Notas iniciais
Gente, vejo pessoas com pensamentos peversos lendo o título e sorrindo...

Denis Mizashi

Abriu os olhos e se viu com bolhas por toda a parte. Sugou o ar, já reconhecendo que estava debaixo d’água, porém o ar veio para seus pulmões sem problemas. Olhou em volta. Outros vitoriosos estavam em bolhas, e ele logo percebeu que também estava em uma bolha. André, bem ao seu lado, olhava surpreso para os lados.

Tributos da Centésima Primeira Edição de Jogos Vorazes! Está aberta a continuação do Massacre! Anunciaremos as regras, projetadas por dias pelos nossos anfitriões. Este ano os vitoriosos dos últimos vinte anos irão lutar para provar seu valor! Os vinte e quatro jogadores foram divididos em duplas feitas a partir de uma seleção delicada. As duplas irão ficar uma ao lado da outra até o fim, a não ser que um dos dois morra ou se rebelem contra o companheiro. Isso será permitido. Uma das regras fundamentais este ano é a matança. Se caso você encontrar “por acidente” um adversário e não matá-lo dentro de quinze segundos, ou atacá-lo, pelo menos, irá ser morto automaticamente. Não será tolerado piedade. Lembrem-se: Somente um sai vivo. Todos tem o direito de se aliançar somente um vez com outro tributo que não seja da sua dupla. Somente agora, dentro de vinte segundos após a abertura oficial dos Jogos, vocês poderão fugir sem matar ninguém, porém se o tempo passar serão obrigados a matar ou então... Já sabem! E é com muito orgulho que a Capital diz que... Está no ar e aberta oficialmente a Centésima Primeira Edição! E claro, que a sorte esteja sempre a seu favor!

O cronômetro indicava a contagem regressiva de um minuto. Não dava para se ouvir nada que estivesse fora da bolha. Denis conseguiu encontrar Meell, presa junto com Giulia. Depois viu Ethan e então Noah. Nathália estava sorrindo sadicamente e ele deu um pulo assustado quando sentiu André segurar seu punho.

- Escute: Meus jogos foram exatamente como este, a Cornucópia era debaixo da água, e muitos morreram afogados tentando nadar até ela. Era uma concha gigantesca rosa e amarela. Mas olhe para baixo, só há um navio. O que quer dizer que o Navio é a Cornucópia. Eu proponho o seguinte: Você sobre para a terra e localiza um lugar onde poderemos ficar, enquanto eu nado até o navio e vejo se tem alguma coisa boa para nos ajudar. Certo? Depois você volta pra baixo e me encontra no navio.

- Mas você não vai conseguir segurar o fôlego por muito tempo. Nem é do Distrito 4...

- Eu tive que me adaptar com a arena. – André contou – Nós só usamos 30% de nosso pulmão durante a vida toda. Eu aprendi a usar 50%. Consigo passar até dois minutos debaixo d’água. Eu posso te ensinar, mas depois. Olhe a contagem. Temos vinte segundos para nos preparar. A maioria estará desorientada quando as bolhas estourarem. Nós seremos mais espertos.

- Mas e a Meell...

- Ela está com a Giulia. Eu contei a ela sobre como sobrevivi nos meus jogos, e ela saberá as coordenadas que deverá dar a Meell. Elas irão sair daqui rápido. Não estamos tão fundo assim e...

Denis seguiu seus olhos.

Doze segundos.

- Quando for dois segundos você prende todo o a que conseguir. Isso fará você boiar mais.

- Certo.

Onze segundos. Dez segundos. Nove segundos. Denis olhou para cima. Não havia peixe algum. E ele logo viu uma fortaleza emergia do breu. Era uma ilha que tinha lá em cima, e ele escolheu aquela para nadar. Quando olhou novamente para o cronômetro , cinco segundos. Respirou fundo quando viu o dois. E sentiu o frio e a água arrepiarem sua roupa. Ele estava completamente molhado, e suas roupas voavam. Seus cabelos também e ele olhou para os lados, conseguindo ver André nadar para o navio. Tentou nadar o mais rápido que pôde, mas não conseguia muita coisa. Tirou o tênis e as meias, e isso ajudou muito. Com sorte alguns segundos antes de ficar desacordado ele alcançou a ilha que tinha visto debaixo d’água. Se arrastou pela areia e então olhou ao redor. Nada. Não havia absolutamente nada. Nenhuma vegetação e nem ao menos uma grama rasteira. Somente um pouco de areia e uma terra sem vida. Ele olhou em volta. Era uma ilha bem pequena. Na verdade a menor. E ao redor dela haviam mais cinco outras ilhas, todas bem maiores. Denis não teve tempo para pensar em algo melhor, somente pulou na água e nadou até André, que já estava meio roxo. Ele segurava em um dos braços um arco, porém nenhuma flecha. Em suas costas havia uma mochila, e alguns itens já estavam ‘nadado’, Denis os apanhou, segurou o cangote da camiseta de André e o puxou, nadando o mais rápido que conseguia. Quando conseguiu colocá-lo para cima, colocou novamente a cabeça debaixo da água doce, somente para ter certeza de que ninguém estava lá.

André já havia se recuperado, embora ainda estivesse com os batimentos sobressaltados. Denis se sentou ao seu lado, com as pernas na água, e estudou o arco com atenção. Talvez conseguisse fazer flechas de madeira, mas onde? Não havia madeira em lugar algum naquela ilha. Uma ilha devastada, sem comida nem abrigo para o Sol.

- Vamos sair daqui... – André se levantou. – Temos de achar um lugar melhor que este.

- Mas, espere, estamos sem energia.

André apontou para uma ponte que emergia lentamente da água. Ela era grande e ligava a ilha dos dois com a praia. Denis assentiu e pegou o arco, se certificando de que tudo estava com eles e então foi atrás de André. Os dois atravessaram a ponte hesitantes, pois poderia ser uma armadilha da Capital. Quando chegaram na praia, olharam para trás e viram a ponte voltar para debaixo d’água. A água na praia era salgada, o que fez Denis se arrepender de não ter pego nem um pouco da água da ilha.

- Essa praia é familiar... – André comentou. – Ela dá numa floresta, então vamos para a floresta, acho que é conífera ou taiga... Não é um lugar com árvores frutíferas. As temperaturas são baixas, então iremos encontrar bastante carne. Uma fogueira pequena serviria. Você pode esperar a próxima ponte aqui na praia e ir buscar a água das ilhas com esta garrafa. – André tirou a garrafa de inox da mochila – Peguei ela quando a vi boiando. Está vazia.

- Tudo bem. Acho que posso fazer isso.

- Eu vou estar na floresta. Quando o Sol estiver se ponto, quase batendo nas ondas eu volto para a praia e te encontro, ok? Tente não matar ninguém, e não ser visto.

- Sim, eu sei. – ele disse. – Meus Jogos foram bem mais ameaçadores que os céus. Afinal não é todos que enfrentam um açougue na vida.

- Não se gabe demais, filho de mamute. – André se virou, apoiando o pé numa pedra para tirar outra coisa da mochila. – Você acha que foi o herói, mas todos aqui nessa arena já foram. Aqui, tome isto, se caso você sentir fome.

André lhe entregou uma banana molhada.

- Ei, isso é ruim.

- Você por algum acaso não lembra do que é os jogos? Aqui nós não escolhemos o que é bom ou ruim de se comer, nós só colocamos na boca e engolimos para sobreviver.

- Não me trate como se eu fosse uma criança. – Denis apontou o dedo para ele.

- Se você começar a brigar comigo agora, ai sim terei o direito de te chamar de criança.

Denis revirou os olhos e, frustrado, pegou a banana, o arco e a garrafa, se sentando em uma das pedras que havia na encosta. André deu alguns tapinhas em seu ombro e então correu para a floresta. Denis não sabia que horas a ponte iria voltar. Mas também não queria ficar no Sol o dia inteiro. Foi para a sombra de uma palmeira. Olhando para o horizonte conseguiu ver as outras ilhas, formando um arquipélago. Ele também conseguiu ver alguma dupla de vitoriosos-tributos colhendo conchinhas na areia, ou então alguma coisa que pareciam conchas. Ele não entendeu muito bem, porém logo viu de dentro das densas folhagens de palmeiras outros dois vitoriosos surgirem. Aquilo o interessou. Era Nathália e Noah indo a encontro de Phelipe Pires e John Lerang. Ele queria ver até o final, foi quando o final chegou até ele. Vance Lun e Bartholomew Bellamy (o Fawkes) apareceram. De longe já tinham visto Denis, e Denis visto eles. Desarmado, com somente um arco inofencivamente sem flechas em mãos, uma garrafa de inox e uma banana, ele era um alvo fácil. Denis xingou André mentalmente por não ter pego nenhuma arma que prestasse de verdade. Se levantou e foi andando pesadamente até o encontro de seus inimigos. Fawkes era um mentor muito esfomeado. E Vance... Bem, Denis não o via há muito tempo.

- Olha quem encontramos... Uma pena, realmente, sermos obrigados a nos enfrentar. – Fawkes disse, erguendo sua espada.

Vance sorriu de lado e mostrou a sua adaga.

- Onde conseguiram armas? – Denis perguntou.

- No navio afundado, claro – Vance respondeu – E vejo que você conseguiu um arco. Uma pena ele não ter flechas...

Denis ergueu uma sobrancelha. Fawkes o atacou, fazendo um corte feio em seu braço direito. Denis exclamou. Não esperava ser traído deste jeito. Não esperou um segundo ataque, rolou pela areia e derubou Fawkes, chutando seu joelho, e o torcendo, derrubando Fawkes e o dando uma dor tremenda. Enquanto isso, ele tinha de se levantar rapidamente, pois Vance já estava sobre seu corpo, segurando a adaga de forma ameaçadora. Denis segurou seu pescoço e o apertou fortemente. Vance, tentando se desvencilhar, cortava o braço de Denis inúmeras vezes, forçando-o a soltar o pescoço. Eles se separaram, Vance recobrando o ar, e Denis segurando o braço machucado. Ele viu com o canto do olho uma ponte surgir, e ela a ligava a uma outra ilha, um pouco maior que a primeira em que estivera. Vance veio para cima dele. Denis não tinha escolha. Pegou seu arco e, usando a ponta dele, bateu no nariz de Vance com toda a sua força, o jogando para trás.

- Maldito! Eu te mato...

- EI, olhe! Ma banana! – Denis a jogou nas mãos de Vance.

- Ahn? O quê? – Vance olhou par a fruta em suas mãos. – Ah, não precisava meu amigo... Me dando presentinhos antes de morrer...

Denis tinha que correr até a ponte, antes que ela desaparecesse, mas não podia deixar Vance segui-lo. Foi quando o mesmo tirou a casca da banana e a mordeu.

- Obrigado, estava com fome, mesmo.

Denis se virou sem olhar e, soltando o ar, correu com todas as suas forças da perna, quando chegou na ponte, ela já começava a afundar. Ele se virou, e viu Vance se retorcer no chão, enquanto Fawkes corria com seu joelho fraturado. Vance se contorcia como se algo em sua boca o estivesse levando a... A loucura. Quando seu canhão tocou, Denis já tinha chegado até a ilha, e assistido a toda a agonia do velho amigo.

º º º

Nathália Polônia

Ela estava observando os dois coletando as conchinhas.

- Ei, Nath, o que eles estão fazendo? – Noah perguntou.

- Uma armadilha.

- O que?

- Estão colhendo conchas para ma armadilha.

- Mas qual armadilha?

- Olhe, no Distrito 4 existia uma comemoração chamada Dia do Salmão, onde todos comiam Salmão. As pessoas colhiam conchinhas e as colocavam em trilhas desde a praia até a porta de suas casas. Você escolhia uma trilha e a seguia até a casa da pessoa, assim todos se conheciam e jantavam juntos um salmão. Mas essa comemoração foi esquecida a muito tempo.

- E essa armadilha é como?

- Eles fazem isso e a pessoa que seguir as conchinhas acha que vai dar de cara com algo muito bom, mas na verdade será eles.

- Ah ta...

- Isso é bom e ruim.

- Por quê é bom e ruim?

- Ruim porque só funciona com pessoas do Distrito 4. Bom porque eu já sei o que eles querem. Não vou cair na armadilha.

- E ela funciona mesmo?

- Funcionou nos meus jogos.

- O que? – Noah ergueu as sobrancelhas.

- Usei isso para matar meu colega de Distrito. O atrai com as conchinhas até um vulcão prestes a entrar em erupção e o tranquei lá dentro.

- Mas por que faria isso?

- Porque só restavam eu, ele e o menino do 2. Eu não poderia adiar a morte do meu companheiro por muito tempo. Por isso decidi fazer de uma vez. – Nathália o encarou com força – Noah, os Jogos não são brincadeira. Eu sei que você acabou de sair da arena e já voltou para ela, mas... Agora nós estamos lutando contra outros vitoriosos já acostumados com isso. Não confia nunca em ninguém além de si mesmo.

- Mas e você...

- Não confie nem em mim. – Nathália o encarou com mais convicção. – Está me ouvindo? Agora vamos matar esses caras.

- Certo.

Noah e Nathália saíram dentre as palmeiras e andaram sem levantar barulho. Um para cada lado, escolhendo suas vítimas. Noah atacou Phelipe, o segurando com um braço pelo pescoço. O levantou e então tentou enforcá-lo, porém Phelipe o cotovelou no abdômen e o fez cair de joelhos, logo em seguida dando uma joelhada em seu maxilar. Noah estava surpreso. Phelipe parecia ser indefeso demais. Noah logo se recuperou e o atacou, assim começando uma luta corpo-a-corpo.

Do outro lado, Nathália estava olhando fixamente para John Lerang, um mentor que tinha conseguido salvar vários tributos, e o que tinha ganho muitas dádivas em seu ano nos Jogos. Nathália não queria atacá-lo, era verdade, mas era como se os anos tivessem saído dela. Nath não tinha mais trinta e quatro, mas sim dezoito, estava pronta para lutar. Estava no auge da idade e pronta para os Jogos. Assim como se sentira no seu ano. Se tivesse um tridente poderia fazer maravilhas ali. Uma rede então e... BINGO! Se tornaria quase invencível. Porém a questão era: Ela conhecia as pessoas ali. Ela havia convivido com as pessoas ali. Nos Jogos normais era fácil matar que você não conhecia. Mas... E quando ela tivesse de matar um de seus amigos. André... Giulia... Ou então Meell? Sentiu sua face empalidecer.

- Nath... Sempre tão linda e tão sedutora... – John a tirou de seus pensamentos. – Você me encarando assim me faz achar que não quer me matar.

- Você acertou. – ela disse, assumindo sua expressão de matadora. – E... Você ouviu que podemos formar uma aliança, não?

- Sim, eu ouvi. – John afagou seus cabelos – Ainda me lembro de quando você era uma menininha... – ele acariciou seu rosto – Você está e pedindo em aliança, é isso mesmo, ou estou me enganando?

- Sim. É isso. – Nath abanou com a mão – Olhe aqueles dois...

- Sim, sim. São jovens, é mesmo. Philipe tem somente vinte e dois, porém é muito bom em luta corporal. Seu aliado não é alguém lá muito esperto para isso.

- Oh, não fale dele. Estava acostumado com operações no cérebro... Sabe, não era o corpo dele que realmente lutava.

- Mas quem é que pode nos garantir que o mesmo não acontece conosco, hein? Certo, Nathália, eu me alio a você. Mas temos de escolher entre Philipe e Noah. Temos de poupar um dos dois.

- Vamos ficar com o Noah. Embora ele seja um tanto novato nisso, é forte e jovem, o que quer dizer que tem mais energia que nós. – ela cutucou-o no braço – Estamos ficando velhos, John...

- Eu que o diga...

Os dois se aproximaram dos garotos que brigavam na areia arduamente.

- Ei, parem com essa brincadeirinha de bonecas. – John reclamou.

- Noah, aceite uma aliança com John. – Nathália pediu.

- Aliança? — Noah perguntou, tirando areia de seus cabelos vermelhos fogo. – Tudo bem.

- Espere, mas John, e eu? – Philipe se virou.

- Foi mal, meu amigo. Mas aqui as coisas são diferentes. No momento é mais vantajoso eu ficar com a Nath.

- Qual é o ponto fraco dele? – Nath perguntou no ouvido de John.

- Água, tenha certeza, Philipe abomina nadar. Ele é péssimo. Tive de carregá-lo até aqui.

- Tudo bem. Tenha uma boa viagem... – Nath o empurrou para fora da ilha. – Tome, fique com isso aqui. – ela jogou um remo de madeira, que havia encontrado junto com um pequeno bote do outro lado da ilha.

Mellyne Mizashi

Ela conseguiu nadar até a parte mais alta do navio e agarrar uma mochila. Quando viu que Giulia fez o mesmo, e aproveitou para pegar uma lança, também, as duas nadaram com seus itens. Mas antes que ela pudesse perceber, a mochila já havia levado-a para cima. Mellyne se viu no meio da água, porém flutuava. A mochila seria um tipo especial de colete salva-vidas? Ela segurou a mão de Giulia, que emergia das ondas. As duas estavam sugando o ar para dentro dos pulmões, fortemente. Meell ajudou Giulia a nadar até a ilha mais próxima, que era totalmente deserta e sem nenhuma vida. Sem plantas e com um solo doentio, sem cor.

- Ei, Meell, olhe – Giulia apontou para a areia – Estiveram aqui a não muito tempo. A areia ainda está molhada e há pegadas.

- Quem quer que tiver estado aqui, não está mais. E isso é a melhor notícia – ela abriu a mochila – Se tivermos aqui facas e uma garrafa, posso fazer maravilhas...

- Eu estou sentindo uma dor aqui no peito...

- Você engoliu muita água? – Meell perguntou.

- Não muita.

- Bem, se não passar, é só achar pinheiro e...

- Passou – Giulia suspirou – Alívio...

- Mas... O que era?

- Não sei. Ai, ai, ai, ai... – ela pressionou a barriga.

- Será que você está grávida? – Mellyne sorriu.

- G-Grávida? De quem?

- Do André, oras!

- A gente nunca...

- Ok, não me conte sua vida sexual... – Meell revirou os olhos – Ah... Mas que merda, em amiga...

- O que?

- Olhe só. – ela apontou para o rastro de sangue que Giulia havia deixado na areia.

- O quê é isso? Meu Deus, porque justo agora? – ela colocou as mãos na cabeça – Eu não mereço...

- Espere, fique calminha, vou fazer uma fraldinha pra você...

- F-F-Fralda?

- Absorvente, Giu, absorvente... Na minha arena também aconteceu isso comigo...

- Você só tinha doze anos, como podia já ter menstruado?

- Simples: Minha mãe menstruou com nove anos, eu com onze, satisfeita? É de família ser assim tão cedo...

- Aaai... Essa dor é frustrante!

- Sabia que eu sentia tanta dor que desmaiava? Sim, minha avó também e...

- Ah, por favor, não me conte a vida menstrual da sua família!

- Tudo bem. Aqui. Fiz com a alça dessa mochila. – ela mostrou. – Coloque.

- O quê? Aqui? Sem nada para esconder?

- Ora, só estamos nós aqui. Somos mulheres, não sentimos vergonha.

- Mas... Mas é Panem quem está nos assistindo! – Giulia gritou.

- Certo, entre na água e faça isso lá. Só digo que não vai adiantar muito com o pano molhado...

- Ok, ok... Mas... Você me empresta a sua camiseta? N-Não quero ficar exposta...

- Tudo bem... Mas não suje ela de...

- EU NÃO VOU SUJAR! – Giulia gritou, agarrando a camiseta e a prendendo na cintura. Hesitante, abaixou o shorts e fez as devidas trocas, levantando o shorts e devolvendo a blusa para Meell.

Mellyne, enquanto Giulia se secava, vasculhou a mochila, encontrando um saco de dormir, uma lanterna e um kit com cinco facas, todas de tamanhos diferentes. Ela respirou fundo e sorriu. Graças a Deus tinham facas... Na mochila de Giulia haviam fósforos, frutas dentro de um prato térmico e uma garrafa de água.

- Tivemos sorte. Garrafa, frutas, saco de dormir... Facas e lança. Temos tudo o que precisamos para sobreviver – Giulia a encarou. – Será que não é perfeito demais? E se houver alguma coisa...

- As frutas – Meell observou – Estão envenenadas.

- Por quê?

- Olhe aqui... – ela apontou – E sinta o cheiro. Não é maçã de verdade. E isso não cheira laranja.

- Certo, então vamos nos livrar dessas frutas. Mas onde será que tem alimento? Aqui não tem nada...

- Vamos sair daqui amanhã. Mas primeiro dormiremos aqui. Estou cansada e quase seca, não quero me molhar de novo.

- Sim. – Giulia concordou. – Mas... O Sol ainda está alto. O que ficaremos fazendo aqui?

- Vamos montar nossa estratégia. Formular mortes, trocar experiências. Com o que você é boa?

- Luta corpo a corpo e espadas. – ela disse. – Não sou forte para arremessar coisas.

- Bom... — Meell tentou pensar em algo. – Eu vou buscar mais suprimentos e armas. – ela pulou na água. – vou levar a mochila, caso precise voltar rápido para a superfície.

- Tudo bem. – Giulia esvaziou a mochila e a entregou a Meell – Vou tomar conta de tudo, ok. Não demore.

- Tudo bem, Giu, não precisa ficar preocupada.

Meell mergulhou e cada vez ia mais para baixo, até ver o navio afundado no meio do breu. Ela pegou a mochila e abriu um pouquinho, sugando o ar que havia dentro dela. Fechou-a rapidamente, antes que água demais entrasse. Ela nadou mais rápido, entrou na cabine do comandante do navio e de lá pegou duas mochilas que também boiavam, uma aljava cheia de flechas presas para não flutuarem, um arco e mais algumas facas. Cheia de coisas para carregar, ela colocou as mochilas nas costas e deixou-se ser carregada até a superfície. Lá, Giulia a puxou e as duas sorriram, orgulhosas.

- Temos quatro mochilas, agora. E três delas flutuam. Sete facas, uma lança e um arco com flechas. Frutas envenenadas, porém nesta mochila tem frutas boas. E... Aqui tem uma roupa de frio. – Meell terminou.

- Pronto. – Giulia disse – Agora sim somos as mais sortudas!

- Sim... – Mellyne disse. – Talvez sejamos...

- O que você tem?

- Da próxima vez que virmos os meninos, vamos ter que... Você sabe.

- Sim. Mas podemos nos aliar a eles.

- Não. Se você se alia com o André, e eu com o Denis, seremos inimigas. Se o Denis é parceiro do André e ele já se aliou a você, não poderá se aliar a mim, também. É complicado. – Meell disse.

- Bom, podemos nos separar, agora, se você quiser.

- Não! Não, isso não. Definitivamente não quero ficar sozinha. Não me sentiria segura.

- Você não se aliou a ninguém nos seus jogos.

- Eu sei, eu sei. Mas... Aqui todos são mais perigosos. E nós não temos mentores.

- Talvez tenhamos.

- Não. Nós éramos os mentores. E agora?

- Os antigos podem ter tomado nosso lugar e...

- Giulia, você não entende? Isso é um joguinho da Capital para pôr medo nos Distritos. De alguma forma eles sabiam onde estávamos, e nos capturaram e agora querem nos forçar a matar uns aos outros somente por diversão...

- Eu entendo, sim, Meell. – Giulia a encarou. – Estou com medo, assim como você. Porém não podemos deixar isso nos dominar.

- Eu sei, eu sei.

º º º

Philipe Pires

Após se debater até engolir um litro de água, Philipe conseguiu chegar até terra firme, onde se instalou. Subiu em árvores e conseguiu algumas frutas maduras. As comeu e então se sentou, somente pensando na traição de John. Enquanto refletia sobre isso, ele percebeu a aproximação de duas garotas. Bonitas, até. Ele pensou. As matava? Não. Ele estava em desvantagem. As duas seguravam espadas e mochilas nas costas. Estavam encharcadas. Ele estava indefeso. Pensou melhor. Desceu da árvore e então as parou. Vicki não esperou por reação da amiga, se preparou, já com a espada erguida.

- Esperem! Não quero brigar! Proponho uma aliança entre nós. – Philipe disse.

- E por que nos aliaríamos a uma pessoa estranha como você? – Mellany perguntou.

- Por que... Eu fui traído pelo meu companheiro... Estou indefeso... Sei que é uma ótima hora para me matar,que é uma oportunidade de ouro, mas eu posso ajudar. Sou ótimo em luta corporal e sou jovem.

- Está me chamando de velha? – Vicki levantou a espada até seu pescoço. – Se você é útil é uma coisa que veremos. Agora, se você só quer se aliar a nós por que temos comida e armas... Você está enganado. Só tem o que conseguir sozinho. O que nós conseguimos é nosso. – Vicki o encarou seriamente.

- Entendo. Mas vocês aceitam se aliar?

- Certo. Mas por pouco tempo – Vicki o empurrou com o ombro, passando por ele.

- Ela é brava... – notou Philipe.

- Sim. E eu também. – Mellany entregou uma adaga para ele – Somente em caso de emergência, ouviu?

- Sim. – Philipe se inclinou e beijou-lhe a bochecha – Minha mascarada.

- Não me chame assim. – ela passou ríspida, seguindo Vicki.

Philipe sorriu. Pegou a agulha que havia encontrado junto com John e tirou uma pequena linha de sua camiseta. Rasgou o tecido e foi fazendo sua obra, enquanto seguia suas novas aliadas. Elas estavam esperando-o num pequeno riacho, onde abasteceram as garrafas e pararam para descansarem.

- O que faremos a partir daqui? – perguntou Mellany a Vick.

- Somente iremos matar. – ela respondeu. – Ei, filhote de urubu, o que você ta fazendo?

- Nada demais... – ele não tirou os olhos da costura. – Uma coisinha só...

- Espero que não seja capricho de gay.

- Ei! Você tem algo contra gays? – Philipe a encarou.

Vicki ri com sarcasmo.

- Eu sou lésbica, porque teria algo contra gays?

- Ah, tudo bem. – ele deu de ombros e voltou a costurar.

- Eu sou normal. – Mellany disse – Curto um cara bem sarado e seminu.

- Mal gosto – Vicki deu de ombros.

- Também curto – Philipe riu.

Notas finais
Arquipélago: https://fbcdn-sphotos-a-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/73318_409320212513812_494512388_n.jpg
Navio(Cornucópia): https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-prn1/1016262_409320745847092_942402797_n.jpg
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Florestas Coníferas-Taiga [Inverno;Outono;Verão]:https://fbcdn-sphotos-h-a.akamaihd.net/hphotos-ak-frc1/998015_409319795847187_332280056_n.jpg
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Templo Asteca:https://fbcdn-sphotos-g-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/1014154_409319475847219_626113178_n.jpg
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Cidade em Ruínas: https://fbcdn-sphotos-e-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash3/1010046_409320055847161_1891819336_n.jpg

Os ganhadores reclamem seus prêmios!