Notas iniciais
Capítulo do nosso queridíssimo Angus! Vamos conhecer mais desse tributo.

Angus Woodberry

Ele deu mais dois golpes furiosos no tronco da árvore e então parou, para dar atenção ao que Faith dizia. A irmã adorava falar com ele, e Angus também gostava, mas infelizmente ela só queria conversar nas horas erradas. Por exemplo: Enquanto ele fortalecia seus braços.

- E eu acho que laranja e azul ficam ótimo naquela saia, mas a mamãe nem deu bola pro que eu dizia e...

- Faith.

- O quê? – ela disse.

- Cale a boca, só por enquanto, ok?

- Nossa, que rude... – Faith encolheu os ombros.

- Desculpe, irmãzinha, mas você fica tirando minha concentração do treino. – Angus teve uma idéia – Ei, venha cá treinar comigo.

- Não, você sabe que eu sou péssima em luta corporal.

- Não precisa ser a corporal – Angus pegou a vassoura do quintal – Aqui, use isso.

- Uma vassoura?

- Finja que é uma arma mortal. Tipo... Uma lança!

- Uma vassoura e uma lança são bem diferentes, sabia?

- Não me faça perder a paciência, Faith...

Ela riu, pegando a vassoura e a rodando nos dedos, parando com os pés separados, os joelhos flexionados, sua respiração controlada e o bastão bem perto de si, de forma ofensiva. Angus riu e então pegou uma outra vassoura, tomando cuidado para não batê-la em Faith. Faith não esperou, avançou, com o cabo erguido para atacar. Angus levantou seu cabo, para bloquear o ataque, porém,como se fosse uma dança, Faith o chutou forte na costela, e ele cambaleou. Retomou a consciência, girando o corpo para escapar de mais um ataque com as pernas.

Faith era uma tremenda lutadora, se fossem olhar da cintura para baixo. Embora ela não soubesse usar muito bem golpes com os braços, suas pernas tinham uma leveza e ao mesmo tempo uma força brutal. As coxas grossas não eram simplesmente herança genética.

Angus se conteve com a vontade de quebrar a cara de Faith. Ela era sua irmãzinha, não uma oponente de verdade. Angus saltou, pisando no bastão de Faith e o fazendo escapar de sua mão. Ela foi para baixo, com os dedos presos embaixo do bastão e de seus pés.

- Saia! Saia! – ela gritava.

- D-Desculpa. – ele saiu de cima do bastão e ela recolheu a mão, abraçando o braço. – Eu não queria machucar, Faith.

Ela o encarou, com ódio fulminante. Pegou o bastão com a mão esquerda, a mão boa, e o acertou rapidamente, e brutalmente, no rosto. Angus sentiu o impacto e foi jogado para trás, segurando o rosto e já sentindo aquele ardume e então o sangue escorrendo de leve.

- Acho que tinha um prego nessa vassoura – ele comentou.

- Você quebrou meus dedos, merecia mais. – ela vociferou.

- Não quebrei não, não foi tão forte pra ter quebrado.

- Não consigo movê-los. – ela respondeu, no mesmo tom frio.

- É a dor, logo volta. – ele sorriu – Então, minha irmãzinha ta bravinha, hein.

- Cale a sua maldita boca, Angus. – ela se levantou, já murmurando insultos.

Angus esperou, até ela entrar dentro de casa e contar tudo para o papai. Angus cuspiu no gramado. Seu pai sempre teve Faith como a queridinha. Na verdade, Faith sempre foi a princesa dele. Angus era o mais velho, e Shayna era a caçula, mas papai só dava atenção para Faith. Mamãe até dividia.

Ele colocou a vassoura no muro e então entrou em casa, já ouvindo o sermão do pai, que dizia que Faith era menina, que ela era sua irmãzinha, que ele não podia brigar de verdade com ela... Shayna, a caçula, o abraçou forte e então disse:

- O Angus não tem culpa, papai. – e o abraçou mais forte.

Angus pegou Shayna no colo e a colocou em seu cangote, fingindo ser um cavalinho. Era adorava aquilo. Às vezes Angus achava ver uma ponta de inveja no olhar de Faith, mas ela era a queridinha, sempre tinha o que queria. Não, ele deveria estar tirando conclusões erradas. Faith não era do tipo de olhar a grama do vizinho. Angus foi para o quarto, puxando a irmã pelo braço e levando Shayna no pescoço.

— Que foi, Angus? – bufou Faith, ainda com os dedos vermelhos.

- Desculpe, Faith, você sabe que eu não fiz por querer.

- Sim, eu sei – ela se sentou na cama. – Vem cá, comigo, Shayna.

- Não! – Shayna se grudou nos cabelos de Angus.

- Viu, ela não gosta de mim. – Faith jogou-se na cama.

- Ela gosta sim, não é, Shayna? – ele tirou a caçula dos ombros e então a encarou – Você ama a irmãzinha, não ama?

- Amo. Mas eu não quero ir com ela. – Shayna o agarrou. – Você é meu irmão. Só meu.

Angus riu. Tinha duas irmãs ciumentas (muito ciumentas) e as duas ele amava muito. Tinha sorte de ter uma família tão boa quanto a de qualquer outra pessoa. Angus se deitou, ao lado de Faith, e a abraçou. Shayna se colocou entre eles, como sempre, lutando por um espaço no colchão.

º º º

Angus acordou cedo, já estava pronto para o trabalho. O pai nem havia acordado ainda, mas ele preparou o café e ficou esperando, enquanto tomava a bebida quente. Mas em vez do pai, quem acordou foi Shayna.

- Ah, pequena, que horas são essas de levantar, está muito cedo! – ele disse, deixando a xícara de lado.

- A Faith ta chorando... – ela sussurrou.

- Cala boca, Shayna! – a voz veio de dentro do quarto que as garotas dividiam.

Angus segurou na mão de Shayna, sendo conduzido pela menor até o quarto, onde, na cama e totalmente enrolada, estava Faith, virada de costas, tentando não emitir ruídos, o que não era fácil. Ele colocou Shayna no berço e a cobriu, pedindo para que dormisse logo. Foi até a cama de Faith e a obrigou a se virar para frente.

- O que foi? Pesadelos?

- A casa, estava queimando de novo. – ela contou. – Foi horrível, Angus. Nossos pais estavam lá presos.

- Mas não foi isso que aconteceu. – Angus a abraçou – Ninguém se machucou, lembra? Não precisa ficar com medo. Você quer tomar um café que eu fiz?

- Você? Fez café? – ela sorriu, enxugando as lágrimas.

- Ah, sim. – Angus sorriu, também. – Pra mim, o papai e pra mamãe. Mas pode tomar, se quiser. Eu faço mais.

- Obrigada. – ela saiu de dentro das cobertas. – Angus... Espere... Você já pensou em namorar alguma menina?

- Como assim? – Angus levantou a sobrancelha.

- Você já gostou de alguma menina? Gostar de querer ficar com ela? Namorar?

- Acho que não. – ele respondeu, sincero. – Por quê?

- Acho que somos solitários demais. – ela comentou – Eu não tenho amigos, nem você.

Angus sorriu e a envolveu.

- Não se preocupe, minha irmãzinha, nós temos um ao outro, é tudo o que precisamos.

Notas finais
Shayna: http://24.media.tumblr.com/tumblr_m357ljcmeX1qlh9ubo1_400.jpg
Lea & Adolph: http://www.tvsinopse.kinghost.net/e/euapatroa2_arquivos/013G.jpg
Jujubas, leitores e Rapaduras, não vou fazer de 3 em 3 capítulos dos tributos. Será dois capítulos, um do menino, um da menina e o terceiro será um exclusivo, ok? Beijins! No próximo capítulo tem Distrito 14!