Notas iniciais
A pedido da Carrie, o capítulo da Lia com a biografia dela, ou pelo menos parte, o Caio eu inventei, ou melhor, peguei da minha outra Fanfic "SOrria, eu estou te olhando". Beijos, boa leitura!

Lia Behcker

Acordei, com a cabeça latejando. Havia um filhote de algum bicho sarnento ao meu lado. Tentei tirá-lo dali com um acenar, mas ele continuou em sua pose. Ao me levantar, percebi que não era um filhote, e sim um lobo crescido e confiante. Ele era totalmente negro e tinha olhos azuis e gélidos como um lago congelado. Ele estendeu seu fucinho, e eu o acariciei e sorri. Tão dócil, não deveria fazer mal a uma mosca! Neste instante, um passarinho que voava felizmente, pousou na Cornucópia, e o lobo negro e grande, latiu tão forte e alto que até me assustou, mas o passarinho saiu voando, e o lobo volto a pedir carinho. Acariciei atrás de suas orelhas e ele mostrou a língua estranhamente azul.

- E ai, grandão, está com fome? – perguntei. E o lobo negou com a cabeça. Ele me entendi? Que legal! – E você tem um nome? – O lobo assentiu com a cabeça. — Qual? Pretão?

Ele negou.

- Neguinho?

Ele negou.

- Black?

Ele assentiu e abriu uma espécie de sorriso-amostra-grátis-de-dentes-do-terror. Acariciei sua cabeça e levantei, com as pernas bambas.

- Você sabe o que aconteceu...? – perguntei.

Black começou a farejar minhas pernas e então saiu correndo do nada, e nadou pelo Pequeno Lago, disparando para a Floresta de Entulho. Não sei o que eu havia dito de errado, mas senti algo muito estranho. Meu hálito não estava no habitual, ele parecia... Sangue. Sangue puro. E era horroroso aquele gosto. Olhei para onde eu havia dormido, havia pedaços do corpo de uma pequena lebre. O que eu havia feito...?

Respirei fundo e fui cambaleando até o lago, e lavei minha boca.

º º º

- Na Arena, você não pode ter dó nem sentir pena de ninguém, Lia. Lá você tem que matar, pra preservar a sua vida. Não precisa ter medo, isto é natural, minha querida. Pessoas se matam por qualquer coisa, mas ser jogada em algum canto de Panem para duelar por sua vida, isso é um bom motivo para matar sem dó. Entendeu?

- Mas vô, e se eu conhecer alguém lá?

- Não dê importância. Sabe porque eu não quero que você estude em uma escola, como as outras crianças, mas sim aqui comigo?

- Não.

- É porque na escola você faz amigos. Aqui, a única pessoa que você tem sou eu, papai e mamãe.

- Praticamente somente você. – Lia deu de ombros.

- Mas eles te amam tanto quanto eu. – Vô Tadeu a abraçou forte.

Lia se aconchegou no abraço do avô e passou o queixo na barba branca do velho. Tadeu sentou sua neta em sua perna esquerda, e com a mão direita pegou o que queria mostrar a garota depois daquele diálogo já planejado em sua mente a muitos dias.

- Isto, é o que você irá usar. – ele disse. – Uma lâmina.

Os olhos de Lia brilhavam de excitação. Uma lâmina, só para mim, era o que a garota conseguia pensar.

º º º

Encostei a cabeça na Cornucópia, e fechei os olhos. Aquele velho estava lá, me vendo aqui. Ele deveria estar gritando com a TV e dizendo a ela que eu deveria entrar em ação logo. Usar meus instintos. Instintos. Os instintos de matadora que ele tinha infiltrado em mim.

º º º

- Olha lá! – elas riam de Lia. – É espinhenta!

- Fiquei sabendo que ela não beijou ninguém.

- Sabia que tem mais de cem espinhas só na cara dela?

- Ela é neta do Papai Noel!

Pronto. Aquele era um motivo que Tadeu não havia dito para ela ignorar. Um soco no nariz daquela ruiva idiota. E de suas amiguinhas loirinhas também. Que legal, a pirâmide social de meu Distrito é mais ou menos assim:

Ruivos – Riquíssimos!!

Loiros – Ricos

Morenos – Analfabetos

Indígenas – Quem são eles?

Eu não ia a escola, mas isso não era motivo para eu não poder aprender a ler e escrever. E além do mais, aquelas frescas não sabiam nem como manejar um canivete suíço! Eu treinava com os garotos, e eu era uma das melhores entre eles. Elas mal sabiam os nomes daquelas espadas, e eu já sabia atirar facas com os olhos vendados. O problema, é que eu sou morena. Morenos são como uma classe mais baixa do que os porcos. Respirei fundo e esperei que o meu mentor viesse me repreender pela milésima vez dizendo que eu tinha de deixar elas pro lado, e só bater nelas fora dos treinos.

- Eu daria um soco extra no nariz desta aqui. – ouvi a voz do novato ao meu lado. Assim como eu, ele era moreno. Só que possuía olhos castanhos, e isso já o fazia ser pior que eu. Ele estava se direcionando a mim, mas estava falando sobre a ruiva que me fazia de gato e sapato.

- Prefiro pegar ela na saída.

O garoto sorriu, e colocou o braço sobre meus ombros, me conduzindo até o local onde estava nosso mentor, e o resto dos alunos. Ele sorriu, e disse: — Sabia que se eu não te tirasse de lá as meninas iriam te matar?

- Sim. – respondi. – Mas eu não estou nem ai, se elas me matarem. Seria até melhor.

- Não diga isso, uma guerreira da nossa raça como você não pode morrer assim.

Sorri. Nossa raça. Finalmente alguém com quem eu poderia compartilhar minha raiva dos brancos. Sou morena, não branca.

- Meu nome é Caio. – ele disse. – Só fui permitido entrar na Academia esse ano. Sabe, eu tenho 16. Os meninos do nosso tipo não podem treinar antes que isso.

- Sim. Não entendo por que as meninas podem aos 8.

- Bom, é porque ninguém espera que uma menina se saia bem em... Luta. Além do mais, é verdade, olhe suas amiguinhas ali. – Ele apontou para o grupo de loiras e a ruiva. – Elas mal sabem relar nisso aqui. – ele me mostrou uma pequena faca enferrujada e sem corte que era um presente de meu avô quando começamos a treinar.

- Ei! Me dê isso! – peguei de sua mão.

- Tudo bem, mas se você quer mesmo ficar com essa tranqueira...

- Isso é um presente do meu vô. – falei cuspindo as palavras na cara dele. – Nunca mais toque nela.

- O.K., não vou mais tocar nela. – ele ergueu as mãos. – Mas nisso eu posso? – ele me mostrou o meu canivete de bolso.

- Ei! Onde conseguiu... ? – corri atrás de Caio.

- Vamos dizer que eu sei bem como roubar as coisas. – ele sorriu.

Não. Meu avô tinha dito que era assim que os garotos começavam a se aproximar. Eu não tinha ido para a Academia para aprender a paquerar, e sim para aprender a matar. Respirei fundo e peguei uma espada, e exigi meu canivete. Caio de de ombros e me atirou a coisa, cortando feiamente o meu dedo.

- AAIII! – exclamei.

Chamando a atenção da minha classe de alunos, e da classe das meninas. O meu mentor pegou minha mão sem se importar com minha dor, e verificou. – Quem fez isso? – ele perguntou a todos os meninos em volta. Caio limpou a garganta. – Foi sem querer, senhor. – meu mentor o pegou pela orelha e o levou até o canto da Academia. O lugar era afastado, e eu não conseguia ver nada, pois tinha muita gente querendo ver o estrago em minha mão. (E foi um estrago mesmo, saiu metade do meu dedo, na diagonal. Sorte que não penetrou no osso, mas que ficou visível ficou.) Mas eu ouvia os gritos de Caio, e o treinador batendo com a prancheta em suas costas e cabeça. Assim que todos se afastaram, meu mentor me ajudou a levantar, e disse que Caio iria cuidar da minha mão, até eu estar boa o suficiente pra bater na cara dele. Meu mentor sabia que eu batia nos meninos que tiravam onda comigo...

- Desculpe, eu não queria... – Caio enfaixava minha mão.

- Tudo bem. Você é um da raça, não? Estamos juntos. – respondi.

- Sim, somos dois juntos, e eles são minoria.

- Minoria? Você sabe quantos loiros existem aqui do Distrito 2? – ergui uma sobrancelha.

- Eu quis dizer que somos mais fortes que ele.

- Ah, sim,somos sim. – concordei.

- Bom, terminei. – ele disse e se levantou. – Tome cuidado. – e beijou minha testa.

º º º

- Onde você estava, Lia Behcker? – meu avô perguntou, alterado.

- Eu perdi a hora, desculpa. Não irá acontecer de novo.

- Você passou a noite toda fora! Sabe o que eu iria pensar... ?

- Sim, vô, eu sei. – revirei os olhos e fui para meu quarto.

- Mocinha, espere aqui um instante! – parei e me virei, com os braços cruzados. Meu avô percebeu que eu estava me segurando, e bufou. Esse velho era o que eu mais amava. – Só... Me diga antes para onde vai. – ele disse.

Suspirei. – Sim vô, eu dormi com um menino.

E entrei no quarto.

º º º

Lia Behcker não é virgem! Sei que ninguém nunca acreditaria se eu falasse. Caio, eu e ele lutamos pela nossa raça na Guerra. Não foi uma Guerra, mas sim uma competição entre pardos, apaches, alemães e russos. Nos lutamos lado a lado, ele me defendia e eu defendia ele. Mas ele morreu nessa pequena competição. Eu não. Acho que a única pessoa com a qual eu poderia contar e confiar seria ele. Peter é loiro, e eu nem sei porque ele gostava de mim. Selene é loirinha, isso já me faz sentir um ódio tremendo dela. Dasha era ruiva, o que só aumenta minha raiva. Eu considero Camille como uma irmã de raça. Eu preferiria matar Peter do que matar ela. Mas eu vou matá-la, um dia. Vou matar todos, e mostrar pro Distrito 2 que não é a cor do meu cabelo os da minha pele que determina se eu sou forte e guerreira, mas sim o espírito dentro de cada um.

Notas finais
Mandem reviw e recomendem a Parte Dois!! Queria pedir desculpas a Jack e André, eu vivo confundindo vocês dois...