Your Hunger Games IV - Fanfic Interativa
3 Casos de Família
Notas iniciais
Augusta Alex'Andra Astaroth
Virava de um lado para o outro, sem conseguir dormir
Ela, por fim, se levantou e então foi para o quarto de papai. Lá se deitou ao lado do velho e conseguiu pegar no sono. Darin tinha morrido naquela noite.
* Três semanas depois*
- Guta, vá tomar banho.
- Não.
- Como não?
- Eu não quero.
- Pare de implicar, Gutinha.
- Não me chame de Gutinha, o meu nome é Augusta, eu não te dei a permissão de me chamar de Gutinha.
- O que é isso? Ficou rebelde, é? E este batom vermelho ai? Isso é coisa de menina decente?
- Não importa. Eu gosto assim, e você não vai me mudar. E eu to saindo.
- Você não vai sair pra canto nenhum, mocinha.
- Vou sim. O Darin podia, por que eu não posso? Sou igualzinha á ele.
- Não! Não você não é como aquele demônio! — O homem vociferou, socando a parede — Você é a minha filha! Você não põe um pé fora de minha casa sem minha permissão. Você não é como ele. NUNCA VAI SER! — Ele começava a ficar vermelho, quando se jogou em uma cadeira, apoiando a cabeça nas mãos. Augusta havia virado as costas e já subia para seu quarto, xingando alto, sem se importar quem a ouvia.
A porta do quarto bateu alto enquanto Augusta borrava o batom com o braço e pegava sua escova, presente de batismo de papai, e jogava-a ao chão. O cabo, de porcelana, se estilhaçou. A garota se jogou em sua cama. Ela queria seu irmão de volta. Ela queria aquele demônio de volta. Quem sabe, se tivesse falado com ele antes, ela não teria essa sensação de amargura dentro de si.
Guta faltou o resto da semana, furando aulas e indo á biblioteca a fim de estudar nos livros de História. E seu irmão tinha razão, eram maravilhosos! Ela começou lendo a Revolução Francesa, e já estava quase terminando as Diretas Já!
Guta voltou para casa seis da tarde. Papai estava esperando-a, mas como ele nunca tinha batido nela, Guta nem deu ouvidos á sua falação
Entrou no quarto de Darin, que tinha adotado como seu quarto, agora. Lá se jogou na cama e esperneou até a raiva passar. Depois enfiou a mão debaixo da cama e tirou de lá alguns livros que Darin havia roubado da Biblioteca. Já tinha visto eles muitas vezes, mas nunca tivera curiosidade para ler.
Agora, com o livro ali, a mercê, ela passou os olhos pelo título que leu com um pouquinho de dificuldade. Era uma palavra mais grande e mais complicada do que ela estava costumada. Enciclopédia.
- Deve ser bom, já que o Darin mantinha aqui, escondido... – ela abriu o livro e passou os olhos rapidamente pelo Sumário. Araras... Aviões... Bicicleta...
“Nota Para Meros Curiosos”. Ela releu a frase escrita abaixo do Sumário. O que Darin queria dizer com isso? Ela seguiu os pontinhos, até chegar ao número da página. 594. Ela voou com as folhas fazendo poeira voar para seu nariz, que era muito sensível em questões com esta. Parou na página 601, e voltou algumas para trás. Havia uma folha colada sobre a página, ocultando o que tinha lá.
A curiosidade matou o gato. Mas como você não é gato, parabéns. Sua curiosidade gerou esperteza! Eu espero que você seja minha irmã, Guta. Se for, Guta parabéns, estou orgulhoso por você seguir meus passos. Mas isso não é uma carta de paz. Ainda vou colocar moscas na sua sopa! Leia estas próximas páginas com cuidado. Elas são as mais importantes, para mim. Poderão mudar seu jeito de ver as coisas.
Augusta encarou o papel e o arrancou com cuidado dali. Pouco depois estava lendo o título grandioso: A República. Tudo o que ela tinha lido nos outros livros estava ali. Os estilos de poderes e como as nações escolhiam seus reis, patriarcas ou presidentes. Havia uma linha destacada. Ela leu, mas não entendeu porque Darin teria destacado aquilo. Dizia “A voz do povo é a voz de Deus”.
Augusta acabou dormindo sobre o livro. Quando acordou, havia uma xícara de leite e bolachas com cobertura de chocolate aguardando por ela.
Apenas sorriu. Embora quisesse, não conseguia ficar brava com papai. Ele se preocupava tanto com ela... Só queria que ele considerasse Darin do mesmo jeito. Seria bom, pelo menos. Ela queria uma família. Não duas pessoas que viviam em pé de guerra.
- Gutinha, hora da aula. – papai avisou do andar de baixo.
Guta no mesmo momento sentiu uma forte dor de cabeça.
- Estou com dor de cabeça...
- Isso não é desculpa.
- É sério... Ta doendo demais...
- Ah, eu já sei o que é. Ler demais dá nisso.
- Você deveria estar orgulhoso de ter uma filha que prefere ler e passar o tempo numa biblioteca, em vez de passar em bares e encher a cara.
- O que quer dizer com isso?
- Você sabe, a maioria dos alunos fazem isso depois do segundo bimestre... Todo mundo abandona a escola. É melhor ser adolescente pra sempre do que ir trabalhar naquela colméia.
Papai se encostou na porta do quarto.
- Nem todos precisam ir para lá.
- Você é exceção. Mamãe morreu bem cedo. Você tinha de ficar e cuidar de mim e do Darin.
- Ele... Foi o governo que me deu ele. Por “consideração” – ele fez aspas com os dedos – Eles achavam que o pirralho rebelde poderia fazer minha dor ficar menor.
- Você tinha ouro nas mãos, sabia? Mesmo que não pareça, o Darin se importava conosco.
- Não diga bobagens. Ele não nos queria, e nós não queríamos ele. Mas como o governo bancou as despesas... Aceitei o desafio. Bobamente, á propósito.
Guta ficou em silêncio. Tinha lido em algum lugar que o jeito mais inteligente de se deixar um oponente sem chão era ficar em silêncio, fazendo-o avaliar sua própria frase. E foi isso que aconteceu. Papai suspirou.
- Talvez eu esteja sendo um pouco duro demais. Claro que foi legal ganhar o desenho do Darin de dia dos pais. – Papai abriu um pequeno sorriso – Mas ele tinha só treze anos. E ainda não tinha percebido que não era bem vindo.
Guta ficou novamente em silêncio.
- O que foi?
- Não percebe o que diz? Você está admitindo que a causa do Darin ter ficado amargo e doentio foi por causa da sua esquizofrenia. Você o tratava mal, não eu. Darin já era meio temperamental. Tinha fugido inúmeras vezes do orfanato. E você ainda diz que não o aceitou na família. Ele teria adorado viver conosco. Mas você não deixou. Ele era um irmãozinho muito legal no começo, sabia? Ele me ajudava á juntar as letras e até esquentava a água do meu banho na temperatura ideal. Mas você o transformou num monstro
Foi a vez de papai ficar em silêncio. Mas não para constranger Guta, mas porque ele estava digerindo as suas palavras. Será? Será que fora ele quem causara todo aquele tumulto durante todos os anos?
Papai se lembrou do dia em que disse que Darin não podia orar com eles na mesa do jantar pois ele não era da família. Darin tinha ficado irritado e rasgado o desenho de dia dos pais que estava na geladeira. Tinha puxado o rabo de cavalo de Guta e cuspido em seu prato limpo.
Papai suspirou. É. Ele tinha causado tudo aquilo...
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