Your Hunger Games II - Parte Dois
13 Chuck Amudsen
Notas iniciais
Chuck Amudsen
Havia se passado uma semana, e eu não conseguira achar o outro dono do mapa. Funguei para mim mesmo enquanto passava por aquela floresta de neblina, tirei os galhos do caminho e cheguei rapidamente até o Cemitério, que fedia muito. Passei rapidamente por ele e logo estava de cara com a Floresta Sem Nome. Agora era só encontrar Camille e lhe contar o meu vacilo.
- Cami! – gritei. – Eu estou aqui!
Ninguém disse nada de volta.
- Cami!! – gritei novamente, ofegando.
- Charlie... – a voz vinha do meu lado esquerdo, e era mais um sopro do que uma voz.
Virei-me naquela direção, e me dei de cara com uma morta-viva. Camille McGrath, pele e osso. Ela tinha os lábios ressecados e a pele desidratada. Havia uma pilha de maçãs ao seu lado, e em uma de suas mãos havia uma maçã mordida pela metade e já podre. Me ajoelhei e peguei rapidamente a garrafa de água de minha mochila, e coloquei na boca dela, com outra garrafa e joguei água em seu rosto e em seu corpo, ela abriu um leve sorriso, mas não moveu um músculo. Peguei uma tigela de sopa e a coloquei nos lábios de Cami, ela cooperou e engoliu o caldo com vontade. Até se engasgou, e eu bati em suas costas levemente.
- Por que você...
- Acabou. – ela indicou com a voz fraca e o dedo apontado, a garrafa cheia de terra do outro lado do campo de belas árvores frutíferas.
- Oh, me perdoe, Cami, eu não consegui calcular direito quando a água acabaria. – beijei sua testa. E lhe dei mais um pouco de água. Aos poucos, a energia dela foi voltando, e ela parecia estar muito mais disposta. – Estou feliz por não ter morrido. Infelizmente eu não consegui encontrar o dono do segundo mapa. Eu prometi que não voltaria sem o mapa, mas não pude agüentar. Entende?
- Claro. – ela sorriu. – Eu não agüentei, também.
- Ah, minha Cami, desculpe!
- Tudo bem, Charlie.
- Tenho certeza de que se fosse o Devon não teria saído daqui...
- Não se compare a ele. Ele é bem melhor. – ela sorriu.
- Nossa, obrigado.
- Mas você é um pouquinho bom.
- Ta, pra Ypê eu sou o melhor de todos.
- Claro.
- Você não liga. – perguntei.
- Não. – Camille deu de ombros. – Afinal ela é praticamente sua noiva, não?
- Ah, bem... – me engasguei.
Sinceramente, nesses dias perto de Camille, eu comecei a me perguntar se Ypê é realmente a mulher que eu quero para mim. Lógico que Ypê é um doce de pessoa e é bondosa, mas... Acho que eu não quero uma mulher somente para limpar e fazer o almoço, eu quero uma mulher com quem e possa explorar o mundo, com quem eu possa dividir os segredos mais profundos e obscuros, que se eu contasse a qualquer um a Capital ma mataria. Queria dividir esta experiência única de estar na Arena. Queria que fosse Camille. Simples assim. Sei que desejar isso é errado, já que ela pertence a outro homem, mas... Acho e parece que vale muito mais apena Camille do que Ypê. Respirei fundo e soltei aos poucos. Onde eu estava com a cabeça? Ypê já estava soltando boatos de que estivesse grávida de mim, e eu aqui ponderando sobre a probabilidade.
- Estou morta de cansaço! – Camille exclamou e se virou de costas para mim. – Vou dormir.
- Tudo bem. – respondi.
Me apoiei na árvore onde ela se encostava e ergui a cabeça para o céu. Ypê. Onde estaria a minha Ypê... ? Será que ela ainda era minha? Tinha tanta coisa que eu queria saber naquela noite, mas eu mal conseguia pensar, enquanto ouvia a respiração de Camille. E se seu pulmão parasse naquele ato no mesmo instante? E se seu coração parasse de bobear sangue e seu cérebro morresse? Eu choraria sua morte, ou reconheceria que Camille foi apenas uma fase, e que meu amor verdadeiro é Ypê? Fechei os olhos firmemente, e adormeci.
Acordei com Camille segurando meu ombro, e me beijando suave e docemente. Ela, ao ver meus olhos abertos, se afastou rapidamente, e logo vi suas bochechas rosadas. Sorri e vi que já havia escurecido, e Cami segurava minha mão.
- Que tal nós fazermos um pequeno acampamento aqui? – sugeri.
Cami assentiu e se levantou, ainda não olhando em meus olhos. Nós recolhemos folhas e cipós e construímos uma cama aconchegante, para dois. Ela foi até a árvore onde eu a encontrara, e pegou uma maçã. A mordeu, e depois se virou em minha direção, e só então eu percebi que estava fitando ela de um jeito anormal. Camille fingiu não perceber, e caminhou até minha direção, se sentando na cama e mordendo a maçã mais uma vez. Me sentei ao seu lado e segurei sua mão livre, porém ela se desvencilhou, e voltou a morder sua maçã. Suspirei.
- O que foi? – perguntei.
- Você prefere a Ypê... – ela respondeu com indiferença. – Não quero ser seu passa-tempo.
- Eu prefiro você, pra falar a verdade. – sorri envergonhado para a grama.
- Uhum, sei. – ela jogou o resto da maçã para o lado.
- É sério, Camille. – falei buscando sua mão novamente.
- Eu acredito em você. – ela disse. – Mas eu amo o Devon.
- Tudo bem. – falei e dessa vez ela não retirou sua mão da minha.
Respirei fundo. – Que tal a gente ir dormir? – sugeri sem saber na verdade o que fazer.
- Claro. – ela concordou e se deitou. Me deitei ao seu lado, e a abracei pela cintura. Camille me ignorou complemente, mas devagar foi se soltando, e por fim, ganhei um beijo de boa noite nos lábios. Queria beijá-la muito mais do que somente aquilo. Queria fazer amor com ela, e queria tê-la somente para mim. Mas era impossível, então me conti somente com um beijo. Afundei meu rosto em seus cabelos, e a beijei na nuca.
E eu sabia, que naquele instante, eu amava Camille mais do que eu mesmo poderia amar qualquer outra pessoa. Ela era o que eu queria. Era o que eu tinha. Era o que eu lutaria para ter e conquistar. Ela era somente minha. E família nenhuma tiraria ela de mim.
Camille McGrath & Chuck Amudsen
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