Your Hunger Games VI - O Retorno Interativa
66 Alexei - Sanderson Cutner
Notas iniciais
Sanderson Cutner
Deslizou os dedos sobre a pálpebra do olho cego. Sentia a cicatriz já fechada e protuberante na pele. Poderia apalpá-la quanto quisesse que jamais conseguiria se livrar da sensação de arrepio quando o fazia. Sua visão, porém, não tinha ficado tão ruim, ele só tinha um ponto cego, mas conseguia ver as coisas quando se virava de lado. Assim, começou a andar com o rosto na diagonal, para ter visão de tudo o que acontecia. Ariel não estava perturbada pelo estrago em seu rosto, na verdade agia como se ele fosse o rapaz mais lindo do mundo. Talvez por causa da criação que teve, num Distrito onde qualquer sinal de sobrevivência e luta era recebido como uma honra ou benção.
– Olhe, o túnel acaba aqui – ela disse, tirando-o de seus devaneios.
– Deve ser a entrada... – Sanderson cerrou o olho, vendo o que a parede reservava – Tem o número nove. Mas... Nenhuma porta.
Ariel observou aquilo e então de repente se jogou na água negra do esgoto. Sanderson arregalou o olho, espantado. A correnteza ali era forte e tudo levava em direção a parede. Ela apenas sorriu e se deixou ser levada pelas águas, até afundar e sumir. Sanderson ficou esperando. Esperando. Mas o canhão não vinha. Por fim, decidiu pular junto. Se ela não tinha morrido, ele também não morreria. E realmente não morreu. Quando afundou na água e foi cuspido para fora do esgoto, caiu levemente e começou a ser engolido devagar por um outro líquido que não era água. Infelizmente (ou felizmente) sua boca ficou aberta e ele engoliu um monte daquela coisa, que tinha um adorável sabor de chocolate. Quando abriu os olhos notou que realmente era.
Chegou até a margem e se arrastou pela relva feita de açúcar verde.
– Que lugar lindo! – Ariel exclamou, chamando sua atenção.
º º º
Alexei
Alexei deixou o corpo afundar pela água negra e suja do esgoto, sentindo-se puxado em direção ao final daquele túnel. A parede debaixo d’água na verdade tinha um buraco e por ele Alexei passou, caindo em direção a outro rio, mas desta vez ele era feito de algo muito gostoso, que Alexei saboreou por alguns minutos. Conseguiu sair do rio e se viu melado de chocolate. Não era tão detestável quando a água de fezes, mas nem menos desagradável. Ele olhou em volta. Árvores de marshmallows, sorvete e algodão-doce. Arbustos de baunilha e flores de cristais de açúcar.
Devorou o que viu pela frente, até sua barriga estar cheia.
Poderia ter se deitado no chão macio e apreciado a calma, o silêncio a o descanso. Mas seus músculos reclamavam por adrenalina, e logo ouviu o som de uma voz estridente e irritante que o fez se arrepiar. Era familiar, infelizmente. Descobriu o local onde ela estava, junto com seu aliado. Poderia tê-la matado antes, mas não sabia porque hesitara. Agora, no momento, o que queria era segui-los e matá-los. E foi o que fez.
Poderia ter chegado e dito alguma frase muito inteligente, mas resolveu não. Segurou em uma das árvores próxima e balançou os ombros levemente, se preparando. Os outros dois continuavam a andar, mas num ritmo que Alexei dificilmente perderia. Quando ele terminou de se aquecer, retirou seu brinquedinho do bolso e logo em seguida a faca.
Sanderson Cutner
A dádiva pousou nas mãos de Ariel suavemente enquanto a menina rodopiava nos calcanhares para alcançar. Ela sorriu enquanto abria e tirava de lá um metálico e redondo objeto. Junto com ele tinha vindo um bilhete com as seguintes palavras:
O Escorpião é um robô feito de titânio, capaz de atravessar difíceis passagens e envenenar adversários de acordo com a força do pensamento de seu mentor.
Como utilizar: dentro da seguinte caixa, há um eletrodo. Conecte-o na sua nuca. Ligue o robô e espere seu motor funcionar. Dite ordens mentais simples (como andar para frente ou para trás) para configurá-lo, e depois utilize-o como queira. Se sua bateria descarregar, ponha-o à exposição do sol.
Aproveite com cuidado, suei muito por este patrocinador. – De seu querido, amado e adorável pai.
– Um escorpião – Sanderson começou – Mas isso ai é uma bola.
Ariel o censurou com um olhar rígido, passando suavemente os dedos por cima de um sensor e as pernas do escorpião apareceram, seu corpo se alongou, sua cabeça se levantou e seus olhos piscaram até encontrarem o foco. Sua cauda se abanou e ele quase mostrou a língua.
Ariel o acariciou no queixo (ou onde era para ser) e o escorpião se aninhou. Sanderson pegou o objeto quadrado que vinha junto, era uma pequena embalagem. Dentro dela havia um eletrodo, Sander o grudou a nuca. Virou o rosto para Ariel, que ainda brincava com o escorpião entre os dedos. Quando sentiu aquele ferrão bem no local onde grudara aquela coisa fria, ele viu o escorpião se contorcendo e se agitando, levantando a cauda e então virando a cabeça para Sanderson. Sanderson apenas abriu um leve sorriso, que logo desapareceu com a aproximação do indesejado.
º º º
Alexei
Saltou na garganta do primeiro e mais próximo ali. O rapaz, alto, porém muito vulnerável, apenas cambaleou e caiu no chão, enquanto Alexei já escalava para sufocá-lo. Apertou a garganta dele com força, até que lágrimas começassem a rolar por suas bochechas, estranhamente o rapaz não estava soltando gritos de fúria ou de dor, apenas abria a boca e tentava gritar em silêncio.
Ele apenas retirou a adaga da cintura.
º º º
Sanderson Cutner
Sanderson se lembrou dos comandos no manual e tentava manter a mente limpa e sem agitações para controlar o escorpião, mas sua visão se embaçava cada vez mais por causa das lágrimas. Alexei estava sobre ele e o prendia contra o chão. Ele não conseguia ver o que Ariel fazia, mas com certeza não estava reagindo. De repente Sanderson sentiu que seu ar estava faltando e ele precisava colocar mais dentro de si. Se desesperou.
Pique! Pique! Maldito, pique logo! Ele implorava mentalmente, até que o milagre aconteceu: O escorpião picou com o mesmo pânico e força com que Sanderson pensava e desejava, assim logo o canhão soou, e as mãos ao redor de seu pescoço se tornaram mais fracas, até que o soltaram. Mas em vez de cair no chão, Alexei apenas tocou seu ombro e então olhou para o lado, onde um corpo jazia inerte e caído de uma forma estranha. O escorpião se aninhava entre os cabelos castanhos. Sanderson não pôde reconhecer no começo, mas quem mais poderia estar ali? Tinha matado sua própria aliada.
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