Your Hunger Games II - Parte Dois
33 Camille McGrath (Exclusivo)
Notas iniciais
Camille McGrath (Exclusivo)
Segurei com todas as minhas forças para não dizer a Charlie que o filme que eu tinha dito na verdade era um de séculos atrás, que era ainda melhor do que a cópia que a Capital fez. Meu pai guardou a fita do filme que a bisavó dele havia lhe entregado, e foi com aquele filme que ele aproximou a mamãe. E é por causa daquela fita que eu estou aqui.
- Está bem, Cami? – Charlie me perguntou.
- Estou sim. – respondi.
- Então durma bem.
- Estou dormindo bem.
- Mas... Ah, tudo bem.
Fechei os olhos e demorei a dormir, mas consegui. Charlie estava bagunçando meus pensamentos. Eu não sabia mais que deveria ser ou não a pessoas ideal para mim. Devon era... Quem me deu atenção primeiro, a primeira pessoa que gostou de quem eu realmente era. E Charlie... Era o que eu sonhei, só que em uma espécie de amigo. Melhor amigo, talvez. Amizade verdadeira, quem sabe. Eu não sabia em quem confiar, ou em quem ficar. Se eu escolhesse Devon, eu já havia jurado morrer na Arena. E se eu escolhesse Charlie... Teria uma longa jornada pela frente; Talvez nós dois pudéssemos participar dos Jogos e voltar para contar aos nossos filhos sobre tudo isso.
- Eu quero morrer virgem. – falei.
Charlie riu. – Já era de se esperar de alguém com você.
- Isso foi um elogio ou...
- Esqueça, nem eu mesmo sei.
- Tudo bem...
Me aninhei em seu peito.
- Sabe, Cami, na verdade eu sei que nós não poderemos viver juntos para sempre. Sei que um de nós morrerá aqui, ou os dois. Mas eu só queria uma vez te beijar de verdade.
- Você não me beija de verdade?
- Não desse jeito. Eu queria que você me amasse na mesma intensidade que eu te amo.
- Eu vou chegar lá, um dia.
- Espero que não seja tarde demais.
- Eu não sei quem amar, Charlie.
- Me ame. Por favor.
- Eu não... Sei.
- Por favor, Cami, eu sei que sou melhor. Sei que ele não faria tudo o que eu faço por você.
- Eu sei disso.
- Mas porque você fica com esse pé atrás?
- Porque eu sim faria coisas inimagináveis pelo Devon.
- Você não deveria fazer isso.
- Eu sei. Mas não posso controlar.
Ele me apertou contra si mesmo e então suspirou alto.
- Eu amo você, Cami, e me dói todas as vezes que você diz que ainda sente algo pelo Devon.
- Sabe o que é? É que eu não sei se gosto de você porque estou longe do Devon e talvez nunca volte a vê-lo, ou se gosto de você porque eu realmente tenho... Uma atração por você.
- Sabe, eu tenho uma atração por você. Você é aventureira. Romântica ao seu jeito, e esperta. Bem esperta. Acho que, vendo agora, a Ypê não tinha nada a ver comigo. Não tínhamos química nenhuma.
- E mesmo assim funcionou.
- Por um período em que eu pensava que era melhor eu ter uma namorada do que ficar segurando vela.
- Você não tem cara de ser... Badboy.
- Eu já fui. Quando os caras começaram a encher meu saco, eu entrei pro time de basquete do colégio. Lá eu me tornei popular, e então os negros começaram a querer conversar comigo, e você sabe como os negros são os... “Fodas” do nosso Distrito 9. Eu me senti o máximo. Mas quando tentei namorar uma das morenas que ficavam em volta deles, eles quase me mataram. Disseram pra mim catar “uma da minha raça”. Então eu fui pra rodinha das meninas populares, e quem estava lá? Ypê, ela namorava um guri cinco anos mais velho que ela, e como eu era da sala dela, e era do time de basquete, ela aceitou. Viramos o casal mais popular da escola, todos falavam da gente. Não sei como você não sabia disso.
- Eu não fui pra escola.
- Agora isso responde tudo. Mas voltando, eu realmente imaginava que iria dar certo. Eu não gostava da Ypê, era só... Pra eu ficar mais descolado ainda. Então ela veio com aquele papo idiota de... Querer... Dormir comigo e eu era um garotão na época. Não faria isso se fosse hoje, mas como naquele tempo eu não tinha maturidade mental, eu deixei. Ypê só usou de mim. No outro dia todos na escola sabiam. E o pai dela disse para eu nunca mais ver a filha dele. Então a escola me chamou de pedófilo, sendo que eu não havia feito nada. E ai a Ypê inventou de fugir comigo. Tudo bem, falei a mim mesmo, nós fugimos, e então os Pacificadores nos encontraram e quase me deixaram sem a pele das costas. O time de basquete me expulsou, e falaram que eu havia seqüestrado Ypê, sendo que eu não fizera nada. E ai a gente fugiu mais uma vez, só que então eu mandei ela voltar pra casa. Ela ficou uma fera, mas aceitou. Dias depois eu soube que Ypê ia se suicidar, quando a empregada a salvou. Ela era uma garota doida. E eu virei... O “pedófilo”, sendo que não fiz nada.
- Talvez ela te amasse demais, e só quisesse que você ficasse preso a ela de alguma forma. Ela deveria pensar que: Se ela engravidasse, todos teriam de aceitar este fato.
- Está defendendo a Ypê? Aquela vadia idiota?
- Não. Estou falando que ela sim poderia ter se apaixonado de verdade por você. [NA: Momento Mellukas da Fanfic...] – Eu não sei, Charlie, não sei mesmo. Eu tenho certeza que vou ser feliz com você, que você é meu amigo de verdade. Mas o Devon... [Momento Dellyne da Fanfic]
- Ele não está aqui. Eu estou.
- E talvez você seja o último menino com quem eu estarei.
- Então aproveite.
- Não quero me aproveitar.
- Mas eu quero que você se aproveite de mim. Que nem a Ypê fez comigo, mas de uma forma diferente. Eu quero você, Cami. Não o seu corpo, mas o seu coração. E se me permitir, a sua alma.
Camille McGarth & Charle Amudsen
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