Your Hunger Games IV - Fanfic Interativa
4 Como Nocautear Um Homem Com Uma Peixeira
Notas iniciais
Eva Steendert
Embora fosse questão de tempo, Eva não conseguia parar de olhar em volta. Aqueles homens á secavam na cara dura, e ela se sentia muito desconfortável com aquilo. Bateu os pés impacientemente e entrou no bar, mesmo odiando o lugar. Homens, tudo que é tipo. Musculosos, magrelos, velhos, novos, loiros, morenos... E o pior, sedentos por uma mulher para satisfazê-los. As garçonetes eram bonitas, Eva tinha de admitir isso, porém elas já eram velhas. Mas Eva tinha dezoito. Estava na flor da idade.
Colocou uma mexa de cabelo para trás da orelha, como sempre fazia quando estava nervosa. Encontrou Ivan, inclinado sobre o balcão de madeira, xavecando a moça das bebidas. Suas bochechas se encheram de raiva, enquanto ela andava duramente pelo chão, indo em direção ao irmão.
- Ei gracinha! – ela ouviu atrás de si.
Ela ignorou. Ivan era mais importante que isso.
- Ah, mocinha, não dê uma de difícil. – alguém a virou, segurando seus ombros. – Que tal abrir as pernas pra mim, hein? Eu não sou do tipo muito sedento. Me satisfaço rapidamente.
- Não, me solte...
- Ei, vem cá... Eu sou bom, te garanto... – ele abraçou o corpo de Eva, passando o rosto por entre seus seios e mordendo a renda da camiseta.
- N-Não... – ela sussurrou. Estava em estado de pânico. Seu rosto não expressava nada, e ela ficava congelada no lugar.
Todos no bar pareciam não notar aquilo, como se já fosse normal, por ali. Eva encarou o homem, que já segurava sua cintura fortemente e beijava seu pescoço.
- Eva!
Ivan despertou e veio como um furacão dar uma surra naquele cafajeste. Eva caiu no banco, com falta de ar, enquanto as garçonetes procuravam um copo de água para ela. Ela olhava para o chão, enquanto Ivan socava e desdentava o homem. Quando se cansou, somente a encarou e colocou o dedo em seu nariz.
- O que você acha que estava pensando, hein? – ele perguntou. – Não dê moral para esses ai.
Eva ficou em silêncio.
- E você, grandalhão – Ivan se voltou para o homem no chão, desacordado – Não mexa mais com a minha pequena, ok?
Ivan conseguiu fazer Eva retornar com os movimentos e então os dois saíram do bar, deixando para trás os olhares indignados dos outros cafajestes que nem tinham tido a vontade de parar aquela briga. Uma briga de bar, por uma garota. Ah, não era todo dia que eles podiam assistir á isso!
Por outro lado, Ivan estava muito bravo com Eva. E a irmã continuava em silêncio mortal. Ela se recuperava do choque. Por alguns segundos se lembrou do tio-monstro-pesadelo. E de como ele a torturava na cama. Seus pelos da nuca e arrepiaram quando a primeira gota de chuva caiu em seu ombro. Logo depois veio a segunda e então gotas mais fortes, e depois gotas mais gordas. E uma tempestade.
Ivan se virou para ela, com um sorriso nos lábios.
O vento soprou para Norte, jogando a saia de Eva para cima. Ela sentia os seios sobressaindo sobre a camiseta, e não escondia sua tremedeira. Por outro lado, Ivan estava muito feliz, enquanto gargalhava e dançava na chuva. Os dois estavam encharcados, mas nenhum queria sair da chuva.
- Frio! Eu amo o frio! – Ivan exclamou.
- Frio! Eu odeio o frio! – Eva disse suas primeiras palavras desde o acontecimento no bar.
Ivan sorriu para ela. Eva tentava se proteger do frio com os braços, o que era inútil. Ivan a envolveu e a rodou. Sua pequena menina estava segura, agora. Enquanto ninguém, nenhum homem, se aproximasse dela, tudo ficaria bem. Eva sentia seu coração quase explodir do peito. Sentia seu estômago revirar e a pele se arrepiar ainda mais. Ivan a espremia contra si, e isso era literalmente excitante.
Ivan, por fim, a soltou e os dois foram abraçados para casa. Quando lá chegaram, tiraram os sapatos, e Ivan tirou a camisa, pendurando-a no varal. Ele pediu a roupa de Eva, e ela a entregou. Depois de terem se secado com toalhas velhas. Era uma casa abandonada. E, embora soubesse que iam se mudar dali pouco tempo, Eva se sentia em casa. Era confortável. Um chalé solitário, no meio de uma vila solitária. Tinham seis vizinhos, todos eram ex-Pacificadores que tinha falido com seu dinheiro em jogos, bebidas e mulheres. As mulheres eram jovens abandonadas e com bebês de colo. Às vezes, quando Ivan deixava, Eva saía para ajudar as mulheres á cuidar dos bebês.
Ela pegou uma das poucas roupas que eles tinham no guarda-roupas e então as entregou á Ivan, para que ele as vestisse. Em bons tempos eles teriam tomado um banho antes, mas os banhos agora eram semanais, no poço. Não tinham dinheiro para pagar a água, nem a luz ou o gás. Eva tinha aprendido na marra á cozinhar com fogão á lenha. Ivan ia todos os dias buscar água no poço, que era 2k dali. Já tinha ganho músculos nas pernas e nos braços de correr e carregar os baldes d’água.
Ivan se sentou no sofá e se virou para Eva, vendo ela colocar água no fogo, adicionar açúcar e mexer bem. Ia fazer café, ele sorriu, todos os dias fazia. Ivan sabia que Eva odiava café, porém ele percebia como ela fazia todos os dias somente porque ele adorava a bebida. Ela se sentou ao seu lado, no sofá, e se deitou sobre suas pernas. Ivan sabia que sua irmã sentia mais do que amor fraternal por ele, porém... Era um fato: Ivan foi o único homem que a respeitou na vida. Ele também sabia que eram irmãos, e que jamais deveriam sentir isso um pelo outro, mas era somente uma fase, certo? As garotas se apaixonam muito na infância, não? Ele refletiu. Será que Eva ainda estava na época da infância, mesmo depois dos dezoito? Não. Claro que não, seu idiota!
Sua irmã era muito bela, uma jovem de beleza extraordinária. E isso chamava a atenção de homens ou mulheres. O pior era que, o mais decente dos homens, poderia perder a racionalidade se a visse seminua, e partiria para os instintos. Ivan jurou jamais ver Eva com outros olhos.
- Por que você demorou tanto? – ela perguntou – Era só uma cerveja, lembra? Você só queria uma cerveja...
- Sim, mas... – Ivan procurou as palavras certas – Eu resolvi tomar mais uma.
- Não. Não tínhamos dinheiro para duas, somente para uma.
- Por isso eu tentei xavecar a garçonete e consegui uma semana de prazo. – ele sorriu.
Mas Eva não retribuiu o sorriso. Seu ciúmes era fofo, ele admitia. Passou os dedos por suas bochechas e pelas maçãs do rosto. Era delicada e muito inteligente. Ele a queria para si. Se ela não fosse sua irmã, já teria implorado por seu amor á muito tempo.
- Que tal ver o pôr-do-Sol?
- Está chovendo. Não terá pôr-do-Sol.
- Espere, chuva... – Ivan arregalou os olhos – Não era nessa casa que haviam goteiras no quarto?
Eva se levantou rapidamente e os dois correram para o quarto. As duas camas estavam molhadas. Fedendo. Eva colocou a mão na cabeça, e empurrou sua cama para um canto sem goteiras. Enquanto isso Ivan foi buscar baldes e panelas para colocar debaixo das mesmas. Os dois arrastaram a segunda cama, que era de casal e foram para a cozinha, tomar o café.
- Onde iremos dormir, agora?
- Você não é amiga da Dona Fuinha?
- Dona Fuinha?
- É, aquela mulher que tem cara de fuinha.
- Ah, a Senhora Mercedes?
- É.
- Bem... Acho que ela pode deixar a gente dormir no quarto de hóspedes.
- Se deixar, será de grande ajuda. Se não deixar, a gente terá de improvisar duas camas no chão, mesmo. Ou no sofá...
- Ou no meu irmão. – Eva levantou uma sobrancelha.
- É, você tem onde dormir, e eu? Eu vou dormir a onde?
- No sofá. E eu em cima de você. – ela o olhou, quase que colocando um “por favor” no final da frase.
- Tudo bem, Eva – Ivan sempre cedia. – Mas que tal a gente ir pedir uns cobertores para a Dona Fuinha?
- Senhora Mercedes! – ela o corrigiu.
- Que seja. – Ivan deu de ombros.
º º º
Doze de Outubro de Anos Após a Terceira Guerra Mundial
Eva segurou fortemente a adaga.
- Você não precisa ter medo. – Tio Earl dizia. – Você tem habilidade, mas não uma arma boa. Mesmo assim o que vale é sua capacidade.
Eva respirou fundo. Estava com uma adaga contra a melhor espada de Ivan. Tinha treinado muito para este teste, e Ivan também. Embora os dois soubessem que um deles iria ter de pagar um auto preço, o outro estaria aquecido diante da lareira, ouvindo os gritos da pavor do irmão. Eva não queria ser a pessoa que iria gritar, mas também não queria que fosse Ivan. Teria de lutar contra ele e contra si mesma.
Ivan tinha confiança. Estava na vantagem, já que a espada era bem maior que a adaga de Eva. Embora ele fosse melhor com armas de distância, a espada também era um bom aliado, já que ele tinha força física.
Tio Earl deu o sinal de que a luta podia começar, e Ivan não recuou diante do primeiro ataque de Eva. Ele deu um passo para o lado e a chutou nas costas, fazendo-a cair no chão. Eva se levantou rapidamente e esperou por um ataque do irmão, mas como este não fez nada, ela mesma o atacou. Conseguiu desferir um golpe na malha de algodão de sua camiseta, fazendo cair uma gota de sangue no chão. Seu coração parou. Ela soltou a arma e segurou a cintura de Ivan, procurando pelo machucado. Queria ver se era muito grande, queria saber se tinha ferido-o muito gravemente. Por outro lado, Ivan aproveitou e deu um soco certeiro no ouvido de Eva, a jogando para o lado.
Tio Earl aplaudiu sua performance. O elogiou e disse que ele sabia muito bem manipular um oponente, embora Ivan não tivesse manipulado Eva, e sim ela quem tivera se rendido. Ivan olhou para a irmã, no chão, chorando. Relutou contra o desejo de ajudá-la á se levantar. Mas se o fizesse, era certo que o castigo seria sobre ele, e não sobre ela. Ivan escolheu permanecer em silêncio, ereto. Tio Earl deu a volta por ele e segurou Eva pelos cabelos, enquanto a chacoalhava e a chamava de vadia inútil. Ela chorava e implorava por perdão. Dizia que iria se esforçar mais da próxima vez, mas era em vão. Ivan sabia disso. O que veio á seguir foi uma série de chutes e tapas. Tio Earl a espancou até que Eva não soltasse mais um chiado de dor. Ela prendeu o choro e procurou ficar o máximo em silêncio. Ivan andou em direção á porta, porém foi impedido de sair do quintal quando Tio Earl o chamou, mandando-o se sentar ao lado da irmã. Ele a jogou no chão, deitando-a de barriga na grama. Abaixou suas calças e fez o que era mais provável. Ivan assistia á tudo, em silêncio. Enquanto encarava o rosto vermelho e esfolado da Eva, tentava ignorar o tio gargalhando.
Ele sabia, jurou pela sua vida, que iria matar o desgraçado. Um dia, quando ficasse forte o bastante, iria livrar Eva daquele sofrimento.
Quando tio Earl terminou, ele mandou Ivan fazer o mesmo. Disse que aquele era seu prêmio de luta. E entrou em casa, deixando os irmãos ali. Eva subiu as calças, enquanto soluçava e limpava o nariz, que escorria. Ivan a pegou, fortemente, e a abraçou. Colocou-a sentada em seu colo e beijou suas bochechas. Disse que ela era sua princesa, que ela era a menina mais linda do mundo, que Eva era um amor de pessoa, disse tudo que podia pensar de bom, para consolá-la.
Tio Earl jamais teria o que Ivan tinha, um jeito único de convencer Eva de que quem merecia seu corpo era ele. Embora Ivan nunca tivesse chegado ao ponto de usá-la, Eva já tinha percebido as carícias que ele fizera durante alguns de seus choros constantes. Todas as noites ela chorava, e ia para sua cama. Ela também sabia que era a idade de Ivan descobrir as coisas mais... Excitantes da vida, por isso não reclamava. Tudo bem, dizia á si mesma, ele merecia isso. Merecia todas as mulheres do mundo. Ivan era único, era o tipo de homem que todos os outros homens deveriam ser.
Eles mataram o velho alguns anos mais tarde, quando tinham por volta dos quatorze anos. Um dia, quando Tio Earl voltava bêbado para casa, Ivan teve a brilhante idéia de matá-lo. Eva o seduziu, chamando-o para a cama, e Ivan o nocauteou com uma peixeira. Eles deixaram o homem nocauteado ali no chão, mesmo, e botaram fogo na casa. Desde então eram nômades. Não ficavam mais de um mês em uma casa.
Agora Ivan estava começando á pensar em viver fixamente naquela casa que estavam. Não era a melhor de todas, e as goteiras eram inúmeras. Porém era a casa mais segura. Além deles terem amizade com todos os ex-Pacificadores e poderem pedir comida para as mães solteiras.
Ivan iria hoje perguntar á Eva se ela aceitava morar ali. Seria mais fácil para os dois. Quando voltaram com os cobertores emprestador da Dona Fuinha, Eva os arrumou no chão da sala, de frente para a lareira, para que os dois pudessem ficar aquecidos. Pegaram os travesseiros e trocaram as fronhas molhadas. Ivan colocou o cozido no fogo e então puxou Eva para si, sentado na cama improvisada, olhando para o fogo.
- Quer morar aqui?
- Como?
- Tipo... Pra sempre?
- Nessa casa?
- Sim.
- Quero. Eu adoro esse lugar – ela o encarou.
- Então vamos morar aqui. – Ivan assentiu e lhe deu um beijo na testa. – Quero que você esteja segura, Eva.
- E eu quero que você me proteja para sempre. – ela se aconchegou em seu peito e soprou a franja dos olhos.
Ivan sorriu. “Para sempre até eu me casar e ter minha própria vida. Ai você terá de se virar sozinha, Eva”. Eva era muito dependente. Ivan já tinha feito o teste e ficara dois dias sem vê-la. E no que deu? Ela tinha acabado com o chocolate em pó do estoque de comida deles. Tinha molhado a cama e ficado sem comer por horas.
Ele não podia tirar os olhos dela, se não era capaz de fazer besteira. Ivan colocou o queixo em sua cabeça e suspirou. Olhando as chamas.
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