Notas iniciais
E escrevi esse capítulo quando estava na casa da minha vó, e como lá não tem wi-fi eu não consegui postar, mas vou postar agora, e talvez eu escreva mais um capítulo!

Lucca Sant'Dio

- Isso não importa mais. – respondi sem diferença.

- Mas é claro que tem importância! – Selene disse. – Pra mim tem!

- Selene, é tudo mentira – segurei as mãos dela. – Eu nunca iria namorar uma menina e ficar com outra.

- Nem mesmo para ganhar Patrocinadores, Lucca? – ela perguntou olhando nos meus olhos, e soltando as minhas mãos.

- Selene, ela terminou comigo depois da Colheita, essa é a verdade! Eu e ela não temos mais nada!

- Só que você não me contou “dela”. – Selene fez aspas com os dedos.

Caesar limpou a garganta e se inclinou para frente. – Desculpa interromper, mas queremos mostrar um vídeo para você, Luca. – Caesar estralou os dedos e a luz ficou mais escura, e o telão atrás de nós brilhou. Lá estava o símbolo de nosso Distrito. Um Diamante de Prata, o mais raro que só nascia no solo do Distrito 1.

O símbolo brilhou e em seu lugar aparecer uma jovem menina ruiva, de pele claríssima e sardas salpicando seu rosto inteiro, os olhos azuis como pedras aquáticas e um vestido preto como se estivesse de luto. Ela estava com os olhos vermelhos, também, e inchados, e manchas de lágrimas estavam em seu vestido. Pepita. Aquela idiota, vagabunda...

- Oi, Lucca, meu amor. – ela forçou um sorriso, mas deu pra perceber que ela queria era chorar. – Como vai? Tomara que você esteja tão bem quanto eu. – ela limpou o nariz com um lenço. – Todos esses dias a única coisa que sei é ficar na minha cama, chorando, e lembrando de quando você passava as mãos nos meus braços, sussurrava no meu ouvido que me amava e... Eu imaginava a gente numa vida melhor. – ela começou a chorar e a câmera cortou, levando para outra cena, a dela mesmo, só que desta vez acabando de chorar. – Quero que saiba que você tem direito de fazer o que quiser da sua vida... Só não esqueça de quando a gente ficava deitado juntos na cama, esperando os dias passarem, quando mais nada importava para nós, a não ser ficar deitado um do lado do outro, vendo as sombras na janela. – ela fez um biquinho. – Eu te amo, Lucca Sant’Dio.

A luz voltou ao normal e Caesar falou alugma coisa, mas assim como Selene, eu estava perplexo e olhando fixamente para a tela que agora brilhava com os nossos rostos, quando fomos para o desfile. Ouvi um gemido de Selene, choro. Ela iria chorar.

- Selene, é mentira... Acredita em mim... – tentei falar, mas ela já havia começado, e ninguém a pararia.

Olhei para Caesar, ele parecia com cara de consolação, como se pudesse sentir o que ela sentia. – Eu entendo. Selene, ser enganado nem sempre é bom. – ele falou.

- O que? Eu não enganei ninguém! – gritei. – Essa filha da puta está mentindo! Quando eu fui sorteado, ela disse que nunca mais iria me ver ou que eu nunca iria ter chances de voltar para casa! Ela era uma vagabunda, e ainda é! Só porque eu tirei uma nota alta nos treinos ela acha que eu vou “voltar” com ela. Vai tomar no diamante, Pepita! Eu quero é que você morra! Mas não mexe mais comigo, entendeu? A Selene,é minha, e se você se arrependeu, eu não estou nem ai! – gritei para o alto.

Selene deitou no meu colo e abraçou minha cintura. Passei os braços por seu pescoço e o outro debaixo de seus joelhos, pronto para carregá-la a qualquer momento. Mas parecia que meus minutos com Caesar não passavam, ele ao dizia que eu podia ir, ou que ele sentia muito.

- Então, Lucca Sant’Dio, vejo que você é um arrasa-corações, não? – ele perguntou com um sorrido.

- Ah, cala a boca. – mandei.

- Senhoras e senhores, Lucca Sant’Dio e Selene Densverouix! – ele disse e todos aplaudiram. Mas eu nem liguei. Segurei Selene nos braços, e me pus a caminhar para os bastidores. Ela soluçava e molhava minha camiseta de botão branca, mas eu não estava nem ai. Aquela vadia ainda me pagava.

º º º

- Verdade? Vocês terminaram mesmo? – Selene perguntou quando já havia chorado tudo o que podia.

- Sim, eu juro com todo o meu coração que a única pessoa com quem eu já estive foi você, Selene. Eu e a Pepita nunca transamos!

- Mas ela disse...

- A gente tinha quatorze anos, ela morava numa fazenda com a família. – contei. – Havia um estábulo com cavalos que ela amava, e ela dormia encima do feno que dava de comida para eles. Eu ia lá as vezes, e a gente ficava deitado em cima de feno.

- Mas deu a entender...

- Shiii... – coloquei o dedo em seus lábios. – Eu só me deitei de fato com você, Selene. Não espero que você diga o mesmo, só quero que saiba. – me aconcheguei em seus seios.

- Eu também. – ela sussurrou de volta, passando as mãos sobre meus cabelos.

º º º

- Acordem Diamantes! – Rubi entrou em nosso quarto e tirou as cobertas de cima de mim. – Vamos, os dois. – ela mandou – Eu sabia que depois de discutir vocês não iriam fazer...

- Tá, eu to acordando! – gritei interrompendo-a.

Só escutei o riso abafado de Selene, e me dei conta de que ainda estava dormindo por cima dela, e seu rosto estava vermelho, como o de quem quer respirar.

- Desculpa.- falei.

Ela sorriu para mim e me beijou, enquanto passava as mãos pelos músculos da minha barriga. Beijei-a e puxei seus lábios, enquanto nossas línguas se encontravam. Segurando seus braços e beijando suas maçãs do rosto.

- Passa as mãos nos meus braços também. – ele pediu.

- Eu faço coisa melhor com você. – respondi.

- Ahn, o Jouro quer conversar com vocês. – Rubi nos interrompeu.

º º º

Eu e Selene saímos de nossos quartos após trocar de roupa. Jouro e Rubi estavam sentados na mesa de jantar com cara de gente séria. Ele pareciam estar tendo uma discussão. Rubi, com seus cabelos da mesma cor que o nome, estava vermelhíssima, e Jouro negava com a cabeça tudo o que ela dizia.

- Jouro, Rubi? – Selene se sentou na ponta da mesa.

- Oi, querida Selene. – Jouro respondeu.

- O que está acontecendo? – ela perguntou com aquela voz doce e suave que eu adorava ouvir.

- Não é nada. É só uma coisa minha e de Rubi, vocês não precisam se preocupar, mas agora, eu tenho de dizer uma coisa.- ele se inclinou na cadeira. – Sobre os Jogos. Hoje as cinco horas da tarde eles iram buscar vocês dois e os outros Tributos para irem para a Arena. Eu e Rubi não poderemos acompanhar vocês, mas Flower e Jumper iram. – Jouro juntos as mãos. – Não importa o que aconteçam, fiquem na Cornucópia. Não deixem ninguém pegar as armas que vocês tem lá.

- Por que? – perguntei.

- Lia e Peter me disseram a estratégia, eles irão fazer um circulo com os Carreiristas para defender a Cornucópia dos outros. Não precisam matar os outros agora, somente espante-os de lá.

- Certo, mas quem disse que a Lia é a chefe? – Selene perguntou.

- Você tem uma estratégia? – Jouro perguntou a ela.

- Não, mas...

- Exatamente, ela parece que foi a única que ficou pensando nisso.

Selene resmungou algo . – Foi uma má idéia nos juntarmos a eles. – ela cruzou os braços, emburrada.

- Nada disso, — interrompeu Jouro – Foi uma ótima idéia, na verdade.

Ela estava prestes a falar alguma coisa, mas foi interrompida por Derick.

- Quinze! Quinze! Eu consegui!

º º º

- Você conseguiu o que? – Rubi perguntou.

- Eu consegui quinze novos Patrocinadores, e com os outros são vinte e três! Temos vinte e três Patrocinadores! Somos os que tem mais, em segundo lugar está o 12, com dezenove.

- Otimo. – Selene deu de ombros. – Assim não precisamos dos Carreiristas.

- Não, vocês ainda precisam deles. Selene, minha filha, se Lucca ou você falharem, eles poderão fazer algo.

- Eu e Lucca nunca iremos falhar! – ela gritou e levantou exasperada. – E eu vou provar isso! Eu e o Lucca iremos nos virar sozinhos!

- Sem os Patrocinadores? – Jouro ergueu uma sobrancelha.

- Não precisamos de Patrocinador nenhum! – o orgulho de Selene era imenso. – Nós somos suficientes sozinhos. Temos um ao outro, não?

- Selene, você é como uma filha para mim, mas isso não me impede que eu fale que minha filha está sendo burra. Selene, uma faca, uma caixa de fósforos, ou até mesmo uma gota de água podem ser a diferença da vida, para a morte. E você só consegue isso com os Patrocinadores.

- Otimo. Eu fico com os Patrocinadores e com o Lucca. – ela respondeu.

- Selene, ele tem razão... – tentei intervir, mas ela só apontou o dedo para mim e gritou com os dentes cerrados:

- Você só quer me deixar nas mãos dos Carreiristas e sair fora! Você não me ama de verdade, você ama é aquela ruivinha lá! Eu te odeio, Lucca Sant’Dio! Ah, eu odeio todo mundo! Que droga!

- Isso é normal, — Rubi respirou fundo. – é TPM.

- Não, são os hormônios mesmo. – Jouro se levantou e pegou seu casaco da cadeira. – Grávidas costumam explodir.

º º º

- Grávida?! – Selene gritou.

- Encare os fatos, Selene, eu ia te contar isso na Arena, mas está na cara, não? Você tem saído a noite para ir comer chocolate na cozinha e fica chorando enquanto toma banho. E além do mais, enquanto você estava dormindo eu tomei a liberdade de tirar uma foto sua, e a enviei para os Idealizadores. E advinhe! Você está com um “corte” na produção de óvulos, e o interior do seu útero está se transformando para abrigar um feto.

- Não, eu menstruei esses dias! – ela interveio, com a voz mais calma.

- Selene, você não queria, mas... Aconteceu. – Jouro deu de ombros. – Aceite. Ah, Derick, pode colocar isso nas revistas: A mais bela moça dos Jogos também é mamãe. E coloque que quem fez a descoberta fui eu, obrigado.

Derick abriu um sorriso ainda maior do que estava exibindo. – Patrocinadores, ai vou eu! – ele gritou enquanto entrava no elevador novamente. Encarei Jouro. – Você quer tornar isso público? – perguntei. – Sim, Lucca. Isso gera mais Patrocinadores, sabia? E preferêcia para o público. – ele explicou. – Mas você nem se importou em nos perguntar antes! E se a gente não quisesse ter um bebê? Você podia ter guardado para si mesmo, não?

Selene colocou a mão no meu braço. – Eu aceitaria. – ela falou. A encarei. Ela aceitaria? Como assim aceitaria? Ele estava mostrando para Panem inteira que tinha um bebê dentro dos Jogos, e os Carreiristas poderiam usar isso contra nós, ou contra mim. Ah, cara! Onde eu fui me meter... ?

º º º

4:57 três minutos para a Arena. E eu e Selene ainda estávamos sentados no sofá de nosso apartamento, calados, esperando o pior chegar. A essa hora todos na Capital só falavam de nós, e Jouro disse que eu e Selene teríamos de ser levados para o avião por meio de um carro blindado, pois havia uma multidão do lado de fora esperando por nós. E que os outros Tributos não estavam gostando nada disso.

- Você acha que os nossos atos foram desesperados? – ela perguntou.

- Como assim?

- Quando a gente foi fazer, nem passou pela nossa cabeça que poderia... Acabar assim. Eu to grávida, e estamos a beira de ir para a morte. Eu posso acabar morrendo na Cornucópia quando todos se juntarem para me matar... – ela falou.

- Não, eu não deixaria. – respondi.

- Eu amo você, Lucca, sempre saiba disso. – ela colocou a mão na minha perna.

- Eu também te amo, Selene. Mais do que você imagina. – beijei suas mãos.

Ela se aninhou em mim, e eu a abracei. Nunca passou pela minha cabeça que a filha do prefeito poderia ser... tão assim. Emily, eu te amo!

º º º

60. 59. 58.57.

Olhei para os lados. A minha direita estavam Chuck, Peter, Dasha e o garoto do 11. A minha esquerda estavam Yuri, Chase, Donna e Miley. Procurei por Selene, mas ela estava fora de minha visão.

42. 41. 40. 39.

A minha frente estava a Cornucópia, com sua grandiosidade e seu formato em chifre. Percebi que minha plataforma brilhava e nela algo como uma seta indicava minha diagonal.

25. 24. 23. 22.

Segui aquela direção com o olhar. Me inclinei para o lado para que pudesse ver melhor. Lá estava a minha Selene. E Lia. As duas. Uma do lado da outra. A Capital queria mesmo que elas se matassem.

18. 17. 16. 15.

Em volta da Cornucópia havia armas, mochilas e sacos com frutas. Olhei para a minha localização: Uma relva densa e verdes escura. Um círculo de lago rondando a relva, e dividindo os lugares em ilhas. Do outro lado do lago, ao norte, leste e sul montanhas e pilhas de sucatas e ferro velho. A oeste um precipício junto com uma cachoeira de mais de cinqüenta metros. Não era possível dizer se tinha ou não um fim.

09. 08. 07. 06.

- Cinco. Quatro. Três. Dois... – dizíamos em uníssono, como se tivéssemos ensaiado aquilo. Hipnotizados com o tempo que ainda nos restava antes daquilo.

Todos começamos a correr em direção a Cornucópia. Não avistei Selene nem Lia, mas Peter estava logo atrás de mim. Le pegou uma lança mais próxima e se virou de costas para a Cornucópia, defendendo-a de quem tentasse pegar algo. Peguei uma espada não muito grossa e leve e fiz o mesmo. A Cornucópia era nossa. Era dos Carreiristas. Com o canto do olho vi Dasha lutando contra um garoto. Sorri. Ninguém era páreo para os Carreiristas, e Dasha era uma.

- É o Charles! – Peter gritou do meu lado.

Como? Charles? Foi tudo tão rápido que eu só me liguei assim que ouvi o grito de Selene, mas não era o grito de quem estava morrendo, era o grito de quem estava enfiando a cabeça de alguém em uma adaga. Mas mesmo assim eu queria estar perto dela. Principalmente agora com o bebê.

Selene estava lutando com Catarine McDoart, que mal segurava um escudo. Selene era habilidosa, era perfeita, maravilhosa. E estava com a adaga cortando o pescoço de Catarine, sentada sobre ela, quando logo vi Lia atrás dela, prestes a matá-la pelas costas.

- Traição! – gritei, e me joguei em cima de Lia, jogando-a longe. Peguei o braço de Selene e corri com ela, mesmo sem saber para onde, quando chegamos no rio, e disse que sabia nadar, e foi a vez dela me puxar enquanto nadava. Alcançamos o outro lado e saímos correndo, mal víamos o que estava na nossa frente, quando caímos do precipício.

Notas finais
Se alguém me perguntar se o Lucca e a Selene morreram eu vou dar um peteleco no nariz! Gente, vocês tem de prestar atenção nos Spoilers que eu mando! HAHA'
Será que eles morreram mesmo....
Beijos! Comentem!