Your Hunger Games II - Parte Dois
5 Dasha Eaghmaoui (Final)
Notas iniciais
Dasha Eaghmaoui
Eu e Yuri fomos colocados em uma esteira que deixava nossos corpos em estátua. Ele podia estar fixado no lugar, mas ainda segurava minha mão com firmeza. Nossos olhos não se desgrudaram nem por um segundo, e fizemos questão de sentarmos um do lado do outro. Poderia ser o fim para um dos dois. Poderia ser a última vez que nos víamos. Não soltei a mão de Yuri. Meu irmão e eu nunca fomos tão próximos como agora.
Ainda me lembro do que acontecia há dez minutos.
- Dasha, Yuri? – Katniss abriu a porta. – Está na hora.
Eu e Yuri saímos de nosso quarto calados. Atravessamos a copa e o corredor assim, e no elevador quase não se ouvia as respirações de tanta apreensão. Yuri segurou minha mão e não olhou mais para mim. Beijei sua bochecha e o abracei forte. Um de nós não iria voltar, eu sentia isso. E nem podia pensar na idéia de que fosse Yuri.
- Eu sei quem eu devo matar. – sussurrei.
- Quem? – Leo conseguiu me escutar.
- Charles. – respondi com a voz ainda baixa. – Ele é quem mantém todos unidos, sem ele nós nos mataríamos.
- Ótimo, Dasha, muito inteligente. – Leo colocou a mão em meu ombro. Era a primeira vez que ele era o conselheiro de alguém. Ele estivera nos Jogos do ano passado, e ainda dava para sentir que ele tinha pavor de se lembrar daquilo.
Quase como de imediato, me virei para Yuri e disse ainda com a voz baixa: — Se eu matar o Charles, os Carreiristas vão se alto destruir. Eu vou matá-lo na Cornucópia, e depois nós dois iremos sair correndo. Eu ia dizer que era pra você ir sozinho, mas a Singrid não está mais nos Jogos, ela ia proteger você. – Yuri nem se quer olhou para mim. – Yuri, entenda, eu não te trai, eu só me juntei aos Carreiristas para te proteger. – ele continuou a me ignorar. –Olha, eu amo você, Yuri, você é meu irmão gêmeo! Nós somos colegas de útero! – Nada. – O que foi?
Yuri olhou para mim com um olhar triste, e balançou a cabeça, como se estivesse conversando consigo mesmo. Eu o amava tanto... – Eu não chamei a Singrid para te proteger porque não confio em você, eu chamei a Singrid porque eu queria ter certeza de que nada aconteceria com você. Yuri, eu amo você demais, eu morreria se fosse preciso. – segurei seus ombros. – Você entende isso? Sabe como é isso?
- Não fiquem na Cornucópia, ou se ficarem, só peguem o que precisam e vão embora o mais rápido. – Katniss disse quando a porta do elevador se abriu e os Tributos do Distrito 7 estavam entrando.
Yuri estava calado. O que mais esperar dele? Eu havia quase matado ele, havia me juntado ao Carreiristas, como eu poderia pedir para ele não duvidar de mim? Respirei fundo e me tornei muda como ele. Os Tributos do 7 não precisavam saber da nossa briga familiar. Voltei a segurar a mão de meu irmão. Mesmo ele não querendo.
Agora nós estávamos a caminho da Arena, junto com outros 10 Tributos. Eram dois aviões para levar de doze em doze, e por sorte eu fiquei no mesmo avião que Yuri. Uma mulher negra passava colocando nossos rastreadores. Yuri mordeu os lábios quando foi sua vez de receber o rastreador. Segurei sua mão com mais intensidade, e ele me olhou, com uma palavra sem som saindo de seus lábios: Obrigado. Tive vontade de abraçá-lo forte mais uma vez. Mas eu não poderia fazer isso agora que estava sentada na cadeira do avião. Então estiquei meu pescoço, e beijei sua bochecha mais uma vez. Ele se ligou, e trouxe o pescoço para perto de mim, também. Beijei-o mais uma vez, e ele sorriu.
- Dasha. – saiu de sua garganta.
- Yuri? – sussurrei. – Você falou... Falou meu nome?
- Eu amo você, irmã. – ele forçou sua garganta.
- Ora, eu também te amo, Yuri! – sorri.
- Vamos voltar, nós dois. – ele se esforçou novamente.
- Ou pelo menos você. – sussurrei mais baixo. – Não vou deixar que eu viva e você morra.
- Não. – ele negou. – Nós dois.
- Sim, nós dois.
O Avião estacionou e fomos encaminhados para subterrâneos. Foi a última vez que vi meu irmão antes dele ser colocado em uma sala diferente da minha. Quando entrei, vi Cinna. Ele estendeu uma mão e eu a apertei. Cinna não disse uma palavra, somente me ajudou a colocar minha roupa, e a entrar do elevador que me levaria a Arena. Ele me disse para ficar com o braço junto ao corpo, e não me mover muito para não acionar a bomba de 60 segundos.
Quando começamos a correr, eu senti aquele vento do norte rasgando minhas roupas, e esvoaçando meu cabelo. Nem olhei para os lados, fui em cima do menino do 5, e peguei uma faca, e a finquei em suas costas inúmeras vezes seguidas. Ele nem teve tempo, caiu morto. Limpei a lâmina da faca e vi Peter vindo em minha direção, mas ainda estávamos longes, ele não conseguiria me atacar. Procurei por Yuri no meio da multidão, mas ele não estava lutando. Olhei mais para perto da beira do lago que rodeava o nosso campo. Ele estava correndo para lá, com uma mochila em mãos, mas corria com medo de que algo o alcançasse. Olhei para trás, de onde estava vindo. Lia. Aquela cachorra desgraçada... Ela estava pronta para atirar uma faca nas costas de meu irmão, quando eu atirei a minha, no segundo antes de ela atirar a sua, fazendo as duas facas se encontrarem e caírem no chão. Lia me olhou com raiva enquanto meu irmão corria para longe dela, e atravessava o lago. Sorri, consegui. Salvei Yuri. Mas Lia parou enquanto corria em minha direção com uma faca, e colocou as mãos na cintura. Me virei, com a boca aberta em um grito sufocado. A lança de Peter estava presa em meu estômago. Peter sorria para mim e segurava o cabo da lança.
- Gordinha, eu disse que ia se arrepender.
Segurei a lança com força, e dei um passo para frente, enfiando-a mais para dentro de mim. Depois outro passo, e então até estar bem perto da mão de Peter, enquanto ele ria, eu o tinha sobre minhas mãos. Como? Peguei a única coisa que eu havia trazido de fora para dentro dos Jogos, minha faca preferida. A tirei de minha bota, e cortei o pescoço de Peter, no mesmo instante em que caia morta. Pelo menos eu protegi Yuri, cumpri meu dever.
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