Your Hunger Games IV - Fanfic Interativa
10 Minha Musa (Parte Dois)
Notas iniciais
D. Saturn
Cafeína. Cafeína. Cafeína e mais cafeína... Ele precisava... Os olhos arregalados, as mãos tremendo, ele balangando o corpo tentando encontrar nas gavetas da cozinha o maldito pó. Quando encontrou, colocou na cafeteira e então apertou o botão. Ficou encarando a máquina até que ela apitou. Pegou uma xícara e colocou rapidamente, como se sua vida dependesse disso. E basicamente dependia. Assim que o líquido escuro terminou de cair, ele levou a porcelana á boca e não se importou com a temperatura. Seus lábios já estavam acostumados com aquilo. Ele se xingou mentalmente por ter esquecido do açúcar. Mas não foi buscá-lo. Pegou a cafeteira e empurrou com a cintura o fogão-enfeite, fazendo a porta secreta abrir. Entrou e fechou a porta-fogão, desceu as dez escadas e respirou fundo o ar da tecnologia. Opa! Tinha recebido um e-mail novo! Que maravilha, era da Meell.
“Obrigada por avisar sobre o bombardeio no 12. Se não fosse você, eu estaria morta.
- M. Mizashi”
Ele abriu um pequeno sorriso. O porão tinha seis paredes, sendo elas três ocupadas por gigantes telas HD ligadas á três CPUs diferentes. Saturn rodou a cadeira até o primeiro computador e abriu a aba do jogo. Havia uma menina ofegante na tela. Ele colocou as luvas e as botas virtuais. Se levantou da cadeira e então limpou a garganta, chamando a atenção dela. Era uma ruiva menina, de olhos azuis grandes e curiosos, como os de uma coruja. Ele gostava de ruivas. Ela carregava uma espada sobre a bainha da saia, uma camiseta sexy e a capa comum dos mensageiros. Ela era mensageira da guilda, e ele era apenas um membro. Começara a jogar apenas á três horas, e seu poder tinha aumentado de 0 para 4897, e o nível era apenas o 2. A menina estava no nível 53, e tinha 27k de poder. Era muito habilidosa, porém se recusava á ser outra coisa além de uma mensageira, e Saturn sabia por quê. Ela gostava de sair dos portões da guilda, correr pelos vales e visitar as outras guildas. Se ela aceitasse outro cargo iria ter de ficar presa dentro da guilda.
- Ah, oi, Damon! – ela sorriu, carismática.
- Se fala Deimon. – Saturn a corrigiu.
- Ah, sim. Damon! Então, já almoçou?
- Sim.
- Você é rápido.
O nome dela brilhava em cima de sua cabeça. Kyio. Era um nome fictício, ele sabia, o dele também era, porém combinava muito com ela. “Kyio...” ele pensava. Saturn pegou a espada da bainha e a balançou ao lado do corpo.
- Então, vai me ajudar a passar de nível ou não? – perguntou.
- Mas é claro que vou! — ela colocou a touca da capa na cabeça, acolhendo seus cabelos crespos e volumosos. Sua espada desapareceu, e no lugar uma aljava com flechas pretas surgiu. Nas mãos de Kyio um arco grande e negro caiu, fazendo-a ficar com dificuldade de manejar a arma.
- O que é isso?
- Acabei de ganhar numa missão. – ela sorriu esforçadamente. – Ele é pesadinho, mas tem bastante poder de ataque e magia.
- Quando de ataque?
- 6k.
- Nossa! É uma arma muito rara.
- Eu sei. A maioria dos arcos tem no máximo 50.000 de ataque. E o melhor, tem magia! São somente 20.000 mas é muito bom!
- Quanto seu poder subiu?
- Uns 3k, só. – ela o encarou. – Quer para você?
- O quê? – Saturn sorriu animadamente. Se ele recebesse 3k seria o mais forte do nível 2.
- A minha espada, você quer? Ela é boa. – Kyio piscou.
- Ah, safada. – Saturn correu até ela e a pegou nos braços – Quase me mata do coração pensando que era o arco!
- Ora, não sou tão idiota assim... – ela piscou.
Saturn revirou os olhos e mordeu sua bochecha.
- Certo, vamos aumentar o seu poder! – ela sorriu muito feliz. – Acho melhor a gente começar com as missões difíceis. Elas tem itens com maior poder.
- Mas eu não sou tão forte assim.
- Relaxa – Kyio o seduziu com o olhar – Eu te protejo.
- Há-há, sei. – ele olhou para outro lado. – Então vamos e...
A tela do segundo computador ficou azul e depois vermelha. Uma mensagem justo agora? Ele suspirou e olhou para Kyio, na tela no primeiro computador.
- Depois a gente continua.
- Af, mas você vai sair de novo? Desse jeito eu desisto de te ajudar. – ela fez biquinho.
- Você se acha muito, Kyio.
- Eu sei – ela piscou.
Saturn revirou os olhos e tirou as luvas, saindo da conta do Damon. Ele rodou a cadeira até o segundo computador. Era uma mensagem do Conselho. Ele ergueu uma sobrancelha. O Conselho nunca pedia coisas, ele é quem sempre fornecia as informações.
“Precisamos que você descubra qual a senha do computador-armazém de almas. Estamos enviando para você um ‘ajudante’. O nome dele é Darin Astaroth, e ele aparecerá nos documentos de download dentro de cinco minutos. Ele é uma das almas resgatadas. Atenciosamente, o Conselho”
D. Saturn encarou aquela mensagem. Um “ajudante” ? Ele não precisava de ajudantes! Suspirou. Aquele Conselho não sabia o que estava fazendo. Ele tinha de orquestrar tudo, era isso? D. Saturn enviou uma resposta curta e grossa sobre o que achava da idéia “Que se dane”. Ele viu o link brilhar na tela e então abriu o download, onde encontrou o menino. Ele colocou para instalar e voltou ao jogo. Ficou mais cinco horas jogando com Kyio, conseguindo aumentar o poder para 1k e upando para o nível 22.
Ele colocou o Scanner para funcionar e pegou um de seus robôs virgens, o conectou ao servidor e então instalou Darin no robô.
º º º
Vicent Storm
Ele olhou alheiamente para a mesa número sete. Estava sentado na treze, porém tinha um bom contato visual com a sétima mesa do restaurante de gastronomia elevada, e onde um prato podia custar o salário de alguém. Porém Vicent não precisava se preocupar com isso. Herdeiro de uma riqueza que nascera com seus próprios pais. Ele era da Elite.
Virou os olhos para outro local e então voltou a encarar o jovem menino de no máximo dezessete anos, que tinha uma gravata muito engraçadinha. Ele sorriu para sua acompanhante, chamada Marrie, e voltou a olhar para o menino, que já tinha percebido suas investidas, e tentava recuar, ignorando-o. Vicent sorriu. Gostava de ser o que “avançava” o sinal vermelho.
Era mais um pra noite.
º º º
Hensel Malfoy
Hensel jogou o terno por cima do ombro.
- Você vai me ligar amanhã? – a garota perguntou, da cama.
- Não.
Hensel não era de ligar no outro dia.
Ele saiu na chuva fina que caía naquela noite tão calorosa e calma. Será possível fazer calor e chover? Sim, no Distrito 4 era possível. Depois do bombardeamento, a população sobrevivente decidiu sair do Distrito, porém ele e mais cem pessoas continuavam lá. Vivendo como se nada tivesse acontecido. Ele subiu suas escadas e então pegou a chave do bolso esquerdo, abrindo a porta e a fechando rapidamente. Seus pais haviam morrido no bombardeamento, o que era bom. Ele estava feliz, pois agora era independente.
Se deitou perto da porta, e então começou á ouvir o barulho das gotinhas das lágrimas do céu, batendo contra o vidro da casa.
º º º
D. Saturn
Eles se encararam por um longo minuto. Aquele era o garoto que iria “ajudá-lo” ? Saturn calculou o tamanho de Darin vezes sua imaturidade. É, ele iria atrapalhar... “Ajudante”. Ele sorriu. Era o Astaroth, o menino que ficou louco depois que a namorada morreu. Os dois se encaravam, ainda.
- Então... – Darin começou – Belo equipamento.
D. Saturn abriu um sorriso de lado.
- Sim. – concordou – É um belo equipamento.
Saturn adorava se gabar do equipamento, mesmo não tendo ninguém para fazê-lo. Faziam três meses aos sua última comunicação pessoal. Ele fedia e o bafo era sentido de longe. Não dormia a dias, vivendo a base de café e jogos online. A úlima vez que saíra com uma menina ele tinha 16 anos. Darin era uma criança.
- Bem... Meu nome é Darin.
- Eu sei.
- E o seu?
- Prefiro que me chamem de anônimo.
- Pode confiar em mim, Saturn.
- Ei, como sabe o meu sobrenome?
- Aproveitei sua distração com o jogo e vasculhei o computador.
D. Saturn encarou o menino. Ele parecia espertinho. Darin esperou uma resposta, e, como não recebeu, logo deu as costas e rodou os olhos pelo porão.
- Ei, cadê sua cama? – perguntou.
- Não tenho cama.
- Maneiro. – ele se sentou na cadeira – Eu adoraria ter todos esses brinquedinhos...
- É, eu sei. – Saturn se encostou na parede, vendo o menino se deliciar.
- A Bolina vai adorar tudo isso!
- O quê? Que Bolina?
- Minha garota, ué. Não achou que eu ia ficar aqui sem um entretenimento? Ah, fala sério. – Darin sorriu – A Bolina sabe cozinhar e lavar a casa, é só deixar ela trabalhando que se nem nota a presença dela. Confia em mim.
- Ninguém me disse nada sobre mais uma criança.
- Criança? Ah, não, você está enganado, mocinho. – Darin o fuzilou com os olhos – Criança é a última coisa que eu sou. Se não se lembra, fui eu quem ficou na Arena, não você. A Capital é um lugar muito agradável em comparação ao Distrito 2...
- Ei, como sabe que estamos na Capital?
- Eu sou um robô programado com o computador daqui, o seu computador. Então eu posso vasculhar o que quiser nele, sem precisar digitar senhas nem nada.
- Interessante... – D. Saturn coçou a barba rala – E o que mais você sabe sobre mim?
- Sei que uma garota chamada Kyio está te excluindo dos amigos neste exato momento.
- O quê? – Saturn correu para o primeiro computador e colocou as luvas e as botas de qualquer jeito. – Não, espere, Kyio, espere... Ah, droga! Era a primeira garota que eu conseguia conversar!
- Você é bem solitário. Acho que se parece comigo. Bem, antes da Bolina – Darin sorriu – Não se preocupe, as melhores garotas chegam pra gente. Você vai ver.
D. Saturn o avaliou. Darin era muito amigável. Amigável demais.
- O que houve? Não me lembro de você tão carismático assim.
- Bem... Aqui é a alma dele, não a mente dele. Então, vamos dizer, eu sou mais legal! – Darin fez um positivo com o dedo.
D. Saturn ergueu uma sobrancelha. Almas e mentes tem alguma diferença? Ele não sabia disso. Suspirou e se sentou da cadeira, rodando-a até seu computador 3, o computador hacker, ou, como ele gostava de chamar, seu melhor brinquedinho.
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