Your Hunger Games IV - Fanfic Interativa
6 Distrito Hospital
Notas iniciais
Natália Polônia
Quando conseguiu abrir os olhos, seu aerodeslizador estava caído no matagal. Os motoristas estavam mortos á horas. O resto dos paramédicos e oficiais estavam esmagados nas ferragens, respirando com dificuldade, já sabendo que a morte estava próxima. E ela então olhou para si mesma. Estava deitada sobre uma poltrona do piloto. Intacta. Ainda sentia a adaga presa em sua roupa, e o coração batendo forte.
- Onde estamos? – ela se ergueu e então olhou para a mata. – M-Mas essa é... É a minha arena! – ela exclamou, se relembrando de quando tinha participado dos Jogos. Densas matas e água em abundância, porém era úmido e frio demais. O Sol não conseguia penetrar na selva, e por isso as árvores cresciam alto para poderem buscar raios solares, e faziam sombras devastadoras e escuras. Musgo e insetos infinitos.
Porém, algo estava errado ali. Tudo parecia ter mais e vinte anos. Tudo parecia estar lá, esquecido. A vegetação cresceu muito, e as árvores eram em muito mais número. Haviam pássaros novos, talvez aqueles que tivessem conseguido se adaptar àquele clima... Mas... Faziam vinte e sete anos desde seus Jogos. E aquele lugar ainda estava muito parecido... A Arena mudava todos os anos. E a última Arena tinha sido um Labirinto. No subsolo. Então, se ela escavasse o chão...
Pôs-se á fazer o trabalho. Suas unhas se sujavam de terra, e sua roupa já rasgada, também. Natália tirava a terra úmida do caminho com raiva.
- É inútil. – ela ouviu alguém comentar.
Ergueu a cabeça e recebeu uma joelhada na cara, apagando de vez.
º º º
Mellyne Mizashi
Ela passou as mãos sobre seus cabelos pretos. O óculos estava na cabeceira, e ele havia dormido com a cabeça em cima de sua barriga. Como se quisesse ouvir o que acontecia em seu útero. Mellyne esboçou um pequeno sorriso e então olhou para a porta, onde André a observava.
- Obrigada, acho que devo dizer. – ela murmurou, com a voz fina.
- Sim. Eu aceito. – ele disse – Que isso. A Giulia foi quem mais ajudou.
- Ela também, muito obrigada. – Meell virou os olhos para a poltrona, onde Giulia dormia.
André assentiu e se sentou ao lado de Giulia. Ele passou o braço sobre os ombros dela, e lhe ofereceu apoio para a cabeça, enquanto ela roncava baixinho. Um rapaz de cabelos esverdeados entrou na sala, com uma prancheta, enquanto conferia alguns números da ficha de Meell.
- E o enfermeiro também! – André sussurrou.
- Ah, obrigada.
- O que tem eu? – o menino de no máximo vinte anos perguntou.
- Qual seu nome? – meu devolveu com uma pergunta.
- Ahn... Lipe. Filipe. – ele sorriu alegremente – E se você está agradecendo pelo atendimento, que isso, somos uma família, cuidamos uns dos outros.
- Esse é o espírito – Meell sussurrou, e baixou a cabeça no travesseiro, fechando os olhos – Estou com sono...
- Ah, é o remédio. É para tirar a dor. Você teve um derrame, então não deve conseguir mexer alguns membros ou se lembrar de muita coisa...
- E meu... – ela olhou de relance para André – E... meu...
- Eu já sei do bebê – André ergueu as mãos.
- Oh, tudo bem...
- Ele está em bom estado – o jovem sorriu ainda mais alegre – Não sei como, mas seu organismo controlou o sangue perfeitamente, fazendo a maior parte dele se concentrar no útero, e assim o bebê ficaria vivo por uma hora depois da sua morte. Por pouco ele não se vai! E eu tenho boas novas! Você está de dois meses certinhos. E é um menino.
º º º
- Menino? – Denis a encarou – M-Mas... Eu estava pensando numa princesinha fofinha e delicadinha.
- Você o amaria menos se nascesse menino?
- Não, claro que não – Denis balançou a cabeça.
Ela afundou a mão em seus cabelos, novamente.
- E se eu pedir uma cama de casal?
- Uma cama de casal no hospital do Distrito 12? Capaz... – Denis sorriu.
- É sério. – ela o encarou – Não quero que você durma sozinho. Na verdade, eu não quero dormir sozinha, aqui. Ouvindo o som doentio dessa bolsa de soro...
Denis abriu um leve sorriso e tocou o rosto de sua esposa, passando delicadamente as pontas dos dedos sobre suas maçãs do rosto e então descendo para seus lábios.
- Estou interrompendo? – Maju entrou no quarto sem mais nem menos.
- Não, claro que não – Meell sorriu.
- Bem, que bom. Trago notícias de Caio.
- Caio? – Mellyne ergueu uma sobrancelha
- Sim. Nós salvamos a alma dele, lembra? Pois bem, Caio conseguiu entrar furtivamente pelo computador onde estão guardadas as almas dos tributos. Bem, ele achou a alma de Darin Astaroth. Devo informar que se tivéssemos ele, hackear os computadores da Capital seria bem mais fácil.
- Então o que estão esperando? – Denis perguntou – Vão!
Maria Julia concordou com um aceno de cabeça e então saiu do quarto do hospital, pegando o celular imediatamente para ligar para Giulia, que estava no Distrito 2.
Mellyne voltou sua atenção para o homem. Ele estava quase afundando.
- Está com sono, gordinho?
- Muito... – Ele coçou os olhos – Sabe o que é ficar acordado duas noites do seu lado?
- Haha, eu agradeço...
- E deve agradecer, mesmo. – ele se colocou no cantinho da cama, e puxado as cobertas, suspirou. – Quando será que você vai receber alta, hein?
- Não sei. Mas estou me sentindo bem melhor. – ela beijou-o calmamente. – E a Revolta? Como estão indo?
- Ah, recebi ordens para não te irritar com a Revolta.
- Você? Cumprindo ordens? – ela sorriu.
- Tudo bem, eu não quero que você fique irritada com a Revolta. Somente descanse.
Ela concordou com um meneio de cabeça.
- Ah, moço, tenho que pedir para que saia da cama – o menino de cabelos esverdeados parou a porta.
- Não será possível. – Denis colocou a cabeça sobre o peito da esposa. – Sou um imã, sabe...
- Eu terei de chamar o Médico Geral...! – ele mostrou a caneta, como se fosse usá-la para lutar contra Denis.
- Ora, chame ele. – Denis deu de ombros. – Daqui não saio, daqui ninguém me tira.
Meell riu e então fechou os olhos, passando os braços envolta do corpo de Denis e então indo para um sono profundo.
º º º
André Vieira
André estava manipulando as jogadas da Capital com facilidade. Enquanto eles estavam atacando o Distrito 3 ele preparava uma manobra de contra-atraque no mapa do campo de batalha. Estava tão concentrado que nem percebeu que Giulia havia entrado na sala. Ela chegou por trás e observou por cima de seu ombro o trabalho que ele fazia digitalmente. Era realmente muito crânio. Ela ficou alguns minutos em silêncio, até que desistiu.
- Que legal.
André deu um pulo e se virou rapidamente. Ele não tinha percebido a aproximação de Giulia. Ficou com o corpo na frente do campo de batalha holográfico.
- Ahn-Ah-Eu... – tentou se explicar.
- Você está se empenhando mesmo. – ela deu a volta e observou o mapa. – Ei, é o 3! Nossa...
- S-Sim... – ele passou as mãos pelos cabelos, tentando deixá-los mais arrumados – Eu to tentando...
- Sim, estou vendo... Aposto que a Capital não espera que hajam bombas neste prédio. E... Olhe aqui! “Aterro Subterrâneo”. O que quer dizer?
- É... Quer dizer que o lixo que deveria ficar no subterrâneo está... Abringando... Escoltas... – ele tentou não gaguejar. – Ah, preciso de espaço...
- Está me enxotando? – Giulia ergueu uma das sobrancelhas – Pois eu não vou embora – Cruzou os braços sobre os seios.
André abriu um pequeno sorriso. Claro, sempre com uma personalidade forte...
- Bem, então vou ter de te agarrar e levar para fora – ele deu a volta na mesa. – E não vou ser nada gentil...
- Uhum, quero só ver. – ela se grudou ao chão – Eu sou mais pesada do que você pensa.
- É o que veremos...
André a pegou no colo e, antes que ela pudesse reagir, correu para a porta, colocando-a no chão. Giulia deu um soco violento em seu peito.
- Assim não vale – protestou.
- Vem... Aqui... – ele tomou coragem e se inclinou, com as mãos indo em direção á sua cintura.
Giulia soube exatamente o que ele iria fazer. Então uma pergunta tomou conta de sua mente. Deixar ou não deixar? Ela queria, com certeza, mas não era uma mulher fácil, isso era certo. André estava convicto de que iria conseguir. Ela então se inclinou para frente, e deixou ele beijar sua testa. Sorriu e deu um leve soco em sue maxilar.
- Vai precisar de mais para me impressionar – ela sussurrou, e o empurrou para longe, dando a volta e saindo do ambiente.
“Essa mulher é fogo...” André pensou.
º º º
Acacia Carter
- Olhe, eu gosto de você. – O Presidente Snow tocou seus cabelos – É a minha preferida. Mas você tem de abrir o jogo comigo...
- Eu já disse que não sei de nada! – ela tentou se mexer, em vão. A cadeira a segurava com força.
- Bem... – ele olhou por cima do ombro – Então terei de tomar medidas drásticas para abrir o seu bico...
Os Pacificadores abriram as portas, e empurraram um homem de trinta e poucos anos para dentro da sala branca, que fedia á rosas e sangue. Acacia olhou para o homem no chão e então voltou a atenção para Snow.
- O que vai fazer, velho sarnento? – ela perguntou, com indiferença.
- Vou torturá-lo até você abrir a boca.
- Eu nem conheço ele!
- Ah, não? – Snow abriu um pequeno sorriso. – Vou refrescar a sua memória, então... O nome dele é Edmundo Edwigens e ele foi seu mentor na adolescência...
- Ed? – sua voz sumiu.
- Ah, você se lembrou? – Snow gargalhou – Anda! Fale tudo o que sabe sobre a Revolta!
- Eu não sei de nada! O Ed nunca me disse nada sobre a Revolta! Quer ler as cartas?
- Eu já li. Mas se vocês tivessem alguns códigos secretos? – Snow ergueu as sobrancelhas – Acacia, você irá pagar por ter dito que era melhor ficar dentro dos Jogos do que fora... Você e toda Panem!
- Eu pagarei! Mas não mexa no Ed! – ela tentou se mover, mas as amarras da cadeira a impediam. – Por favor...
Snow deu um aceno com as mãos e um dos Pacificadores deu um passo á frente, e chutou a boca do estômago de Edmundo, fazendo-o gemer de dor e rolar no chão.
- Não! – Acacia gritou. – Por favor, não!
O Pacificador pegou Edmundo pelos cabelos brancos e deu uma joelhada em seu nariz, fazendo-o jorrar sangue. Acacia ficava desesperada. Estava em pânico. Não conseguia assistir á tudo aquilo! Snow pagaria por cada sangue de Edmundo derrubado... Ele pagaria caro...
O Pacificador esmurrou a maçã do rosto de Ed e o jogou contra a parede, fazendo seu sangue e o formato de sua mão ficar sobre ela. Acacia forçou novamente as amarras, não agüentaria ver aquilo por muito tempo... Ela não sabia de nada. Se soubesse, já teria falado á muito tempo. Ela precisava fazer alguma coisa... Precisava...
- Ok, eu falo! – gritou alto.
Snow fez um sinal e o Pacificador parou de agredir Ed. Acacia só precisava pensar em qualquer besteira... Qualquer coisa...
- Eles estão... No Distrito 12. – ela mentiu – Eles estão colocando as forças deles no 12 pois... É o Distrito mais longe!
Snow ergueu uma sobrancelha e coçou a barba branca.
- Faz sentido... – ele sorriu – Eu sabia que você iria cooperar comigo.
Os Pacificadores soltaram suas amarras.
- Bem, vou dar alguns kits de primeiros socorros para você cuidar do seu... Mentorzinho. Ora, não precisa agradecer. É o mínimo que posso fazer... – ele saiu da sala e os Pacificadores trancaram a porta.
Acacia correu para por Ed em seus braços. Ele estava muito machucado, e sangrava. Ela tentou controlar as lágrimas.
- Não... – ele tentou se arrastar para a porta trancada – O Distrito Doze não...
- O que tem o Distrito 12? – Acacia revirou os olhos.
- É o Distrito Hospital... Eles não podem... Vão matar todos... – Edmundo gaguejou.
- Eles... ? Distrito Hospital? M-Mas porque não me disse antes? – ela gritou – Oh meu Deus, eu matei? Eu matei pessoas feridas? Não... Não! Ah, que droga!
Ed se virou e abriu os braços. Acacia correu até eles.
- Estou com... Estava com tanta saudade de você... – ele beijou seus cabelos. – Está linda como sempre.
- Ed... – ela sussurrou, se deixando aninhar no corpo dele.
"Paz sem voz, não é paz, é medo"
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