Your Hunger Games IV - Fanfic Interativa
8 Senhor Narrador
Notas iniciais
Mellyne Mizashi
Se ao menos soubesse o que se passava... Ela se levantou da cama, com dificuldade, soltou as agulhas de soro que furavam sua veia e foi até o corredor, onde todos corriam, apressados, levando e trazendo pacientes sem pernas, sem braços. Ela não conseguia entender o que estava acontecendo...Tinha sido deixada lá, sem mais nem menos. Nem mesmo Denis estava lá, como sempre estivera.
- Rápido, vamos evacuar – ela ouviu uma enfermeira dizendo.
- Os pacientes da ala de cirurgias não poderão sair – outra gritou.
O coração de Mellyne se acelerava, enquanto todos estavam dando a entender que algo de ruim iria acontecer ao hospital.
- O que você está fazendo aqui? – Maju tocou seu braço, fazendo-a dar um salto – Deveria estar no quarto!
- E morrer?
Maria ficou em silêncio.
- Venha, um aerodeslizador está partindo agora mesmo, rápido!
Ela segurou o punho de Meell e a levou, correndo, entre as pessoas que corriam no sentido contrário. Mellyne não conseguia entender o que ocorria, mas deixou que Maju a conduzisse, até fora do hospital, onde aerodeslizadores eram usados para transportar os doentes. Milhares de doentes... Maju a empurrou para dentro do mais vazio, e fechou a porta, sem se preocupar com os que estavam aguardando do lado de fora.
- Moça, esse veículo foi feito para carregar dez pessoas – o motorista se virou.
- Cale a boca e voe logo!
- Mas as outras pessoas, Maju...! – Meell a interrompeu – Não podem ficar aqui!
- Que se danem. Elas não são do Conselho.
Demorou horas para Mellyne conseguir assimilar o que ela tinha acabado de dizer. Aquilo era totalmente injusto. Maju se sentou na cadeira do co-piloto e ficou mandando mensagens com André e Travis, o Presidente da Revolta. Fez o relatório e disse que estava voltando com Meell. Ficou em silencio por muito tempo depois de dizer isso, e desligou logo em seguida.
- Bom... O que dói? – ela se virou para Meell, que estava sentada num dos bancos.
- Nada – ela respondeu – Onde está o Denis?
- Ele tem coisas mais importantes do que ficar com você num hospital isolado. – Maju deu de ombros – Ele é membro do Conselho. Afinal.
Mellyne reprovou aquela atitude, porém permaneceu quieta, não queria dizer nada, simplesmente. Não conseguia acreditar que Denis havia ido embora do Distrito enquanto todos corriam perigo. E seu pai nem ligava para este fato. Travis era o líder do Conselho, e seu sogro. Ele e seu pai sempre tiveram altos e baixos. Mais baixos do que altos. Disputavam a liderança da primeira Revolta. Travis conseguiu escapar da bomba, já Klaudius não.
- O que vai acontecer? – perguntou, cortando o barulho da aeronave.
- O Distrito 12 vai ser bombardeado. O Anônimo nos alertou. – Maju contou – E o Travis chamou todo mundo do Conselho para uma reunião. E me deu ordens diretas para não contar nada ao Denis.
- Por que?
- Pois se não ele não iria ir embora. E Travis presa muito o filho, você sabe.
- E eu iria morrer aqui.
- Isso. Mas eu não deixei – ela piscou – A propósito, Caio obteve sucesso ao tirar a alma do Darin das mãos da Capital! Eles ainda não conseguiram criar um corpo para ele, mas logo irão conseguir!
- Que... Que bom – ela acenou – Acho que o Darin irá querer algo em troca de nos ajudar, não?
- Sim. O Denis disse a mesma coisa.
- E o que vocês irão oferecer á ele?
- Bem... Ainda estamos trabalhando nisso.
Meell levantou uma sobrancelha.
- Vocês não vêem o óbvio? A Bolina!
- A Bolina morreu – Maju a encarou, sarcástica.
- Não morreu. A alma dela era muito boa para monstros psicológicos, sabia? – Meell abriu um largo sorriso – Os Idealizadores me contaram, que só fingiram matá-la para que Darin entrasse em pânico. E foi o que ocorreu.
- Verdade?
- Sim. Se ele entrar no computador, ele e o Caio, eles irão conseguir resgatá-la. Isso seria um ótimo preço para o Darin.
- Você acha que ele irá aceitá-la depois de tudo que houve?
- O Darin a ama além de tudo.
Maju concordou com um aceno e então pousou a cabeça no banco, adormecendo. O piloto não disse nada. Meell também não queria conversar. Será mesmo que Denis não sabia de nada? Ela segurou a barra de seu vestido. A única coisa que queria, agora, era morrer. Tinha quase morrido, e agora... Ela olhou para seu pé. Não conseguia mexê-lo. Nem o braço direito. Nem a perna... Nem o rosto. O lado direito inteiro imobilizado. Era o derrame... Fungou. Logo iria estar em casa... Logo iria estar segura.
º º º
Quando já anoitecia, ela colocou a mão na imagem holográfica. Caio sorriu de volta, segurando seu dedo.
- Você está tão pequenino... – ela disse.
Caio ruborizou e afastou seu dedo.
- Não me chame de pequenino...
Meell sorriu e então colocou a mecha de cabelo da franja para trás.
- E então?
- Ointenta por cento de sucesso, até agora. – Caio informou, seriamente – O corpo já está sendo programado para ele.
- E a Bolina?
- Ainda não achamos sua alma, mas estamos procurando.
Mellyne assentiu e então se virou, para André, que estava atento á um mapa holográfico. Ele estava fazendo uma estratégia de contra ataque para o Distrito 3.
André estava bem concentrado. Ele vinha trabalhando naquilo por dois dias, e o começo do plano já estava entrando em ação. Era um plano simples, porém eficaz. Eles iriam mandar reforços do Distrito 2, e evacuar a população para o subsolo, onde eram feitos os descarregamentos de lixo.
Tamborilou os dedos. Ainda não tinha conseguido falar com Denis, e o sumiço dele a assustava. O que será que Travis tinha feito? Ela tentou afastar os pensamentos ruins. Tinha d ser positiva, afinal era a Revolta. Giulia chegou segurando a mão de uma menina de um e quarenta e sete de altura, cabelos pretos e lisos tão escorridos que pareciam uma capa negra, os olhos pretos acinzentados com uma heterocromia típica dos Astaroth. Porém ela possuía sardas espalhadas por todo o rosto, desde a testa até o queixo. Sardas grandes, outras somente pontinhos, manchas e pintas. Seus ombros eram pintados das mesmas sardas e ela deveria ter quase o corpo inteiro coberto. Mellyne a avaliou. Era tinha sobrancelhas grossas, diferente de Darin. Também tinha pulsos mais largos, também diferente do menino franzino.
- Augusta Alex’Andra Astaroth – Giulia apresentou-a – A4, como a chamamos.
Meell assentiu. Augusta estava desconfortável, com Giulia segurando seu cangote. Ela vestia um macacão preto de fuligem e uma camiseta de botões cinza por baixo. Os sapatos eram botas de lama e folhas típicas de vegetação úmida. Guta parecia uma fazendeira. Ela percebeu o olhar atento de Meell e deu de ombros.
- Estava dando de comer para as galinhas – ela contou – E os porcos.
- Vocês criam galinhas?
- Não. – ela respondeu – Mas os vizinhos sim. Nós os alimentamos para depois roubá-los.
Giulia segurou uma risada. André também deu uma longa olhada, mas voltou sua atenção para o mapa.
- Vocês o que?
- Somos pobres, você queria o quê? – ela cruzou os braços – Que saíssemos por ai pedindo esmola?
- É o que os pobres fazem.
Augusta assoprou os cabelos da franja.
- Quer me fazer o favor de dizer o que estou fazendo aqui? No Distrito 1?
- Está aqui para ajudar á construir um corpo para o Darin.
- E-Epa! – ela levantou as mãos – Fazer o quê? Um corpo pro Darin?
- Sim. A bem, vou explicar. A Capital usa um método complexo para armazenar a alma dos tributos dentro de computadores. Você entende? Quando eles morrem, a Capital guarda a alma e depois a utiliza para formar monstros ou até assombrações. Eles usa a alma dos tributos mortos, pois dá um estilo mais real.
Augusta a encarou, quase segurando o riso.
- Tem certeza que vocês são os pessoais do Conselho ou Joelho, que seja?
- Sim. Por que acha que não?
- Isso é loucura! O Darin morreu. – ela disse, dura. – E nunca mais vai voltar.
- Ele pode voltar sim. – Meell tocou seu rosto, escolhendo as sardas a dedo. – Se você nos ajudar. Uma gota do seu sangue pode fazer... Um corpo perfeito para o Darin. Um óvulo então! Irá acelerar tudo!
Augusta deu um passo para trás.
- Vocês querem meu sangue para formar o Darin, com um bebê?
- Isso. Mas ele se desenvolverá em uma câmara, onde tudo irá ser bem mais rápido. Cerca de uma semana até ele atingir os doze anos.
- O Darin tinha quatorze. – Augusta a encarou, cética.
- O que importa é que você é irmã dele.
Augusta mexeu impacientemente os pés, e tremeu os ombros, querendo esconder algo. Por fim, suspirou.
- Não sou irmã dele de sangue. Nós, meu pai e eu, adotamos o Darin quando ele tinha onze anos.
- Mas... Os pais dele?
- Nós não sabíamos quem eram. O orfanato não disse nada desse jeito... E eu só tinha nove anos, na época.
Mellyne avaliou aquilo.
- Você... Já menstruou, certo?
As bochechas de Augusta ficaram avermelhadas.
- M-Mas é claro que já! – ela disse, exclamando irritadíssima.
- Que ótimo. Mandarei um pedido ao seu pai para coletarmos um óvulo seu e formarmos o Darin. Vocês se parecem muito, sabia?
- Sim... – Augusta abaixou os olhos. – Ele é filho da minha tia-avó...
- Então vocês sabem quem eram os pais! E vocês tem algum laço de sangue, sim! – Mellyne a encarou – Por que mentiu?
- M-Meu pai odeia dizer que o Darin... É da família... Existia uma rivalidade muito grande entre os Astaroth e os Morgan. Uma família também antiga. Os Morgan eram de uma linhagem muito grande, e existiam alguns no Distrito 3 e outros no 4. A menina que foi para a Arena, Kaya Morgan, ela deveria ser da família. A família Morgan era muito rica, e dominava os três mares que banham parte do Distrito 4. Mas os Astaroth eram da segunda linhagem, e lutavam para chegar aos pés dos Morgan. Quando isso aconteceu, os Astaroth eram imbatíveis, tanto no dinheiro como na ganância. Eles fizeram uma guerra entre a própria família. E isso acabou... Bem. Até onde sei, os últimos da família Astaroth são eu, papai e Darin. Os outros morreram. Todos. Mamãe morreu depois de meu nascimento... Isso não foi proposital, mas abalou ainda mais a nossa família. Fomos largados com os porcos. E os Morgan se mudaram para o Distrito 4, totalmente arrasados. Nós adotamos o Darin pois ele iria para o orfanato, e a família precisava de um herdeiro homem. Mesmo que as riquezas fossem poucas, uma mulher nunca governara na família. Então papai foi obrigado á acolher Darin.
- Isso... É verdade?
- Sim. – Augusta olhava o chão, como se ele fosse muito divertido – É a pura verdade sobre tudo. O Darin é meu tio, na verdade. Um tio-primo. Não irmão... Mas eu gosto de chamá-lo de irmão. Ele costumava me queimar nos banhos... – Augusta sorriu de lado – E estava como um doido.
Mellyne limpou a garganta, tirando a menina de seus devaneios. Giulia se voltou para André, que a encarou e voltou os olhos para o mapa. Enquanto ela e ele se paqueravam furtivamente, Meell levou Augusta até o banco da mesa do Conselho, e pediu para que um dos conselheiros do Conselho trouxesse água.
- Vou ligar para seu pai, e pedir. – ela segurou o ombro de Augusta – Logo você terá seu irmão de volta. E ele ajudará na Revolta, e no final vocês irão viver pra sempre como uma família.
- Não será possível...
- Por quê?
- Meu pai jamais deixaria e trazer o Darin de volta... E mesmo que deixasse, viver com os dois sobre o mesmo teto é impossível...
- Então o que devemos fazer...? – Meell deu a chance de Augusta responder, algo que os adolescentes adoravam.
- Matar o meu pai.
º º º
- Ela disse isso mesmo? – André a encarou.
- Sim. Ela disse “matar o meu pai” – Meell repetiu.
- Que menina louca! É pior que o Darin!
- Bem... Ela não gosta do pai, é evidente – Giulia disse – Então... Se ele não faz falta...
- Não. – Meell bateu a mão na mesa, porém estava calma. – Já deixamos muitos morrerem no Distrito 12. E agora iremos matar um homem inocente somente para... Para nossa vantagem?
- Então como iremos fazer o corpo do Darin? – André indagou.
- Vamos pedir permissão á Augusta. – Mellyne disse, por fim. – É óbvio. Quem tem de autorizar é ela, pois o corpo é dela. Fim de papo. Está decidido. Vou conversar com ela. Acho que a garotinha gostou de mim.
Giulia revirou os olhos. Sempre se achando demais, pensou.
º º º
- Sim. – ela concordou – Sim, eu deixo. – disse a Meell – Mas agora?
- O mais rápido possível.
Augusta assentiu.
- Ah, narrador, e me chame de Guta. Augusta às vezes irrita...
Ahn... Tudo bem, Guta, eu chamarei você como quiser. Então, Guta aceitou a proposta, e logo foram feitos os exames e ela foi liberada para a coleta. Tudo corria bem. Quer dizer, tudo corria bem na revolta, porém a vida amorosa de Mellyne...
- Onde está aquele gordo bêbado? – perguntou á Maju, que saia do bar.
- Não sei. Lá ele não está.
Meell tinha de achá-lo, de um jeito ou de outro.
Estava perto do saguão da mansão Densverouix, que servia de base do Conselho, ela ouviu algum grito suspeito. Algo como “Não, eu não vou aceitar isso!”. Ela correu na direção e chegou até a porta do quarto que tinha cor branca e rosas azuis pintadas nela. Na porta oposta tinham flores rosas. Deveriam ser os quartos de Lucy e Lunna. Meell se esgueirou para dentro do quarto, a tempo de ver pai e filho brigarem como lutadores de boxe.
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