Your Hunger Games III - Fanfic Interativa
106 Um Pouco de Enrolação E A Primeira Menstruação
Notas iniciais
Aliança dos Livres
Lucy estava segurando suas flechas com a mão direita, e com a esquerda posicionava o arco no peito. Com um rápido movimento, ela pousou o arco no ombro e colocou as duas flechas que segurava na corda. Utilizando o ombro e o braço, esticou a corda com os dedos e então acertou o alvo feito por Noah para que ela treinasse.
- E então – disse, se virando para May.
- Ótimo tiro. O arco é meio grandinho para você, então eu acho que está posição está boa para você. – May concordou. – Agora me dê o arco, é minha vez.
Noah segurava a espada, enquanto Heikki, com toda sua força, o atingia no peito com um chute. Ele resistiu em pé. Tentou acertá-lo no alto da cabeça, porém Heikki se defendeu com a espada e jogou o escudo contra o peito de Noah, fazendo-o recuar. Os dois estavam lutando de verdade, porém sem machucar um ao outro.
Lola cuidava das faixas de Simbad, enquanto o menino ignorava-a, e observava Kaya e Mandy jogando facas.
Todos estavam entediados, e por isso se entreteriam como podiam. Logo mais seria o Banquete, e eles iriam estar preparados para a luta. Noah deu uma pausa na luta, e foi beber uma garrafa d’água. Ele viu com o canto do olho Lucy fazendo seu tiro duplo, e sorriu. Lola lhe cutucou o ombro.
- Sim? – ele levantou a cabeça.
- Você está fazendo um bom trabalho – ela elogiou – espero que nenhum de nós morra no Banquete.
- Isso vai depender da nossa preparação. – Noah respondeu para ela. – O Heikki luta bem, aliás.
- É, eu sei disso. – ela sorriu levemente. – Em consideração eu não luto nada...
- Você nos mantém vivos, isso é bom. – Noah revidou – É você quem torna as comidas duras e sem gosto nas melhores refeições de todas! E também é você quem tem o dom de achar dádivas pelo Labirinto. Até agora estamos vivos e bem nutridos por sua causa.
- Ora, dizendo assim até parece que eu faço alguma coisa... – ela riu de si mesma – O que quero dizer é que no Banquete o que vale mais é o potencial para matar, e não... Os dons de uma dona de casa... – ela encolheu os ombros – Se não fosse o Heikki, eu teria morrido na Caixa.
- Venha, vamos treinar um pouquinho. – ele a chamou.
- Não, eu não levo jeito para isso. – ela se recusou, embora quisesse mesmo tentar.
- É só você fingir que o braço do inimigo é um pedaço de pão que você tem de fatiar. E que a cabeça dele é o bolo que você tem de dividir entre os seus filhos. É simples. Matar pessoas é bem parecido com cozinhar. Quando o sangue dele espirrar em você, finja que é um suco de uva. E quando ele gritar, imagine que é um arroto de satisfação.
- Você é mesmo uma pessoa muito boa, Noah. – ela colocou a mão e seu braço – Sua mulher terá bastante sorte.
Noah não entendeu muito bem aquela afirmação. Ele uma pessoa boa? Noah estava comparando cabeças com um bolo, e uma espada com uma faca de cortar pão e mesmo assim ele era... Uma boa pessoa? Não sabia onde Lola tinha visto este lado bom nele, porém assentiu e colocou a espada em sua mão.
- Agora tente me atacar. – ele pediu, se distanciando um pouco.
Lola o encarou, incrédula.
- Anda, vamos, me ataque.
Ela ainda não conseguia entender porque ele estava pedindo para ela atacá-lo.
- Eu acho que...
- Você não acha nada – Noah cortou-a – Vamos! Agora, Lola Stonem!
Ela segurou forte o cabo da espada e a ergueu, com dificuldade, avançando contra ele. Noah se desviou rapidamente, e com muita facilidade, aliás.
- Você é lenta demais! Anda, Lola, mais animação! – ele pediu.
- Eu não consigo!
- Se você disser que não consegue, ai é que não vai conseguir mesmo. – ele disse e então piscou para ela. – Anda, venha...
Lola ergueu a espada, com mais força, desta vez. Ela desferiu um golpe pesado contra o ombro de Noah. Ele se desviou por pouco, e um segundo ataque com o cabo da espada o atingiu logo abaixo do olho. Ele cambaleou, não estava esperando por aquele golpe... Se recuperou e avançou para cima dela. Lola não entendeu porque ele avançava sendo que estava sem armas, porém ela não perdeu a concentração. Ergueu a espada e o atacou por cima, no alto da cabeça. Noah se abaixou e pegou seu punho, girando-o e colocando seu braço para trás das costas. Ela soltou a espada, que caiu com tinindo no chão. Ela não conseguia ficar ereta, enquanto ele forçava seu braço para trás das costas.
- Ok – ela ofegou – Você venceu, agora me solte...
- Quando você ataca, deixa a guarda muito baixa. – Noah contou – Seu ataque é sempre de frente, você tem de atacar mais nas laterais, onde é difícil bloquear. – ele pegou a espada de sua mão, roçando levemente seus dedos nos dela – Está vendo? – Noah girou a espada, fazendo um ataque lateral no ar – Assim o inimigo tem de proteger as costelas, e você o chute de frente, assim – ele mostrou, na parede. – Chute o mais alto possível. E se for homem, você já sabe onde tem de chutar.
- Ah, sim – ela abriu um leve sorriso. – Nas partes baixas.
- É – ele engoliu em seco, imaginando como seria ela chutando-o nas partes baixas. Definitivamente era um horrível pensamento. – Agora faça você.
Lola pegou a espada e então a girou na mão, quase a derrubando. Noah riu do jeito estabanado dela.
- Gira, lateral, chute e “morreu” – ela sorriu para ele, que estava satisfeito.
- Certo. É só treinar estes movimentos que você já consegue colocar outros no lugar. É bem amplo os pontos que você pode atacar, sabia? – Noah colocou a garrafa de lado – A única coisa é ter de manter sempre a guarda alta. O Heikki, por exemplo, tem dificuldade na defesa, então ele usa um escudo. Eu não uso escudos, mas também não é tão fácil se defender somente com uma espada.
- Certo. – ela sorriu, muito satisfeita consigo mesma – Nem acredito que estou segurando uma espada...
Noah assentiu, sentindo o olhar de Heikki sobre ele.
- Bom, eu... Eu vou ver o desempenho da pequena Lucy, até mais, Lola. Vá treinando, viu?
- Claro! – ela acenou, erguendo a espada na outra mão. – Depois eu mostro para você a minha evolução.
Noah assentiu, ainda desconfortável com o olhar pesado de Heikki. Ele caminhou até o companheiro e ergueu os olhos.
- Não se preocupe, ela luta bem, afinal de contas. – ele comentou.
- Não mexa mais com ela. – Heikki deu as costas sem querer ouvir as palavras de defesa de Noah.
“Não mexa mais com ela”, Noah imitou a voz de Heikki. Um grande e brutamontes apaixonado. Ele riu. Nunca se apaixonava. Ele tinha um bom relacionamento com May e Mandy, não precisava de Lola. Ela era só uma amiga. Embora ele soubesse disso, tinha de admitir que Heikki o intimidava bastante.
Ele andou até onde Lucy e May estavam. Lucy observava o jeito que May atirava, enquanto Noah se aproximava. A menina nem tinha notado sua presença. Noah abriu um leve sorriso nos lábios e a atacou por trás, fazendo cócegas em seu abdômen.
- Não! Noah, pára! – ela pedia enquanto se contorcia. – Eu sinto cócegas demais, Noah!
- É, eu sei disso. – ele gargalhou.
Quando terminou, ele sentia o olhar suave de May sobre seus ombros, por isso se virou para ela, e acenou. May revidou o aceno com um meneio de cabeça, e voltou á atirar no alvo.
Noah segurou as mãos de Lucy, enquanto ela tentava revidar o ataque de cócegas.
- Você nunca vai conseguir – ele informou.
- Você que pensa – a menina sorriu, sapecamente.
Lucy estava no auge da infância. Ela gostava de brincar, mas também tinha seus momentos de seriedade. Estava se tornando uma mocinha, como diria a velha Dóris. Noah a colocou no colo, porém ela reclamou, e ele a soltou.
- Não sou mais uma criancinha – ela dizia.
Noah sorria e então lhe dava a mão, para assim irem caminhando para outro lugar. Enquanto todos se preparavam, Noah gostava de sair de perto, com Lucy, e ouvir ela dizendo que papai se parecia muito com ele, ou coisas do tipo. Lucy se sentou sobre um banco de pedra, e então colocou as mãos nos joelhos. Olhava para Noah, esperando alguma coisa.
- O que foi? – ele perguntou.
- Você disse que iria me contar poemas quando eu fosse mais velha! E eu já tenho idade suficiente. – ela cruzou os braços – Aqueles poemas que você recitava para as piranhas.
- Não eram piranhas, eram meninas apaixonadas por minha beleza. – ele disse, afagando a barba ruiva.
Os cabelos de Lucy estava um pouco abaixo dos ombros, já, porém ela ainda parecia aquela menininha da Colheita, de olhos azuis vívidos e mal sabendo rodar uma faca nos dedos. Desde que tinham encontrado a aliança, não haviam tido qualquer tipo de relação fora do familiar, mas isso só dava á Noah mais tranqüilidade. Ele não queria ter nenhum tipo de relação com Lucy, e ela também parecia querer o mesmo.
Ele a empurrou do banco, jogando-a o chão. Ele riu, enquanto colocava os cotovelos nos joelhos e a observava se levantar do chão. De repente ela parou e soltou um grito tremendamente alto. Ele a segurou com força pelos ombros e perguntou o que ela.
- Eu to sangrando! – ela disse – Você me machucou!
- O que, mas eu nem... – ele tentou entender.
Foi quando seus olhos caíram na saia de Lucy, e ele entendeu tudo. Colocou a mão na testa, tentando não entrar em pânico.
- Eu não te machuquei. – ele disse, calmamente. – Isso é normal.
- Isso! Isso não é normal! – ela gritou, se afastando dele e erguendo a saia, olhando para o sangue escorrendo suas pernas. – Olhe isso! Eu estou doente! Eu vou morrer!
- Não, Lucy, n-não... Não é isso que você está pensando. Isso é... Bem... Isso é normal nas mulheres.
Lucy o encarou, cética.
- Eu vou te explicar – ele estendeu os braços, e ela foi até ele. – É assim, uma mulher tem de soltar esse sangue uma vez por mês. Não sei quanto tempo dura. É normal. Toda mulher para por isso. Eu acho. – ele disse, corando – Não sou muito expert no assunto...
- Então... Todo mundo tem que sangrar?
- Não, somente as mulheres adultas. Isso quer dizer que você pode ter um bebezinho. – Noah a colocou sentada em sua perna.
- Eu tenho um bebê na barriga? – ela perguntou.
- Não. Mas se caso alguém fazer aquilo lá com você, você tem chance de ficar grávida, sim. – ele contou.
- Então você me...
- Não! – ele negou – Não! Isso aconteceu antes, você não podia. Agora você pode...
Ele tentou consertar as coisas, porém nada parecia certo. Ele não conseguia falar assim com Lucy.
- Certo. – ele ouviu alguém dizer enquanto se aproximava. Era May. – Deixa que eu tomo conta do resto. – ela piscou – Tenho mais experiência que você.
- Eu concordo. – Noah se levantou. – Obrigado.
May deu um meneio de cabeça e se voltou para Lucy.
- E então, pequena, o que temos ai? – ela sorriu – Uma mulherzinha!
Fale com o autor