Your Hunger Games III - Fanfic Interativa
20 Lado Escuro
Notas iniciais
May Stanford
May atirou outro dardo em sua porta. O alvo já havia sido acertado mil e quinhentas vezes, mas ela estava entediada, fazer o que. No Distrito 7 não há muito o que se fazer. Ela tinha de se entreter atirando dardos na porta branca, enquanto Bryan não chegava. Ela sabia que Bryan tinha uma queda, quase um tropeço, por ela. Mas fingia não perceber. May odiava quando os garotos gostavam dela. Ela não precisava de ninguém para gostar de sua pessoa. Pensando nisso, ela atirou outro dardo, agora virando de ponta cabeça.
- Toc toc. – ouviu na porta do quarto. O pequeno apartamento só tinha dois cômodos, o quarto e o banheiro.
- Entra, Bry. – ela falou, enquanto recolhia os dardos de cima da cama.
- Tudo bem com você, May? – o garoto perguntou, entrando com um pacote em mãos.
- Sim. Bem, mais ou menos. Você sabe... Os Jogos...
- Sim. Ah, e eu trouxe uma coisa para você. Pros Jogos. Pra você lembrar de mim.
“Ah, verdade? Você trouxe alguma coisa para mim? Oh, que gentil! Não seria essa pacote mal embrulhado na sua mão, seria?”
- Ta aqui. – Bryan, tímido, lhe entregou o pacote.
Havia um bilhete nele.
“Com carinho, de Bryan. Fala sério, todo mundo escreve isso em presente de aniversário”
May sabia que ali teria ou uma caixa de bombons ou então alguma coisa romântica. Ela aceitaria, mas iria jogar no lixo assim que Bryan saísse pela porta. Ela tinha um dia para ficar livre, antes dos Jogos. Se bem que livre não é uma boa expressão quando se mora em Panem. May colocou a caixa na cama e então pegou um dos dardos em um montinho que havia feito e o atirou na porta.
- Bela pontaria você tem. – elogiou Bryan.
- Eu sei. – May respondeu, jogando outro dardo. – Eu faço isso desde...
- Sempre, é você já me disse isso. Então, preparada para curtir o último dia com o melhor amigo antes de voltar para casa como Vitoriosa?
- Então esse era o tal dia “O Ultimo Dia Com O Melhor Amigo” que você disse na carta?
- Sim. – Bry sorriu.
- Ah. – emitiu May, fingindo estar entusiasmada. Ela só queria ficar atirando os dardos...
- Que foi? Não quer sair? OK, nós ficamos aqui mesmo.
Bryan foi até a geladeira precária e então á abriu, tirando de lá de dentro as últimas reservas de May.
- Temos o que para comer? – ela fingiu não saber decor e salteado o que havia lá dentro.
- Pão com geléia ou... Geléia com pão. E ai, qual você escolhe?
- Hum... – May colocou o dedo no lábio. – Aceito um café.
- Ih, aqui não tem café nenhum.
- E que tal você ir comprar um para mim? – May sorriu.
- Como um bom melhor amigo, eu vou, mas saiba que eu desejaria estar aqui, em vez de lá na mercearia.
- É, eu sei disso. – May forçou um sorriso tímido.
- Quer que eu pague?
- Ah, se você puder. Sabe, minhas economias...
- Acabaram, sim eu sei. Te demitiram semana passada. Sinto muito.
- Não, tudo bem. Você fala isso como... Se alguém tivesse morrido. – May abaixou a cabeça, lembrando que seus pais e seus irmãos estavam mortos.
- Já volto, minha May. – Bryan beijou a testa de May e então saiu pela porta.
Ela suspirou e limpou a testa com o punho.
Se jogou na cama, e voltou á atirar os dardos no alvo da porta.
º º º
- Eu sei que você não gosta de mim. – Bry falou, enquanto se sentava ao lado de May, e lhe entregava a xícara do café recém coado.
- Sabe?
- Sim. E confesso que tenho uma queda por você, May.
- É, eu percebi.
- Percebeu? Eu dou tão na cara assim?
- Ahn... Um pouco. – May riu.
- Bem, tenho que tomar mais cuidado, então. – Bryan tomou um gole de seu café – AH, droga, esqueci que estava quente!
May riu e então tomou um gole profundo de seu café.
- AH, eu também esqueci!
Os dois caíram na gargalhada, enquanto suas línguas ferviam.
May gostava, sim, da companhia de Bryan. Só odiava quando ele ficava tentando chamar a atenção dela. Ser amigo dele era o que ela queria, não... Algo mais. E ela sabia que Bry não pensava assim. Mas ficou quieta, enquanto se perdia em seus pensamentos.
- E então, ansiosa pela Arena?
- Um pouco. Na verdade eu nem penso muito no assunto. Esses últimos dias eu só fiquei na cama, encolhida. Eu sempre quis vingar meus pais, mas... Agora eu tenho essa chance. Mas acho errado.
- Errado? Mataram seus pais, não é errado.
- É que... Eu sei que o Distrito 4, 11 tem a culpa. Mas eu queria matar os tributos que mataram meu pai, e meu irmão, não os que não tem nada á ver com isso.
- Mate-os, como um sinal de que sua família é forte.
- São só eu e eu. Bryan, não existe minha família. Minha irmã morreu e minha outra irmãzinha de seis meses morreu pois não havia leite materno para a amamentar. Minha irmã gêmea morreu, enquanto eu sobrevivi. Por que? Se eu morrer, o nome de minha família morre comigo.
- Não precisa ser assim. Você vence os Jogos, e então volta. E nós... E então nós fazemos uma família. A sua família.
- Não. – May fechou o rosto e então se levantou, enquanto pegava os dardos que ainda sobraram (cinco) e os atirava um a um, com uma força vinda da raiva que sentia. – Eu não pouparei ninguém. Enquanto eu não ver o sangue escorrendo pelas minhas mãos, eu não vou parar. Não irei construir uma família. Muito menos com você. Não terei filhos, e viverei para matar. Eles sentiram minha ira, e eu serei exaltada como campeã no Distrito 7. Eles não sabem com quem mexeram.
E assim, May se virou para Bryan, que estava sentado em sua cama, pálido, atônito, e tentando engolir em seco. Ela se virou, dando as costas para ele, e abriu a porta. E com um gesto fez com que ele se levantasse, e saísse pela mesma. May fechou a porta de sua casa.
Cansou de bancar a pobrezinha que perdeu os pais. Ela havia entendido a verdadeira razão de estar ali, ela era uma justiceira. E buscaria justiça até a última gota de seu sangue. Ela mataria todos e tudo. Um lado obscuro e sombrio foi aberto dentro de May. Um lado onde não cabiam sentimentos bons.
May Stanford
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