Your Hunger Games II - Parte Dois
6 Yuri Eaghmaoui
Notas iniciais
Yuri Eaghmaoui
Atravessei o lago nadando com dificuldade por causa da mochila extra, mas eu estava feliz. Havia conseguido escapar com uma ajudinha de Dasha, e mostraria a ela que eu sabia sobreviver sem ela. Mesmo que fosse apenas por algumas horas. Ela irá matar o garoto do 5 e nós iremos nos encontrar em algum lugar neste ferro-velho que parece não acabar nunca. Nós combinamos isso, não? Sim, foi exatamente isso.
Agora que minha voz estava voltando, eu poderia conversar com Dasha e esclarecer a ela que não foi culpa dela o que aconteceu semana passada, no trem. Eu é que tinha de protegê-la, certo? É claro que sim, eu sou o gêmeo mais velho. Sou responsável por ela.
- Vamos, Dasha, vem logo. – sussurrei enquanto escalava um trator de demolição. Havia muita poeira e fuligem ali, e era difícil se segurar.
O céu estava com o Sol a uma intensidade grande e refletindo os raios UVB. Dasha teria de passar um filtro solar quando voltasse. Me sentei no banco do motorista do caminhão de demolição, e abri a mochila. Uma corda, duas pistolas e... Duas garrafas d’água. Ótimo, a mochila perfeita para uma dupla de irmãos. O céu começou a ficar mais denso e frio, e as nuvens começaram a cobri-lo. Vamos Dasha, eu estou te esperando. Sempre vou estar.
- Vamos ver... – falei enquanto descia do veículo e caminhava até uma montanha com mais ferro-velho. Fiquei lá em cima, e coloquei a mão sobre a testa, para ver melhor. O Sol se punha, mas a única coisa que eu conseguia ver era mais pilhas e pilhas de entulho. Nenhuma árvore com comida, nenhum lago com água, nenhum abrigo realmente bom... Nada. Somente lixo e mais lixo. Será que a Capital estava sem dinheiro para fazer a Arena ou sem lugares novos e resolveu nos mandar para cá? Pro ferro-velho de Panem?
Tum. Foi o primeiro canhão disparado. Depois teve outro. E então mais um. E o quarto. Quatro canhões. Era o começo com menos mortes de todos os Jogos que já ocorreram. Com exceção do ano passado, que não começou na Cornucópia, mas sim em lugares diferentes da floresta, deserto e plantação. Mais tarde naquela noite, o hino da Capita me acordou, enquanto eu tentava dormir numa caixa de papelão de geladeira. A caixa não era quente, mas minha jaqueta me ajudava bastante. A insígnia surgiu no céu, e Dasha ainda não havia me encontrado. Se ela não me achasse, de manhã eu a iria procurar. O primeiro rosto a surgir no céu foi o de Peter Weelloy. Bobão. Ele era completamente apaixonado por Lia Behcker, e era capaz de fazer qualquer coisa para se exibir para ela. Idiota.Não devia nem ter visto o que o atingira. O próximo era Charles Stoddard, o cara do Distrito 5. O que Dasha tinha de matar. Sua missão foi concluída com sucesso, também com um irmão como eu, ela só poderia fazer sucesso, não? Sorri, e coloquei as mãos atrás da cabeça, enquanto via o rosto da garota do 7, Catarine McDoart. Ela tinha cara de fraquinha mesmo. O último morto perdedor do primeiro dia de Jogos Vorazes era do Distrito... Distrito 12. E se parecia muito com Dasha. Não, tinha os mesmos cabelos que ela, e as sardas... Os dentes retos e as covinhas... Era Dasha! Não, ela matou o garoto do 5, ela me protegeu e depois lutou contra Lia e saiu correndo para a fronteira. Mas Lia não havia morrido. Ah, não. Lia venceu minha irmã. Mas Dasha sempre fora melhor em facas do que Lia... Ah, cara! O que eu faço agora...?
- O que faço da minha vida?
- Tenha a honra de ser meu aliado. – um garoto sorridente se sentava do meu lado da cabine do caminhão. – Oi, eu sou o Ethan, deve me conhecer por causa da carruagem. – ele estendeu a mão. – Talvez não, eu quase nunca apareço. Então, aliados?
- Ethan?
- Sim.
- Nossa, não me lembro de você... – falei, honestamente.
- É, quase ninguém lembra. – ele deu de ombros. – Mas e daí? Eu tenho cinco Patrocinadores.
- Eu tenho dezenove...
- Ah, me desculpe, Senhor Chefe de Patrocinador.
- Não, eu não sou o que tem mais... Espera! Você estava na Cornucópia?
- É claro, meu jovem! Todos estávamos lá, não? – ele sorriu.
Os olhos de Ethan ficavam como linhas em seu rosto quando ele sorria, ele era um daquele típicos Tributos do Distrito 3, que tem aqueles olhinhos puxadinhos e sempre sorriem pra tudo, sem nem mesmo ter motivo.
- Sim, mas eu quero saber se você viu a minha irmã, Dasha.
- A gordinha?
- Ela não é gorda!
- Tá, calma, eu não disse isso. Sim, eu vi ela.
- Sabe como ela morreu?
Ele sorriu e assentiu.
- Então me diga logo! – exigi.
- Bem, o Peter enfiou uma lança da barriga dela.– ele deu de ombros.
- Mas o Peter morreu.
- Sim, quando a sua irmã meteu uma faca da garganta dele.
- Então a Dasha vingou a morte dela?
- Mais ou menos.
- Isso já me deixa um pouco mais feliz.
- Mas e ai, o que você tem nessa mochila? – ele perguntou.
- Só uma corda, dois revólveres e duas garrafas d’água. – respondi.
- Eu tenho uma capa de chuva e isso aqui. – ele me mostrou um martelo de garimpar nas minas, que eu conhecia bem. – Nem sei pra que serve, e a ponta esta sem corte.
- Isso é pra mina. – respondi. – Na pra manejar muito bem. Só que meu pai nunca deixou eu tocar nisso.
- Eu não sou seu pai. – Ethan sorriu e me entregou o cabo do negócio. Ou ele era muito confiante, ou ele não batia bem da cabeça. Desde quando se dá a sua arma para outra pessoa nos Jogos? Não entendo esse garoto.
A noite já estava com a Lua no alto do céu quando Ethan começou a cantar incontrolavelmente. O que tem na cabeça desse menino? Ele estava cantando algo que eu não conseguia entender, como se fosse outra língua.
- O que você está fazendo? – perguntei tampando os ouvidos, mas até que ele era afinado.
- Isso é uma velha música de guerra, feita pelos rebelados. Na verdade cada Distrito tinha um, e essa é a do Distrito 13, é a que eu mais gosto. A do Distrito 3 é meio que um grito de guerra, não uma música.
- Mas que língua é essa?
- A língua original de Panem. Normalmente era muito usada antes dos Jogos, mas assim que a rebelião terminou, foi substituída pelo inglês, outra antiga língua universal.
- Como você sabe tudo isso?
- Meu pai era professor de histórias do meu Distrito. Ele tem vários livros em casa, e a gente vive falando sobre a rebelião. A música está na minha veia, minha mãe tocava e cantava, e meu pai toca piano. Ele diz que eu herdei a habilidade com a voz de minha mãe, mas eu não sei não. Ela era magnífica. Eu sou só... Um garoto ruivo qualquer...
- Ora, eu também sou ruivo, e tenho minhas habilidades. – respondi.
Ethan sorriu para mim. – É. Sobrevivemos, não? Ao primeiro dia...
Concordei com um aceno de cabeça.
- Você deve me achar sem noção, né?– ele perguntou sorrindo.
- Um pouco, sim.
- É, todo mundo me acha.
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