Notas iniciais
Outra parte extra!
Noah Christhurt Noah sorriu e pegou na mão de May. Ela sorriu de volta. — Vou ajudá-la á pegar ar maçãs, eu e a Lucy fizemos um código nas árvores para separar as boas das ruins. Foi minha idéia. — Como espero de alguém como você, Noah. Completo. Noah abriu um pequeno sorriso. Ele pegava as frutas mais altas, enquanto May as mais baixas, porém ela teimava em pegar uma bem alta. Uma muito bonita, aliás. Ela pulava e tentava subir na árvore, em vão. Noah perdeu a paciência e a pegou pelas pernas e a colocou sentada em seus ombros, assim conseguindo pegar. Ele a levantou e ela conseguiu apanhar a fruta. — Isso! Obrigada, Noah. – passou as mãos nos cabelos ruivos dele. — Você está de saia. – ele comentou. — O que... AH! – May tentou descer porém só conseguia se desequilibrar. – Sua nuca é peluda demais! — EI! – ele soltou suas pernas, deixando-a cair. May reclamou. — Ah, sua saia! – Noah exclamou, porém não tampou os olhos. — Não olhe, seu tarado! – May se cobriu com os braços. – Por sua causa eu estou molhada, agora! — Minha causa...? Molhada por que? May o fuzilou com o olhar e se levantou, indo para a cachoeira. Noah não entendeu nada, mas deu de ombros. Pelo menos a maçã tinha ficado. Ele a pegou e deu uma mordida firme. º º º Kaya Morgan Kaya abraçou Simbad novamente e o encheu de beijinhos. Ela já tinha enfaixado seu braço, porém não parava de olhar para a cicatriz. — Pare, Kaya, me deixe respirar... – Simbad pediu, novamente. — Desculpe, meu lindinho. – ela sorriu, envolvendo-o com os braços e se aninhando em seu ombro. – Vou deixá-lo respirar, fofo. Novamente Kaya o apertava com força e o beijava na bochecha, dizendo que ele era o menino mais lindo do mundo, e que aquela cicatriz logo sairia. — Kaya, por favor, me dê espaço. — Me desculpa, Simbadzinho, eu só quero o sei bem...! – ela riu e o beijou. — Kaya, já chega! — Ora, Simbad, eu pedi desculpas. – ela passou a mão por seu braço. — Eu não agüento mais, Kaya! Você não consegue ver que está me sufocando? Eu não consigo nem respirar direito! Me deixa em paz, Kaya! -Mas... — CHEGA DE MAS! EU NÃO QUERO SABER SE VOCÊ QUER OU NÃO MEU BEM, EU SÓ QUERO DORMIR UM POUCO! Kaya permaneceu em silêncio. Ele tinha razão. Abaixou a cabeça e se sentou longe, afastada da fogueira, onde todos olhavam para ela. Se deitou e abraçou os joelhos. O vento batia em seu corpo, e sua pele se arrepiava, porém ela não mexia um músculo sequer. Também não conseguia dormir. O sono tinha sumido, ela não estava cansada. Não se mexia nem para espirrar. Sabia que pegaria um resfriado, porém ela merecia. Quando pegasse o resfriado todos na Aliança não iriam querer tê-la por perto, e assim ela seria mandada embora... era mais simples... Se ao menos pudesse... Pudesse não querer com toda as suas forças estar todo o tempo de sua vida com Simbad... Afinal, o que tinha nela? O que tinha nele? Como ele conseguia deixá-la tão abalada? Passou horas em claro, enquanto todos dormiam, ela só conseguia se remoer, perguntando-se o que tinha feito de tão errado com Simbad. Ela, afinal, tinha sido atenciosa como qualquer namorada. O que impedia Simbad de ver aquilo? Por que ele não gostava dela? Kaya suspirou, o ar gelado tinha ficado ainda mais intenso, e seus espirros também nariz começou á escorrer e seus olhos lacrimejaram. O início de uma doença muito ruim... — Kaya. Kaya abriu os olhos, e observou a menina se deitando ao seu lado, misturando os cabelos louros das duas. — Eu tive um pesadelo. Posso dormir com você? – pediu. — L-Lucy? Comigo? Mas... Por que não pede ao Noah? — Ele... Está ocupado com a Mandy... — Ah, entendo. – Kaya abriu um leve sorriso, ciúmes, qualquer mulher completa tem de ter. – Pode dormir comigo sim, pequena. Lucy sorriu e Kaya a envolveu, passando seus braços pela cabeça da menina. — Eu acho que também estou precisando de um abraço... – Kaya sussurrou. Lucy abraçou sua cintura. Kaya sorriu, se sentindo amada. Ela não entendia porque Lucy tinha vindo pedir para ficar com ela, sendo que as duas nem se conheciam direito, porém a menina tinha vindo num bom momento. Kaya precisava e queria companhia, não importava de quem. Agora estava mais aquecida. Lucy tinha trazido para ela um pouco de felicidade. — Você está congelando. – Lucy comentou. — É o frio. — Sim... – concordou Lucy. – Porque não vai par aperto do fogo? — Não quero ficar perto dos outros e nem do Simbad. — Por quê? — Ele me humilhou. – Kaya sussurrou, espirrando logo em seguida. — Você vai ficar doente. — Eu não ligo. — Não é só porque o Simbad brigou com você que você tem de ficar assim, o Noah briga comigo toda hora e a gente sempre ri depois. – quem diria, Kaya, quase dezesseis anos, tomando lição de moral de uma menina de doze. — É mais que uma briga, pequena... — Você tem de parar de ser tão apegada assim. — E-Eu não consigo. Não sei porque o amo tanto, acho que só existo por causa dele... — Não. Não. — Sim. Não há outro motivo... – ela suspirou. – Será que fui criada somente para ficar e tomar conta desse menino? Será? — Não sei. Mas minha mãe dizia que quando a gente nasce, temos nosso destino traçado nas estrelas. Elas irão cuidar para nos unirmos á pessoa certa. As borboletas... Elas... Elas sempre tem um pai de asas. Não precisa ser iguais, mas se ela não tiver as duas, não conseguirá voar, não conseguirá viver. É assim que se sente? Se arrancarem o Simbad de você? — A-Acho que sim... — Bom, isso é ruim. Eu não sei mais nada. – Lucy era tão sincera que fez Kaya esboçar um sorriso. — Você não foi feita somente para o Noah, Lucy, você foi feita para todos. Muito obrigada, você chegou num bom momento, minha borboleta. Os olhos de Lucy brilharam quando Kaya disse “borboleta”. — Sou sua borboleta, agora. – a menina sussurrou. Kaya sorriu e fechou os olhos. Noah colocou sua mão grande, quente e pesada sobre seu braço. Kaya abriu os olhos rapidamente e se levantou, segurando o corpo adormecido de Lucy. Noah olhou para as duas e então pareceu entender o fato. — Eu vim buscar a Lucy. Venha, minha pequena, você está incomodando a Kaya. – Kaya observou cada detalhe do rosto de Noah quando ele disse minha pequena. — Eu to com sono... – Lucy resmungou, bocejando e se grudando no pescoço de Noah. — Desculpe pelo incomodo. – ele disse e se levantou, levando Lucy consigo. Kaya nem teve tempo de dizer nada. Por isso somente suspirou e voltou á abraçar os joelhos. Ela tremia batendo a arcaria dentária. Sua pele estava tão branca quanto a própria neve. Seu esqueleto tremia. Ela ainda podia sentir o impacto da mão quente e grossa de Noah em sua fina e delicada pele. Ela queria senti-lo mais. Por um instante imaginou as mãos de Noah envolvendo-a e apalpando seu corpo, aquecendo-a. Simbad não tinha aquelas mãos... Não! O que está pensando, Kaya? Que coisa mais feia! E ela continuou á tremer. Noah pousou novamente a mão quente em seu ombro, dando novamente um choque térmico em Kaya. Ela ergueu os olhos. — Eu vim aqui te agradecer. A Lucy me disse que você a ajudou depois do pesadelo. Eu estava ocupado... — Ah, tudo bem. – aquela sensação de querer as mãos de Noah para si voltaram novamente. — Você está parecendo um cadáver, está muito fria... Kaya espirrou. — Vou te emprestar minha camisa de frio, mas não conte á ninguém que eu a tenho. — T-Tudo bem. – Kaya concordou. Vestiu a tal camisa de Noah e se despediu dele. Estava muito mais aquecida agora. As pernas ainda estavam desprotegidas, porém ela se sentia inteiramente coberta. O frio não a atingia mais. E ela não conseguia entender porque, mas sabia que não era pela blusa, e sim pelo cheiro nela contida. Isso a excitava.

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Uma certa loura fria

Notas finais
Próximo capítulo encerra o "Rio de Lava".