistado somente por casais apaixonados de todo o coração. Mas isso não é papo para crianças, como vocês. Sou muito experiente no amor, sabia? Ah, sou como um Cupido de linhas escritas.
O fato era: Emma estava apaixonada. Paixão. Nada mais que isso. Mas ainda assim era algo que a deixava morta de preocupação com a saúde de Evon e a deixada puta da vida com qualquer insulto de...
– Aconselho que coloque gelo nisso – Noralinne enxugou o suor da testa com o punho.
– Obrigada – Emma a encarou, hesitante.
– Isso não nos torna amiguinhas, vadia. – Nora piscou, se levantando. – Mas talvez eu queira o seu amiguinho comigo.
– Como? – Emma olhou para Evon.
– Ele é bem interessante – Nora suspirou – Mas eu já tenho o meu próprio problema.
E virou as costas, indo até outros machucados e se ajoelhando ao lado e um rapaz que estava semi-acordado. Nora realmente era uma pessoa incrível... Tinha conseguido tratar de metade dos feridos e agora estavam cuidado da outra metade... Emma suspirou. Infelizmente ela só tinha conseguido cuidar de uma pessoa. Ou melhor, salvar, pois depois quem cuidou foi uma freira... Ela se virou para Evon, que possuía uma expressão curiosa nos olhos.
– Vocês são amigas?
– Não.
– Inimigas?
– N... Não – ela pensou – Eu acho.
– Então por que parece que tem uma espécie de ar mau saindo de vocês quando se olham?
– Se chama piriguetometro, ele mede quando uma vadia está vindo para perto de mim. – ela sorriu.
– Posso ter um desses também?
– Quem sabe – ela deu de ombros, olhando mais uma vez a coxa enfaixada. Queria só ver a cara da Capital ao saber daquilo... Se um tributo tivesse morrido no meio do fogo, com certeza eles teriam problemas.
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